Todos nós temos a ideia falsa de que pessoas inteligentes são sensatas. Nem sempre. Aliás, estamos vivenciando um tempo em que aumenta c...

Inteligência versus insensatez

literatura paraibana rui leitao insensatez inteligencia
Todos nós temos a ideia falsa de que pessoas inteligentes são sensatas. Nem sempre. Aliás, estamos vivenciando um tempo em que aumenta cada vez mais o número de indivíduos apontados como de bom nível de inteligência se comportando fora do que possa ser considerado atitude de bom senso. O que tem concorrido para que isso esteja acontecendo? Motivados por causas abraçadas de maneira apaixonada, abrem mão da própria racionalidade, perdendo a capacidade de discernimento.

Chegamos ao entendimento de que a inteligência não é necessariamente condição para que alguém seja sensato. Na convivência social encontramos muita gente que se acha inteligente e age com surpreendente desorientação racional. Encontra dificuldade em perceber o que é certo e o que é errado, o que é falso e o que é verdadeiro, o que é bom e o que é ruim. Incrivelmente passa a integrar o grupo dos “sem noção”, porque decide assumir a defesa de “pontos de vista” que fogem ao lógico, ao coerente. Tem, inclusive, quem, mesmo considerado inteligente, contraria o que nos ensina a ciência.

Esses indivíduos fecham os olhos e se tornam impermeáveis à compreensão advinda das experiências, influenciados por interesses que lhes são momentaneamente convenientes. E não se envergonham em empunhar bandeiras que comprometem o conceito de inteligência que buscam apresentar. Seguem na marcha da insensatez pensando exclusivamente em si próprios, desprezando princípios que deveriam ser inflexíveis, como a ética, a moral, a verdade, a honestidade da consciência.

A insensatez é incompatível com a inteligência humana. Na seara política essa incompatibilidade se evidencia escancaradamente. São gritantes as manifestações de auto-engano, em prejuízo do equilíbrio racional, privilegiando informações que fortalecem crenças previamente estabelecidas. Surgem daí convicções seletivas, ainda que distantes da realidade facilmente perceptiva. É a recusa em aceitar o óbvio que não seja útil aos seus objetivos.

O problema é que muitos confundem conhecimento intelectual com inteligência. A intolerância, por exemplo, é uma manifestação de desinteligência que muitos dos que se afirmam cultos praticam. Não basta ter sabedoria, é preciso saber usá-la. Há uma frase budista que acho bastante interessante para essa reflexão: “Os insensatos, que acreditam serem sábios, são inimigos de si mesmos; fazem más ações, das quais, por fim, só colhem frutos amargos”. Manter-se vítima da própria mentira, é a maior prova de que a insensatez não se harmoniza com o conceito de inteligência.

comente

leia também