Feliz mês de julho a todos/as! Vou recorrer a um ditado delicioso que aprendi com minha amiga Nina, de João Pessoa: "Meiou, findo...

Namorados e amantes

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Feliz mês de julho a todos/as! Vou recorrer a um ditado delicioso que aprendi com minha amiga Nina, de João Pessoa: "Meiou, findou!" Traduzindo: metade do ano já foi embora. Agora, sem percebermos, começaremos a ouvir falar em Natal, amigo secreto e panetone. O tempo não anda; ele corre uma maratona. Mas deixemos o calendário descansar um pouco.

Hoje quero falar sobre... namorados e amantes.

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Calma. Não estou propondo nenhuma revolução sentimental. Refiro-me às palavras. Outro dia comecei a pensar que existem palavras que parecem nascer destinadas umas às outras. Formam casais tão estáveis que nossa cabeça estranha qualquer tentativa de separá-las:

Pergunta e resposta
Sal e pimenta
Arroz e feijão
Pão e manteiga
Chave e fechadura
Café e leite
Quase não pensamos nessas combinações; elas simplesmente acontecem. Mas basta alguém trocar um dos elementos para surgir uma espécie de "amante" linguística:

Pergunta... e contra-pergunta
Pão... e geleia
Arroz... e lentilha
Café... e chá.
Aliás, isso depende até do país. No Brasil, café e leite parecem um casamento consolidado. Na Inglaterra ou na Índia, talvez o chá olhe para o café com certo ar de desconfiança, como quem diz: "Desculpe, mas você entrou na história errada." A lógica das associações muda conforme a cultura. Aliás, acontece o mesmo com outras ideias. Quando pensamos em dia e noite, esquecemos da manhã, da tarde, do entardecer.
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Pensamos em vida e morte, mas existe a sobrevivência. Existe, também, apenas existir. Pensamos em alto e baixo, esquecendo que há todo um universo entre os dois extremos. Nossa mente gosta de organizar o mundo em pares. Parece que isso dá segurança. Talvez seja por isso que tudo aquilo que rompe uma associação habitual provoque certo desconforto.

Foi exatamente essa sensação que encontrei ao estudar o escritor uruguaio Felisberto Hernández (1902-1964). Ele fazia algo aparentemente simples, mas profundamente inquietante: recusava as associações prontas.

Objetos deixavam de ser apenas objetos. Partes do corpo pareciam guardar lembranças próprias.

Uma mesa podia carregar uma memória.

Uma mão podia parecer pensar.

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Durante muito tempo, muita gente considerou isso pura excentricidade. Mas será mesmo?

Quem nunca disse que alguém "carrega o mundo nas costas"? Ou que uma injustiça é difícil de engolir? Ou que um coração ficou pesado?

De repente, percebemos que talvez nossas próprias metáforas podem revelar algo curioso: damos sentimentos às coisas e às partes do corpo o tempo todo, apenas não percebemos. Talvez Felisberto não estivesse inventando uma realidade estranha. Talvez apenas estivesse olhando
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para uma realidade que nós aprendemos a não enxergar. E aí volto aos "namorados e amantes".

Talvez as palavras também tenham seus relacionamentos.

Algumas vivem felizes por décadas.

Outras, de vez em quando, resolvem trocar de companhia.

E é justamente nessas "infidelidades" da linguagem que, às vezes, nasce uma boa ideia. Então, da próxima vez que alguém responder uma pergunta com outra pergunta, você já sabe.

Pode sorrir e dizer:

⏤ Não me venha com uma amante!

Que nunca nos faltem ideias um pouco birutas — porque quase toda boa invenção começou parecendo estranha.

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