Atazanando a memória eletrônica que se dispõe a substituir as falhas que a física já me apresenta, encontrei um recorte de jornal (ah! in...

''Virou zona''

Atazanando a memória eletrônica que se dispõe a substituir as falhas que a física já me apresenta, encontrei um recorte de jornal (ah! instrumento de tanta utilidade e que tanta falta nos faz, nos dias de hoje), em que, sob o título acima, do qual me apropriei indevidamente, o combativo jornalista Rubens Nóbrega (Correio da Paraíba, 20/Mar/2004) dá eco ao combate que os residentes e veranistas da praia do Jardim América, hoje Bairro do Bessa, empreenderam, para livrar a praia da invasão deletéria de bares e assemelhados que se verificava por ali.

Após lembrar que a situação vivida naquela praia bem se enquadrava na classificação com que a sabedoria popular atribui a fatos dessa ordem, Rubens Nóbrega lembrava que o uso dessa classificação popular era perfeitamente cabível, pois servia como “a mais perfeita tradução de como o interesse privado invade e toma conta do espaço público na capital paraibana”.

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Dizia mais: “De fato, o que os donos das praias estão fazendo em praticamente todo o litoral da Paraíba é algo muito sério. A ajudá-los, inércia e omissão do poder público.”

Felizmente, o bom combate e a tropa que o empreendia receberam reforço que desmentiu a impressão geral de inércia e omissão – o Ministério Público Federal, que deu alento aos combatentes e os levou à vitória.

Mudou o campo de batalha e alguns dos invasores, mas o cenário de beligerância e o perfil da tropa invasora guardam as mesmas semelhanças.

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Parece até que recebeu treinamento de velhos instrutores egressos da “Wermacht” e, usando das mesmas táticas e explorando as mesmas fraquezas que seus possíveis oponentes apresentavam, como em tempos atrás , reposicionou seus efetivos e avançou sobre o novo território, que está sendo ocupado em velocidade de “blitzkrieg”.

Infelizmente esse avanço de tropas invasoras sobre a orla marítima da outrora bucólica praia do Cabo Branco, vai tornando aquela área uma “terra de ninguém”, onde seus viventes, parecem melancolicamente aceitar tal situação, à exceção de uns poucos, como o Jornalista e Poeta Petrônio Souto (em Descobrir o mar – ALCR, Fev/ 2022) e o Procurador Valério Bronzeado, que bradam, infelizmente sem ouvintes, por socorro.

É, então, de se perguntar: onde estão, agora, IBAMA, SUDEMA, SPU, Instituto Chico Mendes e, dentre outros, a saudosa Associação Paraíba dos Amigos da Natureza? Será que ainda existe um chamado Comitê Gestor do Projeto Orla de João Pessoa?

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Será que nenhum desses órgãos ouve o grito de socorro dos “moradores da área, que já pagam pesados impostos, inclusive uma taxa de foro pela ocupação do chamado “terreno de marinha” (ressalve-se que incidente apenas sobre residentes da área mais próxima da beira-mar), cobrado pela União Federal”, e que, agora, se veem a braços com esse atentado ao meio ambiente e ao seu direito de viver?

Talvez valha a pena lembrar os inúmeros pareceres que à época da demanda dos residentes do Bairro do Bessa pela limpeza de sua praia foram apensos ao Processo decorrente do Inquérito Civil Público nº 1.24.000.000139/2004-06, cuja essência cabe como uma luva nessa situação de caos, já instalada.

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  1. Flávio Ramalho de Brito26/5/22 19:48

    Aquele artigo de Petrônio Souto teve grande repercussão, o que demonstra o descontentamento da população com esse absurdo que está acontecendo. Até as proximidades da FCJA a praia do Cabo Branco dá pena. Mas, Arael a gente tem que se reunir e se articular com o MPF porque aquela área é patrimônio da União. Vamos pra luta.

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