O futuro do vinho brasileiro: qualidade, crescimento e um mercado que ainda nem começou
Enquanto reportagens internacionais desenham um cenário sombrio para o setor global, com quedas de consumo e estoques acumulados, o Brasil vive uma realidade que exige uma análise própria e soberana. Cabe o questionamento: por que insistimos no erro de importar crises de países desenvolvidos quando nossa trajetória é diametralmente oposta? Subestimar nosso potencial com base em problemas alheios é ignorar a revolução que acontece em nosso próprio solo.
Fonte: wine-locals.com
A excelência em Gramado e Bento Gonçalves
Essa maturidade é palpável quando visitamos projetos que tratam o vinho com reverência. Na Vinícola Ravanello, em Gramado, fomos recebidos pelo proprietário Alexandre Ravanello, que nos conduziu por uma degustação que é prova viva dessa dedicação.
O Ravanello Chardonnay 2025 é um exemplo de frescor e técnica: cultivado a 800 metros de altitude, passa oito meses em barricas de carvalho francês com a técnica de *batonnage*, resultando em um vinho
Ricardo de Carvalho e Alexandre Ravanello, proprietário da Vinícola Ravanello, em Gramado (RS) ▪️ Acervo do autor
Já o Dionísio Ravanello 2018 é uma joia da vinificação integral, sendo fermentado e maturado inteiramente em barricas francesas. Esse corte multi-terroir une o Tannat da Campanha, o Teroldego da Serra do Sudeste e o Pinot Nero dos Campos de Cima da Serra. É um vinho potente, com aromas de frutas negras e café, desenhado para uma longevidade de pelo menos 12 anos. Em Bento Gonçalves, na região de Pinto Bandeira, o enólogo e sócio-proprietário Marco Salton nos apresentou a força da Vinícola Valmarino, enquanto analisávamos a evolução técnica de seus rótulos.
O espumante Valmarino & Churchill Prestige Nature redefine o conceito de complexidade: um corte de Chardonnay e Pinot Noir que estagia em carvalho americano de alta tostagem antes de passar até 36 meses em autólise na garrafa. O resultado é um espumante estruturado, com notas de coco queimado e brioche, mantendo uma acidez vibrante.
Vinícola Valmarino, em Pinto Bandeira / Bento Gonçalves ▪️ Fonte: wine-locals.com
Um continente de possibilidades
Essas vinícolas não são ilhas isoladas. A produção nacional de vinhos finos floresce de forma descentralizada e vigorosa. Da Região Sul ao Nordeste, passando por São Paulo, Minas Gerais, Goiás e até o Distrito Federal, o Brasil revela *terroirs* distintos e promissores. Hoje, bebemos vinhos ruins apenas por opção ou desconhecimento, pois a qualidade nunca esteve tão acessível.
Sala de Barricas da Vinícola Ravanello ▪️ Fonte: wine-locals.com
O “crepúsculo” anunciado por analistas estrangeiros é, na verdade, o amanhecer da vitivinicultura brasileira. Enquanto o Velho Mundo se debate com armazéns cheios e falta de paciência, nós construímos uma indústria jovem, tecnológica e autoconfiante. A era da dependência cultural acabou; o que começa agora é a celebração de um vinho genuinamente nosso.









