“Não te deixes destruir...
ajuntando pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre e sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces.
Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.”
Cora Coralina/b>,
Aninha e suas pedras
Cora Coralina é bem conhecida dos leitores por seus poemas e por ter sido uma exímia doceira. Seu primeiro livro foi publicado quando contava 76 anos, mas escrevia desde pequena. Depois do elogio de Carlos Drummond de Andrade em uma crônica de jornal — “Cora Coralina é a pessoa mais importante de Goiás. Mais do que o governador, as excelências, os homens ricos e influentes do Estado...” — a escritora criou coragem, e de sua pena saíram muitos livros que estavam guardados. Na prosa e na poesia, seus textos revelam uma mulher sábia que fala sobre os costumes goianos, os doces caseiros, suas paixões. Com muita simplicidade, seus poemas conseguem ser entendidos por todos.
Cora Coralina e Carlos Drummond de Andrade ▪️ Facebook: @coracoralinaofc
A editora Global vem reeditando livros de autoras consagradas que estavam esgotados; já publicou vários livros de Cecília Meireles, Clarice Lispector e também de Cora Coralina. Um deles é De medos e de assombrações, que contou com ilustrações de Soud. Nesse livro, a poesia foi substituída por histórias de assombração. Ela nos faz voltar ao tempo em que se acreditava que as almas do outro mundo apareciam para conversar com as pessoas.
Os contos do livro remetem a um tempo bem antigo e às pequenas cidades do interior de Goiás. As histórias envolvem escravizados, um falso defunto que salta do caixão apavorando as pessoas e mulheres curiosas que espionavam o que se passava na calada da noite através das rótulas das janelas.
Antigamente, as boas casas coloniais tinham janelas com rótulas ou “tabuletas”; esta é uma expressão da região de Goiás. Esse tipo de janela sobreviveu por alguns séculos. Nas cidades que guardam restos de um passado histórico, como João Pessoa, Recife, Salvador, São Luís do Maranhão e Goiás Velho, o viajante observador irá encontrar muitas janelas com esse tipo de persianas.
A casa da minha infância fica em uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Norte e tinha esse tipo de janela. A casa não foi destruída, mas a modernidade substituiu as janelas por janelões de vidro. A lembrança da antiga janela ficou intacta no ar e no tempo, está registrada nas minhas mais caras lembranças.
GD'Art
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Esse e outros contos de assombração foram recontados por Cora Coralina com muita graça e inventividade. Alguns vieram de Portugal e da Espanha e aqui ficaram arraigados. Cora Coralina recontou histórias de assombração que ouviu de sua bisavó.
Na Paraíba, muitos escritores já se debruçaram sobre contos e lendas de assombração, e vários livros foram publicados recentemente com essa temática que atrai leitores de todas as idades. É um retorno aos contos de Edgar Allan Poe, mestre do terror e do mistério.









