Azuis em tons claros e escuros, colchões de brancos, estrelas e luzes, pássaros que nadam e peixes que voam. Mundos espelhados, imensidões ...

Em céus e mares

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana clovis roberto ceu e mar natureza paisagem aviacao astronautas
Azuis em tons claros e escuros, colchões de brancos, estrelas e luzes, pássaros que nadam e peixes que voam. Mundos espelhados, imensidões pouco exploradas pelo limitado homem, inesgotáveis fontes para as mentes viajantes. Em céus e mares, há mais vidas, cores e mistérios, portanto, riquezas da criação, que possamos imaginar.

O nosso conhecimento, adquirido através de milênios, ainda é pouco para que compreendamos totalmente os que esses dois espaços significam. Em nosso planeta habitat, a Terra, os mundos de ar e água são como universos paralelos em que podemos muito influir e influenciar, mas não dominar. Para as alturas dos céus ou profundezas dos mares a vida explode, cria, reconstrói, ensina e se resguarda.

Olhamos para além do espaço, para outros planetas, e nem percebemos que mais próximos a nós, céus e mares seguem inconquistados. Admirados, olhamos cada nova descoberta, aprendizado, reação da natureza.

Da terra segura, ou por meio de máquinas geniais feitas para voar ou nadar ou ainda mergulhar, tentamos levantar esses véus. Os aventureiros exploradores mais respeitados são os que entendem que toda a sabedoria extraída de céus e mares são limitadas aos nossos olhos e mentes, ilimitadas de possibilidades.

O brasileiro Alberto Santos-Dumont dotou-se de asas para se sentir pássaro, sendo o primeiro a controlar um voo, com decolagem e pouso seguros, mas sabia dos desafios que o esperava, respeitava os céus. Ele nos deu asas e aumentou nossa visão. O russo Yuri Gagarin a bordo de sua Sputnik maravilhou-se com o tom azulado da Terra ao ser o primeiro a olhar de fora para dentro da nossa casa espacial, que a partir dali ganhou o título de Planeta Azul. Apesar disso, limites e fronteiras espaciais se mantém e atiçam a curiosidade da humanidade e da poeticidade.

A maioria dos humanos ainda olha os céus maravilhada, com a cabeça virada para cima, para a Lua, em incomoda posição para o pescoço. Mais fácil é para aqueles enamoradas e crianças poetas que se deitam na grama dos parques ou nas areias das praias em noites de Lua Cheia ou fins de tarde para apreciar o infinito azulado pintado de algodão doce branco, colchões de ares, transportes de água da chuva, ou mesmo as barreiras negras do horizonte que violentas despejam eletricidade ou os atraem do chão, com estrondos ensurdecedores ou as alaranjadas escamas do fim do dia e as piscantes luzes nas noites mais escuras.

Para baixo, com a sensibilidade de um francês Jean Jacques Cousteau, que desbravou as mais diversas águas, encontrou-se com seres inusitados, geografias estonteantes, viu vastos pedaços do mundo submerso. Sem falar nos seus antecessores, famosos e anônimos, que seguiram nos mais diversos tipos de naus para descobrir o que havia além das ondas e do horizonte, nos polos ou sob as superfícies marinhas, até chegar ao chão desse segundo mundo azul/negro, as Fossas Marianas, no Oceano Pacífico, e seus quase 11 mil metros de profundidade, feito do cientista suíço Jacques Piccard e do tenente americano Dan Walsh, em 1960. E certamente ao olharem durante 20 minutos aquelas profundezas, entenderam que há um infindável planeta submerso por se revelar.

Em céus e mares, é mais fácil perceber sutilezas e forças, naturezas e fantasias para olhos de escritor/poeta ou de apaixonado. E escrever/poetizar dá no mesmo que amar, pois é declarar-se amante, é entender sem ter o poder de desvendar todas as coisas que cercam a humanidade e ao reconhecer-se limitado perceber-se pleno. E com isso visitar os azuis ao mergulhar nos céus de vácuos e voar pelas águas temperadas de sal, rasas ou abissais, em voos aquáticos, mergulhos acrobáticos.


Clóvis Roberto é jornalista e cronista
COMPARTILHE
comente via facebook
COMENTE
  1. Uma visão poética e filosófica. Parabéns, Clóvis Roberto! Lindo! Amei.👏👏👏👏👏

    ResponderExcluir
  2. Maravilhoso texto Clóvis Roberto~~~os infinitos acima e abaixo.. teem infinitas visões/percepções/descobertas/alucinações e muitos eteceteraetal!!!
    Parabéns👏👏👏Grande Poeteiro👌

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. 😉 Obrigado pela gentileza da leitura e pelo carinho das palavras.

      Excluir

leia também