Eu era um pirralho no bairro do Miramar quando chegou a notícia de que todo mundo deveria voltar para casa e procurar um esconderijo, preferencialmente embaixo das camas, porque iria acontecer a explosão de um caminhão cheio de gasolina que estava em chamas no centro da cidade. Pelo menos é disso que lembro. À noite, com a chegada dos nossos pais vindos do trabalho, soubemos do fato.
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Outro herói, esse identificado, é Iran Mamede, da minha reca de maloqueiros do Miramar. Naquela terrível tragédia da lagoa, onde dezenas morreram afogados, consta que Iran mergulhou e salvou muitas vidas. Esses são fatos contados até hoje no Miramar. Nunca encontrei um desmentido. Iran nadava bem; éramos da mesma equipe de natação do clube Cabo Branco. Na época da tragédia eu morava no Rio de Janeiro e não pude acompanhar a história, mas, tempos depois, procurei me informar através de amigos comuns, já que Iran viajara e estava trabalhando como mergulhador (da Petrobrás?).
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Passados muitos anos, estava na calçadinha de Tambaú quando um verdadeiro armário de músculos me abordou:
“— Lembra de mim? Iran, do Miramar.”
Imediatamente dei-lhe um abraço de urso e não larguei até sentir que ele estava relaxado. Graças a Deus, não lembrava daquele lamentável equívoco que eu cometera tanto tempo atrás. O que, para muitos, foi uma demonstração de afeto meu, na verdade era uma tentativa tosca de não deixar Iran devolver aquele maldito murro. Deu certo.
Cadê a estátua do meu amigo Iran?