O ambiente conflituoso em que estamos mergulhados, impede a reflexão sobre as nossas ações e sentimentos. O mundo moderno cheio de inj...

Não existe esperança onde se planta a discórdia

O ambiente conflituoso em que estamos mergulhados, impede a reflexão sobre as nossas ações e sentimentos. O mundo moderno cheio de injustiças e insegurança, faz com que fiquemos enfraquecidos para o despertar da esperança. O egoísmo humano da contemporaneidade promove a indiferença em relação às questões coletivas e ao bem comum. Predomina o lema: “salve-se quem puder”.

Impossível alimentar esperanças quando os corações estão contaminados pelo ódio. Perde-se a capacidade de decidir com racionalidade, porque as emoções se apresentam como determinantes do agir das pessoas. Como ter esperanças num futuro onde, ao invés de se estimular a fraternidade, se incita a violência, o desrespeito, a discriminação? O que esperar de uma sociedade que aplaude a apologia da tortura, aclama as atitudes preconceituosas, desconsidera a necessidade da convivência em termos de igualdade entre os indivíduos, independente de gênero, raça, classe social, preferência sexual, etc.?

Sempre associei a palavra esperança à expectativa de um amanhã construído num espírito de paz e harmonia. Esperança é sinônimo de crença num porvir melhor, em que a tranquilidade se afirme no trilhar dos nossos caminhos. A conquista desse novo tempo que necessitamos só acontecerá com a união das forças sociais. Enquanto existir essa energia de guerra fratricida que impera atualmente no Brasil, estaremos obrigados a tomar partido como se isso fosse uma questão de sobrevivência. Não a sobrevivência de uma nação que deva oferecer melhores condições de vida para seu povo, sem distinção, mas a que garanta individualmente a consecução de interesses particulares ou de grupos.

Assusta a visão de turbulência social e política que está sendo preparada. Essa conflagração nacional extremada, fragiliza os sinais de esperança que buscamos. Se não houver um armistício, pondo fim às hostilidades políticas, dificilmente conseguiremos viver num país onde todos tenham o mesmo compromisso com o futuro.

Quando a falta de esperança se torna um fenômeno social, é porque alcançamos um estágio de desespero, pessimismo e desilusão, que nos expõe a incapacidade de enfrentar as crises que nós mesmos fabricamos.

O educador Paulo Freire nos ensinou que: “Ninguém liberta ninguém. Ninguém se liberta sozinho. Os homens só se libertam em comunhão.” E o Papa João Paulo II chegou a dizer que “a esperança também tem um dimensão comunitária e social.” Portanto, não será numa atmosfera de discórdia que acenderemos a chama da esperança de um Brasil melhor.

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  1. Pois é: há menos de 10 anos que estamos nos degladiando. Antes não havia esse ódio, éramos uma nação cortez, da paz.
    O ódio vem sendo alimentado, a princípio em fogo brando, porém agora estão jogando mais lenha nessa fogueira Brasil.
    Uma lástima...

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