* Sobre a “Igreja” no Brasil Em 30 anos, o percentual dos que se dizem “evangélicos” no Brasil passou de 6,6%, em 1980, para 22,2% da po...

Teologia do bem estar

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* Sobre a “Igreja” no Brasil

Em 30 anos, o percentual dos que se dizem “evangélicos” no Brasil passou de 6,6%, em 1980, para 22,2% da população, em 2010.

Toda essa “evangelização” teve mesmo um efeito benéfico sobre a sociedade brasileira? Contrariando a sua própria auto-imagem otimista em relação a sua influência positiva na vida social, não.

No mesmo período, o consumo de álcool, tabaco e substâncias ilícitas não dimuiu, pelo contrário, só aumentou, assim como a demanda por pornografia, os casos de violência doméstica e de feminicídio e a discriminação aos homossexuais.

Ora, tanta gente assim “convertida” não causaria um impacto positivo na sociedade? Pois não causou. Com exceções pontuais de algumas intervenções autenticamente reformadas, o “evangelismo” brasileiro abandonou a sua fé e enveredou pela teologia do “bem estar”, pregando, de modo histriônico, prosperidade e triunfalismo em vez de conteúdo bíblico.

Então, novamente pelas piores razões, os seus líderes investiram na política, associando-se sempre a ala mais reacionária e retrógrada, a indústria de armas e aos latifundiários, unindo-se a eles contra os direitos dos pobres e dos trabalhadores e contra as suas conquistas sociais, até se assumirem, por fim, como adeptos do reacionarismo, do autoritarismo, do militarismo e da extrema-direita.

É a triste e breve trajetória de um fragoroso fracasso espiritual e moral e da expansão de uma sucata doutrinária que só tornou o país pior do que já era.

Não se trata apenas de “inchaço” em vez de crescimento, é muito pior do que isso. Trata-se da disseminação sistemática de uma visão equivocada que transformou o “Evangelho” num artigo do mercado de bens simbólicos.

“Evangelizar”, neste contexto, é expandir um equívoco no qual cegos guiam outros cegos para o abismo. Certas igrejas brasileiras, sobretudo evangélicas, falidas em sua quase totalidade, precisam voltar aos princípios do Evangelho e da Reforma. Não seria o caso de calçar as sandálias da humildade, arrepender-se de todo o coração, jejuar de verdade, orar de verdade e perguntar: “onde nós erramos?” Ou será que eles já sabem e querem insistir no “erro”, porque é lucrativo?

“De nada vale a riqueza no dia da ira divina, mas a retidão livra da morte” (Provérbios 11:4)

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  1. Muuuuiiiito bom! Artigo muito interessante, pois desvela um perfil da população nuca antes estudado.
    Revelador. E muito corajoso.
    Parabenizo o autor.

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