Feliz mês de julho a todos/as! Vou recorrer a um ditado delicioso que aprendi com minha amiga Nina, de João Pessoa: "Meiou, findou!" Traduzindo: metade do ano já foi embora. Agora, sem percebermos, começaremos a ouvir falar em Natal, amigo secreto e panetone. O tempo não anda; ele corre uma maratona. Mas deixemos o calendário descansar um pouco.
Hoje quero falar sobre... namorados e amantes.
GD'Art
| Pergunta e resposta |
| Sal e pimenta |
| Arroz e feijão |
| Pão e manteiga |
| Chave e fechadura |
| Café e leite |
| Pergunta... e contra-pergunta |
| Pão... e geleia |
| Arroz... e lentilha |
| Café... e chá. |
GD'Art
Foi exatamente essa sensação que encontrei ao estudar o escritor uruguaio Felisberto Hernández (1902-1964). Ele fazia algo aparentemente simples, mas profundamente inquietante: recusava as associações prontas.
Objetos deixavam de ser apenas objetos. Partes do corpo pareciam guardar lembranças próprias.
Uma mesa podia carregar uma memória.
Uma mão podia parecer pensar.
GD'Art
Quem nunca disse que alguém "carrega o mundo nas costas"? Ou que uma injustiça é difícil de engolir? Ou que um coração ficou pesado?
De repente, percebemos que talvez nossas próprias metáforas podem revelar algo curioso: damos sentimentos às coisas e às partes do corpo o tempo todo, apenas não percebemos. Talvez Felisberto não estivesse inventando uma realidade estranha. Talvez apenas estivesse olhando
GD'Art
Talvez as palavras também tenham seus relacionamentos.
Algumas vivem felizes por décadas.
Outras, de vez em quando, resolvem trocar de companhia.
E é justamente nessas "infidelidades" da linguagem que, às vezes, nasce uma boa ideia. Então, da próxima vez que alguém responder uma pergunta com outra pergunta, você já sabe.
Pode sorrir e dizer:
⏤ Não me venha com uma amante!
Que nunca nos faltem ideias um pouco birutas — porque quase toda boa invenção começou parecendo estranha.











