Cacos Eles me olham da gaveta invisível Com olhos de Argos Silentes e vigilantes. Reviram o instante, vasculham arredores Subi...

Podíamos voar, era tempo de milagres

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Cacos
Eles me olham da gaveta invisível Com olhos de Argos Silentes e vigilantes. Reviram o instante, vasculham arredores Subidas, descidas, curvas Grutas de elos perdidos. Fazem-me dar voltas sem descanso Nada me perguntam Nem dizem se já é hora... Amigos, inimigos, não, apenas cacos Carentes de luz, de reconfiguração Nova roupagem. Poderiam amanhecer, mas ainda vacilam Em velhas vestes noturnas Olhando-me paralisados na argila do tempo.
Dançarina
A mulher que dança em mim nem se parece comigo! Tem os cabelos de fogo, corpo delgado e formoso Movido pela magia. Em qualquer fase da lua, se exibe naturalmente Bela, faceira, contente, em requebros sensuais Nela o menos sempre é mais, em incansável energia. A mulher que dança em mim, ouve música do infinito Tem o coração solar e tudo que é bonito Ela alcança com o olhar. Seus dias, puras viagens que ela faz a cavalgar Ou ao leme de um navio, uma capitã-sereia Sem nenhum medo do mar. A mulher que dança em mim, nunca para de sonhar Adora cheiro de incenso, possui uma voz de mel Ébria dos próprios sonhos, canta com os anjos do céu. A mulher que dança em mim, os pés plantados no chão A alma sempre a voar, em transe de inspiração Nas estrelas tem abrigo. A mulher que dança em mim, enlevada de paixão Não conhece tempo ruim Num movimento sem fim, não se parece comigo!
Para sempre
Não virás encontrar-me de novo onde mais quero Tão perto que eu te sinta colado ao meu destino. Onde rezo e respiro não é teu lugar... Tampouco onde me escondo e releio os rabiscos Que te escrevo no escuro, quase em transe Para dizer o que soubeste, antes de mim. Deixo, no entanto, uma janela aberta, como se viesses Chuva de verão ou como o sol no ocaso, conspirador De beijos de fogo, cheiro de milagre, gosto de amor. Fatalmente, esquecerás o que vivemos… Esquecerás? Alguma vez, em que te sintas frágil, ouvirás meus sussurros Em tua noite amanhecida, orvalho, alento. Entre o inesperado e o fatal, o longe é perto. Tão perto que escuto tua voz, te toco e sinto em mim Raízes vivas do teu ser, para sempre.
Revisitando
Quando já estavas pronto eu era apenas menina Herdeira de uma doce alegria bailarina Dançando em palco de sonhos, pelas manhãs. A alma transparente, os dias sem mistérios Era fácil sorrir ouvindo a orquestra da chuva E não havia noites, só tardes perfumadas. Éramos jovens, felizes, e a vida um convite. Do teu discurso brotavam lírios corais Podíamos voar, era tempo de milagres...

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  1. Que maravilha Milfa!! A mulher que dança em ti, canta em nossos ouvidos esses lindos poemas!!

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