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Meu corpo querido, meu amado, como te sou grata. És música, uma explosão de desejos e mistérios, meu templo e meu instrumento. Sentada s...

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Meu corpo querido, meu amado, como te sou grata. És música, uma explosão de desejos e mistérios, meu templo e meu instrumento.

Sentada sob essa árvore tão antiga, penso em ti. O perfume das folhas entra pelas narinas, chega aos pulmões. Sigo sua trajetória. Notas musicais pousam nas minhas células, mantendo o fôlego da vida. Bach.

Ouço o meu coração. Regulares batidas a traduzir o ritmo da minha existência. Elas se juntam a um ruído leve, de água a cair sobre pedras. Ruídos de verão, asas de libélulas, o calor impregnado no som, meu sangue a navegar. Pizzicato líquido. Mahler.

O sol paira sobre o mar profundamente azul da baía de Monterey. Algas dançam com a maré perto de um caiaque amarelo. Tudo brilha junto, nu...

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O sol paira sobre o mar profundamente azul da baía de Monterey. Algas dançam com a maré perto de um caiaque amarelo. Tudo brilha junto, numa sinfonia inesperada. Uma criança descalça, chapeuzinho à cabeça, cata conchas na areia. O pai a acompanha, com um olhar enternecido afivelado na cara. Tenho vontade de entender sânscrito, de desinventar feiuras, de falar a língua dos pássaros. A impossibilidade me empurra para a filosofia.

Hoje abri um livro e dele caiu a folha de bordo que eu trouxe de Montreal. Flutuou até o chão e o gato a destruiu em segundos. Tornou-se ...

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Hoje abri um livro e dele caiu a folha de bordo que eu trouxe de Montreal. Flutuou até o chão e o gato a destruiu em segundos. Tornou-se pó. Imediatamente lembrei de Elizabeth Bishop e seu poema sobre a arte de perder.

Levante a mão se, numa noite quente, você lentamente abriu os olhos e perguntou, baixinho: Você está aí? Se está, pode me dizer, por favor...

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Levante a mão se, numa noite quente, você lentamente abriu os olhos e perguntou, baixinho: Você está aí? Se está, pode me dizer, por favor, por que razão estou aqui, qual o propósito disso tudo ou por que não posso vê-lo? Ou num dia chuvoso, olhando pela janela enquanto escondia o coração sufocado de saudade, ergueu os olhos para o céu encoberto e sussurrou para alguém: Pai, onde você está? Mãe, pode me ouvir? Filho, tudo se acabou ou algo de você vive ainda, em um lugar além das estrelas?

Nem parece quase verão. Chicago, eternamente açoitada por ventos fortes, encara uma tardia onda de frio. Subo a gola do casaco enquanto ...

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Nem parece quase verão. Chicago, eternamente açoitada por ventos fortes, encara uma tardia onda de frio. Subo a gola do casaco enquanto arrasto a mala pequena pela calçada. Diante da Union Station, café, croissant e um gosto de liberdade. Estar só é um prazer que nem a pandemia abalou. Ao contrário: cada vez mais valorizo a companhia dos meus pensamentos, o diálogo interno com uns filósofos mortos e o mastigar constante das ideias para o próximo livro.

Ando dedicada a ofício novo: uma apreciação muito exata das coisas mínimas e um artesanato do meu cotidiano. Cada detalhe da minha vida de...

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Ando dedicada a ofício novo: uma apreciação muito exata das coisas mínimas e um artesanato do meu cotidiano. Cada detalhe da minha vida desimportante me fascina e encanta. Retiro pequenezas da estante da simplicidade e as elevo, novos ídolos, ao altar das divindades recém-nascidas. Lá permanecem, dourados instantes, a me confortar na paisagem cinza destes dias longos.

Tenho um amigo-jardim. Ele planta flores nos meus dias. Cria quarentenas imaginárias, lugares povoados de rara beleza, fartas doses de poe...

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Tenho um amigo-jardim. Ele planta flores nos meus dias. Cria quarentenas imaginárias, lugares povoados de rara beleza, fartas doses de poesia. Ensinou-me muitas coisas — a mais importante delas sobre encontrar conforto e alegria nas pequenas dádivas escondidas no cotidiano.

Há lições nesta pandemia de Covid-19. E histórias estão sendo escritas neste exato instante: a nossa história pessoal e a coletiva. Est...

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Há lições nesta pandemia de Covid-19. E histórias estão sendo escritas neste exato instante: a nossa história pessoal e a coletiva.

Estamos há mais de um ano em uma guerra que nos exige coragem, é óbvio, mas também sabedoria, sacrifícios e o exercício da serenidade. Esta é decisiva para tomar sábias decisões, a fim de sobreviver. Até hoje ninguém provou que o desespero e o ódio sejam bons conselheiros quando se exige de nós fazer escolhas sensatas. Muito ao contrário.

Vinte e cinco anos antes de morrer, Beethoven escreveu um pungente testamento. Um retrato de sua existência assinalada por sofrimentos ...

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Vinte e cinco anos antes de morrer, Beethoven escreveu um pungente testamento. Um retrato de sua existência assinalada por sofrimentos múltiplos: o alcoolismo do pai, a tuberculose que lhe levou a mãe precocemente, a surdez que avançava sobre ele de forma implacável, aos 32 anos, e lhe roubava definitivamente a alegria da convivência com os homens, soterrando o terno sentimento que carregava dentro de si.

"Quem enfrenta monstros deve permanecer atento para não se tornar também um monstro. Se olhares demasiado tempo dentro de um abismo,...

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"Quem enfrenta monstros deve permanecer atento para não se tornar também um monstro. Se olhares demasiado tempo dentro de um abismo, o abismo acabará por olhar dentro de ti”.


A frase de Nietzsche me vem à memória a cada novo episódio da batalha campal em que se converteu a política brasileira.

Você já viu o sol nascer em Chipre? Ele surge como o carro de fogo de Apolo e suas faíscas põem gotas de ouro sobre o Mediterrâneo azul. U...

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Você já viu o sol nascer em Chipre? Ele surge como o carro de fogo de Apolo e suas faíscas põem gotas de ouro sobre o Mediterrâneo azul. Uma brisa atravessa as montanhas e agita as águas claras, enchendo o coração dos homens de pequenos risos.

Eu, se pudesse, hoje te daria um beijo. Estalado, roubado, risonho, vermelho. E te abraçaria com força, te espremendo as costelas, até...

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Eu, se pudesse, hoje te daria um beijo. Estalado, roubado, risonho, vermelho.

E te abraçaria com força, te espremendo as costelas, até te ouvir dizer: “Para! Tá todo mundo olhando!”.

Não sei por que insisto em caminhar de manhãzinha se faz tanto frio estes dias. Comigo segue uma solidão invencível que se enrola em véus ...

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Não sei por que insisto em caminhar de manhãzinha se faz tanto frio estes dias. Comigo segue uma solidão invencível que se enrola em véus de neblina, nuvens de grafite e árvores sem folhas. Ando com amendoins no bolso do casaco para dar aos corvos e esquilos. É fim de inverno e os bichos têm fome. A minha é outra fome, a de ver tudo renascer no parto anual da Terra.

Todo mundo ama Vincent van Gogh. Especialmente agora, que ele está morto e seus ataques de raiva já não envergonham ninguém. Agora, quando...

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Todo mundo ama Vincent van Gogh. Especialmente agora, que ele está morto e seus ataques de raiva já não envergonham ninguém. Agora, quando já não escreve pedindo dinheiro aos parentes, não assedia as primas nem se casa com prostitutas, perde empregos, diz verdades inconvenientes ou tropeça, bêbado de absinto, pelas ruas. Van Gogh comove multidões em 2021. Mas, em 1890, era objeto de riso nas ruas e de fuga dos amigos. Apedrejado pelos moleques, tido como louco por familiares, ninguém o desejava por perto. Desagradável, arrogante, insuportável e fonte de desgosto eram expressões recorrentes para identificá-lo.

Recentemente sentei sozinha em uma pedra às margens do lago Tahoe. Na tarde gelada, um silêncio solene cabia no meu coração. Observei ...

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Recentemente sentei sozinha em uma pedra às margens do lago Tahoe. Na tarde gelada, um silêncio solene cabia no meu coração. Observei as águas lisas por muito tempo, eram de um azul-claro pacificado, como um lençol de seda estendido sobre a superfície da Terra. Uma felicidade simples preenchia os minutos. Ao redor da minha solidão havia pedras de todos os formatos e cores. Duas delas atraíram o meu olhar. Rolei-as entre os dedos e as coloquei no bolso.

Ontem, ao acordar, encostei a testa no vidro da janela e vi uma fina nuvem de vapor se erguendo do chão. Um pardalzinho pousou no galh...

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Ontem, ao acordar, encostei a testa no vidro da janela e vi uma fina nuvem de vapor se erguendo do chão. Um pardalzinho pousou no galho sem folhas da árvore e virou a face na direção do nascente. O vento frio da manhã lhe soprava as penas. Carícia de dedos gelados sob os primeiros raios do sol. Nem um som se ouvia. Hipnotizada, observei os dois — o passarinho arrepiado e a água evaporando em direção ao céu em pequenos arabescos de névoa — e me senti intrusa.

A casa era de madeira e a mesa havia sido feita por meu pai, marceneiro amador. Sobre ela, a toalha de motivos natalinos, bordada em ponto...

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A casa era de madeira e a mesa havia sido feita por meu pai, marceneiro amador. Sobre ela, a toalha de motivos natalinos, bordada em ponto-cruz por minha mãe.

Um dia pisei nas areias umedecidas por outro oceano, o Pacífico. Claras e silenciosas águas faziam um bordado no chão. O mar usava um vest...

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Um dia pisei nas areias umedecidas por outro oceano, o Pacífico. Claras e silenciosas águas faziam um bordado no chão. O mar usava um vestido de noiva azul, com um véu de rendas se estendendo até mim.

Quase todo centro espírita brasileiro tem um pequeno jornal, mural informativo ou boletim. Alguns imprimem em cores, outros fazem boletins...

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Quase todo centro espírita brasileiro tem um pequeno jornal, mural informativo ou boletim. Alguns imprimem em cores, outros fazem boletins fotocopiados. Quem não tem veículo próprio, põe no mural o jornal de uma federativa ou de outro centro espírita. Programas de rádio, revistas, páginas na internet e alguns poucos – e honrosos – esforços para fazer programas de televisão mostram o quanto as instituições espíritas vivem enamoradas da comunicação social. Mas há conflitos sérios nesse relacionamento.

"O Misterioso Caso de Styles" (The Mysterious Affair at Styles), lançado há exatamente cem anos, é o primeiro livro de Agatha Ch...

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"O Misterioso Caso de Styles" (The Mysterious Affair at Styles), lançado há exatamente cem anos, é o primeiro livro de Agatha Christie. Assinala a criação de um dos mais deliciosos personagens da literatura policial: Hercule Poirot, um extravagante belga, de enormes bigodes, chapéu coco, cabeça de ovo, olhos verdes, grande inteligência e uma coleção de frases de efeito, tudo embalado em 1,62m de pura ausência de modéstia. É o protagonista dos melhores livros de Agatha.