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O Poema de Parmênides , também conhecido como Sobre a Natureza , constitui um dos marcos fundadores do pensamento filosófico ocidental...

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O Poema de Parmênides, também conhecido como Sobre a Natureza, constitui um dos marcos fundadores do pensamento filosófico ocidental. Escrito em versos hexamétricos — forma tradicional da poesia épica grega —, o texto apresenta uma singular fusão entre linguagem poética, mito e especulação racional. Essa escolha formal não é acidental: Parmênides escreve no limiar entre dois mundos — o da tradição mítica arcaica e o da filosofia nascente —, fazendo de sua obra uma travessia simbólica entre o canto dos deuses e a razão do homem.

A poesia de Hildeberto Barbosa Filho , em No Fim de Todas as Coisas , inscreve-se num território de rara densidade existencial, on...

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A poesia de Hildeberto Barbosa Filho, em No Fim de Todas as Coisas, inscreve-se num território de rara densidade existencial, onde o tempo, a morte, a memória e o silêncio se tornam não apenas temas, mas verdadeiros operadores ontológicos da linguagem. Trata-se de um livro que não busca respostas, mas aprofunda a pergunta essencial: o que resta quando tudo se desfaz?

A morte de Sócrates, narrada sobretudo nos diálogos platônicos Apologia, Críton e Fédon, ultrapassa o estatuto de acontecimento hi...

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A morte de Sócrates, narrada sobretudo nos diálogos platônicos Apologia, Críton e Fédon, ultrapassa o estatuto de acontecimento histórico para se converter em um dos mitos fundadores da filosofia ocidental. Trata-se menos do fim biológico de um homem e mais da instauração simbólica de uma ética do pensamento, na qual viver e filosofar tornam-se atos indissociáveis. Sócrates não morre apenas porque foi condenado; ele morre porque se recusa a trair a coerência entre discurso e vida. Sua morte é, nesse sentido, uma obra filosófica consumada no próprio corpo.

A Morte de Ivan Ilitch (1886) é uma das mais rigorosas e implacáveis investigações literárias sobre o sentido da vida, a falsidade da...

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A Morte de Ivan Ilitch (1886) é uma das mais rigorosas e implacáveis investigações literárias sobre o sentido da vida, a falsidade das convenções sociais e o medo humano diante da morte. Em poucas páginas, Tolstói condensa uma crítica moral profunda à sociedade burguesa do século XIX, ao mesmo tempo em que realiza uma sondagem psicológica de extraordinária precisão, antecipando procedimentos que mais tarde seriam centrais na literatura moderna.

A figura de Sísifo atravessa os séculos como uma das mais densas metáforas da condição humana. Condenado pelos deuses a empurrar eter...

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A figura de Sísifo atravessa os séculos como uma das mais densas metáforas da condição humana. Condenado pelos deuses a empurrar eternamente uma pedra até o topo de uma montanha — apenas para vê-la rolar novamente ao vale —, Sísifo encarna não apenas o castigo, mas a consciência do castigo. É nesse ponto que o mito se eleva da narrativa mítica à reflexão existencial: Sísifo não sofre apenas pelo esforço inútil, mas pela lucidez que o acompanha. E é precisamente nessa lucidez que se abre a compreensão da morte como horizonte absoluto da experiência humana.

A Ilíada é, antes de tudo, um vasto canto sobre a morte. Não a morte episódica, acidental, mas a morte como destino inscrito na car...

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A Ilíada é, antes de tudo, um vasto canto sobre a morte. Não a morte episódica, acidental, mas a morte como destino inscrito na carne do herói e no ritmo do mundo. O poema homérico nasce sob o signo da finitude: cada verso parece saber que tudo o que é grandioso está condenado a desaparecer e que, justamente por isso, exige ser cantado. A guerra de Tróia, com seus escudos refulgentes e lanças sedentas, não é apenas o cenário do heroísmo, mas o laboratório trágico onde a consciência da morte se transforma em valor, ética e linguagem.

Há livros que não se leem: escutam-se. Azeite, Senhora Avó!, de Aldo Lopes de Araújo, pertence a essa linhagem rara de obras que falam ...

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Há livros que não se leem: escutam-se. Azeite, Senhora Avó!, de Aldo Lopes de Araújo, pertence a essa linhagem rara de obras que falam baixo, quase em tom de confidência, como se temessem acordar os mortos que nelas habitam. Não há urgência em suas páginas. O tempo ali é outro - o tempo da cozinha antiga, do passo lento, do gesto repetido que não se cansa de existir.