29.12.13
Não é raro a gente ouvir que uma cidade está sendo invadida por dunas, pelas águas do oceano ou pelas labaredas de um incêndio. Mas é inus...
Setenil de las Bodegas, a incrível cidade construída sob rochas
Não é raro a gente ouvir que uma cidade está sendo invadida por dunas, pelas águas do oceano ou pelas labaredas de um incêndio. Mas é inusitado que uma pequena aldeia seja literalmente 'engolida' por rochas imensas!
27.12.13
S im, agora chegou a vez de falar de minha mãe, a abnegada companheira de meu pai, que lhe deu oito filhos, sendo que dois saíram da vida, c...
Depois do pai, a mãe
Sim, agora chegou a vez de falar de minha mãe, a abnegada companheira de meu pai, que lhe deu oito filhos, sendo que dois saíram da vida, cedo, Hamilton e Hilda.
A verdade é que meu pai soube escolher a esposa, Pia de Luna Freire, uma mulher lindíssima. Mais do que isto: inteligentíssima. Muito jovem ainda, achou de se inscrever num concurso público para funcionária dos Correios e Telégrafos, e saiu-se muito bem. Isto numa época em que o preconceito social fazia restrições à mulher como funcionária pública. Lembrando que o preconceito é uma praga denunciada até pelo genial Einstein, que chegou a dizer: “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. E Dona Pia não quis saber, submeteu-se ao concurso federal, foi aprovada e pronto. Nada de ser pesada ao marido.
Mas não durou muito o seu estado de solteira, o que não é de se estranhar, pois se tratava de uma linda mulher. Linda e inteligente. Inteligente e culta, sem nunca ter passado pelos bancos de uma universidade. Sua caligrafia, de que ela muito se orgulhava, chamava a atenção de todo mundo, inclusive de Delmiro Gouveia, famoso comerciante de Alagoas, que, ao ver a escrita de minha mãe, foi logo dizendo ao meu avô Vicente de Luna Freire, com quem comerciava couro: “Que bela caligrafia a de sua filha!“
Pois bem, minha mãe casou-se em suas primeiras núpcias com Alfredo Barros, que lhe deu dois filhos: o escritor e historiador Eudes Barros e Alfredo. E ficou viúva, pois o marido morreu em conseqüência de uma pancada de vento frio, manhã cedo, ao abrir uma porta, e, como disse no inicio, não demorou muito sua condição de viuvez. José Augusto Romero, diante daquela beleza, não pensou duas vezes, e, por outro lado, o homem era um bom partido. Alto, corpo de atleta e de um olhar sério e sereno. Um olhar que via longe...
Meu pai já era espírita e minha mãe, católica, a quem cabia a responsabilidade de zeladora do Coração de Jesus, lá na igreja. Não demorou muito e ela deixou o Catolicismo pelo Espiritismo. Não resistiu à dialética de seu segundo marido. Não foi uma espírita militante, mas adorava Chico Xavier, cujos livros psicografados lia com profundo interesse. Estava sempre presente às palestras na Federação Espírita Paraibana.
Minha mãe tinha uma personalidade muito forte. Foi uma das primeiras mulheres a cortar o cabelo bem curtinho, o que causou estranheza na sociedade de Alagoa Nova. Acontece que ela, vez por outra, ia à Capital, onde já era moda o cabelo curto. As matutas preconceituosas de então não gostaram da novidade e Dona Piinha foi muito criticada.
A verdade é que o casal se deu muito bem, conquanto os temperamentos fossem bastante diferentes. Dona Pia – já ia me esquecendo – era louca por música erudita e exímia flautista. E seu pai Vicente, meu avô, clarinetista. Melómana, minha mãe tinha uma sensibilidade admirável. Seu ídolo era Chopin. Muitas vezes vi lágrimas correndo pelo seu rosto, ao ouvir os concertos do famoso polonês.
Apesar da diferença de temperamentos e gostos, o casamento de meu pai foi um exemplo de abnegação. E o caçula adorava os dois, conquanto a mãe fosse sua grande confidente e a quem deve o gosto pelas letras, pois ela foi uma grande contadora de histórias!
22.12.13
S e não estou equivocado, a observação é de José Américo, que me retifique a escritora Lourdinha Luna: “Chegar à janela é como ir pra rua s...
A fuga pela janela
Se não estou equivocado, a observação é de José Américo, que me retifique a escritora Lourdinha Luna: “Chegar à janela é como ir pra rua sem sair de casa". Ora, ora, no tempo em que não havia televisão nem computador as pessoas viviam debruçadas nas janelas para um bate-papo com os vizinhos ou com os que iam passando na calçada.
A janela propiciava uma fuga momentânea no cotidiano, por sinal muito humano. E haja fofocas. A janela era a TV de outrora. E não era apenas a solteirona que se debruçava na janela. Os mais idosos adoravam aquela diversão sem sair de casa. Lembro-me que, na antiga Rua Nova, onde as casas não tinham terraço, vi muita gente ilustre debruçada sobre as janelas olhando a rua lá fora, a exemplo do ex-presidente do nosso Estado, general Camilo de Holanda, e o historiador Coriolano de Medeiros, ilustre fundador da nossa Academia Paraibana de Letras. O general não chegava a se debruçar na janela. Tomava uma posição militar, de pé, como se estivesse assistindo a um desfile.
Mas tinha vez que as janelas não eram suficientes para os bate-papos, os colóquios, os disse-me-disse, as fofocas, que existem, desde que o mundo é mundo. Nessa circunstância, a solução era colocar cadeiras na calçada... Aí os papos iam longe.
Casas com janelas, com sala de visita. Visita que se pagava. Muita gente dizia: “estou devendo uma visita a fulano ou fulana”. Casa sem vigilantes, bastava chegar à porta e gritar: “Ô de casa!” E vinha a voz de dentro: “Ô de fora”...
Hoje, não vemos mais janelas, e sim, longos edifícios, todos apostando altura. Edifícios tapando a visão dos horizontes, humilhando a vegetação cá em baixo, obstaculando paisagens, interceptando a passagem do vento. Mas, todos com suas áreas de lazer, piscina, esporte, repouso, que a vida precisa ser vivida com muito luxo. Só não vejo área para a leitura, espaços para reflexão, uma conversa consigo mesmo.
E os apartamentos? Excelentes, mas as pessoas estão loucas para entrarem no elevador e sair daquela prisão de não sei quantos andares, porquanto a rua ainda é uma atração, com seus restaurantes, shoppings e outros entretenimentos. E sair sem esquecer o celular, para dar adeus àquela prisão de não sei quantos andares, onde ninguém se debruça na janela...
22.12.13
T odo fim de ano tem cheiro de saudade. E saudade é sede de presença, presença que virou ausência. Nesta passagem do ano, que tal reservar u...
Cheiro de saudade e mistério
Todo fim de ano tem cheiro de saudade. E saudade é sede de presença, presença que virou ausência. Nesta passagem do ano, que tal reservar um momento para umas reflexões, pensar nos que se foram? Pensar no que fizemos de bom ou de mau?
E se você tem um saudável hábito de conservar na parede as fotos dos que se foram, muito bem. Mas são tão poucos os que conservam esse hábito, os que não mataram em si a saudade dos ausentes. Que apenas costumam, no Dia dos Mortos, ir ao cemitério para acender uma vela no túmulo dos seus familiares e amigos. Ainda pensam que os seus mortos estão ali, debaixo da terra, aguardando a sineta do Juízo Final, quando será decidido o seu destino, isto é, se vão para o céu, para o inferno ou purgatório. E não me digam que não é assim que muitos pensam...
Mas, como eu ia dizendo, a passagem de um ano mexe um pouco com a gente. Parece que o tempo está nos perguntando, o que fizeste de tua vida? Continuas com os mesmos vícios, os mesmos erros? Só os animais ficam indiferentes à passagem de um novo ano. Mas o homem, este animal que pensa, que reflete, que indaga.
Afinal, o que estamos fazendo no mundo? Que pergunta para mexer com a gente, hein?... Aliás, toda pergunta leva a uma reflexão. E o grande Sócrates perturbou muita gente com as suas indagações.
Um novo ano está para chegar. Quais são nossos planos? Será que vamos repetir os mesmos erros? Que tal uma fugidinha da vida e nos recolhermos um pouco dentro de nossa interioridade? Que tal uma conversa íntima?
Mas para isso é necessário certa coragem e ao mesmo tempo humildade. Afinal, a vida tem um sentido? Por que estamos no mundo? Se você despertasse , dentro de um navio, qual seria sua primeira pergunta? Evidente que interpelaria: para onde estão me levando, o que estou fazendo, aqui
Vamos, portanto, assistir à passagem silenciosa do novo ano e procurar nos renovar, interiormente, porquanto você é um animal, mas racional. E não esqueçamos: toda passagem de ano tem um cheiro de saudade, de adeus, de mistério, o insondável mistério: por que estamos neste mundo?...
21.12.13
A ópera é uma manifestação artística que combina diversas formas de expressões culturais, reunindo, em uma só obra, música sinfônica, cant...
Nunca mais diga que não gosta de Ópera
A ópera é uma manifestação artística que combina diversas formas de expressões culturais, reunindo, em uma só obra, música sinfônica, canto lírico, dramaturgia, literatura, dança e cenografia.
21.12.13
U m dos orgulhos de meu pai, José Augusto Romero, o bom orgulho, saliente-se, é ter sido correspondente assíduo do maior médium do mundo, Fr...
A lição da tolerância
Um dos orgulhos de meu pai, José Augusto Romero, o bom orgulho, saliente-se, é ter sido correspondente assíduo do maior médium do mundo, Francisco Cândido Xavier, o boníssimo Chico, quase cego, de cultura primária, mas, assim mesmo, psicografando obras de caráter científico, que eu mesmo encontro dificuldade de entender, a exemplo de “Mecanismos da mediunidade”, de André Luiz, “Evolução em dois mundos”, e “Pensamento e vida”, de Emmanuel.
José Augusto Romero foi eleito por aclamação e presidiu a Federação Espírita Paraibana durante 44 anos. Só deixou o cargo por questões de saúde. E que delícia de passes magnéticos ele me dava. Tolerante, sereno, responsável, severo em algumas coisas, sobretudo quando soube que, para me casar com a minha primeira esposa, Carmen, esta me pediu para que eu fosse batizado na igreja católica. A princípio relutei, mas o amor venceu a barreira que se antepunha entre nós dois. Resolvi atender à rogativa da noiva.
Para o batismo exigia-se uma preparação. E foi um bispo, amigo da família da noiva, que se encarregou deste ofício. O simpático sacerdote fez uma ligeira preleção sobre o batismo. E, sabedor de que eu era espírita, muito me surpreendeu quando disse que simpatizava muito com o Espiritismo e que o importante era amar a Deus.
Do meu pai nenhuma reação. Compreendeu a situação e foi um dos primeiros a comparecer ao meu batismo, lá na Igreja das Graças, em Recife. Aí eu vi como eram grandes a sua tolerância e compreensão. Assistiu ao ato religioso com muita serenidade. Minha noiva, Carmen, não cabia em si de contente. E uma de suas tias, por sinal muito carola, quando me viu depois de batizado, abraçou-me e disse: “Você agora está sem pecados. Você agora é um anjo”. E eu cheguei a sentir que estava criando asas...
Toda reação ao meu estado de pagão foi da família da noiva, principalmente de minha sogra Isaura, viúva do grande arquiteto Clodoaldo Gouveia. Ela era muito católica e fanática. Não queria falar em Espiritismo, mas depois que Carmen desencarnou, foi a primeira a indagar: “alguma notícia dela?” Ela já estava acreditando no intercâmbio mediúnico. Não quis acreditar no que estava ouvindo...
Voltemos a falar sobre meu pai que morreu de câncer de próstata. Fui ao sepultamento de seu corpo, lá no Cemitério da Boa Sentença, numa manhã de muito sol. Muita gente compareceu ao enterro. Eu não cheguei a chorar, fui possuído de uma profunda serenidade. Fiz uma ligeira oração. E terminei dizendo: “Até logo, papai”. Na saída, vieram os pêsames dos amigos presentes, inclusive do governador e meu conterrâneo de Alagoa Nova, Pedro Gondim, que me disse, num cochicho: !que beleza de religião a sua! Quanta força ela lhe deu... ”
Não olhei para baixo. Não, meu pai não estava, ali. Elevei o olhar que me mostrou um céu muito azul e sereno. Cheguei a ouvir um passarinho cantando sobre um túmulo, como que saudando aquela manhã de sol. Imaginei meu pai, na vida espiritual, sendo muito bem recebido. E, sem dúvida, com muita saudade do caçula que ele tanto amou.
Para amenizar as saudades dele, selecionei suas crônicas publicadas, neste jornal, no livro “Lições da vida maior”. Não me esqueço de uma confissão que ele me fez, certo dia: “Meu filho, a grande lei da vida é a da reencarnação. A única que tem resposta para o problema do ser, do destino e da dor”.
15.12.13
S im, depois que ele assistiu a uma sessão mediúnica e leu o livro “O problema do ser, do destino e da dor”, de Léon Denis, tornou-se espíri...
Espírita até os ossos
Sim, depois que ele assistiu a uma sessão mediúnica e leu o livro “O problema do ser, do destino e da dor”, de Léon Denis, tornou-se espírita até os ossos. E haja palestras, artigos doutrinários, inclusive neste jornal, conversa com os espíritos, sessões mediúnicas, aulas de evangelização. O homem não queria outra coisa na vida.
Ele era muito elegante, quer no traje, quer no comportamento. Elegante só, não. Meu pai era muito bonito. Tanto é assim, que, numa palestra lá na Federação Espírita Pernambucana, uma senhora, no auditório, indagou à minha mãe, sentada ao seu lado: “Donde é aquele senhor? E minha mãe: “É o presidente da Federação Espírita Paraibana”. A mulher não pensou duas vezes, foi logo dizendo: “Bonitão!
E ele era elegante em tudo. Não só na maneira de falar, de se vestir, de se portar. Sério, sem ser sisudo. De sua boca, ouvia sempre a palavra “caráter”, que para ele era tudo num homem... Não admitia desonestidade, mormente no que tange à administração pública.
A Federação, então sediada lá na rua Treze de maio, era agora a sua segunda casa. Teve bons assessores, a começar por José Pereira da Silva, conhecido por “Seu Zuza”, alto funcionário da Alfândega, e a quem foi confiada a farmácia homeopática. Seu Zuza era calado, responsável e de uma mansidão admirável.
Pelo Natal, “Seu Romero” - era assim que o chamavam - promovia o Natal dos Pobres, com a distribuição de roupas. A fila tomava toda a extensão da rua.
Foi ele quem apresentou o extraordinário médium Divaldo Franco à Paraíba. Divaldo era um jovem de 18 a 20 anos. Muito bonito, cujo verbo botou e continua botando muita gente no Espiritismo. O médium se hospedava na nossa casa, lá em Tambiá, na Odon Bezerra.
Depois a Federação mudou-se para o Parque Sólon de Lucena, num terreno doado pelo espírita e paraibano Artur Lins de Vasconcelos, residente no Paraná, onde comercializava madeira.
José Augusto não desejou outra coisa na vida: dedicar-se, inteiramente, à Doutrina codificada por Allan Kardec. E tudo ia muito bem, quando o jornal católico “A Imprensa”, sediado na Praça do Bispo, trouxe um artigo violento do padre Hildon Bandeira, sob o título “Guerra ao Espiritismo”. O artigo era o início de uma série.
O fato chegou ao conhecimento do manso José Augusto Romero, que não era homem de polêmica. Constrangeu-se muito com o fato. Sua consoladora doutrina não merecia aquelas violentas catilinárias. Foi aí que José Augusto Romero convidou o advogado espírita Horácio de Almeida para responder ao padre, já que o convidado adorava uma polêmica. E começou a guerra dos artigos, Horácio neste jornal, A União, e o padre no matutino católico. O resultado é que Dom Adauto, arcebispo na época, diante das fortes acusações à Igreja, baseadas na História, feitas pelo Dr. Horácio, findou determinando que aquela guerra acabasse. E eu fico imaginando se o nosso atual e ecumênico arcebispo, Dom Aldo tivesse assistido tal polêmica, ele que, hoje, juntamente com o pastor Estevam Fernandes, assistem reuniões na Federação Espírita Paraibana, ouvindo, encantados, o verbo eletrizante do médium Divaldo Franco...
14.12.13
Como se conjuga o verbo colorir na primeira pessoa do singular? E os verbos fluir e chover ? Será que existem tais formas de expressão? ...
A Conjugação de Verbos Nunca Foi Tão Fácil como Agora
Como se conjuga o verbo
colorir na primeira pessoa do singular? E os verbos
fluir e
chover? Será que existem tais formas de expressão? E quanto à língua inglesa? As declinações na terceira pessoa sempre recebem um
S no final?
8.12.13
S im, Jesus era luz. E foi ele quem disse: “Eu sou a luz do mundo”. Acontece que as trevas da nossa ignorância e maldade não o compreenderam...
Jesus Luz!
Sim, Jesus era luz. E foi ele quem disse: “Eu sou a luz do mundo”. Acontece que as trevas da nossa ignorância e maldade não o compreenderam.
E ele não rima com cruz. A cruz que o martirizou, que o fez sangrar. Não. Para que estar lembrando daquele instrumento de tortura? A cruz lembra a caminhada sob os açoites dos seus acusadores, a cusparada no seu rosto pingando de suor, os pés feridos, os pés que caminharam em busca da paz e do amor, as mãos que limparam leprosos e que levantaram paralíticos. E como se fosse pouco, Ele, morto de sede, pediu água e lhe deram vinagre.
E, assim mesmo, já quase morto, o sangue escorrendo pelo rosto devido à coroa de espinhos, ao invés de uma lamentação, de um protesto, Ele endereçou apenas, uma prece a Deus, dizendo: “Pai perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem”.
Portanto, esqueçamos a cruz e lembremos a luz. A luz que iluminou a manjedoura humilde, onde Jesus abriu os olhos para o mundo. Nenhum palácio, por mais luxuoso que fosse, haveria de brilhar tanto como aquele feixe luminoso anunciando a sua chegada.
Luz, sim, foi o que Ele foi, não esquecendo que divindade significa iluminação, e que temos dentro de nós uma glândula chamada epífise, que já foi objeto de estudo de Descartes, que se ilumina toda vez que fazemos o bem. Está ainda ligada ao sexo. Mas isto prova mais uma vez a importância da luz. Daí Jesus sempre dizer: “Brilhe a vossa luz. ”
Que este Natal, tão mundano, não se ilumine somente de luz elétrica, mas também de luz espiritual. Que seja um Natal de Jesus e não de Papai Noel, o ídolo do consumismo.
Que brilhem as estrelas, que brilhe o sol, que brilhe o sorriso, que é uma espécie de luz no rosto. ”Luz, mais luz!” - pediu Goethe ao morrer.
Estamos comemorando o Natal, isto é, a chegada de Jesus ao mundo, que não trouxe presente para ninguém, já que Ele foi o grande e precioso presente que Deus nos deu.
Não esqueçamos: Jesus luz! Jamais Jesus cruz. Abandonemos, portanto, a cruz. Nada de perpetuá-la em forma de medalhas, imagens ou crucifixos nas paredes.
Luz é vida, é sorriso, é alegria, é saúde. Luz é ressurreição. Nada de cruz. A luz é tão importante, repito, que Jesus chegou a vê-la, no homem, quando sentenciou: “Brilhe a vossa luz!”
7.12.13
P ois é, depois daquela reunião mediúnica, em Alagoa Nova, da leitura da obra de Léon Denis - “O problema do ser, do destino e da dor” - o h...
Espírita, maçon e burocrata
Pois é, depois daquela reunião mediúnica, em Alagoa Nova, da leitura da obra de Léon Denis - “O problema do ser, do destino e da dor” - o homem se tornou espírita, e, já que não podia mais ser agricultor, resolveu deixar o Brejo e se mandar para a Capital, que, sem dúvida, lhe daria melhores condições de vida.
Aqui em João Pessoa, ainda achou de comprar um belo sítio, lá no Parque Sólon de Lucena, a popular Lagoa, pois, plantar, estar em contato com a Natureza, era com ele. E foi nesse paraíso que eu, caçula da família, passei minha bela infância, em contato com a terra, com a chuva, com as árvores, com os animais. Um sítio que tinha tudo que era de fruta. E fruta rara como abricó, jenipapo, cacau e assim por diante. O pai adorava o caçula e o caçula adorava o pai, um homem alto, atleta, bonito e de uma mansidão admirável, Mansidão só, não. Bondade.
Agora espírita, haja a promover reuniões mediúnicas na própria casa. Conversava com os espíritos como se fossem gente de carne e osso. E eu menino ainda de calças curtas, ficava sem entender aquele colóquio do mundo de cá com o mundo do além. Meu pai dava conselhos aos espíritos, com uma postura que me encantava.
Apaixonado pela Natureza, o seu sítio dava de tudo. Um dia, me ensinou a aguar uma porção de crótons que enfeitavam a entrada da casa. E à medida que eu ia jogando água nas plantas e estas se agitando com a brisa, ele me dizia: “as plantas estão acenando e agradecendo a água que você lhes está dando”.
A verdade é que um pai nunca se identificou tanto com o filho como este homem, de honestidade ímpar. Sério e sereno, José Augusto Romero terminou me levando para as lições de catecismo kardecista, lá na Federação Espírita, um prédio de uma porta e duas janelas, que ficava na rua Treze de Maio.
Fui o único filho que ele não batizou. E esta história do batismo criou um problema mais adiante, pois, para me casar com a primeira esposa, a família exigia que eu me batizasse na igreja. E agora, José? Depois eu conto como se deu o desfecho.
Voltando ao meu pai, esse ídolo de minha vida, o ex-agricultor terminou burocrata. Sim, ele foi convidado para ser secretário do Departamento Nacional das Obras Contra as Secas - DNOCS. E deu-se muito bem na burocracia. Muito respeitado e admirado, ele foi um exemplo de honestidade, de seriedade e de serenidade.
Como espírita, dirigiu a Federação Espírita Paraibana durante 44 anos. Sempre eleito por aclamação. Sua administração naquela Casa foi um exemplo de bondade e coragem.
Sim, já ia me esquecendo. Ele foi maçon, chegando a Venerável Mestre. A loja maçônica era aquela da antiga Rua Nova, onde há duas esfinges de bronze guarnecendo o prédio. Um dia, ele disse para mim: “Você quer se batizar na Maçonaria? O batismo não é de água, mas de mel”. E meus lábios começaram a se mexer. Mas, essa batismo ficou só no convite...
7.12.13
Na confecção de um simples pôster, na elaboração de um projeto de arquitetura ou na criação de um website, sempre vem à mente do criador a...
10 Ferramentas Online para a Perfeita Combinação de Cores
Na confecção de um simples pôster, na elaboração de um projeto de arquitetura ou na criação de um website, sempre vem à mente do criador a preocupação com a harmonia cromática. Algumas cores, quando reunidas, causam certo desconforto visual, enquanto outras, pelo contraste, pela luminosidade ou pela analogia, formam um conjunto equilibrado, agradável e atraente aos olhos do observador.
1.12.13
O livro é tão pesado que afetou, ligeiramente, a minha coluna, que já não andou muito boa, mas tem melhorado muito graças às caminha...
Sutileza e silêncio
O livro é tão pesado que afetou, ligeiramente, a minha coluna, que já não andou muito boa, mas tem melhorado muito graças às caminhadas e outras ginásticas.
Voltando ao livro, comecemos pelo seu visual. A imagem daqueles pés caminhando na areia. E com o apetite de minha curiosidade, fui lendo este “Ciclo vegetal”, do meu amigo e mestre Juca Pontes lançado, outro dia, com merecido sucesso, na Livraria Leitura.
30.11.13
Em geral, as compras realizadas nos sites brasileiros de comércio eletrônico são ágeis e práticas. Muitas lojas permitem o parcelamento e...
Lojas Internacionais que Entregam no Brasil
Em geral, as compras realizadas nos
sites brasileiros de comércio eletrônico são ágeis e práticas. Muitas lojas permitem o parcelamento e até oferecem frete gratuito. O problema, entretanto, são os preços cobrados nas terras tupiniquins. Os valores de certos produtos chegam à estratosfera, como reflexo da voracidade do nosso incompreensível e abusivo sistema tributário.
24.11.13
A flor é bela. Bela e perfumada. Mas eu não venho falar de flores, e sim, de pétalas. E que seriam das flores sem as pétalas? E que dizer d...
As folhas das castanholas
A flor é bela. Bela e perfumada. Mas eu não venho falar de flores, e sim, de pétalas. E que seriam das flores sem as pétalas? E que dizer das folhas das castanholas que caem no chão, depois que envelhecem? Envelhecem e amarelecem. Já viram esse espetáculo? Viram nada. Muitos de vocês passam pela calçada como robôs, prosaicamente, indiferentes. Não há nenhuma reflexão de sua parte em torno desse fato corriqueiro. E o vento parece que adivinha sua indiferença mórbida. Ele procura levar as folhas de castanholas para longe, a fim de que não sejam pisadas por você. Se você fosse uma pessoa, apanharia a folha, não digo que a beijasse, e ficaria a refletir, o que é próprio do homem. Refletir é fazer perguntas a si mesmo.
Dizia o escritor francês Anatole France que o seu cachorro não pensava, e isto o entristecia. Sim, porque pensar é a maior riqueza do homem. Muita gente pensa que pensa, mas não pensa.
Voltando às castanholas, todos os dias elas nos ensinam sobre a transcendência da vida. Ah, como eu gostaria de ver, em todo lugar, a escultura “O Pensador”, de Rodin. Muito mais significava do que aquele sorriso da Mona Lisa, que vai terminar numa carranca.
As folhas das castanholas, que, já velhas, são jogadas fora pelo tempo, que, como o vento, não gosta das coisas paradas.
Mas a vida não é isso, um eterno strip-tease? Assim como as bailarinas soltam suas vestes, as castanholas também procuram se desvencilhar daquilo que envelheceu. E com isso, dão uma lição de vida. Viva a didática da vida! Tudo ensina. O negócio é saber entender o que se ensina.
A pior doença de um homem é a indiferença, que é uma espécie de cegueira. Triste de quem não tem olhos de ver. Triste de quem jamais observou uma simples folha de castanhola sendo levada pelo vento, numa calçada. O vento é como o tempo. É invisível. E nessa invisibilidade é que está o perigo. Daí a necessidade de estarmos atentos à passagem do tempo, que o relógio e o galo, com seu canto, estão sempre nos lembrando.
Nem sempre é bom estarmos olhando para cima para ver as estrelas, as nuvens ou se vai chover. É aconselhável olhar também para baixo, para trás, e, sobretudo, para o lado, onde está muito de nós: O próximo, que temos de amá-lo como a nós mesmos.
24.11.13
N arra-se que no consultório de um famoso psiquiatra havia uma placa com os seguintes dizeres: quatro coisas que dão alegria a um homem: uma...
A libertação pelo sonho
Narra-se que no consultório de um famoso psiquiatra havia uma placa com os seguintes dizeres: quatro coisas que dão alegria a um homem: uma boa música, uma boa notícia, uma religião saudável e um bom sono.
E é sobre o sono, este fenômeno que ocorre todos os dias quando dormimos, que tanto ocupou e preocupou Sigmund Freud e Carl Jung, que continuaremos a falar. O vienense viu no sonho a projeção de nosso inconsciente, que ele chamou “Id” e onde estavam todos os nossos recalques, frustrações, complexos. E mais ainda: a projeção da nossa sexualidade, que o célebre vienense observou até num tranqüilo e gostoso mamar do seio materno.
As constatações freudeanas causaram escândalo, ao contrário do psicanalista suíço Jung, que foi seu aluno. Este falou de “super-ego”, trazendo nova ótica para o estudo do sonho.
Há sonhos que nos fazem felizes. O citado psiquiatra norte-americano tem razão. Quando sonhamos bem, acordamos bem. Horrível o chamado pesadelo. Não deixa de ser uma boa saudação quando uma pessoa nos diz: “tenha bons sonhos”. O médium Divaldo Franco nos recomenda que, antes de dormir, tenhamos algumas precauções: nada de ouvir noticiários deprimentes, nada de má leitura, nada de poluir nossa mente.
Mas Divaldo é médium espírita e a ótica espírita vê a coisa diferente. Afinal o homem não é somente matéria, mas um inquilino da casa física que é o corpo e através do qual evoluímos. E eu já estou imaginando Freud lendo a questão 400 de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, a propósito do sonho. Estou quase certo que o vienense mal humorado e viciado no fumo que o matou, daria uma grande gargalhada. Existir espírito, que coisa absurda! Para ele, o homem era só matéria. Já Jung, ao contrário de Freud, era espiritualista, o seu “Self” é o espírito, e assim por diante.
Mas vamos à questão: por que sonhamos? E o que é que o sonho representa na nossa vida? Sonhos maus, sonhos bons, sonhos que nos fazem felizes... Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, um livro de perguntas e respostas, em ele que teve direta participação, trata do assunto na questão de nº 400, objeto do nosso texto. Vejamos a pergunta do Codificador do Espiritismo aos que não estão mais neste mundo, no capitulo VIII, intitulado Sono e Sonhos: “O espírito encarnado permanece, voluntariamente, no envoltório corporal?” A resposta veio, com uma certa ironia dos espíritos. Uma resposta que redundou numa pergunta. Ei-la: “É como perguntar se o prisioneiro está satisfeito sob as chaves”.
E concluem: “O espírito encarnado aspira, incessantemente, à libertação, e, quanto mais grosseiro é o envoltório, mais deseja ver-se desembaraçado”.
Portanto, segundo os espíritos entrevistados por Kardec, nossos sonhos também podem ser uma fuga, uma libertação do nosso espírito, que pode visitar outros mundos, reencontrar-se com os entes queridos que já não estão aqui neste planeta.
E viva o sonho, que quando bom nos faz felizes, a ponto de a gente dizer: “ontem, sonhei visitando fulano, que beleza, ou, senão, que lugar lindo vi no sonho!. ”Freud, Jung, Kardec, vale a pena estudá-los.
Ora, para quem não acredita no espírito, no espírito que está dentro de nós, tal informação dos que estão na vida espírita talvez pareça um absurdo.
23.11.13
E is-me, de novo, pisando o chão de Viena. A primeira vez em que estive aqui foi um deslumbramento. Lamentei apenas possuir dois olhos. E o ...
Ver Viena
Eis-me, de novo, pisando o chão de Viena. A primeira vez em que estive aqui foi um deslumbramento. Lamentei apenas possuir dois olhos. E o que mais me chamou a atenção foi a presença de lindas jovens vendendo bilhetes para concertos, no centro da cidade, o que não é de estranhar, pois Viena é a terra dos grandes compositores, que para aqui vieram estudar, como foi o caso de Haydn, Mozart e Beethoven.
E já estou ouvindo, mentalmente, as valsas de Strauss. Não gostei de ver o rio Danúbio pela primeira vez, pois não tem nada de azul. Mas continuemos pisando Viena, outra vez. Pisando não. Viena não se pisa. Em Viena a gente levita. Se Paris ouvisse esta declaração de amor?... Mas Viena é Paris sem o Sena, sem as pontes, sem a História.
Visitar novamente a Casa de Freud? Sim, ligeiramente. Lá, vi vários jovens, de caderno na mão, fazendo anotações. Alguns sentados no chão. O divã vazio, o divã onde o Mestre mergulhava no inconsciente das pessoas cheio de sujeiras recalcadas.
Viena é plana, aberta, alegre e requintada. Cheira à música. Não vou ver as estátuas de Mozart e Beethoven. O turismo invade vários espaços urbanos. Gente pra lá e prá cá, movida pela embriaguez do consumismo, parando aqui e ali, sem tempo para pensar, que o negócio é comprar ou comer. E viva o turismo da boca!
Mas, o que mais desejamos é ouvir Beethoven, logo mais, à noite, E sabe o que vamos ouvir dele? A Nona Sinfonia, que termina convidando os homens à Alegria. Alegria é sol na alma, alegria é fé na vida, alegria é saúde. Alegria é amor. Ouvimos a Nona sob a regência de Gustavo Dudamel, já do nosso conhecimento. Teatro superlotado. Germano e Alaurinda não cabem em si de contentes. Ver Viena e ouvir nela a Nona do gênio de Bonn... O coração que me perdoe. Viena que cheira à cultura. Viena de boas livrarias. Mas exigir do cronista que saiba alemão é demais. Que ele fique apenas acariciando as capas dos livros.
Piso o chão de Viena pensando. Quantas vezes Mozart, Beethoven e o torturado Freud pisaram este chão... onde, infelizmente, vejo algumas pontas de cigarro. Que sacrilégio... Mas fiquemos por aqui. Amanhã, quem está nos chamando é Londres.
23.11.13
Qualquer que seja a sua idade, certamente existe um cantinho na memória onde ficam guardadas as recordações dos bons desenhos animados, qu...
18 Desenhos Animados Inesquecíveis
Qualquer que seja a sua idade, certamente existe um cantinho na memória onde ficam guardadas as recordações dos bons desenhos animados, que faziam você ficar grudado na tela da TV, sem ligar para os insistentes chamados de sua mãe, da avó, da madrinha ou da irmã mais velha, para tomar banho ou para o jantar.
16.11.13
A revista cultural Bula elaborou uma ótima lista com as 15 melhores músicas da MPB de todos os tempos . No entanto, a julgar pelos coment...
As 10 Melhores Músicas da MPB
A revista cultural
Bula elaborou uma ótima lista com as
15 melhores músicas da MPB de todos os tempos. No entanto, a julgar pelos comentários, os leitores consideram a relação um tanto injusta, por ter deixado de fora diversas composições reconhecidamente geniais.
15.11.13
S im, o extraordinário psicanalista Sigmund Freud foi um gigante, na perspicácia, na coragem, na genialidade de haver descoberto o que vivia...
Foi gigante e pigmeu
Sim, o extraordinário psicanalista Sigmund Freud foi um gigante, na perspicácia, na coragem, na genialidade de haver descoberto o que vivia escondido dentro de nós, tão escondido como aquela parte do iceberg, mergulhada n'água. E que iceberg foi esse, que só veio a ser descoberto no começo do século passado, para espanto dos meios científicos? Refiro-me ao nosso inconsciente. E como foi ele descoberto? Estudando os nossos sonhos. Ora, ora, desde que o mundo é mundo que o homem sonha. E sonha devido ao sono, que lembra uma pessoa morta, um defunto que respira.
Pois bem, até o grande psicanalista, ninguém procurou estudar o fenômeno do sono e, conseqüentemente, o sonho. Dessa análise, desse estudo, Freud chegou à conclusão de que temos dentro de nós um porão, que se chama inconsciente, o tal “id”, que é base para muitos dos nossos sonhos, muitos dos nossos recalques, das nossas frustrações. Mais ainda, Freud chegou à conclusão de que nesse inconsciente funciona a nossa libido, que nada mais é do que a energia sexual. E revelou uma coisa que provocou sérias revoltas na sociedade, mormente, nos meios religiosos. Freud afirmou que a tal libido se manifesta até no recém-nascido ao sugar o seio materno. Mas dizer a verdade ofende a muita gente. Daí os preconceitos que Einstein considerou piores do que uma bomba atômica.
Freud foi o fundador da Psicanálise e teve, a principio como aluno, o famoso suíço Jung, que terminou abandonando o mestre, por discordar de muitas de suas ilações. Se Freud revelou o inconsciente individual, o chamado “id”, Carl Jung foi mais longe com o seu inconsciente coletivo, que guarda lembranças de vidas passadas. Freud era materialista e ateu. Dizia que a religião era um mito, uma ilusão, tal qual Marx, para quem a religião era o ópio do povo.
A verdade é que Freud foi um extraordinário e corajoso descobridor do nosso inconsciente. O seu livro “Interpretação dos sonhos”, lançado no inicio do século passado, teve o efeito de uma bomba. Como disse, desde que o mundo é mundo que o homem sonha, mas só depois de muitos séculos é que veio a estudar esse fenômeno, graças ao genial austríaco.
Nutro por ele uma profunda admiração. Das duas vezes que fui á sua Casa, lá em Viena, não deixei de subir os degraus que os seus pés pisaram. Admirei-lhe a coragem. E saber que ele fazia cooper, à noite, vestido não de calção, mas de roupa de passeio. Ele foi um gigante para muita coisa, mas um pigmeu no que se refere ao fumo. Morreu de câncer bucal. Submeteu-se a muitas cirurgias e nada. O diabo é que as suas fotos aparecem com ele fumando o criminoso charuto. Freud, que descobriu o nosso inconsciente, não foi nada consciente.
Judeu, foi perseguido pelos nazistas, a ponto de ser proibido de sair de sua terra, o que foi conseguido depois de pagar uma grande quantia aos seus inimigos. Livre, foi para Londres, onde morreu. E que tranquilidade a do bairro londrino, onde passou seus últimos dias, aqui na Terra... Estive lá tomado por grande emoção.
Freud, gigante e pigmeu. Não conseguiu dominar o abominável vício...
10.11.13
Q ue nome é esse, cronista, com que você intitulou esta crônica? Será mais um lugar que você visitou nesses seus périplos, mundo afora? Sim,...
Gatolândia
Que nome é esse, cronista, com que você intitulou esta crônica? Será mais um lugar que você visitou nesses seus périplos, mundo afora? Sim, no roteiro que a experiência e bom gosto do nosso Germano traçaram, recentemente, incluiu-se a cidade de Kotor, tno litoral do pequeno país, Montenegro, que foi parte integrante da ex-Iugoslávia. Uma cidade que ainda hoje não estou acreditando que existe. Uma cidade cercada de montanhas e muralhas por todos os lados, à beira de um fiorde, na Baía de mesmo nome. Montanhas altíssimas que só em olhar para elas nos deixa cansados.
Grande parte dessa cidade é medieval, a começar pelo chão e edificações constituídos de pedras, hoje pisadas pelos numerosos turistas, ao invés das roda das carruagens.
Confesso que me catuquei várias vezes para ver se não estava sonhando. Turistas e mais turistas chegando de cruzeiros enormes, a maioria já escorregando pelos oitenta e bote força.
Não se dá uma passada que não se encontre uma loja expondo seus biscuits. Montanhas, pedras, silêncio, era só o que se via nessa exótica cidade.
Mas, o que mais me impressionou foram os numerosos gatos que, ali, são reverenciados como a vaca na índia. Gatos lindos, por vários recantos, que os turistas alimentavam com pedaços de pãoe outros petiscos, como acontece com os pombos em outras metrópoles.
E a grande aventura dos numerosos turistas é subir as escadarias da muralha até perto das montanhas, após uma difícil e perigosa caminhada. E foi aí que vimos uma senhora, já bastante idosa, levar uma queda, ferindo-se. Ainda bem que Alaurinda socorreu-a com ligeira medicação. Turista prevenido é outra coisa.
Montanhas silenciosas e místicas, cobertas de vegetação e além do mais geladas. Nada de trânsito de veículos só pedestres. E víamos navios enormes aportarem na Baía de Kotor quase todas as manhãs, que ficavam aguardando os passageiros explorarem a cidade para depois continuar seu passeio no mar.
Contudo, confesso que não gostaria de morar nessa Gatolândia, a não ser como prisioneiro. Mas, tudo tem sua beleza. Valeu conhecer aquela cidade que atrai cada vez mais turistas. Turistas do mundo inteiro, a começar pelos japoneses, que vivem saindo de suas ilhas à procura de espaços.
10.11.13
D ois circos estão acampados na cidade. E chegaram todos modernos, tanto é assim que a propaganda, além da televisão, se faz através de outd...
Paraísos de lona
Dois circos estão acampados na cidade. E chegaram todos modernos, tanto é assim que a propaganda, além da televisão, se faz através de outdoors. É a modernidade que está em tudo.
Mas os circos ainda são de lona. De lona, mas não de leão. Nada de bichos, como manda o sentimento ecológico. Os artistas são gente. Mágicos, trapezistas e outras atrações. Não mais a zebra correndo pelo picadeiro, ao som de uma animada música, não mais o domador entrando na jaula do leão e procurando fustigá-lo, irritá-lo, sob os aplausos da multidão.
Os dois circos estão aí e o menino que ainda está dentro de mim está doido para ver os espetáculos. Ah, os circos de outrora, lá na Lagoa! O Circo Nerino, o Circo Garcia, o circo... eram tantos.
A meninada não pensava mais em nada. Não se estudava mais, não se fazia mais nada, até que e circo começava a se desmontar. Aí a tristeza era de doer e de chorar. Mas o leão precisava comer. Comer carne e muita. Essa a razão de alguns donos de circo contratarem garotos pobres para eles trazerem gatos para matar a fome leonina. Assim informavam.
A verdade é que o circo era um verdadeiro paraíso. Um paraíso de lona que encantava a meninada. O de que eu mais gostava era ver os trapezistas, a moça linda andando sobre o arame, como se fosse uma calçada, o palhaço arrancando gargalhadas da multidão embevecida... E havia uma garota chamada Rosinha, que subia o trapézio e lá do alto deslocava o corpo. As palmas estrondavam. Eu achava a menina linda. Acontece que, numa certa manhã, lá no sítio onde eu morava, na Lagoa, Rosinha apareceu com outros garotos. Eu não quis acreditar... Sorriu, chupou mangas, conversou com a gente, uma beleza. Mas, aqui para nós, de perto, Rosinha me pareceu menos bonita. Ah, aquelas sardas no rosto...
Os circos estão aí... Mas, sem dúvida, com espetáculos muito diferentes. O menino, que ainda vive em mim, tenha paciência. E, aqui para nós, quando é que a elefanta, ora hospedada no nosso Parque Arruda Câmara, vai aparecer em público para alegria da meninada?
Aqui vai uma sugestão ao prefeito Luciano Cartaxo: que a apresentação publica da elefanta seja paga e o dinheiro seja destinado ao Hospital do Câncer. Aliás, soube pelos jornais que um dos circos que ora nos visita, enviou seus palhaços para distraírem os garotos ora internados naquele hospital, levando-lhes a terapia do humor e da alegria. Uma iniciativa digna de aplausos. O divertimento é um excelente medicamento. Sofre-se menos quando se está alegre.
Concluindo, aguardemos a próxima apresentação pública da elefanta, que, decerto, já está readaptada ao seu verdadeiro habitat, longe dos refletores, dos aplausos e do barulho.
9.11.13
As celebridades são sempre exigentes na hora de permitir que suas imagens sejam divulgadas em reportagens e anúncios comerciais. E o Photo...
14 Celebridades Antes e Depois do Photoshop
As celebridades são sempre exigentes na hora de permitir que suas imagens sejam divulgadas em reportagens e anúncios comerciais. E o Photoshop ajuda a alimentar essa vaidade.
8.11.13
Os 10 Discos Mais Vendidos na História da Música
7.11.13
A criação de uma senha geralmente é uma experiência enfadonha. Não se pode lançar mão de termos comuns, de caracteres repetidos ou mesmo d...
Crie suas Senhas de Forma Descomplicada
A criação de uma senha geralmente é uma experiência enfadonha. Não se pode lançar mão de termos comuns, de caracteres repetidos ou mesmo de datas, porque tornam a senha insegura. Diante dessas limitações, a palavra que criamos acaba por tornar-se difícil de fixar na memória.
3.11.13
O homem é um animal que deseja. Que deseja muitas coisas. E quando não as obtém, sofre forte frustração, que o leva à depressão. Ocorreu qu...
Desejos... Quem não os tem?
O homem é um animal que deseja. Que deseja muitas coisas. E quando não as obtém, sofre forte frustração, que o leva à depressão.
Ocorreu que no feriado dos, impropriamente, chamados mortos ou finados, pela manhã, andei a passear os olhos nos livros da minha biblioteca, quando um deles me chamou a atenção. Tratava-se de “Teoria e pesquisa em sociologia”, do sociólogo norte-americano Donald Pierson. Ora, e eu estava justamente desejando escrever sobre os desejos humanos, tema que aquele mestre estudou muito bem.
Segundo a ótica do professor Pierson, são quatro os desejos fundamentais do homem. Saberá você quais são? Quanto a mim concordo com a classificação do mestre, conquanto gostaria de incluir mais um na sua relação.
Mas vejamos, aqui, quais são os desejos humanos considerados fundamentais pelo Dr. Pierson: primeiro, desejo de correspondência, segundo, desejo de ser apreciado, terceiro, desejo de novas experiências e, finalmente desejo de segurança.
Com referência ao primeiro, aqui para nós, quem deseja ficar sozinho no mundo, isolado, sem amigos? Sinceramente, acho que ninguém. O outro é o nosso reflexo. Quanto ao segundo, não há nada a contestar. Gostamos bastante de ser apreciados, considerados, admirados. Aí entra a vaidade, a natural e humana vaidade.
Continuemos com a lista de desejos e vejamos o terceiro apontado pelo sociólogo: o desejo de novas experiências. Nele entra a viagem, a busca da aventura, da novidade, o apetite de novas emoções. E concluindo a relação, termos o desejo de segurança. Este, segundo o Dr. Pierson, se contrapõe ao desejo de novas experiências.
Diz o ditado popular que quem não arrisca, não petisca. É preciso, portanto, sair da rotina para a aventura, pois só assim ganharemos experiências. E a experiência é tudo na vida. Daí a vantagem do moço para o mais avançado no tempo. Nunca diga: “fulano é velho”, e sim: “fulano é mais experiente”.
A verdade é que concordo com a relação dos desejos humanos exposta pelo eminente sociólogo. E se eu tivesse de acrescentar mais um desejo, mencionaria o desejo de transcendência. O desejo de sair do horizontalismo material para a verticalimo espiritual. Vale lembrar que o homem é um animal que pensa, logo, que transcende. Transcendência que o leva à reflexão. Transcendência que é religiosidade. Há, portanto, necessidade de sair, vez por outra, da distração para a reflexão.
Mas, aqui para nós, estamos sempre procurando a distração, esquecendo estas profundas indagações: qual o sentido da vida, o que nos espera, depois da morte: o paraíso de uma consciência tranquila ou o paraíso do nada? E é justamente para esquecer estas indagações que surgem a distração, o esquecimento de si mesmo.
3.11.13
No passado mês de outubro, estivemos em Montenegro e pudemos constatar aquilo que já pressentíamos desde o momento em que avistamos algu...
Sugestão de Viagem: Kotor, Montenegro
No passado mês de outubro, estivemos em
Montenegro e pudemos constatar aquilo que já pressentíamos desde o momento em que avistamos algumas ilustrações numa revista de viagem: o país é realmente sensacional, tranquilo e deslumbrante.
2.11.13
V i, numa foto do jornal, dois grupos de casinhas populares, de uma porta, duas janelas e uma rua no meio. Lembraram-me crianças, de mãos da...
Onde estaria a felicidade?
Vi, numa foto do jornal, dois grupos de casinhas populares, de uma porta, duas janelas e uma rua no meio. Lembraram-me crianças, de mãos dadas, cantando o “marré-marré”, cantiga que ouvi muito, quando menino, ao tempo em que as ruas ofereciam segurança. Quase que não havia automóveis. O silêncio dominava a cidade impondo segurança absoluta às pessoas. Que lindo as crianças, pra lá e pra cá, cantando e namorando, que a vida não corria. A vida se escorria, sem pressa.
Pois bem, a foto que vi no jornal me trouxe essa lembrança, dois grupos de casinhas, lado a lado. O que uma tinha, todas tinham. Só não tinham quintais, quintais de terra batida, cheios de fruteiras, de galinheiro com galos cantando. As casinhas não tinham terraço na frente. Nenhuma podia se orgulhar. Ver uma era ver as outras. Não esquecer que eram casas de pobre, casas populares, que não tiveram engenheiros, nem arquitetos para construí-las.
E eu fiquei a refletir: será que à noite eles, os moradores, se reúnem para conversar, para fofocar, para se divertir? Evidente que sim. O ser humano necessita tanto de conversar como de se alimentar, e de respirar. Sem comunicação o homem morre. Ninguém nasce para viver isolado. Ninguém passa sem o outro, o outro, que para o filósofo Sartre é o inferno, como se ele, com seu habitual mau humor, fosse o paraíso para os outros.
Mas voltemos às casinhas, dir-se-ia de mãos dadas, lado a lado, longe das alturas, sem necessidade de elevadores, sem a presença de vigilantes, sem estacionamentos para automóveis, sem orgulho, sem piscina, sem “spa”, cinema, “kid-club”, espaço gourrmet... As casinhas que eu vi na foto do jornal, não têm nada disso. Tenho certeza, porém, que seus moradores se vêem como irmãos e nenhum deles pretendem ser mais ricos que os outros. Outra coisa: todos eles podem entrar e sair de suas casinhas, sem problema. Não são prisioneiros do conforto como os que moram “lá em cima”.
E me vem a indagação: os prisioneiros do luxo, da riqueza e do conforto são felizes? Dormem tranquilos? Volto a olhar a foto no jornal. Só lamento é que não tenham arborizado a rua que passa entre as casinhas, como um rio... Será que houve festa na inauguração ou no “lançamento” daquele conjunto habitacional?...
2.11.13
F oram tantos os que colaboraram nesta nossa recente viagem, às terras de além-mar, quando nos ausentando por uns quinze dias, da bem amada ...
A quem agradecer?
Foram tantos os que colaboraram nesta nossa recente viagem, às terras de além-mar, quando nos ausentando por uns quinze dias, da bem amada terrinha, que não troco por nenhuma outra. É que, aqui, a gente deixa a nossa alma, a começar por esta João Pessoa, de quem hoje sou cidadão, graças à iniciativa de meu amigo Fernando Milanez, cujo pai deu-me lições de cavalheirismo e dignidade.
Mas, vamos à viagem, que me fez sair da rotina para a aventura. É bom, vez por outra, pular o círculo da rotina e arrojar-se à aventura. Dizem que se você riscar, com giz, um circulo no chão, e colocar nele um peru, o bichinho fica parado, não pula o risco, com medo, Assim, se possível, atravessemos, vez por outra, o nosso círculo, seja para um passeio a Londres, seja à Sousa ou Riacho dos Cavalos, em nosso pleno Sertão, onde nasceu meu amigo cabeleireiro Josias, do salão “Center Bella”.
Pois é, pulei mais uma vez o círculo de giz e saí numa nova aventura. com meus adoráveis familiares, como sempre costumo fazer. Mas, alem dos queridos familiares, que tal agradecer a... A quem, cronista? Aos que, em geral, ninguém se lembra de um agradecimento, a começar por estes meus olhos, que na viagem só fizeram registrar belezas por este mundo afora. Belezas naturais, belezas culturais, belezas humanas. E, para mim, o fenômeno humano está em primeiro lugar. Somos os outros. Já imaginou visitar Londres, Paris, Viena, Nova Zelândia, com suas ruas sem ninguém? O mar, por mais belo que seja, como o do nosso Tambaú, necessita do olhar humano.
Mas, como ia dizendo, graças aos outros, é possível viajar. Quantas mãos nos ajudando! Os que nos transportam, os que nos alimentam, nos hospedam, cuidam da limpeza dos nossos quartos de hotel, dos que vendem coisinhas lindas da terra que visitamos... Dos taxistas, que conhecem a sua terra na palma da mão.
Ergamos um brinde aos nossos humildes pés, aos nossos privilegiados olhos, às nossas mãos, aos ouvidos que nos levam a ouvir concertos maravilhosos.
Mas não esqueçamos dos outros. Sem eles não sairíamos do círculo de giz da rotina. Viva a nossa interdependência que a moderna tecnologia cada vez mais estimula. Graças a ela, a saudade está morrendo, e o distante cada vez mais perto...
13.10.13
Q uem foi que matou o eminente psicanalista, que descobriu uma coisa que vivia oculta há muito tempo, mas que ele com a sua perspicácia, des...
Quem matou Freud?
Quem foi que matou o eminente psicanalista, que descobriu uma coisa que vivia oculta há muito tempo, mas que ele com a sua perspicácia, desvendou? Terá sido algum lugar? Não. Alguma invenção, como o avião de Santos Dumont? Também não. Ele descobriu o nosso inconsciente, este porão de muitas das frustrações e inibições que nos chegam à superfície.
Mas, por causa dessa descoberta, o famoso psicanalista sofreu o diabo, sobretudo, dos seus colegas de profissão. E o pior é que é que ele achou de dizer que a libido, a energia sexual se manifestavam no nosso inconsciente.
Freud escreve uma obra que teve o efeito de uma bomba, denominada “Interpretação dos sonhos” e que veio à luz no início do século passado. Ora, ninguém antes dele pensou nisso. Desde que o mundo é mundo, que o homem sonha. Sonhos agradáveis, sonhos maus, que são os pesadelos; sonhos que nos deixam alegres ou deprimidos. Mas ninguém pensou que o sonho é a chave que abre o nosso inconsciente.
Quem trabalhou muito com ele, nesse negócio de psicanálise, foi o mestre suíço Jung, seu discípulo por algum tempo. Mas depois discordou do mestre, sobretudo no que tange à libido. Freud via sexo em tudo. Até no sugar do seio materno, por parte da criança.
A verdade é que o mestre vienense, sendo judeu, foi perseguido pelos nazistas, no tempo de Hitler. Os nazistas chegaram a impedi-lo de trabalhar. Humilhado, perseguido pelos asseclas do Reich, o eminente pensador viu Londres como um bom refúgio. E os nazistas impuseram um elevado pagamento, isto é, um resgate, que foi pago pelos amigos.
Só assim o mestre pôde ficar em paz. Estava livre dos inimigos. Ele só não se livrou do tabagismo, que lhe provocou um câncer na boca, o que o fez sofrer por muitos anos. E informam que sua boca exalava tanto mau cheiro, que o seu cãozinho saía de perto dele.
Curioso, a maioria dos biógrafos de Freud não informa de que o mestre morreu. Estranho, não? Pois é, o famoso psicanalista, que teve tantos inimigos, inclusive o Nazismo, não pôde se livrar do maior deles: o fumo, em forma de charuto. Seu sofrimento foi terrível. Submeteu-se a mais de trinta cirurgias. E saber que muita gente ainda continua soltando suas baforadas venenosas para desespero dos pulmões. Ainda bem que em tempo, eu larguei o fedorento vício...
13.10.13
S im, ela, a rainha, Rainha da Borborema, onde Jesus nasceu, segundo cantou Augusto dos Anjos, num de seus versos, esteve completando 149 an...
Parabéns, Rainha!
Sim, ela, a rainha, Rainha da Borborema, onde Jesus nasceu, segundo cantou Augusto dos Anjos, num de seus versos, esteve completando 149 anos de existência. Foi o que vi pelos jornais.
Se João Pessoa, a capital, tem o mar, sua maior referência turística. Campina tem a montanha, a serra. E fica difícil saber quem é mais belo. Eu diria que o mar é humano e a montanha é mística. Tanto é gratificante a subida como a descida. Tudo isso faz parte da vida. Jesus tanto subiu como desceu. Subiu para orar ao Pai e desceu para ensinar os homens. Subiu para se transfigurar e conversar com os espíritos de Eias e Moséis, e desceu para caminha sobre as águas do Mar da Galiléia.
Campina Grande, ao que se informa, nasceu de uma simples feira até chegar aonde chegou: uma senhora metrópole, orgulho da Paraíba, que vem se desenvolvendo progressivamente, a olhos vistos.
Mas o que é que eu tenho a ver com Campina Grande, eu que nasci numa de suas cidades satélites: Alagoa Nova? É que respirei o mesmo ar da Serra da Borborema, senti o mesmo friozinho, elevei meu olhar para o mesmo céu, um céu rico de estrelas.
Campina Grande, que tem um açude que é uma beleza, chamado Bodocongó, outro, igualmente belo, chamado Açude Velho, que agora tem até obra de Oscar Niemeyer. Campina do Treze, de seu altivo e admirável bairrismo, que não dá bolas à gente do sul, graças à sua autenticidade telúrica. Campina Grande de Argemiro de Figueiredo, o maior governador da Paraíba, o homem que remodelou a nossa capital. Campina Grande de Félix Araújo, o inspirado poeta que tanto exaltou o amor. Campina Grande do extraordinário Prefeito Elpídio de Almeida. Campina Grande do livreiro Pedrosa, que ensinou sua terra a ler, graças a sua movimentada livraria, que tinha como slogan “Faça do livro seu melhor amigo”...
Mas, aqui vai uma confissão: foi lá que nasceu meu primeiro filho, que tem o meu nome, e é hoje um Cosmólogo, Pós-Doutor em Física, de nossa Universidade Federal. E vá ver que ele ainda torce pelo seu time de predileção: o Campinense.
Sim, leitor, tenho dois filhos: um nascido em Campina Grande, e o outro, Germano, arquiteto e jornalista, nascido aqui, na Capital.
Portanto, não é sem motivo que muito me alegrei com os 149 anos de Campina, a Rainha do nosso sertão, a Capital da Borborema. E exultei quando vi, através de fotos, como a cidade aniversariante está bela e bem cuidada!
O mais importante, no entanto, é que Jesus nasceu na Serra da Borborema, segundo Augusto dos Anjos:
“Não! Jesus não morreu! Vive na terra.
Da Borborema, no ar de minha terra”.
13.10.13
S im, jamais imaginei que aquele fato acontecesse. A vida tem dessas surpresas. Estou me lembrando, agora, do Cavaleiro da Esperança. Que tí...
A grande surpresa
Sim, jamais imaginei que aquele fato acontecesse. A vida tem dessas surpresas. Estou me lembrando, agora, do Cavaleiro da Esperança. Que título romântico! Sim, este era o título que lhe deram.
A verdade é que ele se tornou um líder político admirado por muitos. Temido também. Era olhado com grande respeito, um respeito misturado com medo. O homem pretendia transformar o nosso país, num país comunista, ou melhor, numa ditadura igualzinha à da União Soviética. A ditadura de um Stalin, de um Lenine.
Pois bem, o Cavaleiro da Esperança conseguiu, com o seu charme, sua dialética, sua simpatia, convencer muita gente a se tornar comunista. Baixo de estatura, muito simpático, ele soube, com o seu carisma, trazer muita gente para o Partido Comunista Brasileiro.
Amado e temido, Luiz Carlos Prestes foi um líder admirável. Seus discursos eram de uma dialética convincente. E tinha uma vida limpa. Teve muitos e grandes inimigos. Mas também uma multidão de adeptos. Difícil não se convencer, ouvindo a sua palavra. Uma palavra muito diferente da do político comum. Uma palavra isenta de qualquer demagogia.
Sua maior inimiga era a Igreja. Ele era tido como um “satanás”. Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança, vinha sempre à nossa capital, onde tinha muitos amigos, inclusive meu tio, João Batista Barbosa, em cuja residência se hospedava. Vinha, anonimamente, visitar o seu companheiro de partido.
E Luis Carlos Prestes, líder vermelho, Cavaleiro da Esperança, achou, certa manhã, de falar aos paraibanos. O local que o seu partido escolheu foi o Parque Sólon de Lucena, a popular Lagoa. Minha gente, aquele espaço se tornou pequeno para a multidão que desejava ouvir o líder vermelho, ao meio-dia, sob um sol de rachar. E sabe quem protestou contra a presença daquele líder? A Igreja Católica. E haja sinos chamando os fiéis para se refugiarem nos templos.
Foi aí que eu, adolescente, ouvi Carlos Prestes falando. E como o admirei, pois ele falava com muita convicção. Que simpatia no seu rosto que o sol a pino iluminava. A multidão cobria-lhe de aplausos. Os sinos se calaram.
Luiz Carlos Prestes, o líder comunista temido e respeitado, me deixou uma ótima impressão. Se estava equivocado ou não, o certo é que foi fiel ao seu ideal.
Passou-se o tempo. Aí aconteceu o que eu não esperava: anos depois, tornei a vê-lo, já bastante idoso. Não num comício, mas na Academia Paraibana de Letras, por ocasião da posse do escritor e jornalista Otacílio Queiroz. Ele estava bem perto de mim. Ele, que vivia tão longe dos meus olhos.
E com um certo cansaço, não resistiu ao sono. Um sono gostoso que me pareceu mais de criança do que de um temido líder. Eis aí uma surpresa que jamais esquecerei.
12.10.13
Chamada de Divina Arte , a Música Erudita tem o dom de sintonizar as emoções humanas com os sentimentos e estados de espírito mais elevado...
10 Razões para Você Gostar da Música Clássica
Chamada de
Divina Arte, a Música Erudita tem o dom de sintonizar as emoções humanas com os sentimentos e estados de espírito mais elevados.
6.10.13
E les vêm de longe para ficar mais perto do mar. Sempre nos feriados e domingos. Não são ricos, portanto, não possuem automóveis. Para a cam...
A busca do prazer
Eles vêm de longe para ficar mais perto do mar. Sempre nos feriados e domingos. Não são ricos, portanto, não possuem automóveis. Para a caminhada usam os pés. Os pés, que são os veículos dos mais pobres. Moram à margem de uma avenida, que se chama Beira-rio, e o rio não é outro, senão o Jaguaribe, que também é um pobre rio, poluído, abandonado, que, muitas vezes, zangado, não deixa ninguém passar na avenida.
Repetindo, eles vêm de longe, molhados de suor e iluminados de alegria, a alegria de estarem vivos apesar de tantos problemas em suas vidas.
O mar ainda está distante. O mar imenso e belo de Tambaú e Cabo Branco. Um mar que tem qualquer coisa de divino. Mar dos ricos e mar dos pobres.
Mas estou, aqui, da varanda do apartamento, vendo-os na caminhada em busca do mar, que não exige nenhum pagamento para possui-lo. Um mar gratuito, que beleza.
Eles caminham alegres, como se fossem para uma festa. Homens, mulheres e crianças. Crianças segurando a mão dos pais , crianças carregadas nos braços, que o calor está brabo. E não caminham em silêncio, mas sempre conversando. Conversando e rindo, como se a vida fosse um piquenique. E até os cachorros lhes servem de companhia.
Do outro lado, paralela à Beira-rio, está a sofisticada e rica avenida Epitácio Pessoa. onde você jamais veria um espetáculo como ao que estou me referindo.
Sobretudo nos domingos e feriados é que assistimos àquela andança dos mais carentes, em busca de um pouco de felicidade em suas vidas. Uma caminhada que tem qualquer coisa de romaria. Vão num contentamento infantil, sejam adultos ou crianças. Mas, quando regressam daqueles momentos de prazer, as fisionomias trazem um pouco de melancolia e de cansaço nos seus semblantes. Voltam para uma realidade que eles procuraram esquecer por alguns momentos.
Beira-rio, que beira a pobreza, que beira o mar.
6.10.13
O ra, ora, indagará você: Quem é Sabiniano e quais são as suas superstições? Ele, Sabiniano Maia, foi um homem admirável. De estatura baixa...
As superstições de Sabiniano
Ora, ora, indagará você: Quem é Sabiniano e quais são as suas superstições? Ele, Sabiniano Maia, foi um homem admirável. De estatura baixa, calvo e de uma voz mansa. Mansa a voz, manso o comportamento. Nunca o vi zangado. Católico até os ossos, era o que se costuma dizer: um homem em paz com a sua consciência. Chegaria a acrescentar: temente a Deus, como também se costuma dizer, embora, erradamente, pois Deus não é nenhum Satanás para impor medo, sobretudo aos próprios filhos. Deus é amor.
Mas vamos adiante. Sabiniano era político, mas um político honesto, incapaz de uma desonestidade, de um desvio de verba, tão comum hoje em dia. E lembrar que ele era dado às letras. Escreveu livros e foi jornalista. Tanto é assim, que foi convidado para diretor deste jornal, A União, na época da Ditadura. Quem governava o Estado, naquele tempo, era o desembargador Severino Montenegro. Foi quando o nosso tradicional matutino ficou reduzido ao Diário Oficial. Pois bem, Sabiniano, que gostava muito de mim, chegou ao ponto de dizer: “o Diário é oficial, mas vou ver se abro um pequeno espaço para uma crônica sua”. Aí eu vi que o homem me tinha muito apreço.
Sabiniano, como já disse, era político e como político exerceu o cargo de prefeito em Campina Grande e Guarabira, se não me engano. E como edil foi de uma honestidade Admirável. Nenhum deslize. O dinheiro público para ele era sagrado como a hóstia, já que ele era um fervoroso católico.
Alma sensível, Sabiniano, vez por outra, escrevia uma crônica. Crônica suave e lírica. E escreveu livros, inclusive um intitulado “Superstições”, editado pelo jornal católico “A Imprensa”.
Mas foi Altimar Pimentel, que num texto chamado “Dia do Folclore”, analisou a obra de Sabiniano, concluindo com as seguintes palavras: “Muitos foram os que escreveram sobre as nossas tradições populares. José Américo de Almeida, Coriolano de Medeiros, Mário de Andrade, Ariano Suassuna, e Sabiniano Maia.
E as tradições estão muito bem ilustradas em “Superstições”. O livro é gostoso de ler. A pesquisa de Sabiniano foi longe. Lendo-o é que percebemos como somos supersticiosos. Vejamos algumas que andei pescando no seu livro, que está a merecer uma reedição.
Mas para encerrar, vejamos algumas superstições: “Criar pombos dá azar”; “Gato miando no telhado também”; “Coceira na palma da mão traz dinheiro”; “Entrar com o pé direito em casa, sempre traz felicidade”; “Canto de grilo traz dinheiro”; “Quem passar debaixo de um arco-íris muda de sexo” - ora vejam só...
São numerosas as superstições populares anotadas por Sabiniano. Só assim ele esquecia o prosaísmo dos relatórios de prefeito.
5.10.13
T em vez que desejamos fazer um jejum de gente, isto é, ficar sozinho. Sozinho não, que ninguém fica só. Quando não tem ninguém para convers...
Distração e reflexão
Tem vez que desejamos fazer um jejum de gente, isto é, ficar sozinho. Sozinho não, que ninguém fica só. Quando não tem ninguém para conversar, conversamos conosco. Há um outro dentro da gente, que, às vezes, nos censura, discorda de nós, mas que também nos aplaude. Esse alguém é a consciência, que não morre, que nos acompanha quando nos tornamos espírito, que beleza! Para os que acreditam que com a morte tudo se acaba, principalmente a consciência, o que fizeram de bem ou de mal não importa, porquanto ninguém nos cobra do que fizemos. Não há responsabilidade no nosso viver, pois com a morte tudo se transforma no nada... Mas, quem acredita que a consciência perdura, que o espírito sobrevive ao corpo, aí a coisa muda.
Dizem que existem céu e inferno. Céu para os bons e inferno para os maus. E o mais grave é que esse inferno é eterno. Deus nem tem pena daqueles infelizes, criados por Ele. Ora, aqui para nós, o inferno é uma consciência culpada, e o céu o contrário. O remorso é um fogo, que vai diminuindo, graças ao arrependimento. Um pensador já disse que a felicidade é a consciência tranquila. Eis uma grande verdade.
Voltando ao começo, é quando estamos sozinhos que conversamos com nossa consciência. Daí a necessidade de silêncio e de solidão. Barulho é para quem deseja livrar-se do diálogo com a consciência. Barulho, álcool, droga, diversão, são meios usados para esquecermos a nós mesmos. E o trabalho também é um excelente entorpecente.
Talvez, eu esteja dizendo o óbvio. Mas não custa nada repetir. É a consciência, na sua mudez, no seu silêncio , que nos condenará ou absolverá. E para isso não faltam promotor para acusar, advogado para defender e juiz para julgar.
Por que uma pessoa se suicida? Sem dúvida, mordida por um remorso. Para quem não acredita na vida depois da morte, o suicídio se torna uma excelente fuga.
A solidão, às vezes, é uma beleza. Só assim conversamos conosco. Sim, porque numa festa, num lugar barulhento, com a cuca cheia de álcool, seja de cachaça ou de uísque, o nosso verdadeiro eu está esquecido.
Depois da festa, da diversão, do esquecimento, a grande indagação é aquela do poeta-filósofo Drummond: “E agora, José?”
É a tal coisa: depois da diversão vem a reflexão. E é aí que a consciência fala.
4.10.13
F ui testemunha de sua presença, aqui na nossa capital. Vindo de Alagoa Nova, com quatro anos de idade, para aqui morar, foram os bondes que...
Ah, sim, os bondes!...
Fui testemunha de sua presença, aqui na nossa capital. Vindo de Alagoa Nova, com quatro anos de idade, para aqui morar, foram os bondes que mais me chamaram a atenção. Veículo seguro, limpo, nada de fumaça, o bonde corria seguro sobre os trilhos, quase sempre apinhado de gente. Gente sentada nos bancos, gente trepada nos estribos, gente pobre, gente rica, era gostoso ser passageiro dele, com o motorneiro lá na frente, e o cobrador, vez por outra, chegando para a cobrança. Aquela zoada fazia a gente dormir. Bondes para todos os bairros: Tambiá, Trincheiras, Cruz das Armas, Varadouro, que descia até o comércio da rua Maciel Pinheiro.
Muita gente gostava de pegar o veículo em movimento, o que implicava num grande perigo. Mas isso ficava para os mais jovens. Chamava-se “amorcegar” o bonde. Gente da alta sociedade não escolhia outro transporte. E uma senhora, professora, e, por sinal solteirona, pelo fato de haver alcançado o veículo, em movimento, e ter gritado “peguei-te”, ficou com esse apelido. Passaram a chamá-la, simplesmente “Dona Pegueite”. Foi o preço do seu arrojo.
Mas a verdade é que o bonde era o transporte mais procurado por todos, sobretudo pela segurança que ele oferecia. Ainda não havia táxis. Havia os carros de aluguel, que ficavam na praça do Ponto de Cem Réis, aguardando fregueses.
Se você desejava dar um passeio, lendo um livro ou um jornal, o bonde era a melhor opção. Um passeio terapêutico. Tinha gente que ia até o fim da linha saboreando aquele momento de muita paz. E não faltava namoro, namoro que terminava em casamento, como foi o caso do memorável arquiteto Clodoaldo Gouveia, com a sua Isaura, minha sogra.
Viajar lendo, viajar dormindo, viajar sonhando, viajar refletindo, o bonde proporcionava tudo isso. Vez por outra, o bonde parava para mudar o trilho, E quem fazia esse serviço era o motorneiro. Não me esqueço de um cobrador que apelidaram de “Caju Azedo”. Ora, vejam que maldade...
Bonde, que depois alcançou a praia de Tambaú, naquele tempo ainda deserta, só sendo procurada pelas famílias ricas para o chamado veraneio.
O bonde não chegava para quem queria. E como era gostoso ouvi-lo, altas horas da noite, correndo pelos trilhos! Todos os bondes desaguavam no Ponto de Cem Réis. Era a sua parada obrigatória.
O escritor Ascendino Leite, no livro “Minha Cidade” relembra, com muito humor, a presença daquele transporte na nossa vida cotidiana, e a chegada festiva dos bondes ao Ponto de Cem Réiis. cujos trilhos foram, estupidamente, arrancados, quando ainda hoje o bonde marca presença nas grandes metrópoles estrangeiras.
Agora é encerrar a crônica com o título acima: “Ah, sim, os bondes!” Bondes que ainda correm na imaginação do cronista. Bondes de “Pegueite”, de “Caju Azedo”. Bondes de todas as classes sociais. Bondes bons para pensar, refletir, sonhar, namorar.
2.10.13
Se você chegou até aqui, certamente está procurando um texto curto e simples para ler, em inglês, com o objetivo de aprender um pouco mais ...
Pequenas histórias em inglês para iniciantes
Se você chegou até aqui, certamente está procurando um texto curto e simples para ler, em inglês, com o objetivo de aprender um pouco mais o idioma. Comece, então, por
essa pequena história.
29.9.13
E u estou ansioso para vê-la. Eu ou ele? Acho que é ele, o menino que ainda há em mim. Mas, ela veio de longe. Nasceu numa selva. Não sei se...
Vamos vê-la?
Eu estou ansioso para vê-la. Eu ou ele? Acho que é ele, o menino que ainda há em mim. Mas, ela veio de longe. Nasceu numa selva.
Não sei se foi casada. Viveu muito tempo trabalhando para os outros, sem receber gratificação. É verdade que foi muito aplaudida pelas multidões de vários países. Mas o que ela desejava mesmo era viver no país onde nasceu. Melhor dizendo, viver no seu habitat, longe das multidões, dos refletores, do barulho.
O leitor perspicaz, sem dúvida, já sacou. Estou me referindo à elefanta que veio morar em nossa cidade e que está se preparando para se apresentar ao público. Está hospedada, como já noticiaram, no Parque Arruda Câmara, ainda se aclimatando, para depois se apresentar ao público, notadamente, ao público infantil ou aos adultos com espírito de criança.
As nossas colunas sociais, a começar pela do amigo e vizinho de página, Abelardo Jurema, não noticiaram a sua chegada à nossa capital. Mas não faltará oportunidade para que o colunismo social lhe dê o merecido destaque à aparição pública da mais nova pessoense. E eu já estou imaginando a nossa elefantazinha sendo objeto do noticiário, não só dos jornais, da TV, mas até da Internet. Tomem nota do que estou dizendo, a nossa, hoje paraibana elefantazinha (que tal promovermos um concurso para a escolha de seu nome?), vai se constituir numa das nossas melhores referências turísticas. O menino que há em mim está ansioso para vê-la, agora no seu verdadeiro ambiente. Não mais num circo, mas rodeada de árvores e outros animais.
O prefeito Cartaxo não deve ficar indiferente ao acontecimento turístico e ecológico. Espero vê-lo no parque, na ocasião de seu debut. Mais ainda, espero vê-lo fotografado junto da agora paraibana elefantazinha. O próprio governador Ricardo também deve estar presente ao poético evento.
Mas vamos terminar a crônica. Que o atual diretor do Parque Arruda Câmara procure dar maior realce a essa aparição pública da nossa elefantazinha. Que os nossos colégios levem as crianças até aquele paraíso verde, que espero não esteja contaminado pela poluição sonora e outras sujeiras.
E o nome da jovem? Repito: que tal um concurso para sua escolha? Mas, o importante, agora, é a sua aparição pública. Vamos vê-la?
29.9.13
D epois da Rua Nova, que motivou tantas evocações que o tempo ainda não conseguiu apagá-las, que tal apertarmos a memória e desvendar outros...
Outras evocações urbanas
Depois da Rua Nova, que motivou tantas evocações que o tempo ainda não conseguiu apagá-las, que tal apertarmos a memória e desvendar outros caminhos adjacentes e que tanto me encantaram, a começar pela Igreja São Francisco, cujo pátio mereceu minha reverência, mas que eu, juntamente com a meninada de minha infância, fi-lo campo de futebol? Campo de pedra e não de grama. Pedra histórica, mística, merecedora de nossa reverência. E a meninada correndo pra lá e pra cá, gritando e muitas vezes soltando nomes feios. Lá no alto a histórica igreja, com o seu convento, nos convidava à reflexão, à oração, ao silêncio. E que dizer daqueles azulejos evocando passagens do Evangelho? E do chão histórico, pisado por numerosos padres e freiras?...
A igreja agora olhava, não para a Rua Nova, mas para a profana Duque de Caxias, onde o Carnaval era a maior atração, que, a exemplo de sua vizinha, a Rua Nova, mantém, ainda, seu aspecto colonial, e esbarra na praça João Pessoa, famosa por suas retretas, e que já foi jardim publico, toda cercado de grades.
Carnaval na Rua Direita, com seus blocos, lança-perfumes, confetes, serpentinas. Com as pessoas nas janelas dialogando com as do corso. O tradicional carnaval era, sem dúvida, a maior atração turística da Capital. Mas a Rua Nova não a invejava. De festa bastava-lhe a da Padroeira. Não invejava nem os bondes que corriam nos trilhos da Rua Direita até o Ponto de Cem Réis.
Os bondes, por que diabo arrancaram seus trilhos? Bondes que corriam por toda a cidade: Tambiá. TrIncheiras, Comércio, Tambauzinho. Bondes, coisa do passado? Mentira. Até hoje as modernas capitais européias os mantêm. Transporte seguro, limpo e por que não dizer: poético.
E a Lagoa, lá no belo Parque Sólon de Lucena, que também tem a sua história? Foi lá que meu pai comprou um sítio, paraíso de minha infância, e onde acampavam os circos que vinham de fora, para alegria da meninada e desespero dos gatos. E por que o desespero? Ora, ora, é que o dono do circo dava entrada gratuita ao menino que trouxesse um gato para matar a fome do leão. Que horror!...
Mas, está bom de encerrar estas notas do nosso cotidiano, que começaram na Rua Nova e terminaram na Lagoa. A verdade é que em matéria de festas, a Rua Nova e a Duque de Caxias foram insuperáveis. Só a Festa das Neves ainda tenta perdurar, conquanto sem aquela beleza de outrora. Que me diz o grande cronista das nossas evocações, o arguto e lírico Carlos Pereira? E, aqui pra nós, depois que descobriram Tambaú, a cidade sofreu grande mudança na sua vida social.
Carnaval na antiga Rua Direita, Festa das Neves, na Rua Nova, retretas na praça João Pessoa, do jeito como eram, agora não passam de um sonho...
27.9.13
Eles fumavam e bebiam muito uísque e conhaque. Portavam pistolas e lâminas fatais, guardadas elegantemente no bolso interno do paletó. Mas...
Um pequeno tributo ao Film Noir
Eles fumavam e bebiam muito uísque e conhaque. Portavam pistolas e lâminas fatais, guardadas elegantemente no bolso interno do paletó. Mas, por outro lado, não falavam palavrões... não ficavam dizendo termos vulgares a cada cena. Era assim o chamado
Film Noir. Boas histórias detetivescas, com excelentes interpretações, envoltas em mistérios e muitas sombras.
22.9.13
A nunciada a sua vez de falar, ele ergueu-se da mesa, sem muita pressa, mas com um sorriso de homem em paz com a vida. Pegou o microfone e c...
A fala e o exemplo
Anunciada a sua vez de falar, ele ergueu-se da mesa, sem muita pressa, mas com um sorriso de homem em paz com a vida. Pegou o microfone e começou sua palestra. O tema era sobre paz, saúde e amor. Que trindade temática admirável. E ilustrou sua fala com vários slides. A voz mansa já era uma mensagem de paz. Contagiada com aquele clima, a assistência atenta não perdia uma palavra do orador.
Disse ele que a paz é fruto do amor fraternal, que o ódio é que faz o homem adoecer. Que a maior terapia de todos os tempos é o amor. Ensinou ainda que há necessidade de, vez por outra, a gente lançar um olhar retrospectivo, um olhar para dentro de si, e constatar nossos erros. E citou Santo Agostinho que recomendou uma conversa consigo mesmo, antes de dormir. Lembrou ainda as bem-aventuranças do Sermão da Montanha proferido por Jesus, aquele sermão que, segundo Gandhi, substituiria todas as bibliotecas do mundo.
Paz e saúde. Paz de espírito, saúde do corpo. E nunca um palestrante se identificou tão bem com o tema. Ele mesmo, o orador, era aquilo que falava. Um homem de muita paz com a sua consciência. Nunca se irritou, nunca falou mal de alguém, nunca demonstrou desânimo, nunca, ao pegar no arado, olhou para trás, como lembra o Evangelho.
Numa palestra, vez por outra, alguém não resiste ao sono, a um ligeiro cochilo. Mas, sob o efeito de sua palavra, todos os assistentes estavam atentos e silenciosos.
A verdade é que o mundo, cada vez mais, está carente de saúde e paz. Que gritem os jornais, o rádio, a TV, a Internet. Mas o Mestre disse que aquele que perseverasse até o fim, seria salvo. A solução portanto, está na receita: “Orai e vigiai para não entrardes em tentação”. A tentação do ódio, do orgulho, do egoísmo, da inveja, da maledicência.
Mas ele está acabando a palestra e eu a crônica. Deixou o microfone, voltou a ocupar a cadeira onde esteve sentado, numa sutileza de quem caminha sobre nuvens. Ele não é outro senão Marcos Lima, atual presidente da Federação Espírita Paraibana, Nunca a palavra sintonizou tão bem com o exemplo. Esqueci-me de dizer, ele toca violão que é uma beleza. Canta e toca. Só vendo e ouvindo. Mais esta: vestia camisa escura, decerto, para falar claro...
21.9.13
S eu nome mesmo era José Lins do Rego. Popularizaram-no para Zé Lins. E o primeiro livro que me chegou às mãos e aos olhos foi “Menino de E...
Zé Lins na minha vida
Seu nome mesmo era José Lins do Rego. Popularizaram-no para Zé Lins. E o primeiro livro que me chegou às mãos e aos olhos foi “Menino de Engenho” - Que delicia de leitura! Como desejei ser aquele menino. Mas, cá pra nós, minha infância, lá no sítio da Lagoa, foi muito mais bonita.
E sabe quem me deu o livro? Minha mãe, a quem devo o gosto pelas letras. Graças a ela, grande contadora de histórias, minha infância foi uma beleza. E quando eu adoecia de asma, era ela quem, sentada na cama ia excitando a minha imaginação com belas histórias. História de bruxas, de fadas, de bichos que falam, de feiticeiras, de papa-figos, de princesas... Eu gostava tanto dessas narrações, que chegava a desejar que a asma se prolongasse.
Voltando a Zé Lins, cujos livros devorei, sabendo que se tratava de um paraibano, aí foi que me tornei não apenas um leitor, mas um admirador. E o que mais me fascinava era a leveza da linguagem. O homem escrevia como respirava. Uma linguagem linear. Diziam que ele claudicava um pouco no português, diferente de Graciliano Ramos. Ambos frequentavam com assiduidade a livraria José Olimpio, no Rio, e, certo dia, quando lá estavam, apareceu uma jovem atrás de comprar uma gramática portuguesa. Mal a jovem acabou de falar, Zé Lins interveio com muito humor, dizendo para o livreiro: “Se não tiver uma gramática, um livro de Graciliano serve”. A risada foi geral.
José Lins do Rego! Como o admirei e admiro. Uma grande alegria na minha vida foi quando era repórter do jornal A União e fui entrevistá-lo, numa casa lá na Duque de Caxias. E fiquei muito feliz quando o ouvi dizer, lá do interior da casa: “É A União que quer me entrevistar? Quanta honra!” Estava eu, frente a frente, com o autor de ”Menino de Engenho”, livro que deleitou minha infância. Este foi um grande momento na minha vida.
Sua personalidade de homem simples, que escrevia como quem respira, era o que me encantava, assim como aquele seu entusiasmo pelo Flamengo carioca. Um entusiasmo de menino. Ele, que nunca deu um chute numa bola...
Zé Lins era assim, ora alegre, ora triste, sem formalismos, sem protocolo, sem fingimento. Álvaro Lins, rigoroso critico, quando leu “Fogo Morto” do escritor paraibano, bradou, entusiasmado, que se tratava de uma “obra-prima”.