ACHO que, em todas as épocas, sempre que surgia uma novidade, alguém enaltecia o quão avançado era aquele tempo. Portanto, o que nos surpr...

Tempos modernos!

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ACHO que, em todas as épocas, sempre que surgia uma novidade, alguém enaltecia o quão avançado era aquele tempo. Portanto, o que nos surpreende e chamamos de novidade, atualmente, é apenas mais um passo da humanidade e, no futuro, não vamos "achar" tão extraordinário assim.

Toda essa embromação é para justificar a percepção de que o mundo tornou-se uma bela salada de ideias. Muitas “tribos” que andavam escondidas e sem voz conquistaram “seu lugar de fala” e hoje proclamam fervorosamente suas descobertas. Virou uma conflituosa mistura de conceitos, crenças, teorias, verdades e mentiras, propagadas como grandes novidades.

Os cientistas, com essa “mania” de precisão e de só anunciarem o que está provado, estão perdendo espaço para os “achologistas”, essas pessoas preparadas com uma sólida formação em Facebook, Instagram e WhatsApp, as quais, por sua vez, estão conquistando a Terra (plana).

Com duas ou três frases, os "achologistas" explicam, baseados numa dialética supositória, os porquês mais profundos e misteriosos do universo, bastando ao ouvinte um pouco de crença — quase religiosa — para entender.

Comecei a refletir em frente ao espelho (isso que é um “duplo sentido” sem maldade!) sobre como participar desse momento tão profícuo da civilização. Também quero inventar. Também quero acrescentar um “ingrediente” nessa “salada de Babel”.
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Talvez uma tese sobre o filme “A Hipocrisia da Sociedade Metropolitana”, filme esse que nunca chegou a ser rodado. É apenas um título inventado para ganhar o jogo de mímica em que as pessoas tentam descobrir o nome da produção. Meu amigo, coitado, fez contorcionismo e desmembramentos impressionantes, mas não conseguiu transmitir o nome do filme e perdeu o jogo. Até hoje, trinta anos depois, ele me pergunta onde pode conseguir a tal obra, porque tem muita curiosidade de assistir. Estou enrolando ele só um pouquinho. Às vezes falo que alguém me disse que ouviu falar que estava no Netflix. Ainda vou contar a verdade, mas pra que pressa, né?

Mantendo-me nessa linha da “achologia”, posso achar por exemplo, que as cigarras cantam em ré menor... e há quem acredite. Também posso achar que a Terra é quadrada. Por que não, se na matemática até a raiz é quadrada? Acreditar cegamente já é o suficiente para dar início a uma tese de achologia.

Poderia ainda, num ato de ousadia, fundar o M.A.P.A — Movimento de Alternância das Pernas Aflitas. Seria um movimento de luta pela valorização das pernas. Isso mesmo, quem sabe uma ONG que valorizasse nosso primeiro meio de transporte, que foi depreciado e preterido pela primeira roda que apareceu. Inclusive, indignado que estou, quero aproveitar esse espaço para prestar uma homenagem às nossas queridas pernas.

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VIVA NOSSAS PERNAS! Leitores, desculpem-me. Era só um compromisso que assumi comigo mesmo de dar esse grito aqui. Qualquer semelhança com o “Viva a Cacilda Becker” exclamado por Caetano Veloso em 1968 é mera coincidência.

Portanto, encerro esse produtivo pseudocientífico texto e espero que, ao ouvirem a cigarra cantando em ré menor, vocês se lembrem que fui eu quem “achou” isso primeiro.

Obs.: E não esqueça de deixar seu like .

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  1. Aldo, acho que você anda inspirado mesmo. "Dá linha Zé galinha" está gostoso ler.

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  2. Me encanta,entretenido,inteligente, muito bom de ler. Parabéns.

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