A Fundação Joaquim Nabuco está se associando aos 80 anos que a nossa Academia de Letras comemora, este ano, precisamente no 14 de setembro...

A última ou a mais nova

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A Fundação Joaquim Nabuco está se associando aos 80 anos que a nossa Academia de Letras comemora, este ano, precisamente no 14 de setembro. Com esse congraçamento, desde março expresso pelo seu presidente, Antônio Campos, à professora Ângela Bezerra Castro, a data se inscreve entre os acontecimentos culturais do Nordeste. A Fundaj nos cede espaço a uma série de conferências
e editará coletânea de ensaios de escritores do quadro acadêmico sobre temas de sua escolha.

O olhar dos que dirigem a Fundaj, instituição cultural quase da mesma idade da nossa APL, havia de dar prosseguimento ao mesmo ânimo e pensamento dos que não viam fronteira de inteligência na divisa de Goiana,de Itambé, do Pajeú, limites que os valores culturais apagam na primeira arrastada de fole ou de viola ou na primeira seleta regional de obras-primas da literatura, da história ou da sociologia.

O imperialismo comercial e industrial do Recife é que não nos deu muita folga, atuando desde os tempos históricos da ouvidoria, como atravessador no comércio do pau de tinta e outras madeiras , do açúcar ou algodão... Mas nas coisas do espírito, se influíram, influíram a favor. Suas ideias e revoluções já foram a campo misturadas, fossem para pegar em armas, como André Vidal, para ser republicano como Arruda Câmara ou para modelar um espírito, uma cultura , um caráter, um tipo como o que avulta dos nordestinos Nabuco, Epitácio, José Américo, Gilberto Freyre, Zé Lins, Ariano. Nossa única diferença vem sendo Augusto, de outro cosmo, tendo de nosso apenas o Engenho Pau d’Arco.

Esse abraço da Fundaj me faz lembrar, passado meio século, a leitura de um rodapé de Barbosa Lima Sobrinho no Jornal do Brasil, ambos em seus grandes dias. Não me lembra mais a que pretexto, o presidente da ABI saía a campo rememorando uma fase de apogeu cultural da Paraíba, tangida a partir do governo de Castro Pinto, com Carlos Dias Fernandes até ser avistada pela Corte com aquele aviso que nos deixava sem distinções: “são os do norte que vêm”. E viemos terminar sem saber realmente quem era do Ceará, do Rio Grande, do Piauí, de Pernambuco, Maranhão quando chega Celso Furtado, um paraibano de Londres, da França, do Chile para nos caldear na Sudene.

Vem dessa fase advertida por Pernambuco, na visão do velho Barbosa Lima, os primeiros ensaios para converter em academia de letras o que pudesse ser depurado dos grêmios e associações literárias que infestavam os alpendres e fundos de quintal das nossas escolas públicas e particulares.

Surge, então, a nossa Academia de Letras, a última a ser criada entre os vinte estados e o distrito federal de então, a qual, para não ficar muito por baixo, o fundador Coriolano confeitou com chave de ouro: “Acabamos de fundar, não a última, porém a mais nova academia de letras do Brasil”.
Publicado n'A União, em 05/05/21


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