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Eu, se pudesse, hoje te daria um beijo. Estalado, roubado, risonho, vermelho. E te abraçaria com força, te espremendo as costelas, até...

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Eu, se pudesse, hoje te daria um beijo. Estalado, roubado, risonho, vermelho.

E te abraçaria com força, te espremendo as costelas, até te ouvir dizer: “Para! Tá todo mundo olhando!”.

Não sei por que insisto em caminhar de manhãzinha se faz tanto frio estes dias. Comigo segue uma solidão invencível que se enrola em véus ...

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Não sei por que insisto em caminhar de manhãzinha se faz tanto frio estes dias. Comigo segue uma solidão invencível que se enrola em véus de neblina, nuvens de grafite e árvores sem folhas. Ando com amendoins no bolso do casaco para dar aos corvos e esquilos. É fim de inverno e os bichos têm fome. A minha é outra fome, a de ver tudo renascer no parto anual da Terra.

Todo mundo ama Vincent van Gogh. Especialmente agora, que ele está morto e seus ataques de raiva já não envergonham ninguém. Agora, quando...

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Todo mundo ama Vincent van Gogh. Especialmente agora, que ele está morto e seus ataques de raiva já não envergonham ninguém. Agora, quando já não escreve pedindo dinheiro aos parentes, não assedia as primas nem se casa com prostitutas, perde empregos, diz verdades inconvenientes ou tropeça, bêbado de absinto, pelas ruas. Van Gogh comove multidões em 2021. Mas, em 1890, era objeto de riso nas ruas e de fuga dos amigos. Apedrejado pelos moleques, tido como louco por familiares, ninguém o desejava por perto. Desagradável, arrogante, insuportável e fonte de desgosto eram expressões recorrentes para identificá-lo.

Recentemente sentei sozinha em uma pedra às margens do lago Tahoe. Na tarde gelada, um silêncio solene cabia no meu coração. Observei ...

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Recentemente sentei sozinha em uma pedra às margens do lago Tahoe. Na tarde gelada, um silêncio solene cabia no meu coração. Observei as águas lisas por muito tempo, eram de um azul-claro pacificado, como um lençol de seda estendido sobre a superfície da Terra. Uma felicidade simples preenchia os minutos. Ao redor da minha solidão havia pedras de todos os formatos e cores. Duas delas atraíram o meu olhar. Rolei-as entre os dedos e as coloquei no bolso.

Ontem, ao acordar, encostei a testa no vidro da janela e vi uma fina nuvem de vapor se erguendo do chão. Um pardalzinho pousou no galh...

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Ontem, ao acordar, encostei a testa no vidro da janela e vi uma fina nuvem de vapor se erguendo do chão. Um pardalzinho pousou no galho sem folhas da árvore e virou a face na direção do nascente. O vento frio da manhã lhe soprava as penas. Carícia de dedos gelados sob os primeiros raios do sol. Nem um som se ouvia. Hipnotizada, observei os dois — o passarinho arrepiado e a água evaporando em direção ao céu em pequenos arabescos de névoa — e me senti intrusa.

A casa era de madeira e a mesa havia sido feita por meu pai, marceneiro amador. Sobre ela, a toalha de motivos natalinos, bordada em ponto...

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A casa era de madeira e a mesa havia sido feita por meu pai, marceneiro amador. Sobre ela, a toalha de motivos natalinos, bordada em ponto-cruz por minha mãe.

Um dia pisei nas areias umedecidas por outro oceano, o Pacífico. Claras e silenciosas águas faziam um bordado no chão. O mar usava um vest...

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Um dia pisei nas areias umedecidas por outro oceano, o Pacífico. Claras e silenciosas águas faziam um bordado no chão. O mar usava um vestido de noiva azul, com um véu de rendas se estendendo até mim.

Quase todo centro espírita brasileiro tem um pequeno jornal, mural informativo ou boletim. Alguns imprimem em cores, outros fazem boletins...

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Quase todo centro espírita brasileiro tem um pequeno jornal, mural informativo ou boletim. Alguns imprimem em cores, outros fazem boletins fotocopiados. Quem não tem veículo próprio, põe no mural o jornal de uma federativa ou de outro centro espírita. Programas de rádio, revistas, páginas na internet e alguns poucos – e honrosos – esforços para fazer programas de televisão mostram o quanto as instituições espíritas vivem enamoradas da comunicação social. Mas há conflitos sérios nesse relacionamento.

"O Misterioso Caso de Styles" (The Mysterious Affair at Styles), lançado há exatamente cem anos, é o primeiro livro de Agatha Ch...

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"O Misterioso Caso de Styles" (The Mysterious Affair at Styles), lançado há exatamente cem anos, é o primeiro livro de Agatha Christie. Assinala a criação de um dos mais deliciosos personagens da literatura policial: Hercule Poirot, um extravagante belga, de enormes bigodes, chapéu coco, cabeça de ovo, olhos verdes, grande inteligência e uma coleção de frases de efeito, tudo embalado em 1,62m de pura ausência de modéstia. É o protagonista dos melhores livros de Agatha.

Os pés pisavam descalços a terra dos homens, das mãos caíam sementes que engravidavam o solo. A cada passo os campos se cobriam de brotos ...

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Os pés pisavam descalços a terra dos homens, das mãos caíam sementes que engravidavam o solo. A cada passo os campos se cobriam de brotos verdes e tenros. Logo o trigo estaria maduro e as ervas aromáticas tomariam o chão. Ao toque dos dedos de Deméter, os frutos amadureciam, enchiam-se de sumos. Ela sorria e os pêssegos instantaneamente se tingiam de rosa, as uvas escureciam, as maçãs avermelhavam.

Uma lenda é sussurrada há quase um século pelas ruas e casas de Paris. Até agora, só as mulheres a conheciam. Contavam para as filhas e net...

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Uma lenda é sussurrada há quase um século pelas ruas e casas de Paris. Até agora, só as mulheres a conheciam. Contavam para as filhas e netas, fazendo-as jurar segredo. Conto-lhe agora, mas não a repasse para os descrentes ou os que duvidam das coisas puras que ainda existem no mundo. A dúvida quebra o encanto e a história se perde. Pois bem, agora que está avisado, sente-se aqui ao meu lado e ouça.

"O demônio pode citar as Escrituras para justificar seus fins". A frase de William Shakespeare no "Mercador de Veneza"...

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"O demônio pode citar as Escrituras para justificar seus fins".
A frase de William Shakespeare no "Mercador de Veneza" é perfeita para definir o atual momento da vida planetária.

Às cinco da manhã, ligo o computador para ler as notícias do Brasil. Elas me afrontam ao proclamar a extensão de nossa miséria. A monstruosa teia de extremismo enreda o país. Não respeita a dor alheia — mesmo que esta seja inenarrável — e não se acanha de usar a infância violada como bandeira política.