O casamento deles era um jogo por amor. Ele é o jovem general vitorioso da França revolucionária; ela, uma jovem nascida na ilha de Marti...

Napoleão e Josephine

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O casamento deles era um jogo por amor. Ele é o jovem general vitorioso da França revolucionária; ela, uma jovem nascida na ilha de Martinica, viúva de um aristocrata guilhotinado durante o terror do início da década de 1790. Josephine se tornou amante de Paul Barras, um dos diretores governantes da França, que a apresentou a Napoleão Bonaparte em ascensão, com quem ela se casou em 9 de março de 1796.

Posteriormente, Napoleão derrotou os inimigos da França - os austríacos, os russos, os prussianos, os egípcios e ele próprio tomou o poder no seu país. Em 1804, coroou a si mesmo imperador e Josephine imperatriz. Entretanto, precisava de um herdeiro, mas seu casamento não gerou filhos. Decidiu se divorciar de Josephine e casar com a arquiduquesa Marie Louise Habsburgo, filha do imperador da Áustria, com quem teve um filho. Quando Napoleão perdeu seu império e foi para o exílio em 1814, Josephine foi muito admirada pelos franceses por suportar todos esses golpes com seu estilo característico. Infelizmente, morreu poucos meses depois.

O historiador Simon Sebag Montefiore publicou em 2018 uma série de cartas pitorescas no livro "Written in History – Letters that changed the world", pela editora Weidenfield & Nicolson. Este é um desses relatos que adaptei no período em que Josephine se encontrava em Paris, enquanto o general Bonaparte lutava na Itália. Logo após o casamento, ele a desejava, atormentado de ciúmes. Josephine estava sempre na moda e muito chique, sempre flertando e infiel. Napoleão, obsessivo, controlador e devotado como uma criança, bombardeando-a com cartas que a elogiavam, seduziam, ameaçavam, reclamavam e se vangloriavam em partes iguais, como leremos no texto a seguir.

Meu irmão vai lhe trazer esta carta. Tenho o maior amor por ele e espero que ele ganhe o seu; ele merece. A natureza deu a ele um caráter doce e totalmente bom; ele está cheio de boas qualidades.

Estou escrevendo a Paul Barras para que seja nomeado cônsul em algum porto italiano. Ele quer viver com sua pequena esposa longe do tumulto e dos assuntos políticos. Eu o recomendo a você.

Recebi suas cartas dos dias 16 e 21. Há muitos dias em que você não escreve. O que fazes, então?

Não, minha querida, não tenho ciúmes, mas às vezes fico preocupado. Em breve te aviso, se você demorar, você vai me encontrar doente. O cansaço e a sua ausência são demais para mim.

Suas cartas são a alegria dos meus dias e meus dias de felicidade, não são muitos.

Junot[1], está trazendo vinte e duas bandeiras para Paris. Você deve voltar com ele, entendeu?

QUEM É QUEM1. Jean-Adoche Junot: general de Napoleão, 1º duque de Abranches. 2. Hortense: filha de Josephine que se casaria com Luís, irmão de Napoleão, futuro rei da Holanda. 3. Ossian: poeta fundamental na valorização da poesia popular; narrador e suposto autor de um ciclo de poemas épicos publicados pelo escocês James Macpherson. 4. Louis: antigo dinheiro francês, com vários valores em moedas de ouro cunhadas com a efígie dos 18 reis Louis.
Dor desesperada, miséria inconsolável, tristeza sem fim, se estou tão infeliz a ponto de vê-lo voltar sozinho. Adorável amigo, ele verá você, ele respirará em sua têmpora; talvez você conceda a ele o sabor único e perfeito de beijar sua bochecha, e eu estarei sozinho e muito, muito longe.

Mas você está vindo, não é? Você vai estar aqui ao meu lado, nos meus braços, no meu peito, na minha boca. Voe e venha, venha! Mas viaje suavemente. A estrada é longa, ruim, cansativa.

Suponha que você tenha sofrido um acidente ou adoecido; suponha fadiga. Venha com cuidado, meu adorável amor, mas penso em você com frequência.

Recebi uma carta de Hortense de Beauharnais[2]. Vou escrever para ela que é totalmente encantadora. Eu a amo e logo mandarei os perfumes que ela quiser.

Leia com atenção o poema “Charge” de Ossian[3] e durma bem e feliz longe do seu bom amigo, mas pensando nele.

Um beijo no coração!


P. S. Não sei se você precisa de dinheiro; você nunca falou sobre seus negócios. Supondo que seja sim, você pode perguntar ao meu irmão, que tem 200 louis[4] meus.


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  1. Bravo! Excelente leitura, Sérgio! Eu desconhecia esse lado do todo-poderoso Napoleão Bonaparte. As cartas provam que a carne é fraca.
    Muito bom, Sérgio!

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    1. E é porque censurei muita coisa. Muito obrigado, Zé Mário. Estou à espera de seu futuro livro de crônicas.
      Abs.

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  2. Parabéns Sérgio Rolim, pelo texto e pela eleição, hoje, como candidato único, para o Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba.
    Flávio Ramalho de Brito

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    1. Muito obrigado duplamente, Flávio. Admiro muito seus artigos.

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