Durante esta campanha eleitoral tenho dito: nem todo mundo é Patrícia Pilar. Refiro-me à sua disponibilidade de se entregar à campanha do ...

Mulher de candidato

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Durante esta campanha eleitoral tenho dito: nem todo mundo é Patrícia Pilar. Refiro-me à sua disponibilidade de se entregar à campanha do marido com unhas e dentes, como o fez na campanha do seu então marido, Ciro Gomes. Admirável! E palmas para ela.

Nas demais profissões não se espera que a mulher acompanhe tão visceralmente o marido, como a de um político. Ninguém espera que a companheira de um cirurgião plástico esteja na sala de cirurgia cada vez que ele vai fazer um lifting; ou que a mulher de um ator compareça sempre nos ensaios pitacando;
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ou ainda que um piloto leve sempre na frasqueira a sua mulher. Embora se espere que nos congressos de cirurgia, nas estreias do espetáculo ou em algum aeroporto do passado, suas esposas se façam presentes.

Sempre leio reportagem com as mulheres e mães de políticos que assumem o seu papel de primeira "alguma coisa", principalmente em épocas de eleições. Viram quase-candidatas, e vestem literalmente a camisa da candidatura, da legenda, e do palanque do marido. A casa vira um comitê e elas, ferrenhas cabos eleitorais. Participam de todas as atividades, acenam para os eleitores, beijinhos, visitas, santinhos e no palanque, lá estão elas, do lado, a postos!

Bacana! Mas não deveria ser regra nem obrigação, pois ninguém é obrigado a gostar da profissão do marido. Mais importante é gostar dele. Já deveria ser suficiente. Daí que muitos estranham quando alguma mulher de candidato, talvez uma extraterrestre, mantém-se fora do circuito eleitoral.

Pois é, existem mulheres à margem deliberadamente. E nem por isso quer dizer que torcem contra, ou que são submissas, ou que não sabem se comportar como manda o figurino. Elas simplesmente têm outros interesses, se emocionam através de outros canais, não têm tempo,
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trabalham em outras esferas, e tocam a vida fazendo o que gostam, e claro, cuidando da casa e dos filhos, afinal alguém tem que fazer este papel, para que os candidatos desapareçam das suas casas durante toda uma campanha, que dura em torno de 4 meses.

O mundo continua a rodar, o dia a amanhecer, as crianças a frequentar a escola, o cachorro a latir, a noite a uivar, e a vida a ferver, e nem sempre essa fervura se dá para ela no horário eleitoral. Acompanha sim, mas a certa distância e com entusiasmo. Quer ver as pesquisas, os índices; a política está presente, mas de uma outra forma: no cotidiano, no seu fazer diário, nos acontecimentos, e na esperança de ver um país mais justo.

Mas o frenesi de uma campanha eleitoral não é para todos. É para o marido dela. Infelizmente não é para ela! Sua panfletagem? É outra! Quiçá a poesia!


Ana Adelaide Peixoto Tavares é doutora em teoria da literatura, professora e escritora
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