Eu e o cacique Heleno mantivemos boa conversa à beira de um riacho com as águas mais cristalinas já vistas, no litoral paraibano, por meus olhos agora octogenários. O bate-papo, entre outros temas, envolveu o índio Felipe Camarão, nascido Potiguaçu, o importante líder militar aliado dos portugueses contra os holandeses, no início do Século 17.
Imagem: F. Chaves
“Vou juntar uns amigos numa van para irmos até lá”, disse-me. Nossa conversa transcorreu diante da sua casinha de taipa e foi ouvida por um dos filhos que ali descera do carro seminovo com a mulher, um menino pequeno e a sogra. A exemplo dos irmãos, o moço tem emprego e salário em João Pessoa.
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Que lugar bonito! Não fomos até à Lagoa do Encantado que dizem de água ainda mais límpida, pois tínhamos horário marcado para o catamarã que nos conduziria de volta, no belo domingo de sol, à Barra do Camaratuba, o distrito de Mataraca que, desse modo, toma o nome do ponto onde o rio se entrega ao mar.
Havíamos ali chegado na sexta-feira passada para três dias no povoado, não muito mais do que uma vila paradisíaca de pescadores, no limite da Paraíba com o Rio Grande do Norte. Não aconselho o mar aberto a quem não for surfista. Mas afirmo que ninguém sentirá falta disso. A foz do Camaratuba, com suas águas calmas, suas piscinas naturais, suas dunas, seu manguezal
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O que ali você terá é um dos pontos mais desabitados do litoral paraibano. É o Parque do Caranguejo-Uçá. As grandes hélices de energia eólica que se estendem até o Rio Guaju, a parte mais ao norte, não incomodam os visitantes, estejam no perímetro urbano, estejam na barra do rio. Ainda no asfalto, a caminho do vilarejo, seu carro passará a poucos metros de vários desses imensos cata-ventos enfiados no canavial.
Não são poucas as opções de pousadas, quase todas rústicas, focadas no ecoturismo e no sossego. Em sua maioria, as instalações são pequenas e apropriadas aos casais. Mas para lá não vá sem reserva antecipada, sobretudo, nos feriados.
Gostei do aviso na pracinha: “Proibido paredão”. Trata-se, para quem disso não saiba, da aparelhagem de som enorme, fonte daquele barulho dos infernos que
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A busca pelo jantar da sexta-feira nos levou a uma peixada saborosíssima. Outros visitantes nos disseram que estaríamos bem-servidos sem a opção por frutos do mar. Ali, uma galinhada cairá muito bem se você dispensar a sofisticação, as ervas finas, a complexidade dos pratos. Lembre-se de que está num lugar onde essas aves ciscam o chão, correm em campo aberto e têm a carne rija. Não precisam mais do que tempero caseiro.
Faça um passeio pelo Rio Camaratuba e jamais disso você esquecerá. Do lado esquerdo de quem rompe a correnteza (beirada da Baía da Traição, onde descendentes indígenas vendem artesanato), a retirada de pés de pau é permitida no limite exato da necessidade de treze aldeias. Do lado direito, área de preservação rigorosa, nem isso.
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Em dado momento, penetrados três, ou quatro quilômetros, no mangue, Igor ou Paulo, pilotos de catamarãs, convidará você ao mergulho nas águas turvas do Camaratuba, então pela cintura e agora menos salinas. E lhe recomendarão a lama em proporção cosmética, posto que medicinal.
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E se sinta mais livre, leve e solto, ao chegar em casa.











