Autorretrato De superfície… Jamais! Detesto coisas rasas. Atiro facas, quebro correntes Deságuo rios de palavras crua...

Moldada em maresia

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Autorretrato
De superfície… Jamais! Detesto coisas rasas. Atiro facas, quebro correntes Deságuo rios de palavras cruas, reviro os céus. Nem os anjos me acodem em tais momentos Minha sede pede mais que um copo d’água. Nada me marca com um simples arranhão Vou ao fundo do fundo. Ou me dobro em deserto onde o silêncio pode Até mesmo gritar sem testemunha incômoda. E o amor em pedaços receber extrema unção. Não há pesar bastante nem nada alivia Por conta do ser parente do infinito Irmão do próprio abismo que carrego sem escolha. Até quando é porta que ninguém descerra. Talvez até que o poder do tempo reduza a pó A velha esfinge devoradora. Profundamente lírica, não sei
A paixão do mergulho A febre da canção sombria Talvez por ter pouca densidade Natureza de chuva, sem magia Remanso de tristeza, lago de saudade. Profundamente vaga pobre a definir A duração exata da inconstância O salto e volta o nó a esclarecer Talvez por ver tão seca a realidade Natureza de nuvem inócua substância Desfazer-se do eterno vir-a-ser. Profundamente tudo no desejo No casulo do sonho entrincheirada No raso fundo da razão tardia Talvez por ser moldada em maresia Natureza de alga mole, morna Letárgica aos raios da manhã Profundamente nada.


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