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Outro dia, “trêzontonte”, estava eu sofrendo de “palavras engasgadas”. Sim! É uma moléstia bem comum, que ainda não consta no livrinho...

Outro dia, “trêzontonte”, estava eu sofrendo de “palavras engasgadas”. Sim! É uma moléstia bem comum, que ainda não consta no livrinho do CID (Classificação Internacional de Doença), mas é perigosa.

Palavra presa sufoca, dá nó na garganta e abatimento. Já vi muita amigdalite que começou com palavra ríspida que não desceu e se agravou com respostas oportunas que não saíram.

Emplaquei 55. Foram muitos passos na superfície dessa redonda, e já houve algumas mudanças: a orelha cresceu e os sons diminuíram; uma...

Emplaquei 55. Foram muitos passos na superfície dessa redonda, e já houve algumas mudanças: a orelha cresceu e os sons diminuíram; umas quinhentas pintas e manchas apareceram; o cabelo embranqueceu; os olhos pediram óculos e o raciocínio perdeu potência, não passa de jeito nenhum dos 80 km/h. Mas não foram só perdas: ganhei também barriga, rugas, dor no ombro e um pouquinho de descrença na humanidade, mas, como diz Fabiola Lugão,

Com a devida licença poética, eu acho que o cronista é um observador de invisíveis, um tipo de jornalista investigativo de coisas e fato...

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Com a devida licença poética, eu acho que o cronista é um observador de invisíveis, um tipo de jornalista investigativo de coisas e fatos corriqueiros, imperceptíveis e até desimportantes. É alguém que relata consternado a história de um pé de milho que nasceu espremido entre a rua e o meio fio, ou que descreve com a precisão de um anatomista o corte milimétrico do queijo servido na casa do seu primo “mão de vaca” ou ainda que consegue descrever minuciosamente seu ciúme ao ver a filha de 3 anos suspirar apaixonada pelo coleguinha bem mais velho, um sujeito de 4 anos.

Quando a gente tinha tempo… Meus olhos não tinham pressa. Minha cidade era pequena, tinha carroças puxadas por cavalos, mulheres equilibra...

Quando a gente tinha tempo… Meus olhos não tinham pressa. Minha cidade era pequena, tinha carroças puxadas por cavalos, mulheres equilibrando trouxa de roupa na cabeça, quintais com frutas, cachorros nas ruas, quitanda com viveiro de galinhas na porta, ruas de paralelepípedos e uma ingenuidade que só as “cidades-criança” têm.

Tem um banquinho aqui no sítio chamado Banco da Contemplação. Fica de frente para um vale e no horizonte a gente avista o mar. Nesse momen...

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Tem um banquinho aqui no sítio chamado Banco da Contemplação. Fica de frente para um vale e no horizonte a gente avista o mar. Nesse momento, olhando para o sul, vejo o céu levemente alaranjado, mas ao norte ele está azul e as silhuetas dos montes contrastam com as últimas luzes do dia. Depois vem o Atlântico, o horizonte e uma linha separando os azuis do céu e do mar.

Na casa do meu primo Emmanuel Lugão a reforma começou com uma mijada de filho na cama. A esposa aproveitou e sugeriu trocar o colchão que ...

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Na casa do meu primo Emmanuel Lugão a reforma começou com uma mijada de filho na cama. A esposa aproveitou e sugeriu trocar o colchão que já estava velho. O primo topou, mas na sequência ela reparou que a cama não estava à altura do colchão novo, daqueles super, hiper, anatômico, ultra, top confortável, magnetizado e de molas ensacadas, e logo decretou: vamos trocar essa cama também. Meu primo concordou, e ainda caiu na besteira de dizer que a cor do piso não combinava com a cama, foi a “deixa” para ela decidir trocar o piso por um porcelanato ultra-top-super brilho com placas de 1 metro por 1 metro, mas que infelizmente não aceitava “recorte”,

Não sei se a vida — ou a morte — de um beija-flor interessa a mais alguém além da família e dos amigos do pequeno voador, mas, supondo que...

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Não sei se a vida — ou a morte — de um beija-flor interessa a mais alguém além da família e dos amigos do pequeno voador, mas, supondo que haja interessados na luta desse guerreiro, vou contar o ocorrido.

Ele era bem pequeno e de uma coloração azul escura, rabo curto, nem parecia bonito. Encontrei-o à noite, quando cheguei ao sítio. Estava imóvel, frio

'Vô' Genésio! Lembro que passei várias vezes debaixo do caixão dele. Literalmente um rito de passagem, ou apenas o melhor caminho...

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'Vô' Genésio!

Lembro que passei várias vezes debaixo do caixão dele. Literalmente um rito de passagem, ou apenas o melhor caminho que encontrei para transitar na sala lotada. E numa dessas idas e vindas alguém me ergueu para vê-lo pela última vez. Acho que era uma tentativa de explicar para um menino de 7 anos o que estava acontecendo.

Lembro bem do seu rosto sereno, pletórico e com um discreto sorriso, ele estava seguro de encontrar um bom lugar do "outro lado".

Poucas coisas são mais irritantes que estar preso num grande engarrafamento, mas pode ser muito pior se o tempo de viagem estiver rigor...

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Poucas coisas são mais irritantes que estar preso num grande engarrafamento, mas pode ser muito pior se o tempo de viagem estiver rigorosamente atrelado ao tempo do trânsito intestinal, que, ao contrário do primeiro, não está nem um pouco engarrafado.

Sexta feira, 18h45, velocidade da via: um quilômetro por hora. E eu ali, totalmente cercado por carros, caminhões, buzinas, fumaças e roncos de motores.

Ele acordou e decidiu fazer tudo diferente. Desde jovem era mal humorado, com o tempo foi se tornando grosseiro, intolerante, desconfia...

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Ele acordou e decidiu fazer tudo diferente. Desde jovem era mal humorado, com o tempo foi se tornando grosseiro, intolerante, desconfiado, arrogante, egoísta, chato e rancoroso. Suas escolhas e o jeito de encarar a vida o transformaram num homem triste, isolado, mal amado, mal sucedido, embrutecido e angustiado.

Era uma segunda-feira, justamente o dia da semana que mais o enervava. Voltar ao trabalho, encontrar pessoas, cumprir obrigações, enfrentar o trânsito...

"AMANHÃ EU FAÇO", era o que estava escrito na plaquinha torta pendurada na parede do seu quarto. Foi um presente que ganhou quan...

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"AMANHÃ EU FAÇO", era o que estava escrito na plaquinha torta pendurada na parede do seu quarto. Foi um presente que ganhou quando era adolescente, mas até hoje ainda não agradeceu.

Sua tendência a “deixar pra depois”, começou ainda na barriga da mãe. Segundo o prontuário médico sua gestação foi de 44 semanas, fato inédito que intrigou e chocou a Sociedade Internacional de Obstetrícia. Houve acusações de erro médico, mas depois de muito estudo, exames e discussões acaloradas,

O chato é um sujeito intermediário, ele está entre o sim e o não, aquele que nem foi e nem ficou, quer, mas não quer, nem ata nem desata. ...

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O chato é um sujeito intermediário, ele está entre o sim e o não, aquele que nem foi e nem ficou, quer, mas não quer, nem ata nem desata. E, apesar de indeciso, se acha o sabichão, tem regras e palpites pra tudo.

Se fosse só isso a gente ignorava e tocava a vida, mas não é assim, o chato clássico faz questão de aparecer. É a autêntica mosca na sopa ou pedra no sapato, não tem jeito, acaba incomodando. É aquele cara que no final da palestra, às 13h, auditório lotado, todo mundo cansado, com fome, afim de sumir dali, e… adivinha quem levanta a mão pra falar? O chato, claro. Muito sem jeito o professor pede para as pessoas

São tantas informações, números, gráficos, tantas fotos, telas, vídeos, livros e mais livros. Tudo esmiuçado, decifrado, registrado, e...

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São tantas informações, números, gráficos, tantas fotos, telas, vídeos, livros e mais livros.

Tudo esmiuçado, decifrado, registrado, explicado e catalogado.

O bicho homem tomou conta do planeta azul.

Loteamos, cercamos, apossamos, futucamos.

Aplainamos morros, aterramos lagos, desviamos rios, empurramos o mar, dominamos o fogo, canalizamos águase domamos a eletricidade.

ACHO que, em todas as épocas, sempre que surgia uma novidade, alguém enaltecia o quão avançado era aquele tempo. Portanto, o que nos surpr...

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ACHO que, em todas as épocas, sempre que surgia uma novidade, alguém enaltecia o quão avançado era aquele tempo. Portanto, o que nos surpreende e chamamos de novidade, atualmente, é apenas mais um passo da humanidade e, no futuro, não vamos "achar" tão extraordinário assim.

Teve banheiro entupido, dor de barriga, cachorro dormindo na cama, mulher reclamando e tempo sendo consumido. Depois eu explico a odisseia...

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Teve banheiro entupido, dor de barriga, cachorro dormindo na cama, mulher reclamando e tempo sendo consumido. Depois eu explico a odisseia dessa madrugada, porque agora faltam apenas 11 minutos para meu “busão” passar no ponto (“linha 145 / Jardim da Penha”).

Existem as pessoas que não sabem arrumar o quarto, existem as que não organizam os horários e existem as que não conseguem engavetar, orga...

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Existem as pessoas que não sabem arrumar o quarto, existem as que não organizam os horários e existem as que não conseguem engavetar, organizar ou empilhar sentimentos.

Estes geralmente são avessos a ordens, normas e protocolos. Vagam contemplando coisas que quase ninguém vê. Enxergam uma “flor no lixo”, ou “que o fim da tarde é lilás”, ou “o avesso do avesso do avesso”.

Em tempos de clonagem, golpes virtuais e fraudes, percebo que alguma coisa está errada com meu telefone.

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Em tempos de clonagem, golpes virtuais e fraudes, percebo que alguma coisa está errada com meu telefone.

Chegou com 1 quilo e 400 gramas. Mal ficou em pé e já saiu andando desengonçada pelo corredor, cheirou todos os cantos até fazer o primeir...

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Chegou com 1 quilo e 400 gramas. Mal ficou em pé e já saiu andando desengonçada pelo corredor, cheirou todos os cantos até fazer o primeiro xixi. Volumoso e amarelinho no meio da sala. Assustei com a quantidade que saiu de uma cachorra tão pequena. Minha filha e minha esposa comemoravam com aplausos e entusiasmo o xixi na sala.

Para equilibrar, já que escrevi sobre os “ pequenos sofrimentos do cotidiano ”, vai um texto sobre os pequenos prazeres do cotidiano.

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Para equilibrar, já que escrevi sobre os “pequenos sofrimentos do cotidiano”, vai um texto sobre os pequenos prazeres do cotidiano.

Eu esperava o elevador com quatro sacolas de compras em cada mão e uma delas estava segura justamente pelo “dedo mindinho”, o mais fraquin...

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Eu esperava o elevador com quatro sacolas de compras em cada mão e uma delas estava segura justamente pelo “dedo mindinho”, o mais fraquinho de todos, e começava a doer, mas o elevador já ia chegar. Será que compensa colocar no chão e perder todas as alças já devidamente organizadas nos dedos? O elevador é uma incógnita, sempre na iminência de chegar, mas nunca chega, a não ser quando colocamos as sacolas no chão, nesse caso, chega imediatamente.