No Dicionário de Aurélio, tratando com eufemismo, conga “é prêmio a que tem direito o proprietário da casa de farinha pelo produto de outrem ali fabricado”. Coisa que deve ter ido buscar no Dicionário do velho Moraes, em paz com o latifúndio e a escravidão.
Mas foi contra sujeições como a da conga que surgiram, prosperaram e se levantaram as Ligas Camponesas, deflagradoras da maior conflagração do Nordeste camponês, esmagada violentamente pelo regime militar de 1964.
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O cambão acabou? Suponho que não, adquirindo, com a evolução de algumas conquistas sociais, outro formato. A denúncia, o protesto, o ímpeto de vir à tona na imprensa, no rádio, na televisão se esvaíram depois da repressão, no êxodo em massa do trabalhador rural para as pontas de rua, os aceiros das escarpas inabitáveis, trocada a enxada de enfrentar o eito pela flanela atraída por 400 mil automóveis colados às garagens e calçadas de uma cidade que ainda não alcançou 1 milhão de habitantes. Um automóvel para cada dois habitantes, média igual ou superior à de muitas capitais europeias.
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Com que mãos vem sendo feita a agricultura da roça, desses ticos que constam da estatística, onde a rapadura, a mandioca e o fumo imperavam?
Na verdade, se isto me inspira uma página de saudade, conforta-me verificar que muita coisa se obteve pelo cano ladrão nesses últimos vinte anos de política social, cada vez mais odiada pelo bilionarismo financeiro local e internacional, com intromissão aberta ou disfarçada nas políticas nacionais, tema oportuníssimo tão bem tratado por artigo recente do professor Cidoval Morais de Souza, com meu particular proveito por ele pontificar semanalmente no jornal A União.
Publicado hoje, 02/08/26, no jornal A União









