Uma biografia por Anna Funder
Ed. Companhia das Letras Tradução: Denise Bottmann
O livro abre com 3 epígrafes:Ed. Companhia das Letras Tradução: Denise Bottmann
“O amor sexual ou não é muito trabalhoso”
(Georges Orwell)
“Todos nós inventamos as pessoas que amamos”
(Phyllis Rose)
“Homens e mulheres leem livros para amar mais a vida”
(Vivian Gornick)
Tudo começa quando Anna Funder encontra em um Sebo uma coleção de ensaios e cartas de Orwell de 1968 e diz que gostava muito do autor por sua visão clara do poder e seu humor auto depressivo. Orwell é um dos maiores escritores do século XX seus livros mais conhecidos são A fazenda dos animais e o maravilhoso 1984.
GD'Art
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A biógrafa mostra como Orwell nunca a mencionou em seus livros, nem mesmo seus biógrafos falam sobre ela. É como se ela não existisse, entretanto, foi uma mulher altamente participativa e atuante junto ao trabalho do marido e foi inclusive combatente na Guerra Civil Espanhola, como o marido.
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Segundo Engels o patriarcado se desenvolveu quando as sociedades nômades de caçadores se tornaram sedentárias. Os homens passaram a reivindicar a terra, os animais, as mulheres, a progenitura. E foi assim que os homens passaram a controlar a sexualidade feminina, a herança, o comando, o protagonismo em tudo.
Dentro dessa análise a historiadora Gerda Lerner afirmou:
A autora-biógrafa diz que “a maneira mais insidiosa de omitir as ações das mulheres é o uso da voz passiva ou do sujeito indeterminado.”
Eric Arthur Blair quando começa a publicar cria um pseudônimo: Georges Orwell. Curiosamente o editor que se recusou a publicar seu primeiro texto, “Na pior em Paris e em Londres “acaba se tornando seu editor para o resto da vida.
Não sei explicar, mas gostaria de encerrar esse texto com alguns versos de Borges do poema:
As causas
Todas as gerações e os poentes. Os dias e nenhum foi o primeiro. A frescura da água na garganta De Adão. O ordenado Paraíso. O olho decifrando a maior treva.
Todas as gerações e os poentes. Os dias e nenhum foi o primeiro. A frescura da água na garganta De Adão. O ordenado Paraíso. O olho decifrando a maior treva.

O amor dos lobos ao raiar da alba.
A palavra. O hexâmetro. Os espelhos.
A Torre de Babel e a soberba.
A lua que os Caldeus observaram.
As areias inúmeras do Ganges.
Chuang Tzu e a borboleta que o sonhou.
As maçãs feitas de ouro que há nas ilhas.
Os passos do errante labirinto.
O infinito linho de Penélope.
O tempo circular, o dos estóicos.
A moeda na boca de quem morre.
O peso de uma espada na balança.
Cada vã gota de água na clepsidra.
As águias e os fastos, as legiões.
Na manhã de Farsália Júlio César.
A penumbra das cruzes sobre a terra.
O xadrez e a álgebra dos Persas.
Os vestígios das longas migrações.
A conquista de reinos pela espada.
A bússola incessante. O mar aberto.
O eco do relógio na memória.
O rei que pelo gume é justiçado.
O incalculável pó que foi exércitos.
A voz do rouxinol da Dinamarca.
A escrupulosa linha do calígrafo.
O rosto do suicida visto ao espelho.
O ás do batoteiro. O ávido ouro.
As formas de uma nuvem no deserto.
Cada arabesco do caleidoscópio.
Cada remorso e também cada lágrima.
Foram precisas todas essas coisas
Para que um dia as nossas mãos se unissem.









