DOR O espinho da incerteza encrava uma dor no meu peito. Sem cura para o mal, a sedação da esperança não faz mais efe...

Cotidiano

poesia paraibana marineuma oliveira gruppo evocare
 
 
 
DOR
O espinho da incerteza encrava uma dor no meu peito. Sem cura para o mal, a sedação da esperança não faz mais efeito. Faquir, em noites de insônia, levito, nas cerdas afiadas do meu leito.
TÉDIO
O tédio se faz de palavras banais, perdidas na tarde monótona demais. E o desejo de fuga se faz tão presente que, ausente, quem dera sumir em busca do nada e, quem sabe, em sonhos, o real diluir.
METAMORFOSE
O branco dos meus cabelos emoldura meu rosto cuja pele desbotada contrai minha boca e acinzenta meu olhar. Quando foi que isso passou a ser melhor idade, se tudo o que sinto é um cheiro acre de morte a se aproximar?!
AMARO
O remédio é diário, para sempre e amargo. A cura desse mal é quimera em seu status. Mas, entre morrer de todo, de uma só vez, num sobressalto, prefiro protelar e, na espera, encantar-me aos poucos.
CONTRADITA
A morte me assusta, porque não a entendo e nem sei, de antemão, a que “será que se destina”. Já a vida me interpela exigindo satisfação, me levando a acreditar ser essa minha sina. Ambas são, certamente, a mais dura contradição que essa existência me ensina.

NOTA
Poemas incluídos no capítulo COTIDIANO, do livro "Entre Parênteses - Poemas" (Ed. Da Autora), de Marineuma de Oliveira, com participação, em áudio, do grupo Poética Evocare.
Clique na imagem ao lado para acessar episódios completos do podcast homônimo, já publicados em plataformas de streaming (Link)

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