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D izia Rabelais que o riso é próprio do homem. Reparando bem, o grande gênio francês tem razão em parte. Embora observemos que árvores sorri...


Dizia Rabelais que o riso é próprio do homem. Reparando bem, o grande gênio francês tem razão em parte. Embora observemos que árvores sorriem com suas flores, as estrelas com a sua luz. Dos animais, o cachorro é uma exceção. Não ri pela boca, mas com o rabo...

A Mona Lisa celebrou-se com o seu sorriso, por sinal muito sem graça, embora os críticos de arte o vejam como “enigmático”. Fui vê-la só duas vezes. Apesar de ir com certa frequência ao Louvre, não desejei mais ir à sala da Gioconda. E haja gente para ver aquele seu meio sorriso, a começar pelos asiáticos. Chego a pensar que a Mona já não agüenta mais tantos olhares dirigidos a ela. Acho que quando o Louvre fecha as suas portas, a Mona Lisa, ao invés de um sorriso, dá uma grande gargalhada mangando de todos.

Voltando ao sorriso, feliz de quem o conserva. E haverá sorriso mais belo do que o da mãe para o filho renascido? Tenho muita pena das pessoas carrancudas, das pessoas sérias demais. É preciso lembrar que o sorriso alegra o ambiente. O sorriso dá paz, dá saúde.

É verdade que, às vezes, o sorriso se transforma em gargalhada. Dir-se-ia que a gargalhada é uma espécie de disenteria verbal. Mas o bom mesmo é o sorriso suave. E sabe que, sorrindo, você se torna mais jovem? Sim, pois o sorriso espalha as rugas. Vá ao espelho e experimente.

Dizem que Jesus não sorria. Protesto. Jesus sorria através do meigo olhar. Aquele olhar que nos convidou a observar os lírios do campo. E quando o mestre disse vinde a mim as criancinhas, será que foi com o rosto sem sorriso? Duvido.

O sorriso é a mensagem dos otimistas, dos que estão em paz com a sua consciência, dos que só vêem o lado bom da vida, dos que estão em paz com a sua vida interior.

O mestre Ariano Suassuna, que era todo sorrisos, em uma de suas entrevistas, disse que “o otimista é um tolo. O pessimista, um chato e que bom mesmo é ser um realista esperançoso”. E disse isso sorrindo o seu sorriso mangador. O otimista, meu risonho Ariano, é que tem contribuído para o progresso. Otimistas foram os grandes descobridores, os grandes inventores, os grandes artistas, os grandes cientistas.

Ah, como é bom estar ao lado de um otimista! Minha mãe foi uma otimista e tanto, que atravessou um século de existência, sorrindo.

Portanto, não apague a luz de seu rosto. A luz do sorriso. Vá ao espelho sorrindo e ele lhe devolverá o riso com outro sorriso.

Se não estou enganado, os robôs não sorriem. E se sorriem é um sorriso muito mecânico. Mas o sorriso do homem é diferente. Afinal, a vida é um espetáculo e onde há espetáculo há riso, há alegria. Ariano transformou suas aulas em espetáculos fazendo todo mundo sorrir. E não há nada que agrade mais, levando-nos ao sorriso, do que a surpresa de uma descoberta. Fico, então, a imaginar o nosso Santos Dumont sorrindo ao ver seu avião contornando a Torre Eiffel, embora, depois, chorasse de tristeza quando soube que sua invenção estava a serviço da guerra...

A vida é cheia de interrogações, reticências, dois pontos, interjeições, traços de união, e viva a aritmética da vida. Com a reticência, su...

A vida é cheia de interrogações, reticências, dois pontos, interjeições, traços de união, e viva a aritmética da vida. Com a reticência, suspendemos o discurso, finalizamo-lo com o ponto, mas o que mais mexe com a gente é a interrogação. É ela que nos conduz à sabedoria.

Foi interrogando as pessoas que Sócrates ensinou a sua filosofia. Ninguém aprende com uma pessoa calada. Pobre daquele que não indaga, que não perquire, que não busca o conhecimento. E, aqui, ergo um brinde às crianças por muito perguntarem. As crianças e os filósofos. A interrogação mexe com a gente. Desafia-nos. É ela que, muitas vezes, nos perturba, nos inquieta.

Viver é indagar. Diz um estúpido ditado popular que “quem tudo quer saber, mexerico quer fazer”. Discordo da chamada sabedoria popular, e acho que quem tudo quer saber denota inteligência e perspicácia. E, às vezes, quem indaga não exige resposta. Indaga só por indagar, instigar à reflexão. Foi o caso de Pilatos quando perguntou a Jesus o que era a verdade. A indagação exigiria uma grande resposta. E eu fico pensando: Jesus poderia ter dito o que disse, depois, aos discípulos: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Mas quem sou eu para aconselhar Jesus...

Prosseguindo na crônica, se me perguntassem qual a maior pergunta de todos os tempos? Eu responderia sem pestanejar: qual a finalidade da vida? Por que estamos aqui no mundo? Será que tudo termina num viver e morrer, e pronto? Suponhamos que você acordasse, altas horas da noite, sem saber que estava dentro de um navio. Qual seria sua primeira pergunta? Ora, ora, cronista... Indagaria: Onde eu estou e para onde vou depois dessa viagem?

O escritor Léon Denis, no livro extraordinário “O problema do ser, do destino e da dor”, conta que um professor universitário perdera uma filha, fato que lembrou o problema da imortalidade. Desesperado, foi ao encontro dos colegas pedindo-lhe uma palavra de consolação. Frieza total. Os colegas mudaram de assunto. Aí lamentou ele: “pedi um pão e me deram uma pedra”...
Narra, ainda, Léon Denis este dramático monólogo de outro professor universitário: “Estou na Terra. Ignoro, absolutamente, como aqui vim ter e o que será de mim quando daqui sair”.

A verdade é que poucos têm coragem de fazer tal monólogo. E fazem tudo para esquecer o problema da imortalidade. Vivem como se fossem eternos no corpo de carne. E haja diversão para esquecer a reflexão. Há tantas atrações, tantos divertimentos para esse alheamento...

Mas no túmulo de Allan Kardec, lá no Père Lachaise, de Paris, há uma inscrição que diz: “Nascer, viver, morrer, renascer ainda, progredir sempre, tal é a lei”. Haverá mensagem mais consoladora do que esta? Ou tudo fica no morrer e pronto?

Como disse no começo, necessitamos das interrogações. São elas que nos fazem pensar e o homem é um animal que pensa. Lembro agora do escritor francês Anatole France que dizia ter muita pena de seu gato, porque não pensava...

U m famoso psiquiatra norte-americano disse que uma coisa que alegra o espírito é ouvir uma boa notícia. E eu me lembrei disso quando meu fi...

Um famoso psiquiatra norte-americano disse que uma coisa que alegra o espírito é ouvir uma boa notícia. E eu me lembrei disso quando meu filho, arquiteto Germano Romero, e, hoje, homem de televisão, levado como parceiro pela amiga e exímia apresentadora, jornalista Rose Silveira, me informou que o próximo convidado para o programa “Cá Entre Nós”, da RCTV, será a escritora e professora Vólia Loureiro, que acaba de lançar o livro “Quando as Paralelas se Encontram”. Obra que tive a honra de apresentar em recente lançamento na Usina Cultural. Um livro denso, que aborda a problemática da recordação de vidas passadas e outros temas espíritas, cuja maior temática é o Amor. Nada, portanto, de vidas apenas paralelas, mas que se encontrem, porquanto o ódio é que separa.

Deixemos a obra de inspiração mediúnica, e falemos sobre a autora, que também é palestrante e intelectual de elevado nível. Decerto, Germano foi inspirado pela Espiritualidade Maior quando teve a ideia de convidar Vólia para a entrevista. E, cá entre nós, a escritora, que é médium, tem muito o que dizer sobre a problemática da nossa existência, aqui no mundo.

O livro recentemente lançado narra a história de um grande amor. Rico de páginas, “Onde as paralelas se encontram” deixa o leitor cheio de reflexões.

A entrevista que vai ao ar nesta terça-feira, amanhã, na RCTV, às 22:00h, pelo canal 27 da Net Digital, tenho certeza que agradará bastante aos telespectadores, porquanto a escritora Vólia Loureiro tem muito o que dizer, não apenas no que concerne à mediunidade, mas sobre a problemática da vida, que se resume na indagação: “Por que estamos no mundo, quando daqui sairemos e o que será de nós ao daqui sairmos?”

Professora universitária, Engenheira Civil, palestrante das melhores e possuidora de uma profunda cultura espírita e espiritualista, o que mais caracteriza a sua personalidade é a modéstia. Não esquecer que ela também é poetisa. Excessivamente simples, suas palestras abordam temas doutrinários com muita leveza, como se levitasse sobre os assuntos tratados.

Parece que Germano anda aprendendo com nossa amiga Rose Silveira a escolher bem os entrevistados do Cá Entre Nós. Parabéns aos dois!

P or falar em Copa, mesmo que a gente perca daqui pra diante, já ganhou. Pena que tenha acontecido o que aconteceu: a quebra da vértebra lom...

Por falar em Copa, mesmo que a gente perca daqui pra diante, já ganhou. Pena que tenha acontecido o que aconteceu: a quebra da vértebra lombar do humilde e simpático Neymar. Mas acho que uma andorinha só não faz verão. Outras surpresas poderão acontecer daqui pra diante. Futebol é um esporte perigoso, muito diferente do Xadrez, um esporte silencioso, sem nenhum risco. Neste esporte, ninguém fratura a coluna... Só se joga com a cabeça, com o pensamento. Um desembargador, por exemplo, jamais quebrará a vértebra ao proferir um acórdão.

Mesmo que perca a Copa, o Brasil já ganhou, repito. Todo o seu imenso território, que tem a forma de um coração, acolheu gente de de todo o mundo. Chutes e gols fizeram a felicidade de muitos, conquanto por alguns momentos. Houve e está havendo muitos sorrisos nos rostos, muitos gritos nas bocas, muita alegria no povo, que precisa esquecer os maus políticos, que vêm por aí...

Assim, nosso país já é vitorioso ao se tornar uma atração mundial com seus estádios moderníssimos. Muita gente enriqueceu, muita gente esqueceu as tristezas, muita gente cantou o Hino Nacional, em que se diz que o nosso país dorme eternamente em berço esplêndido, pois a Natureza aqui é abundante. Não há montanhas vomitando fogo, o povo é pacífico, é gente de boa índole, e teve um homem extraordinário, que conversava com os espíritos, escrevia o que eles ditavam apenas com um lápis e os olhos fechados. É possível isto?

Foi possível. Daí a abundante literatura mediúnica que ele deixou. E deixou quando desencarnou, justamente na última Copa. Daí, decerto, veio o símbolo da Copa. A mão do Chico segurando o rosto.

Vamos adiante, lembrando que a bola é muito melhor do que a bomba atômica, pois, mesmo que não seja campeão, o nosso pai já ganhou. Ganhou na hospitalidade e no sorriso que ofereceu aos visitantes. No sorriso e na paz.

Vamos agitar a bandeirinha verde-amarela, vamos vê-la açoitada pela brisa, seja nos edifícios, nos carros e nas mãos das pessoas. Essa Copa foi um recreio para o povo. E como todo recreio, termina com a sineta da realidade que vem depois...

A propósito, ainda, do nosso corpo, o cosmo orgânico, muito desconhecido de todos nós, que tal abrir espaço para sua excelência o esqueleto...

A propósito, ainda, do nosso corpo, o cosmo orgânico, muito desconhecido de todos nós, que tal abrir espaço para sua excelência o esqueleto, a armadura que sustenta os nossos demais órgãos?

O grande cientista belga Vesalius, considerado o “Pai da Anatomia Moderna”, dizia que sem os ossos despencaríamos no chão como bolhas. Tudo que é carne desaparece logo com a morte, menos o osso. Está aí o esqueleto com o seu permanente sorriso triunfal.

Agora estou me lembrando de Shakespeare, no seu Hamlet, quando um dos personagens perguntava onde estaria Polônio e a resposta foi: “está num banquete, onde não come, mas é comido”, referindo-se ao túmulo.

A verdade é que os esqueletos, que moram nos cemitérios, chegaram a inspirar o grande compositor francês, Saint-Saens, a compor a genial “Dança Macabra”, uma impressionante página musical, em que os esqueletos, quando soa meia noite, saem dos seus túmulos e começam a dançar até que surge a alvorada e os dançarinos saem correndo para as suas covas.

Mas assim como há a “Dança do Fogo”, de Manuel de Falla, “A Valsa das Flores”, de Tchaikowsky, “A Dança das Horas”, de Ponchielli, por que os esqueletos não haveriam de dançar? Tudo é possível graças à imaginação.

Estou escrevendo aqui, e chega Alaurinda chamando atenção para a minha postura. A postura é tudo. Há pessoas chamadas “marrecas”, justamente, aquelas que andam curvadas.

Eu sempre convivi bem com o meu esqueleto, até que, um dia, me apareceu uma tal de estenose lombar, que terminou me levando para uma cadeira de rodas, numa das minhas viagens fora do país. E quem empurrou minha cadeira foi meu filho Germano. Sabe que cheguei a gostar do passeio sobre rodas, nas macias calçadas de Londres, que parecem um prato? Todo prefeito deveria dar, vez por outra, um passeio numa cadeira de rodas, para sentir o chão.

Voltemos ao esqueleto, com seu sorriso de caveira, como a dizer: ri melhor quem ri por último. Pena que a gente não possa mudar de esqueleto. Se isso fosse possível, não faltaria propaganda na TV. E quando víssemos uma pessoa muito espigada, diríamos logo num cochicho invejoso: “ela está de esqueleto novo”.

Cuidemos de nosso esqueleto, da postura e nada de preguiça. Há tantas ginásticas por aí. Presentemente estamos fazendo a gostosa hidroginástica, sob a orientação da jovem professora Catarina Guimarães, sempre atenta à nossa postura. E saímos da piscina com gosto de quero mais.

Viva, portanto, o osso. É ele que nos sustenta. A carne é fraca, forte é o osso. E cuidemos mais do nosso cosmo orgânico, que Deus nos deu, e nenhum homem é capaz de criá-lo. O homem que inventou o computador é incapaz de criar um mosquito. Mas Deus criou o nosso cosmo orgânico e o homem faz tudo para destruí-lo com a preguiça, álcool, droga, gula, fumo.

Mais um viva para os esqueletos que dançam, segundo a “Dança Macabra” de Saint-Saens, até chegar a madrugada, pois a vida não é nada mais do que uma dança.

Já está na hora de encerrar a crônica, e, antes que minha Lau venha com a recomendação: “cuidado com a coluna”, vou retirando os dedos do teclado deste computador, que se fosse um livro, levaria para a cama.

Mas fica o lembrete: não se esqueça de sua postura, assim como da compostura.

A gora é dizer, quem tem ouvidos, que ouça! Que seriamos de nós sem eles? Que o pintor seja surdo, o mesmo diríamos do arquiteto, do engenhe...

Agora é dizer, quem tem ouvidos, que ouça! Que seriamos de nós sem eles? Que o pintor seja surdo, o mesmo diríamos do arquiteto, do engenheiro, do escritor. E por falar em arquiteto, o nosso grande engenheiro-arquiteto Clodoaldo Gouveia, meu sogro, que não cheguei a conhecer, construiu belas obras, aqui na nossa Capital, inclusive o prédio do Liceu Paraibano. Dir-se-ia que via muito, porém, ouvia pouco. Ele foi um excelente auxiliar do presidente João Pessoa, que o admirava e estimava.

Voltando aos ouvidos, ao chamado pavilhão auricular, que seria de nós sem eles? Assim como há uma ética no falar, há também no ouvir. E, aqui para nós, há pessoas que gostam mais de falar do que de ouvir. São os chamados tagarelas, ou melhor, que falam pelos cotovelos. Dizem que a mulher do filósofo Sócrates, Xantipa, falava demais. Certa vez, exasperou-se diante do silêncio do marido, por conta de uma queixa, e jogou sobre ele um vaso d'água. O filósofo sorriu, enxugou-se e disse: “depois da trovoada vem a tempestade. ”

Aina bem que eu sou bom de escutar. E quando sinto embaraço no ouvir, corro logo para meus amigos otorrinolaringologistas, desde o Carneiro Arnaud aos doutores Hugo Guimarães, pai e filho, a quem devo, vez por outra, a revisão dos meus ouvidos. Que alívio bom vem depois de uma boa limpeza...

Deve ser uma tragédia não poder escutar a vida. Não poder ouvir, de madrugada, o canto dos bem-te-vis, o chiado da chuva, o rumor das ondas do mar, uma boa música. Aí sinto uma profunda tristeza em saber que o maior músico do mundo, o nosso grande Beethoven, perdeu a audição. Músico surdo é a mesma coisa de pintor cego. Narram que o gênio de Bonn não chegou a ouvir a sua última sinfonia, a Nona, a sinfonia que exaltou a alegria...

Bem-aventurados os que pensam, que vêem, que andam, que ouvem, que falam. Tem gente que possui tudo isso e ainda se julga infeliz... Quando eu estava tateando no jornalismo, aqui n'A União, pedi ao meu mestre Silvino Lopes um título para a minha secção diária. Ele não pensou duas vezes, foi logo sugerindo: ”Ver, ouvir e falar”. Que título, hein?

Jesus iniciou sua pregação com o chamado Sermão da Montanha, em que ele começa a dizer quem eram os bem-aventurados, os felizes. E eu completo o discurso, dizendo: felizes os que puderam ouvir tão belo sermão. Sermão tão belo que Gandhi chegou a dizer: se toda a literatura do mundo fosse destruída, mas restasse o Sermão da Montanha, nada estaria perdido...

Muito cuidado, portanto, com a boca, pois dela é que sai a palavra que fere, que destrói. Lembremos o que Jesus advertiu: “Que o seu falar seja, sim sim, não não.” Emmanuel, por sua vez, elucida: “Não comentes o mal, senão para exaltar o bem”.

Nessa série de crônicas, todas elas inspiradas no nosso corpo, só está faltando uma digressãozinha sobre a nossa armadura óssea. Que seria de nós sem ela...? O esqueleto é o único que fica quando todos os outros órgãos morrem. Dir-se-ia que a carne morre e o osso fica. Ah, aquele sorriso da caveira!...

S ó se vê gente alegre na rua. Gente sorrindo, fazendo as coisas correndo como se o mundo fosse acabar amanhã. E todo esse alvoroço por caus...

Só se vê gente alegre na rua. Gente sorrindo, fazendo as coisas correndo como se o mundo fosse acabar amanhã. E todo esse alvoroço por causa da Copa, que está mexendo com a cuca de muita gente. E essa ansiedade ainda vai aumentar quando for na hora do jogo. Coração batendo, mãos geladas, boca pronta para gritar o gol, que é tão gostoso como um orgasmo. Assim, como Arquimedes saiu correndo nu pela rua quando descobriu a lei da hidrostática, o torcedor é capaz de fazer o mesmo quando a bola entrar na rede...

Não censuro essa exaltação futebolística. Já fui tão fanático que na hora do jogo com o Brasil eu ficava tremendo que nem vara verde. Houve uma final da Copa que eu não aguentei assistir toda. Fui esconder minha emoção na praia. E fiquei esperando ouvir um foguetão anunciando um gol do Brasil.

Hoje a coisa mudou. Se eu for para a TV, será sem aquele entusiasmo de outrora. E talvez nem vá... Mas, se Deus é brasileiro como se diz, que o nosso país seja campeão. Mil vezes a gritaria, a exaltação, o culto da chuteira do que a guerra, que os Estados Unidos e a Rússia estão cogitando. Esses provocadores de guerra é que merecem o nosso repúdio.

Copa sim, guerra não. O povo brasileiro não cabe em si de contente. As bandeirinhas do país mais pacífico do mundo já estão tremulando nos carros. O país que deu berço ao maior médium do planeta, o nosso Chico Xavier, que morreu, justamente, quando o povo delirava com a vitória da “Pátria do Evangelho”, como dizem os espíritas. O Brasil de Chico Xavier.

E amanhã, terça-feira, é dia do meu aniversário. Um aniversário sem bolo, sem a modinha do “parabéns pra você”, quando se deseja para o aniversariante muitos anos de vida, uma prova de que todo mundo deseja a velhice, que é sinônimo de sabedoria. Sabedoria pra ver o povo contente, virando menino, ansiando pelo gol. O povo sem guerra, pacífico por natureza. Um povo sem Napoleão, sem Hitler, sem Stalin.

Sonhar com a bola na rede, com a Copa do Mundo, é melhor do que com a bomba atômica dos países fazedores de guerra. Vá ver que até as criancinhas, lá no Hospital do Câncer, estarão sorrindo e torcendo pelo Brasil... O povo é assim mesmo.

A belardinho muito contente com a publicação de seu recém-lançado livro, que tem título sugestivo. Lembrar que janela é símbolo de comunicaç...

Abelardinho muito contente com a publicação de seu recém-lançado livro, que tem título sugestivo. Lembrar que janela é símbolo de comunicação. O mestre José Américo já dizia que ir à janela é ir à ua sem sair de casa. Outrora, as janelas eram tudo de uma residência. Ah, as conversas pelas janelas... E haja conversa.

O nosso Abelardinho, doutor em um diferenciado colunismo social, que aprendeu com o seu mestre Heitor Falcão, é um homem em lua de mel com a vida. Teve um pai, o ministro Abelardo Jurema, com quem aprendeu muita coisa na vida, menos odiar. E eu fui aluno dele, de Literatura Brasileira, lá no Liceu Paraibano. Você precisava ver que elegância, no traje, no comportamento, no bom humor.

Este quinto livro que Abelardo publica é um documentário excelente da nossa vida social, de que o autor conhece a fundo. Uma janela escancarada do nosso cotidiano muito humano. Nele, o colunista-cronista rememora diversos personagens ilustres e não esquece o barbeiro Tião, cuja tesoura cortou o cabelo de muitos governadores, inclusive os de José Américo de Almeida, que não me deixe mentir a escritora Lourdinha Luna.

Abelardo alude ao exílio do pai no Peru, um dos momentos dramáticos de sua vida política. Mas o exilado não perdeu a dignidade, chegando a dizer: “É nos momentos difíceis que o homem cresce e amadurece”. A Paraíba deve muito ao ex-ministro Abelardo Jurema, pois foi de sua mão que saiu a federalização de nossa universidade.

Estou aqui com “Na Janela da Cidade”, o livro que virou realmente janela. Uma beleza de impressão gráfica. Como já disse, um livro que dá vontade de beijá-lo, e valorizado com o prefácio do acadêmico Damião Ramos Cavalcante, posfácio do arquiteto e cronista Germano Romero e “orelha” do jornalista Kubitschek Pinheiro.

Abelardo pai já se imortalizou nas Letras. Por que o filho também não se imortaliza, unindo-se ao pai, cada vez mais, merecidamente?

Digo com toda a sinceridade. Este “Na janela da cidade” tem a cara da cidade. Não a cidade do Rio de Janeiro, onde o autor nasceu, mas a da Capital das Acácias, onde o sol nasce primeiro!

D esde que eu estou no mundo, nunca vi este acordo entre o sol e a chuva. Sempre um dia um, um dia o outro, na mais agradável parceria. Um d...

Desde que eu estou no mundo, nunca vi este acordo entre o sol e a chuva. Sempre um dia um, um dia o outro, na mais agradável parceria. Um dia céu nublado, friozinho correndo pelo corpo, pedindo roupa mais quente. No outro dia, o sol sorrindo, aquecendo o nosso corpo, mostrando um firmamento todo azul. Dia seguinte, cai a chuva, e aí dá aquela vontade para uma caminhada debaixo d'água.

Sol e chuva, frio e calor, água e luz, que a vida é feita de contrastes. A monotonia traz depressão. Ler e ouvir boa música é muito gostoso. Dormir nem se fala. Pensar muito mais. E ainda tem mais esta: a chuva, o frio, o silêncio são condições maravilhosas para a reflexão, para a conversa interior, para o filosofar. Já o sol é propício para a distração. Dir-se-ia que o sol propicia a poesia e a chuva a filosofia. Até rimou. Lembrar que as grandes filosofias nasceram nos países frios.

Mas voltemos á crônica. Lá fora o sol esbanja luz e parece gritar para o cronista: “Saia daí. A praia está uma beleza”. E eu fico a imaginar como a praia deve estar mesmo bonita, a areia limpinha, o céu azul, o mar brincando com as ondas, feito menino...

Pra falar a verdade, gosto mais de países quentes, embora tenha nascido numa terra fria de gelar: Alagoa Nova, onde o sol é escasso e as pessoas se valem dos cobertores e da cachaça para esquentar o corpo. E eu soube que a cachaça é o que anima os festivais de arte que ali se realizam...

Mas o clima está assim, instável. Chuva hoje, sol amanhã, coisa que nunca vi antes. Que dizem os entendidos de meteorologia sobre esse fenômeno?

Diz a modinha, que ouvi muito na minha infância: “Chuva com sol, casa-se a raposa com o rouxinol”. E eu imaginava que isso era verdade...

Mas a verdade é que tem vez que estou doido por um dia chuvoso e vice-versal

E viva a reflexão a que nos condiciona a chuva, e a distração que nos proporciona o sol. Muita água caindo do céu e muita luz iluminando os nossos caminhos...

E vidente que há outras riquezas em nosso corpo, mas desejei começar pelas mãos, que a gente deveria beijar, toda vez que acordasse, manhã c...

Evidente que há outras riquezas em nosso corpo, mas desejei começar pelas mãos, que a gente deveria beijar, toda vez que acordasse, manhã cedo. As mãos são tão importantes como os olhos. Que digam os destituídos de visão, cujas mãos são seus olhos.

Mãos de pedreiros, de pianistas, violinistas, de maestros, arquitetos, de pintores, de escritores, dos artistas em geral. Mãos que ferem, mãos que acariciam. Mãos de mães acalentando os filhos. Mãos que abençoam e mãos que amaldiçoam. Mãos que castigam, mãos que indicam o bom caminho.

Você, às vezes, se sente infeliz e esquece as riquezas que possui. Coisas que não daria por nenhum preço.
Bem-aventurados aqueles que sabem fazer bom uso de suas mãos. Estou agora mesmo no teclado deste computador em que as minhas vão formando palavras. E a moda agora é o smartphone, é o iPad, que não dispensam as mãos.

São as mãos que levam a colher até as nossas bocas, ajudando-nos a alimentar. Mãos que dirigem veículos. Mãos de crianças, de adultos e de idosos. Vi muitos destes últimos se apoiando em suas bengalas nos países que visitei recentemente.

Outrora, falava-se em pedir a mão da moça, isto é, pedi-la em casamento. Nos esportes as mãos são indispensáveis, seja no voleibol, basquete, e até no futebol. E as mãos de cirurgiães, como são valiosas?!

Mas vamos adiante. Que dizer das mãos que limpam leprosos, como as de Madre Teresa de Calcutá, a mão de Chico Xavier que escreveu centenas de livros profundos de filosofia e ciência, conquanto tivesse apenas o curso primário. Chico Xavier psicografava de olhos fechados, minha gente, e em idiomas que jamais estudara!

E que dizer de Jesus, cujas mãos levantaram paralíticos, deram vistas aos cegos, curaram leprosos? Mãos que terminaram pregadas numa cruz, sob fortes e dolorosas marteladas. Mãos de Jesus abençoando crianças e dizendo que delas é o Reino dos Céus.

Mãos! Como as adoro. E ontem, ao meio dia em ponto, vi um homem, em pleno trânsito, sem as mãos. Muitos fingiam que não o viam. Olhar implica em responsabilidade. O pedinte segurava um caneco com os braços, e ainda esboçava um alegre sorriso de amor e paz.

As mãos! Dizem que nelas está escrita a nossa existência, se longa, se curta. Pelos traços que formam um “M”, vejo que a minha vida se alonga.

A crônica já vai se alongando, e já é o momento de retirar as mãos do computador. Mais ainda: beijá-las!

E como disse no início, há muitas outras riquezas neste cosmo orgânico que é o nosso corpo, a começar pelos nossos olhos. Riquezas que nos foram dadas, pelas quais não pagamos sequer um centavo.

Olhos, mãos, pés, não esquecendo a maior de todas as nossas riquezas: a mente, espelho de nossa vida, que pode refletir o bem e ou o mal.

P edra, símbolo de inflexibilidade, de dureza e firmeza, foi sempre citada no Evangelho, a começar quando Jesus se dirigindo ao apóstolo Ped...

Pedra, símbolo de inflexibilidade, de dureza e firmeza, foi sempre citada no Evangelho, a começar quando Jesus se dirigindo ao apóstolo Pedro, disse: “Tu és pedra e sobre ti edificarei minha igreja”.

Acontece que a pedra era humana. Daí ter dito, diante do tribunal que julgou Jesus, que desconhecia o seu mestre. Fato que ocorreu “antes que o galo cantasse”, como foi previsto.

A pedra também foi obstáculo no belo poema de Drummond e que começa: ”No meio do caminho tinha uma pedra”. Mas, deixemos Drummond e voltemos a Jesus, que começou a marcha da evangelização, num monte ou montanha, quando proferiu o mais belo sermão de todos os tempos, a ponto de o iluminado Gandhi dizer que se tudo acabasse, restando apenas o Sermão, nada estaria perdido.

Montanha é pedra. Pedra silenciosa. Pedra que fala. Jesus escandalizou os judeus quando disse que o templo de Jerusalém seria derrubado, não ficando pedra sobre pedra.

No episódio da Mulher Adultera, acusada pelos fariseus, o Mestre não fez nenhum julgamento. Apenas disse “aquele que estiver sem pecado, que lhe atire a primeira pedra”.

A pedra sozinha não fere ninguém. É neutra. E quem a utiliza para o mal, responde pelo ato. No “Sermão da Montanha” Jesus ensinou que casa construída sobre rocha, isto é, sobre a pedra, não ruirá, mesmo que venha tempestade.

Na tentação no deserto, o Diabo desafiou Jesus a transformar pedras em pães, querendo, assim, testar Jesus. É o que narram as escrituras.

A pedra não serve de travesseiro. Todavia, num momento de profunda melancolia, fez Jesus esta dolorosa confissão: “O Filho do Homem não tem uma pedra para repousar a cabeça". Inobstante exaltemos a pedra como símbolo de fé, a água pode simbolizar o amor. Tanto é assim que, segundo o ditado, ”água mole em pedra dura, tanto bate até que fura".

Portanto, não esqueçamos a didática da pedra. Ela ensina fé e firmeza. Jesus, ao deixar o mundo, disse que era seu verdadeiro discípulo: aquele que muito ama. Será que estamos cumprindo a receita do Mestre? Já não digo amando, mas pelo menos compreendendo o próximo?...

“O homem é Pedro”. Sim, este foi o “slogan” da vibrante campanha eleitoral que levou Pedro Gondim ao Palácio da Redenção, por conseguinte a...

“O homem é Pedro”. Sim, este foi o “slogan” da vibrante campanha eleitoral que levou Pedro Gondim ao Palácio da Redenção, por conseguinte ao governo do nosso Estado. Nenhuma campanha antes excedeu esta, em entusiasmo, em exaltação popular, em loucura mesmo. E vinha a indagação: “Está com Pedro ou está com medo?” A resposta tinha de ser: “Não, estou com Pedro”.

Moço, bonito, inteligente, de uma irradiante simpatia, a verdade é que o meu conterrâneo de Alagoa Nova, Pedro Gondim, honrou o mandato que o povo lhe confiou. Se teve defeitos, quem não os tem?

A verdade é que ele foi eleito. O homem era Pedro, mesmo. Pedro que lembra pedra. Não sou político. Não participei de sua campanha. Fiquei no meu canto. Mas não é que o meu amigo e conterrâneo achou de me convocar para o seu governo... Fui convidado pelas mãos do elegante Chefe da Casa Civil Edigardo Soares, para assumir a subchefia daquele importante cargo.
Não tive como recusar tão importante comenda. Conquanto, essencialmente, apolítico, eis-me num setor, visceralmente político. Comoveu-me aquela honrosa distinção, que implicava numa grande responsabilidade.

Tudo ia muito bem quando o governador achou de me convidar para a primeira incumbência de seu governo: participar da mesa de julgamento de um concurso de misses em Campina Grande. Fomos eu e minha primeira esposa Carmen. Missão difícil, porquanto as garotas eram lindas...

Mas depois dessa primeira incumbência, no novo governo, participei com muito entusiasmo em todos os empreendimentos culturais, lembrando que o dinâmico governador foi um grande incentivador das artes. O centenário do ex-presidente Epitácio Pessoa foi brilhantemente comemorado, resultando na inauguração da Cripta em sua homenagem existente no nosso Tribunal de Justiça. Não esquecer que foi o governador Pedro Gondim quem proporcionou a filmagem de “Menino de Engenho”, do nosso José Lins do Rego, que redundou num grande sucesso.

Não esquecer também que o Plano de Extensão Cultural de seu governo teve a melhor repercussão. Foi com muito orgulho, o bom orgulho, que dei o meu suor aos empreendimentos culturais do Governo, destacando a colaboração de Itapuan Botto, chefe do Cerimonial da Casa Civil, hoje imortal da nossa Academia de Letras, elegante, educado, um verdadeiro diplomata.

Pedro Gondim, poucos sabem, era poeta. Muitos de seus poemas eram voltados para justiça social. Ele era um homem boníssimo que não sabia odiar. Para o seu trabalho de chefe de governo contou com a ajuda de sua esposa Sílvia, que ele chamava, carinhosamente, Silvinha. Um bom e carinhoso pai de família.

Pedro Gondim... A primeira vez que eu o ouvi foi numa palestra que ele pronunciava na Associação Comercial, lá no Varadouro. Elegante, simpático, fluente, sua palavra muito me impressionou. Depois o vi como deputado. Um homem sem abordagem difícil. Simples, otimista, ativo. Não me esqueço de sua presença no sepultamento do corpo de meu pai, lá no Cemitério da Boa Sentença... Quando terminei de falar, dizendo “até logo meu pai”, ele veio ao meu encontro, com lágrimas nos olhos, dizendo: “que comovente e cheia de fé a sua despedida”...

U m padre entra num banco e intromete-se numa fila. Mas ele não usa as pernas, pois está sentado numa cadeira de rodas. Mais ainda: quem emp...

Um padre entra num banco e intromete-se numa fila. Mas ele não usa as pernas, pois está sentado numa cadeira de rodas. Mais ainda: quem empurra o veículo é um empregado de seu instituto. O padre é gordo, a batina um pouco surrada, e transmite uma paz com sua presença humilde.

Por que esse sacerdote entrou num estabelecimento bancário? Para depositar dinheiro ou retirá-lo? Nada disso. Ele está ali para pedir esmola. Esmola não para ele, mas para os outros, isto é, para os seus pobres, que são muitos. Mais ainda: ele, como já disse, mantém um instituto, onde os jovens daquele tempo iam aprender datilografia. Datilografia que hoje se aplica no computador.

Mas voltemos ao padre. Sabe como ele pede esmola? Cutucando as pessoas pelas costas com uma varinha. A pessoa se vira, meio assustada e ele pede: “um dinheirinho para os meus pobres". Difícil negar o seu pedido, pedido tão humilde e que chega a comover. Ora, tanta gente preocupada com os seus negócios, e aquele, esquecido de si mesmo, rogando ao auxilio para os outros, para os mais carentes.

Seu nome, tenho certeza que o leitor já sacou, se for de certa idade. Estou aludindo ao padre Zé Coutinho, o extraordinário Padre Zé, que levou toda existência a serviço dos mais desfavorecidos da vida. Um homem que se fez mendigo para ajudar aos outros. Conheci esse divino sacerdote. Ele foi colega do meu pai, quando ambos eram seminaristas. Meu pai o admirava muito. Quase sempre, quando se encontravam, o padre Zé Coutinho ia logo perguntando: ”Como vai o teu Espiritismo, Zé?" ”Sim, ambos se conheceram no Seminário, ali no Convento São Francisco.

Padre Zé Coutinho só tinha uma religião: a religião do amor. E Jesus identificou seus discípulos por muito se amarem.
Eu gostava dele e ele de mim. Lia e comentava minhas crônicas no jornal A União. Mantinha um programa na Rádio Tabajara e escrevia neste jornal.

Nunca soube enriquecer. Tirou muito dinheiro dos ricos para dar aos menos favorecidos. Costumava chamar a gente de “prezado”.
No cemitério da Boa Sentença tem uma escultura em sua homenagem. Gostaria que erguessem uma estátua ou um busto, na chamada Praça do Bispo, onde funciona ou funcionava o seu instituto. Padre Zé Coutinho! Um autêntico missionário. Não há coisa mais difícil no mundo de que “amar aos outros como a nós mesmos”. Uma receita nada fácil de ser cumprida. Mas o padre Zé cumpriu-a. Como cumpriram Chico Xavier, Maria Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, Albert Shweitzer, Gandhi, Francisco de Assis...

No exercício da caridade usou os pés até quanto pôde. Estou ouvindo, agora mesmo, a sua voz: “Um dinheirinho para os pobres, prezado”. Era difícil ficar indiferente a essa rogativa... E eu fico a imaginar o Padre Zé voltando para casa levando a paz dentro de si. A paz que vem da consciência do dever cumprido.

S im, se não fosse o vento, que seria da vida? O vento é que anima tudo. Vento parado, cognominado de calmaria, foi o grande medo dos nossos...

Sim, se não fosse o vento, que seria da vida? O vento é que anima tudo. Vento parado, cognominado de calmaria, foi o grande medo dos nossos descobridores. Graças ao vento, empurrando as nossas caravelas, é que descobriram as Américas.

O vento é um grande símbolo do otimismo, da alegria, de esperança, de fé na vida. Mesmo quando ele se transforma em furacão, é bem-vindo. Há necessidade, às vezes, de uma varredura, de uma lavagem na atmosfera. O Deus-natureza sabe muito bem o que faz.

Foi do medo de um furacão que, certa vez, os apóstolos se assombraram, temendo um naufrágio. Mas o Mestre estava atento e pediu que todos ficassem tranquilos, e tudo terminou bem. Não devemos esquecer que o medo é o avesso da fé.

Como eu disse, no inicio da crônica, se não fosse o vento, tudo estaria paralisado. As árvores, o mar, os rios, as nuvens, a própria vida. Quando respiramos, estamos trazendo o oxigênio para a nossa vida. E nunca temos consciência desse ato tão importante. O oxigênio, o maior alimento, que Deus nos deu, gratuitamente. Alimento sem sabor, mas de muito sabor, até rimou.

Se não fosse o vento, teríamos a morte ao invés da vida. A criança recém-nascida, quando recebe o primeiro ar pelas narinas, chora pelo impacto do primeiro ar que inspira. Os pulmõezinhos ainda não estão acostumados com tanto oxigênio.

Já imaginaram todas as árvores do mundo paradas que nem estátuas? Seria uma desolação total. As árvores dançam com o vento, sorriem com o vento, se cumprimentam com o vento. Ah, os cataventos! Pessoas sem ânimo, sem sorriso, pessimistas são como árvores paradas, sem vento.

E é o vento que limpa a calçada, onde as árvores, a exemplo das castanholas, jogam as folhas secas no chão, num exemplo de renovação e fé na vida.

O tempo é uma espécie de vento. Quanta coisa eles nos leva. E viva a calmaria para a reflexão e a tempestade para a nossa evolução.

Repitamos: Ah se não fosse o vento...

S im, parece incrível, mas aconteceu. Minha mãe viveu mais de um século. Saiu dessa longa existência com a consciência tranqüila. Dir-se-ia ...

Sim, parece incrível, mas aconteceu. Minha mãe viveu mais de um século. Saiu dessa longa existência com a consciência tranqüila. Dir-se-ia sorrindo, porquanto pessimismo não era com ela.
Já estou ouvindo ela dizer: “para que estar contando essas coisas para o jornal?" E haja muxoxo. Mas pouco importa, pois sua existência foi um curso de fé na vida.

Nasceu numa terra chamada Canafístula, aqui perto de Pilar. Nome que depois foi mudado para Caldas Brandão, um político, o que a fez fazer não sei quantos muxoxos de protesto. “Canafístula, o nome de uma árvore”...

Mas vamos a dona Pia, nome que ela mudou para Maria Pia. E me dizia, sorrindo: "nome de rainha" Casou-se muito moça com Alfredo de Barros, que morreu jovem, devido a uma pancada de vento, manhã cedo, ao abrir a porta. Dele teve dois filhos: Alfredo e Eudes, que foi poeta, jornalista e escritor.

Com dois filhos e muito bonita, sua viuvez durou pouco. Seu pai Vicente, negociante e tocador de clarinete, desejava que ela se casasse logo. Minha mãe, inimiga da ociosidade, inteligente e corajosa, tratou logo de arranjar um emprego federal, mediante concurso, isto numa época em a mulher, por força dos preconceitos, não deveria trabalhar fora de casa. Dona Pia fez concurso para telegrafista. E a viuvez não demorou muito. Logo lhe apareceu um homem muito elegante, bonito e culto. Era o meu pai, José Augusto Romero, que foi agricultor, dedicando-se ao plantio e colheita do café, para depois se tornar professor, preparando os jovens para o exame de admissão no tradicional Lyceu Paraibano.

Meu pai, como já contei, foi seminarista. Depois se tornou espírita. Minha mãe, que era, em Alagoa Nova, zeladora do coração de Jesus, terminou aceitando a religião do marido.

Ela tinha, quando moça, longos cabelos. Era a moda da época. E diziam que cabelo curto era para mulher vulgar. Pois não é que dona Pia, numa visita que fez à capital, notou que muitas mulheres estavam aderindo à nova moda, e não pensou duas vezes. E ei-la afrontando a sociedade de Alagoa Nova com o cabelo da moda.

Ela era assim: resoluta, corajosa, inteligente, otimista, cuja vida foi um exemplo de coragem, dignidade e responsabilidade. Adorava ler. Decifrava charadas e palavras-cruzadas como ninguém, e chegou a fazer versos. Outra coisa que ela adorava: música. Musica erudita. Muitas vezes a vi, já velhinha, com o rosto molhado de lágrimas, ouvindo Beethoven, Mozart, Chopin, seus compositores prediletos. Ela mesmo era uma musicista, pois tocava flauta. Fez questão que suas filhas Ivone e Iracema, aprendessem piano.

E a sua alimentação? Sóbria. Não dispensava o ponche diário de beterraba com laranja e cenoura. Comia pouco. Adorava vestidos coloridos. Toda semana estava no salão de beleza. E sempre me dizia: "meu filho, velhice quer trato". Era alegre e otimista. Costumava dizer: “não gosto de velho relaxado”. Uma casa velha com pintura nova é outra coisa.

Teve oito filhos. E era tão decidida que chegou a fazer um parto, sozinha, já que a parteira estava demorando, e quando chegou, o menino já estava fora, esperando apenas o corte do cordão umbilical. Que mulher admirável!

M anhã de 8 de março, dia do aniversário dele. E pelo fone, logo cedo, me beijando e abraçando, o caçula foi dizendo que eu sou o maior pres...

Manhã de 8 de março, dia do aniversário dele. E pelo fone, logo cedo, me beijando e abraçando, o caçula foi dizendo que eu sou o maior presente para comemorar a significativa data. Enquanto ele me dizia isso, hoje homem feito, já realizado como arquiteto e como cronista, pus-me a me lembrar do seu nascimento, por via cesariana, aqui em João Pessoa, e já galego. Veio fazer companhia ao primogênito Carlos, nascido em Campina Grande e hoje PhD em Física, ora vejam só...

Mas, voltando ao meu aniversariante, ele foi autor de muitas travessuras e alturas. Tanto é assim que, com 7 anos apenas, pediu para subir, sozinho, numa roda-gigante e num “polvo” da Desta das Neves. E a mãe quase morreu de medo. O menino subiu e ainda pediu bis, no que não foi atendido.

Nunca foi castigado. Nem uma leve palmada sofreu. Era um peralta admirável, que fazia amigos com muita facilidade. Difícil não gostar dele. E, aqui para nós: o menino era bonito de morrer, como se costuma dizer.

Aprendeu a gostar de música erudita ainda criança, com a tia Iracema, que era pianista, e terminou se bacharelando em Música. E como eu gosto de ouvi-lo tocando “A Maré Encheu”, do nosso Villa-Lobos.

Inquieto por natureza, parece dizer: ”pernas para que te quero”. É um globe-trotter admirável. Conhece o mundo a fundo. E não satisfeito de levar suas impressões de turista culto e sensível para o jornal, ainda acha de contar tudo que vê nas viagens, no quadro Parada Obrigatória, do programa da RCTV, “Cá Entre Nós”, num interessante diálogo com a inteligente Rose Silveira,

Mas o diabo é que o caçula não quer viajar só, e acha de me levar em sua companhia, ao lado da boadrasta Alaurinda. E não ficou nisso. Achou de me dar um presente de aniversário: Escolheu Paris, minha cidade favorita, para passarmos este carnaval.

Pois é esse galego, meu caçula, que no seu aniversário o meu desejo era pegar um globo terrestre, envolvê-lo com um papel colorido e dizer-lhe: “está aqui o presente que você me deu e continua dando: conhecer o mundo lá fora”.

E viva o garoto das travessuras, e arquiteto das alturas, que só pára no programa de Rose, quando faz o Parada Obrigatória.

C omo tudo na vida passa, o nosso paraíso haveria de acabar. E tudo começou quando ouvi um fiapo de conversa de meus pais. Eles falavam que ...

Como tudo na vida passa, o nosso paraíso haveria de acabar. E tudo começou quando ouvi um fiapo de conversa de meus pais. Eles falavam que o sítio ia ser desapropriado pelo Governo para dar lugar à construção de um colégio.

Não entendi bem esse negócio de desapropriação. Só sei que senti um forte aperto na garganta. Olhei para as mangueiras que, decerto, iriam ser derrubadas. Saí andando meio cambaleando pelo sítio, sentei-me no chão e chorei muito. As árvores pareciam me escutar. Os cachorros, Bunque e Iglô, chegaram perto de mim, balançando as caudas, como desejando me consolar.
Meus olhos se estenderam sítio afora. Meu paraíso ia ser destruído. E para onde iríamos? Talvez para uma casa lá no centro da cidade. Uma casa com quintal, apenas.

Neste momento meu pai passou perto de mim e foi logo indagando: “Que está fazendo, aqui, sozinho?” Tive pena dele. Sem dúvida estava sofrendo em silêncio. O sítio era tudo para ele. Quase tudo que existia ali, afora as fruteiras, saiu de suas mãos de agricultor.

O tempo foi passando e eis que, um dia, ele informou aos filhos: o governo ia desapropriar o sítio, e iríamos morar numa casa, na Rua Nova, uma das principais da capital. A casa era grande, tinha um sótão e ficava defronte do Convento de São Bento. E era na Rua Nova que se realizava a Festa das Neves. Essa informação consolou-me um pouco. Afinal, a vida é feita de mudanças.

No dia seguinte, meu olhar para o sítio era triste, de despedida. Um olhar molhado de lágrimas. Tive pena das árvores, que, por certo, seriam derrubadas, inclusive a casa, com seus longos alpendres. E eis que chegou um bando de meninos para brincar, que moravam em casas com seus quintais. Mas, silenciei em relação a saída do sítio. Sem dúvida, alguns deles iriam gostar. Muitos me invejavam.

Papai agora não era mais dono de um sítio. Iria ser burocrata. Deixava o campo pelo birô. Ia ser funcionário federal, secretário das Obras Contra as Secas.
E chegou o dia da mudança para a Rua Nova, com sua Catedral, seu silêncio histórico e místico.

Os cachorros não sabiam da mudança. Daí aquela alegria de rabo balançando. Tive pena deles. Adeus Lagoa, adeus adoráveis manhãs de domingo, adeus meu paraíso, adeus aquele cheiro de terra, as frondosas árvores, a paz paradisíaca...

Mas a vida é uma dança, a dança da mudança. Minha mãe, que adorava novidade, enfrentou a situação com muito otimismo. Ela vivia muito bem o presente. Já em papai, notei uma melancolia saudosista. Trocar o sítio por uma repartição pública...
Menino de calça curta, eu já ansiava por uma calça comprida. Disseram-me que na Rua Nova havia uma grande costureira chamada dona Eudócia. Isto me animava.

A Rua Nova tinha largas calçadas, que serviam de campos de futebol. Não faltavam meninos para isso. Havia os pés de fícus e oitizeiros que ornamentavam a rua. O resto eram só casas. E haja janelas para as conversas. Ali morava muita gente ilustre e rica. O ex-presidente e general Camilo de Holanda, o historiador Coriolano de Medeiros, fundador da nossa Academia de Letras, Gazzi de Sá, professor de piano e maestro de orfeão, o presidente Castro Pinto, escritor De Castro e Silva, o primeiro biógrafo de Augusto dos Anjos e assim por diante. Mas, e o sítio, que continua na minha memória? Impossível esquecê-lo.

O menino de sítio agora era menino de rua, vivendo entre casas ao invés de árvores, calçamento ao invés de terra, buzina de automóveis ao invés de pássaros cantando.

Quando fui dormir, o sítio apareceu na minha imaginação. Veio aquele nó na garganta, e um dilúvio de lágrimas. Chorei baixinho para ninguém ouvir. O sítio veio comigo. A minha tristeza era profunda. Tristeza que o carrilhão da Catedral, com suas místicas badaladas aumentou ainda mais...

O livro é tão pesado que afetou, ligeiramente, a minha coluna, que já não andou muito boa, mas tem melhorado muito graças às caminhadas e ...


O livro é tão pesado que afetou, ligeiramente, a minha coluna, que já não andou muito boa, mas tem melhorado muito graças às caminhadas e outras ginásticas.
Voltando ao livro, comecemos pelo seu visual. A imagem daqueles pés caminhando na areia. E com o apetite de minha curiosidade, fui lendo este “Ciclo vegetal”, do meu amigo e mestre Juca Pontes lançado, outro dia, com merecido sucesso, na Livraria Leitura.
Se o livro é pesado, as pétalas de seus poemas são de uma leveza e de uma beleza que encantam. Têm a sutileza das lágrimas, sutileza de pés caminhando, de folhas se despregando das árvores. Dir-se-ia que o autor escreveu ouvindo, mentalmente, Debussy. Mais de 300 páginas. Nada de orelha. O livro é enriquecido com um texto lúcido, preciso e erudito do Hildeberto Barbosa Filho, nosso crítico maior. E traz pensamentos como este: “O mar sou eu quando sou náufrago”, de Lúcio Lins. Há também figuras de pés caminhando na areia da praia, o que tem muito a ver com o símbolo.
E que dizer do seu conteúdo desse livro tão denso e tão simbólico? As palavras nunca expressam a realidade. Daí a necessidade das meias palavras, das reticências.
Juca Pontes, no final, cita seus numerosos amigos que, decerto, considera uma de suas maiores riquezas. E foi oportuna essa homenagem fraternal. Não devemos esquecer de que somos os nossos amigos.
O crítico Hildeberto, na síntese magnífica, disse tudo sobre a poética de Juca Pontes: “É todo síncope, economia, sugestividade”.
Já que não é possível trazer o oceano para junto de nós, uma simples gota guarda o seu sabor. Assim seria transcrever um de seus poemas.
Aqueles pés que ilustram a capa são de um simbolismo impressionante. Sugerem caminhadas na areia molhada da praia, a ponto de o poeta dizer: “sou eu a areia da praia”...
Juca Pontes é de um saudosismo admirável. Saudosismo nada piegas. Um saudosismo sadio, que reflete um homem de muita paz e de muito amor, cujo olhar vai além do que os olhos vêem. O livro é denso e na contra capa uma visão do mar que não faltam espumas e areia que tanto inspiraram o poeta. Uma beleza de ilustração e de inspiração.

A flor é bela. Bela e perfumada. Mas eu não venho falar de flores, e sim, de pétalas. E que seriam das flores sem as pétalas? E que dizer d...

A flor é bela. Bela e perfumada. Mas eu não venho falar de flores, e sim, de pétalas. E que seriam das flores sem as pétalas? E que dizer das folhas das castanholas que caem no chão, depois que envelhecem? Envelhecem e amarelecem. Já viram esse espetáculo? Viram nada. Muitos de vocês passam pela calçada como robôs, prosaicamente, indiferentes. Não há nenhuma reflexão de sua parte em torno desse fato corriqueiro. E o vento parece que adivinha sua indiferença mórbida. Ele procura levar as folhas de castanholas para longe, a fim de que não sejam pisadas por você. Se você fosse uma pessoa, apanharia a folha, não digo que a beijasse, e ficaria a refletir, o que é próprio do homem. Refletir é fazer perguntas a si mesmo.

Dizia o escritor francês Anatole France que o seu cachorro não pensava, e isto o entristecia. Sim, porque pensar é a maior riqueza do homem. Muita gente pensa que pensa, mas não pensa.

Voltando às castanholas, todos os dias elas nos ensinam sobre a transcendência da vida. Ah, como eu gostaria de ver, em todo lugar, a escultura “O Pensador”, de Rodin. Muito mais significava do que aquele sorriso da Mona Lisa, que vai terminar numa carranca.
As folhas das castanholas, que, já velhas, são jogadas fora pelo tempo, que, como o vento, não gosta das coisas paradas.

Mas a vida não é isso, um eterno strip-tease? Assim como as bailarinas soltam suas vestes, as castanholas também procuram se desvencilhar daquilo que envelheceu. E com isso, dão uma lição de vida. Viva a didática da vida! Tudo ensina. O negócio é saber entender o que se ensina.

A pior doença de um homem é a indiferença, que é uma espécie de cegueira. Triste de quem não tem olhos de ver. Triste de quem jamais observou uma simples folha de castanhola sendo levada pelo vento, numa calçada. O vento é como o tempo. É invisível. E nessa invisibilidade é que está o perigo. Daí a necessidade de estarmos atentos à passagem do tempo, que o relógio e o galo, com seu canto, estão sempre nos lembrando.

Nem sempre é bom estarmos olhando para cima para ver as estrelas, as nuvens ou se vai chover. É aconselhável olhar também para baixo, para trás, e, sobretudo, para o lado, onde está muito de nós: O próximo, que temos de amá-lo como a nós mesmos.

S im, ela, a rainha, Rainha da Borborema, onde Jesus nasceu, segundo cantou Augusto dos Anjos, num de seus versos, esteve completando 149 an...


Sim, ela, a rainha, Rainha da Borborema, onde Jesus nasceu, segundo cantou Augusto dos Anjos, num de seus versos, esteve completando 149 anos de existência. Foi o que vi pelos jornais.

Se João Pessoa, a capital, tem o mar, sua maior referência turística. Campina tem a montanha, a serra. E fica difícil saber quem é mais belo. Eu diria que o mar é humano e a montanha é mística. Tanto é gratificante a subida como a descida. Tudo isso faz parte da vida. Jesus tanto subiu como desceu. Subiu para orar ao Pai e desceu para ensinar os homens. Subiu para se transfigurar e conversar com os espíritos de Eias e Moséis, e desceu para caminha sobre as águas do Mar da Galiléia.

Campina Grande, ao que se informa, nasceu de uma simples feira até chegar aonde chegou: uma senhora metrópole, orgulho da Paraíba, que vem se desenvolvendo progressivamente, a olhos vistos.

Mas o que é que eu tenho a ver com Campina Grande, eu que nasci numa de suas cidades satélites: Alagoa Nova? É que respirei o mesmo ar da Serra da Borborema, senti o mesmo friozinho, elevei meu olhar para o mesmo céu, um céu rico de estrelas.

Campina Grande, que tem um açude que é uma beleza, chamado Bodocongó, outro, igualmente belo, chamado Açude Velho, que agora tem até obra de Oscar Niemeyer. Campina do Treze, de seu altivo e admirável bairrismo, que não dá bolas à gente do sul, graças à sua autenticidade telúrica. Campina Grande de Argemiro de Figueiredo, o maior governador da Paraíba, o homem que remodelou a nossa capital. Campina Grande de Félix Araújo, o inspirado poeta que tanto exaltou o amor. Campina Grande do extraordinário Prefeito Elpídio de Almeida. Campina Grande do livreiro Pedrosa, que ensinou sua terra a ler, graças a sua movimentada livraria, que tinha como slogan “Faça do livro seu melhor amigo”...

Mas, aqui vai uma confissão: foi lá que nasceu meu primeiro filho, que tem o meu nome, e é hoje um Cosmólogo, Pós-Doutor em Física, de nossa Universidade Federal. E vá ver que ele ainda torce pelo seu time de predileção: o Campinense.
Sim, leitor, tenho dois filhos: um nascido em Campina Grande, e o outro, Germano, arquiteto e jornalista, nascido aqui, na Capital.

Portanto, não é sem motivo que muito me alegrei com os 149 anos de Campina, a Rainha do nosso sertão, a Capital da Borborema. E exultei quando vi, através de fotos, como a cidade aniversariante está bela e bem cuidada!

O mais importante, no entanto, é que Jesus nasceu na Serra da Borborema, segundo Augusto dos Anjos:

“Não! Jesus não morreu! Vive na terra.
Da Borborema, no ar de minha terra”.