A “Economia de Comunhão” tem sido eficaz na resolução de diversos conflitos sociais em escala global. Através da solidariedade Cris...

'Economia de Comunhão'

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A “Economia de Comunhão” tem sido eficaz na resolução de diversos conflitos sociais em escala global. Através da solidariedade Cristã, ela tem fomentado a “unidade na diversidade”. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), na cidade de Trento, na Itália, um grupo de jovens italianas experimentou essa espiritualidade. Duas destas jovens eram Chiara Lubich (1920-2008) e Ginetta Calliari (1918-2001). Em meio aos destroços do conflito mundial e à loucura exacerbada da guerra, enquanto as bombas caíam e se abrigavam em bunkers, as primeiras seguidoras de Chiara, com idades entre 15 e 20 anos, vivenciaram a solidariedade por meio da prática do evangelho, revelando uma nova compreensão sobre o novo significado do amor recíproco.

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Ginetta Calliari
Uma das principais transformações provocadas por essas jovens na estrutura da sociedade foi a habilidade de acolher e responder com compaixão ao apelo do "grito social", percebendo nele um convite para abraçar o sofrimento de Cristo presente nas aflições sociais de um indivíduo abandonado pela sociedade e despojado de sua dignidade, assim como nos conflitos destrutivos provocados pelo ódio entre correntes ideológicas e nas tensões geradas pelos interesses do poder econômico contra o bem comum. Essa escolha de amar o sofrimento humano sendo um crucifixo vivo se tornou a prioridade de suas vidas, levando-as a suprir as necessidades vitais do próximo e a vivenciar os princípios do "Sermão da Montanha" (BÍBLIA, Mt. 5):

— “Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados!” (BÍBLIA, Mt. 5, 4); — “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão saciados!” (BÍBLIA, Mt. 5, 6); — “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia!” (BÍBLIA, Mt. 5, 7).

Chiara Lubich propõe que a espiritualidade da “unidade na diversidade” seja a essência da existência humana. Durante a Segunda Guerra Mundial, suas primeiras seguidoras percorriam cidades com o propósito de difundir o ideal de unidade como uma necessidade dos tempos contemporâneos. Elas vivenciavam esse princípio em todas as interações, lado a lado, em comunidades e sociedades. Assim como Chiara, Ginetta estabelecia conexões com todas as culturas, incluindo as diversas correntes ideológicas, políticas e religiosas. Essa revolução se expande e está em quase todos os países.

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Marco Bellucci
Ginetta Calliari expressava seu afeto pelos mais desfavorecidos em termos de dignidade humana. Ela relata sua experiência e as teses sobre a promoção humana em sua obra O Evangelho, Força dos Pobres (2001). As proposições estão fundamentadas no princípio de "unidade na diversidade" e demonstra que a atenção ao "grito social e ao cidadão desamparado" une pessoas de todas as classes sociais para compartilhar o que possuem, seja muito ou pouco, com os mais necessitados.

Ao conviver com comunidades em extrema carência e em contextos marcados por conflitos e polarizações políticas, Ginetta aplicava os princípios da "Economia de Comunhão" que se baseavam na criação de um modelo inovador de negócios e fábricas pautado pela solidariedade, respeito à dignidade dos trabalhadores e pela participação dos
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Celyn Kang
colaboradores na distribuição equitativa de bens e lucros entre todos. Todo esse esforço tem o objetivo de prevenir a escassez vital para a sobrevivência humana e eliminar o flagelo da pobreza social. Esse modelo econômico e de empreendedorismo e economia criativa estão em prática em diversos países e foi concebido por Chiara Lubich durante sua estada na cidade de São Paulo em 1991. No Brasil, existem polos de produção significativos, como o Polo Spartaco em Vargem Grande Paulista, São Paulo. Os polos são coordenados pela Associação Nacional por uma Economia de Comunhão (ANPECOM).

As teses de Chiara Lubich sobre a "Economia de Comunhão" e as iniciativas sociais de Ginetta Calliari promovem o diálogo para a unidade entre diferentes propostas de políticas públicas dos estados e de Governo. Esse projeto vem se destacando nas relações de mercado, especialmente pela forma como distribui o capital, garantindo que os trabalhadores tenham participação na propriedade dos meios de produção. Isso fica evidente em suas cooperativas, onde a gestão se organiza na participação direta ou representatividade dos colaboradores, também na distribuição dos lucros anuais e na tomada de decisões através do diálogo e na aprovação conjunta entre os trabalhadores, assegurando que é viável promover o bem-estar social e a dignidade de cada ser humano, pois todos cidadãos não estão em competição entre si.


As administrações das áreas industriais criadas com base no apelo social são conduzidas por empresas que ocupam espaços comunitários e urbanizam regiões para alugá-las a outras empresas solidárias. A "Economia de Comunhão" tem como outra característica a produção voltada para o mercado consumidor, incentivando sua expansão do âmbito regional para o global. As ideias de Chiara estão presentes em seu livro Economia de Comunhão: História e Profecia, publicado em 2020 pela Editora Cidade Nova.

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