Desculpem o clichê típico dessa época de final de ano, mas vou registrar, aqui, 5 metas a serem cumpridas ao longo de 2015, na tentativa d...

5 Metas para o Ano Novo

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Desculpem o clichê típico dessa época de final de ano, mas vou registrar, aqui, 5 metas a serem cumpridas ao longo de 2015, na tentativa de subir alguns degraus no aprimoramento físico, mental e espiritual.

O tempo... A gente só ouve as pessoas dizendo: “vou ver se tenho tempo”; “no meu tempo era assim...”; “não tenho tempo para nada”; “o tempo...

E viva a dádiva do tempo!

O tempo... A gente só ouve as pessoas dizendo: “vou ver se tenho tempo”; “no meu tempo era assim...”; “não tenho tempo para nada”; “o tempo urge”; “quanto tempo leva isso?”. O tempo é a nossa grande preocupação na vida. O meu filho cosmólogo, PhD em Física, me disse que só há tempo, por que há movimento. Portanto, na imobilidade não há tempo. O tempo é invisível, assim como o espírito (a não ser para os médiuns videntes), assim como nosso pensamento.

Os passadistas se comprazem em monologar: “No meu tempo não era assim”. Evidente que tudo passa, mas o tempo para semear é este que estamos vivendo. E muito cuidado com o tempo vazio. Já disse alguém que tempo é como solo. Nada de deixá-lo vazio. Quem nada planta, nada colhe. Quando a gente morrer, sabe a interrogação que vamos encontrar à nossa frente? Esta: “Que fizeste de tua vida?” Mas, dizia o poeta pernambucano Ascenso Ferreira: “Hora de dormir, dormir, hora de comer, comer, hora de trabalhar, pernas pro ar, que ninguém é de ferro”. O poema é mais ou menos assim... Mas, cuidado pra não segui-lo.

Jesus advertiu que devemos nos conciliar com o adversário enquanto estivermos a caminho com ele. Portanto, nada de perdermos a oportunidade de fazer o bem.

Ensinou-nos Paulo de Tarso que aquele que faz caso do tempo, para o Senhor o faz.

Carlos Drummond de Andrade disse num poema, a propósito da passagem de mais um ano, que o tempo passa, mas outros dias virão.

Jesus só dispôs de três anos para implantar a sua Doutrina neste mundo. A Doutrina consoladora, cuja maior mensagem é esta: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. Sim, ele amou e deu o exemplo. Veio trazer a luz, e os homens lhe deram a cruz. E esta cruz continua em muitas paredes e em muitos pescoços...

Nunca procure matar o tempo. Não cometa um “tempocídio”, que é pior do que o homicídio. É horrível este lamento: “Eu não tenho mais tempo...” Já se disse que tempo é ouro. Quem na vida empregou bem o tempo, morre e parte com a consciência tranqüila.

Conselho do cronista: olhe mais para o relógio do que para o seu celular. E cuidado com o esbanjamento e desperdício do tempo. Aproveite bem a sua vida, valorizando as oportunidades do tempo. Não se esqueça de uma coisa: abundância de tempo significa mais responsabilidade, e “a quem muito foi dado, muito será pedido”...

Tenho muita pena daquelas pessoas angustiadas, suadas, inquietas, e que a todo momento estão estressadas, sem tempo, e que assim se expressam no rosto, no andar, no falar...

Mas entoemos, aqui, um hino em louvor ao tempo, que é silencioso, que é invisível, e finalizemos lembrando que o momento propício para analisarmos o tempo em nós, é só fazer um balanço do que fizemos durante o dia. Quando foi que o dispersamos. Tempo de sono, tempo de refeição, tempo de distração, tempo de estudo, tempo de meditação, tempo de conversa, tempo dedicado ao outro, tempo de amor, tempo de exercício físico, tempo de leitura...

Ah, as horas gastas na futilidade!...

S e eu passei bem o Natal? Muito bem, obrigado. E não foi apenas com os familiares, mas, sobretudo com aqueles que não são amigos do sangue,...

Como passei o Natal

Se eu passei bem o Natal? Muito bem, obrigado. E não foi apenas com os familiares, mas, sobretudo com aqueles que não são amigos do sangue, mas são do coração, que é o que importa.

E haja abraços, beijos, sorrisos, gracejos, e muito carinho, que a vida não é um cemitério, e, sim, um jardim de muito amor e de muita paz. O negócio é saber ver e saber viver. Mais ainda: o negócio é saber conviver!

Passamos o Natal na casa de Maria Antério, mãe do nosso Davi, a mulher do sorriso mais bonito do mundo, de um coração imenso, que já não está mais neste mundo. Não está, cronista? E o seu espírito? Sai pra lá, com teu materialismo, pois ela estava lá, sim, abençoando a todos e vendo as filhas prepararem a gostosa comida, hoje, sob o comando da caçula, Djane, que administra o agradável espaço gastronômico, já chamado de “Carinho de Mãe”.

E o gostoso eram os abraços. Todos de sorriso aberto, que a festa era em homenagem a Jesus, que mandou que amássemos ao próximo como a nós mesmos. Que lição difícil, meu Deus do céu... Mas, tem que ser. O que é bom, é caro, já dizia o arquiteto Amaro Muniz de Castro, o braço que encaminhou meu filho Germano à prática da Arquitetura.

Voltemos ao Natal em família, na casa de Maria Antério, onde nos reunimos há mais de uma década. Jesus, na parede, parecia sorrir de alegria. Só faltou o violino da minha Alaurinda. O discurso em homenagem à significativa data coube a mim. E lembrei, na ocasião, que a grande lição da manjedoura era a da humildade. A humildade daquele menino que uma estrela iluminou e que, mais adiante, haveria de iluminar o nosso mundo.

E, lá na parede, quem sorria era Maria. A ex-proprietária daquela casa, que continua bem cuidada com o mesmo zelo e carinho cujos filhos estavam, ali, felizes da vida.

É preciso nunca esquecer que o que une mesmo o mundo, é o amor, que começa na família. A família é a primeira escola de convivência com o próximo, a nossa primeira prova de tolerância, compreensão, de amor e paz, haverá coisa mais bela na vida? E foi esta, justamente, a mensagem do Arcebispo Dom Aldo, que leio no jornal, desejando paz e amor a todos os homens de boa vontade.

Natal! Festa dos amigos do sangue e do coração!

A h, se eu pudesse me confraternizar, neste clima natalino, com aqueles que cuidaram de minha saúde, desde aquela trombose na perna à tal da...

E viva a confraternização

Ah, se eu pudesse me confraternizar, neste clima natalino, com aqueles que cuidaram de minha saúde, desde aquela trombose na perna à tal da estenose lombar. Quanto nome difícil, meu Deus! E como o cronista sofreu…. Tiraram o trombo da perna e tudo voltou ao normal. E isto graças ao primeiro diagnóstico de Dr. Rodolfo Athayde, que tanto sabe detectar os trombos como as varizes, que diga minha Alaurinda. E antes de ter o trombo, fiz uma viagem de avião até o Havaí que levou um tempão. Minha sobrinha Lúcia, que é médica, lá de São Paulo, gritou ao telefone: use meias e caminhe no avião!

Fiz a melhor viagem de minha vida. Aì veio o trombo. Tive de me hospitalizar e quem cuidou de mim foi o Dr. Otacílio Figueiredo, um amor de pessoa. Mais, ele fez uma bela exposição sobre a trombose, que me deixou encantado. E o certo é tudo correu certo.

E a estenose? Fiquei sem movimentar as pernas em Jerusalém e terminei sendo examinado num Hospital de Tel-Aviv. Depois continuei a viagem, fui bater em Londres onde tive que terminar meus passeios numa cadeira de rodas, empurrada pelo meu “filho-pai”, Germano.

Na volta tive fui cuidar da estenose. E quem tratou de mim foi o Dr. Ronald Farias, que terminou me operando. Homem simples, sereno e competente, que me tirou da cadeira de rodas. Mas a escolha de toda essa competente junta médica devo às indicações do Dr. Marco Aurelio, excelente cardiologista e clínico geral. Só não gosto quando ele, na sua sinceridade de médico, sempre me adverte: “Cuidado com queda”! E fico, vez por outra, olhando pra baixo , atento a buracos e topadas. Dr. Marco não quer que eu veja as estrelas, no meu caminhar…

Nesse Natal, que esses admiráveis médicos continuem honrando a bata branca. Na minha imaginação estou, agora, os reunindo numa festa de confraternização. E não esquecer que o hospital, às vezes, é uma benção, conquanto ainda não se coloque, à sua saída, como nos supermercados, uma placa dizendo “volte sempre”.

Nunca esqueço o carinho da insubstituível Alaurinda, a minha dedicada esposa e enfermeira. Estou quase dizendo que é bom adoecer com ela ao meu lado.

Assim, viva a confraternização, seja em família, seja com os outros, que não podemos passar sem eles.

Q uando soube, não quis acreditar. Não quis acreditar que aquele homem cheio de energia, todo vibração, todo inquietação, estivesse agora na...

Foi-se o nosso Wellington

Quando soube, não quis acreditar. Não quis acreditar que aquele homem cheio de energia, todo vibração, todo inquietação, estivesse agora naquele corpo inerte, em posição horizontal, calado e de olhos fechados.

Sim, repito, eu não consegui ver Wellington morto. O que veio logo à minha imaginação foi o historiador, respeitado por todos, temido por muitos, admirado pela maioria daqueles que tiveram oportunidade de ler suas preciosas obras de História, inclusive sobre a nossa cidade.

Wellington era um homem autêntico, que não sabia mentir, embromar. Wellington era de uma sinceridade que muitas vezes incomodava. Nunca um homem foi tão ele mesmo. Não tinha, ao que se costuma dizer, papa na língua. Era a franqueza encarnada.

Falava pelos cotovelos. Faz muito tempo, se não estou enganado, e que me corrija sua filha, a jornalista Rosa Aguiar, com quem ele se dava muito bem, o nosso historiador chegou a ser diretor da Loteria do nosso Estado, cargo em que exerceu com muita eficiência e honestidade.

Graças ao amigo, ex-reitor e professor José Jackson de Carvalho, também imortal da nossa Academia, Wellington terminou levando seus olhos a Paris. E ficou encantado com a Torre Eiffel, o Sena, a Notre Dame, o Quartier Latin, e outras maravilhas da cultura e da história da Cidade-Luz.

Falar de Wellington e não falar do presidente João Pessoa, que ele não apenas admirava, mas respeitava e reverenciava, incorre-se em imperdoável omissão. Ele tornou-se orador oficial nas comemorações em homenagem ao extraordinário Presidente.

Wellington Aguiar, ao lado de José Otávio, foi um apaixonado pela nossa História. Sua saída deste mundo casou a todos nós uma dolorosa surpresa.

Mas quem sou eu para julgar os acontecimentos? Wellington continuará muito vivo na nossa saudade, na sua obra, na nossa admiração, e no exemplo que deixou. Nos nossos encontros na Academia Paraibana de Letras ele era uma atração, com sua cultura, seu sarcasmo e sua inteligência.

Foi-se, deixando a gente com muita saudade...

Q uando Jesus abriu os olhos para este mundo de trevas, a humilde manjedoura se iluminou, graças a uma estrela, que, como uma seta, anunciav...

Jesus, a luz e a cruz

Quando Jesus abriu os olhos para este mundo de trevas, a humilde manjedoura se iluminou, graças a uma estrela, que, como uma seta, anunciava a vinda daquele que viria trazer a paz e o amor aos homens de boa vontade.

Por que o menino escolhera uma manjedoura ao invés de um palácio, como o de Herodes ou outro grande da Terra? Porque a humildade seria sua primeira lição. A humildade tão desdenhada pelos poderosos, os orgulhosos.

Nasceu de pais pobres: uma mulher do povo, Maria, e um carpinteiro, José. Não sabemos se o menino ajudou o pai, na carpintaria. Achamos que Jesus não fez nem um simples banco...

Com 12 anos, na visita que fez a Jerusalém em festa, ele desapareceu da vista da mãe e foi conversar com os doutores das Escrituras. Surpreendeu a todos com os seus argumentos. Falou como gente grande. Os doutores não quiseram acreditar no que escutavam. E eis que chega a mãe, assustada, procurando o filho, chegando até a admoestá-lo. O menino, sereno, respondeu: “Não sabias que vim tratar dos negócios do meu Pai?” Sim, o pai era Deus, e não José, cujos negócios eram os da carpintaria.

O menino foi crescendo, até iniciar a sua missão, aqui na Terra. A lição da luz contra as trevas, do amor contra o ódio, da paz contra a guerra. Começou com aquela transformação da água em vinho, a pedido da mãe, numa festa de casamento. Foi seu primeiro milagre. O vinho representava a fé. Aquela fé que, mesmo do tamanho de um grão de mostarda, transportaria uma montanha….

Depois desse fato, ele começou a preparar o seu apostolado para a evangelização. Os primeiros convidados para a importante missão não seriam doutores, mas simples pescadores, que, chamados para a grande missão, largaram, sem pestanejar, seus instrumentos de trabalho: as redes.

E antes de empreender a missão do apostolado, Jesus profere o seu mais belo sermão, cognominado o Sermão da Montanha, também chamado o Sermão das Bem-aventuranças, no qual se resume a sua consoladora Doutrina. Gandhi chegou a dizer que se destruíssem todos os livros do mundo e só restasse o Sermão da Montanha, nada teria sido perdido. E eu tenho uma pena danada dos que desconhecem o grande sermão.

Mas o Jesus-luz chegou a dizer que todos nós temos uma luz interior. Daí a sua recomendação: “Brilhe a vossa luz” E a ciência já provou que essa luz está numa glândula chamada epífise, que foi constatada, mais adiante, pelo filósofo Descartes.

O Jesus-luz, todavia, não foi compreendido pelos homens. A luz chamava a atenção para as nossas trevas interiores: o egoísmo, o ódio, o orgulho. E não suportando o Jesus-luz, a luz da verdade, os homens trataram de crucificá-lo, em companhia de dois ladrões. Com o rosto banhado de sangue devido à coroa de espinhos que colocaram na sua cabeça, Jesus ainda teve ânimo de pedir um pouco d'água para matar a sede. Deram-lhe vinagre. Seus olhos eram de uma melancolia comovente. Os olhos que abriram tantos olhos, as mãos ensanguentadas que limparam leprosos, os pés que caminharam, ao sol ardente, no serviço do amor fraternal.

Mas o Jesus-cruz na Ressurreição voltaria a ser luz, fato testemunhado por Madalena, a linda pecadora, com quem conversou, provando que a morte não existe.

Esqueçamos o Jesus-Cruz, abolindo crucifixos em paredes e pescoços. E louvemos o Jesus-Luz, jamais esquecendo a sua recomendação: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. E mais: “meus discípulos se conhecem por muito se amarem”.

A vida é cheia de usos e abusos. E sobre esse tema o iluminado Emmanuel, guia do grande médium Chico Xavier, relata muitos exemplos, que nos...

Os usos e os abusos

Avida é cheia de usos e abusos. E sobre esse tema o iluminado Emmanuel, guia do grande médium Chico Xavier, relata muitos exemplos, que nos induzem a muita precaução.

Afinal devemos estar vigilantes. Vigilantes com o que falamos, com o que pensamos, com o que agimos. Não esqueçamos da receita de Jesus para estarmos vigilantes, pois a todo momento estamos errando, comprometendo a nossa vida. Disse um ditado que a virtude está no meio. Sim, estamos sempre errando devido aos nossos excessos e aos nossos esquecimentos. E viva o bom senso, o equilíbrio. O uso, e não o abuso. O uso nos dá paz, o abuso nos leva ao remorso, ao arrependimento. Vida sem excessos, paz na consciência.

Chegamos a este mundo sem nada. Chegamos nus, famintos e chorando. E ainda nos dão uma hospedaria aconchegante sem esquecer o leite para matar a fome. Sem esquecer o corpo, este maravilhoso santuário. Mas sempre lembrando de que tudo que nos foi dado será cobrado mais tarde. Daí a nossa responsabilidade com os talentos que nos foram conferidos. Nada, portanto, de abuso.

Saibamos usar as coisas. E vem a indagação: Será que estamos usando ou abusando do nosso corpo? Abusando com o fumo, com o álcool. E vejamos alguns outros abusos: A maledicência, isto é, viver falando mal dos outros, é um abuso da palavra. O egoísmo é um abuso do Direito. A doença é um abuso da saúde, o supérfluo é o abuso do necessário. Quanta gente traz o guarda-roupa cheio de vestidos, enquanto outros… E que dizer da ociosidade? Um abuso do repouso.

Estejamos atentos aos nossos abusos. Viva o uso, o bom senso. Saibamos usar bem o nosso corpo, nosso dinheiro, nossa inteligência, as nossas tendências, nossos dons, a nossa oportunidade, os nossos talentos, enfim. O bom uso das coisas nos dá paz interior. E haverá coisa melhor no mundo do que paz interior?

Emmanuel disse que progredir, isto é, evoluir é usar bem os empréstimos de Deus. Usar, não usar, eis a questão. E a grande indagação que nos espera, depois que saímos deste mundo, é: Que fizeste de tua vida?

Nada de abusar do olhar, da palavra, da inteligência, do corpo, do pensamento, da alimentação. Viver é responsabilizar-se. Ou será que fomos jogados neste mundo para nada?

Falei em abuso e me esqueci de um muito importante: o abuso da fé, que é o fanatismo. E foi o fanatismo que jogou muita gente na fogueira. O fanatismo religioso.

Mas muita gente não reflete, vive como se não precisasse prestar conta dos seus atos.

Pensando bem, tudo na vida tem o seu lado didático, vejamos outro abuso, o abuso da Natureza. Quando o vento abusa, temos o furacão. E qual o lado positivo do furacão? Ele limpa a atmosfera. A dor, por exemplo, é um alerta, um protesto do nosso corpo contra o nosso desregramento.

Conclusão: repitamos a receita de Jesus. Estejamos atentos. Nada de cochilo. A sabedoria popular já advertia que “cochilou, o cachimbo cai”.

Muita gente quando comete um erro costuma dizer: “Errar é humano”. Mas, persistir no erro é burrice. Então, viva a eterna vigilância. Vigilância de nós mesmos e nada de andar fiscalizando o comportamento dos outros.

E fico por aqui. Perdoem-me pelo abuso de sua paciência.

Q uando estava à beira da morte, certamente vendo tudo escuro, bradou o grande Goethe: “Luz, mais luz!” Luz é vida. Daí minha grande compaix...

Luz nossa de cada dia

Quando estava à beira da morte, certamente vendo tudo escuro, bradou o grande Goethe: “Luz, mais luz!” Luz é vida. Daí minha grande compaixão para os que não vêem.

Exalto a luz, mas reconheço que a escuridão, às vezes, é necessária. Dir-se-ia que a escuridão é a moldura da luz. Mas o que Goethe desejava era luz, coisa que não falta, aqui no nosso Nordeste. E ele era de uma terra de muita neve e pouco sol.

Mas continuemos com a crônica. Quando Jesus nasceu, numa manjedoura, uma luz veio iluminar o seu berço. Berço de palha, berço de pobre. Naquele tempo não havia ainda Papai Noel.

Em suma, a luz é Deus. E quando a gente ama, o amor é Deus dentro de nós. Se a nossa mente está escura, não brilha. É por isso que o iluminado Emmanuel, guia de Chico Xavier, comparou a nossa mente a um diamante. Mas para que ele brilhe, há necessidade retirar-lhe a terra que o encobre. Há necessidade de uma lapidação. Sujo, o diamante não brilha. Sua luz está oculta pela sujeira. Ora, ora, é isto mesmo que acontece conosco. Pensamentos negativos, medo, ódio, mágoas, maledicência, ressentimento, inveja, egoísmo, tudo isso faz com que nossa mente não brilhe, não projete luz.

Jesus sempre advertia: “Brilhe a vossa luz”. A luz, repito, é Deus dentro de nós. Também aconselhava que não deveríamos esconder a luz debaixo do alqueire, mas no velador, para clarear a todos.

E viva a luz. Que seria de nós sem ela? Seja a luz do vagalume, seja a luz do sol. Não esquecer que um bom sorriso é luz. Não deixe o seu rosto apagado. Acenda-o sempre com a luz da bondade.

Como é que chamamos um espírito elevado, um espírito superior? Evidente que de um espírito iluminado. Jesus apresentou-se a Paulo, na Estrada de Damasco, vestido de luz. E Paulo ficou cego com tanta claridade.

Lembremos que o iluminado Einstein ganhou o Prêmio Nobel pelo estudo que fez da luz. Não foi pela Teoria da Relatividade - que não me deixe mentir meu filho, PhD em Física, Carlos - e sim pela explicação do efeito fotoelétrico. Demonstrou o genial físico que a luz se constitui num feixe de partículas, chamadas fótons. Foi meu Tuca que me disse isso…

Vamos iluminar o nosso espírito com atos de amor. Amor a Deus, amor à Natureza, amor ao próximo. E nada de escurecer a alma.

E le era um adolescente quando o pai, num tom seco e imperioso, lhe disse: “Você vai ser padre. A família precisa de uma batina. “O menino, ...

Meu pai, o café e a fé

Ele era um adolescente quando o pai, num tom seco e imperioso, lhe disse: “Você vai ser padre. A família precisa de uma batina. “O menino, que vivia solto no sítio onde se cultivava o café, só fez dizer um simples e humilde: “Sim, papai”.

A vida rígida do Seminário foi uma mudança da água para o vinho, Exagerada disciplina, muito silêncio, muitos estudos, inclusive do Latim, que era uma espécie de idioma de batina. A saudade de casa era profunda e lhe trouxe muitas lágrimas nos olhos. Saudade do sítio, saudade da vida livre, saudade da família.

E aconteceu que o menino voltou para a casa, para o sítio, para a natureza, para a liberdade, conquanto tivesse contrariado a pretensão “religiosa” do pai. Este, diante do comportamento do filho, apenas lhe disse, secamente: “Já que você não deseja vestir a batina, que escolha por si só sua profissão na vida. O agora rapaz foi trabalhar no plantio do café, um trabalho duro, mas que ele executou com muito empenho, até que veio um bichinho lá do sul do país e contaminou o cafezal, para desespero dos plantadores. A praga arrasou tudo. Uma calamidade que teve repercussão nacional.

E o jovem, agora um homem, por sinal um atleta, resolveu ser professor, profissão com a qual se deu muito bem. Preparava a rapaziada para os exames do Liceu Paraibano, na Capital.

Deu-se bem na nova profissão. Ensinava Português, Matemática, Física e Astronomia. Ele sempre teve os olhos para cima, maravilhado com a beleza muda e mística do Universo. E cuidava do corpo, seguindo as prescrições da ginástica sueca de um tal de Muller. Era um atleta. Bonitão que só ele. Não demorou muito, ficou encantado com a beleza de uma viúva, minha mãe, com quem casou-se e teve seis filhos.

Como disse, ele, José Augusto Romero, era, sobretudo, um apaixonado pela Astronomia. Até que, um dia, convidado, foi assistir a uma sessão mediúnica, onde se manifestara o espírito de uma prima muito querida. Ficou maravilhado com o fato. Houve revelações que só ele sabia. Não teve dúvida. Tornou-se espírita convicto, a ponto de, mais tarde, fundar um centro espírita em Alagoa Nova, para desespero do padre local. E soube-se que até pedra jogaram pela janela do centro, por ocasião de suas reuniões.

Mas não foi somente pela constatação da manifestação mediúnica, que ele se tornou adepto da doutrina codificada por Allan Kardec. O que o levou ao Espiritismo foi a leitura do livro de Leon Denis, ”O problema do ser, do destino e da dor”. Contou ele que ficou maravilhado com a obra do filósofo francês. E teve vontade de sair correndo pela rua, a dizer como Arquimedes, na descoberta da lei da hidrostática: “Achei, achei, achei!” Sim, ele achara a verdade que procurava. Depois, teve de vir morar aqui na capital, onde comprou um sítio lá na Lagoa. Fez concurso e entrou para o serviço público como funcionário do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. O resto, conto mais adiante...

Muitas famílias estão percebendo que a correria de fim de ano pode ser evitada, sem problemas, da forma mais simples que pode existir: dei...

O verdadeiro Natal Feliz não precisa de exageros nem de troca de presentes



Muitas famílias estão percebendo que a correria de fim de ano pode ser evitada, sem problemas, da forma mais simples que pode existir: deixando de lado a velha tradição da troca de presentes.

E is a Santíssima Trindade da vida, segundo o meu curto entendimento, e que tem como sigla: VBB: Verdade, beleza e bondade. A vida se expres...

A Santíssima Trindade da vida

Eis a Santíssima Trindade da vida, segundo o meu curto entendimento, e que tem como sigla: VBB: Verdade, beleza e bondade. A vida se expressa através delas.

Comecemos pela verdade, a verdade que Pilatos queria mesmo saber, mas que Jesus deu o silêncio como resposta. A vida está cheia de verdades e mentiras. A lei feita por Deus é uma verdade, já o dogma feito pelos homens é uma mentira, uma falsidade. A verdade é a lei. Está evidente na expressão: “Dura lex, sed lex”, a lei é dura, mas é lei.

Machado de Assis dizia que a verdade embriaga como o vinho. Não haveria aí um equívoco? Quem se embriaga está fora de si. A verdade elucida, a verdade não mente, a verdade não engana, a verdade é dura. E muita gente foge dela, procura esquecê-la. Quer ver um fato em que a verdade apareceu vestida de mentira? Foi quando se acreditou que a nossa Terra girava em torno do Sol, e não o contrário. Sim, minha gente, a Igreja com toda a sua sabedoria cometeu este triste equívoco. E chegou a condenar o físico Galileu por não concordar com a Madre. Nunca uma mentira foi tão prestigiada...

Vamos adiante. Desde que o mundo é mundo, que os corpos são atraídos para o centro da Terra. Ninguém indagou sobre esse fenômeno. Mas um cientista chamado Newton, viu uma maçã caindo da macieira e descobriu a Lei da Gravidade... Há muito tempo que caem maçãs e outras frutas e ninguém indagou sobre esse natural fenômeno.

Viva, portanto, a verdade, e morra a mentira. Morra o preconceito, que, segundo Einstein, é mais difícil de se desintegrar do que um átomo. Acontece que a maioria das pessoas adora a mentira, a ilusão. Quer ver uma verdade que faz muita gente correr? A chamada lei da reencarnação, a única que explica as desigualdades do mundo. Quer ver outra verdade? Jesus. E quer ver um mentira? Papai Noel. O nosso mundo adora a mentira e tem medo da verdade. Mas Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. E o Procurador Pilatos nem sabia disso...

Viva a Ciência que revelou muitas verdades. Uma delas é que nosso sangue não está parado, como pensava-se, antigamente.

Quem está esperando sua vez na crônica é a beleza. Que seria do mundo sem ela? Viva a mulher, símbolo de beleza, a Natureza, a Arte, e uma vida bem vivida. A vida de um Chico Xavier, a vida de uma Teresa de Calcutá...

E terminemos a crônica falando de bondade. Bondade lembra amor, amor lembra luz, luz lembra Deus. Disse um grande missionário que o amor é Deus dentro de nós. Sim, descubramos o nosso Deus interno.

“Brilhe a vossa luz” - sentenciou o Mestre dos Mestres. A luz divina está escondida dentro de nós. Não esqueçam que, desde Descartes, confirmada por André Luiz, através da psicografia de Chico Xavier, foi descoberta dentro do nosso corpo uma glândula minúscula, chamada Epífise, glândula da vida mental, por sinal luminosa.

Muito cuidado, então, com os nossos pensamentos, as nossas palavras, os nossos atos. E viva o amor, que é Deus dentro de nós!

U m famoso psicoterapeuta, de cujo nome não estou lembrado agora, sugeriu que, todas as manhãs, quando levantássemos, deveríamos contar noss...

Conte suas bênçãos!

Um famoso psicoterapeuta, de cujo nome não estou lembrado agora, sugeriu que, todas as manhãs, quando levantássemos, deveríamos contar nossas bênçãos, as coisas boas que possuímos e esquecemos. Os talentos dados pela vida.

E quais são essas bênçãos? Ora, ora, são tantas. Vejamos algumas delas. A saúde. Há pessoas que dormem bem, alimentam-se bem, possuem um bom emprego, uma família harmonizada, uma religião saudável, que não transforma a fé em medo, muitos amigos e assim por diante. Mas, por incrível que pareça, se julgam infelizes ou, pelo menos, preocupadas, angustiadas, deprimidas e assim por diante. Não se conscientizam de sua felicidade, o que não deixa de ser uma lástima.

Faz-se necessário administrar bem a nossa existência. Disse Jesus: De tudo que recebemos quando vimos estagiar neste mundo nos será cobrado. Será que usamos bem os talentos recebidos? O talento das mãos, pernas e olhos perfeitos? E que tal usar bem a palavra, evitando a maledicência, mania de falar mal dos outros?

Como vêem, é grande a nossa responsabilidade de viver. Afinal, quem nos deu este corpo que usamos? Será que estamos neste mundo por acaso, como simples gaiatos? Falei do corpo, e haverá santuário mais sublime como este nosso corpo, que recebemos para o exercício do viver? A verdade é que estamos degradando este magnífico organismo com os vícios. Os vícios do fumo, da cachaça, das drogas, do excesso de trabalho, da ganância, da má digestão, da ociosidade…

Zelemos pelos talentos recebidos. Muita gente pensa que estamos aqui no mundo apenas para viver e morrer. Muita gente ignora que a vida terrena nos foi dada para ser bem administrada. Se nada existe depois da morte, se não há a responsabilidade de viver, então de papo por ar e pronto…

O espírito guia de Chico Xavier, Emmanuel, ensinou que devemos semear o chão, mas não esquecer de instruir o ignorante, pois não há desgraça maior do que a ignorância. Muito pior do que a fome física.

Nada de semear ventos. Quem semeia ventos, ensina o brocardo popular, colhe tempestades.

Voltando ao que dizíamos no início, não esqueçamos a responsabilidade de viver. Somos responsáveis por muita coisa. Responsáveis pelo ar que respiramos, pela palavra que emitimos, pelo poder que exercemos, pelo dinheiro que detemos, e que deixaremos quando daqui sairmos, pelo pensamento emitido, pelos dons e tendências com que fomos aquinhoados na vida.

E para concluir, nada como lembrar a Parábola dos Talentos, narrada por Jesus. Ei-la: Ao primeiro servo, o senhor deu cinco talentos, ao segundo dois e ao terceiro um. E partiu. O primeiro, negociou com os cinco talentos recebidos e os duplicou. O segundo, a mesma coisa. Mas o terceiro, ao invés de negociar com os talentos recebidos, enterrou-os com medo de perdê-los.

O proprietário ficou muito aborrecido com este terceiro empregado. Chamou-o de preguiçoso e medroso. Não multiplicou os bens recebidos. Saibamos, portanto, administrar bem os talentos que recebemos da vida. Sejamos um bom administrador. Não esqueçamos a recomendaação de Jesus: “Dá conta da tua administração”.

A cordei hoje com uma saudade danada de minha mãe. E vamos acabar, de uma vez por todas, com esse negócio de privilegiar apenas um dia do an...

Saudades de minha mãe

Acordei hoje com uma saudade danada de minha mãe. E vamos acabar, de uma vez por todas, com esse negócio de privilegiar apenas um dia do ano para prestar uma homenagem àquela que nos recebeu no próprio ventre, alimentando-nos com leite e carinho, durante nove meses. O Dia das Mães é todo dia.

E se ela não está mais conosco, aqui no mundo, estejamos sempre nos lembrando dela com o presente de uma oração. Para quem não é materialista, para quem acredita na vida após a morte, a mãe jamais deverá ser esquecida. O grande médium Chico Xavier conversava com o espírito de sua mãe, num jardim, e dela ouvia muitos conselhos. E como chorou quando a viu! Chegou a pedir-lhe que o levasse com ela... E sua mãe também chorou. As lágrimas escorrendo, silenciosas, nos dois rostos...

Como ia dizendo no início, minha mãe foi a maior riqueza de minha vida. Ela se refletia em mim. Ensinou-me muita coisa, coisa para um bom viver. E não é que já estou com vontade de chorar, molhar as teclas do computador com as minhas lágrimas?...

Chamava-se Piinha. Piinha que veio de Pia. E sua fruta predileta era pinha. Às vezes, penso que minha mãe não existiu. Tudo parece um sonho. Tudo que sou hoje, devo a ela. Ensinou-me belas coisas e contou histórias lindas que falavam de fadas, de feiticeiras, histórias de amor e de terror, sobretudo aquela da feiticeira que morreu queimada na fogueira. Narrava as histórias e depois dizia: “Agora vá dormir”. E antes mandava que rezássemos o Pai Nosso.

Minha mãe... Estou com profunda saudade dela e invejando o grande Chico Xavier que conversava com a sua mãe, depois que ela deixou este mundo.

Minha mãe era uma ótima decifradora de Palavras Cruzadas. Quando mocinha, tocou flauta. Uma vez a vi chorando ao ouvir uma sonata de Beethoven. Fez questão que sua filha Iracema, minha irmã caçula, aprendesse piano. E a menina atendeu ao pedido da mãe.

Minha mãe... Ah se ela viesse agora aqui... Ah se eu fosse médium vidente... Pelo seu gosto, ela teria viajado o mundo todo. Estou com saudade, e saudade dói. Mas já que ela não vem, que venha minha Alaurinda, a nora que ela gostaria de ter conhecido.

E, pensando bem, o que é o mundo senão uma ilha cercada de saudades por todos os lados?

E xiste o Jesus do Cristianismo e o Jesus do Consumismo. Será que você já sacou? Evidente que sim. O Jesus do Cristianismo não veio ao mundo...

Jesus do consumismo

Existe o Jesus do Cristianismo e o Jesus do Consumismo. Será que você já sacou? Evidente que sim. O Jesus do Cristianismo não veio ao mundo para dar presentes, nem recebê-los. As crianças, que adoram presentes, adoram o velho do consumismo, que é alegre, continua vivo, enquanto o outro, o Jesus do Cristianismo, foi maltratado, surrado, insultado e terminou pregado numa cruz, entre dois ladrões, e a quem negaram um copo d'água para matar a sede.

Lembrar, ainda, de que o Jesus do Cristianismo nasceu numa humilde manjedoura, entre animais domésticos, e se não fosse uma estrela, teria nascido no escuro.

Faça-se um plebiscito e perguntem às crianças, qual o Jesus que elas preferiam, e, não tenham dúvida: Papai Noel, com aquela barba branca e sua roupa vermelha.

Jesus não tem nada material para dar. Ele é pobre. Tanto é assim que, uma vez, se queixou: “As raposas têm os seus covis, os pássaros os seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem uma pedra para repousar a cabeça”.

Lembrar que há Cristianismo, doutrina de Jesus, e Consumismo, doutrina de Papai Noel. E, aqui para nós, Papai Noel agrada muito mais do que o menino da manjedoura. Jesus nunca deu presente a ninguém. Nem mesmo às criancinhas, que, certa vez, ele abraçou e disse que o Reino dos Céus é delas. Hoje, elas correriam para serem abraçadas pelo velho de barba branca.

Vão aos luxuosos apartamentos e vejam se Papai Noel não é, ali, muito bem vindo. As crianças de hoje correriam para serem abraçadas pelo ridículo personagem criado pelo consumismo exagerado, que está se tornando uma verdadeira religião.

Aliás, por falar em consumismo exagerado, acaba de sair um livro, que aborda este tema, de autoria de Ana Beatriz Barbosa Silva e que tem como título: Mentes consumistas. O livro é de um realismo admirável. Diz que consumir exageradamente é um vício. Vejamos estas indagações da inteligente autora: “Você se considera consumista?” “A maior parte dos objetos que adquire acaba encostada, sem uso?” “Seus gastos exagerados já lhe causaram problemas financeiros?”

Eu vinha dizendo que o consumismo é uma religião, e que seu Jesus era Papai Noel. Concluo, dizendo que os seus templos são os shoppings e supermercados.

E is aí uma indagação de grande importância para a nossa existência. Esteja sempre perguntando. Não ligue para aquele ditado popular: “Quem ...

Como devemos viver

Eis aí uma indagação de grande importância para a nossa existência. Esteja sempre perguntando. Não ligue para aquele ditado popular: “Quem tudo quer saber, mexerico quer fazer”.

A verdade é que muita gente não sabe por que está neste mundo. Se jogarem você numa ilha deserta, sua primeira pergunta será: “Onde estou?” “Por que estou aqui?” Quem não indaga, desculpe-me a franqueza, é um idiota. Eu sei que a vida é gostosa: a comida, o sexo, as viagens, o dinheiro, a posição social, a beleza física, são tantos os gozos e prazeres. Mas, infelizmente, ou felizmente, tudo isso acaba, um dia. Será que acaba? Que Deus “idiota” seria esse, que só daria uma vida ao homem e pronto?

Disse Paulo de Tarso, em carta a Timóteo: “nada trouxemos para este mundo e nada dele levamos”. Eis uma grande verdade!. Chegamos a este mundo, nus e chorando. Só quando entramos na pousada do ventre materno é que nos calamos, pois o calor da morada é gostoso e o silêncio nem se fala...

Mas há quem pense que tudo acaba no túmulo. Se isso fosse verdade, há muito tempo que eu daria um tiro no coco. E viva Allan Kardec quando disse: “Nascer, viver, morrer, renascer ainda, tal é a lei”. Frase que se transformou no epitáfio de seu túmulo, lá no Père Lachaise, em Paris.

Continuemos com a crônica. Como, então, devemos viver no mundo? A resposta é de Emmanuel, o iluminado guia de Chico Xavier: “Devemos viver como possuindo tudo e nada tendo, com todos e sem ninguém. “Eis aí uma bela e inteligente regra de bem viver. Sim, porque não temos a propriedade de nada, mas apenas a posse. Tudo nos é temporariamente emprestado e fica aqui. Desculpe-me você que é proprietário de muitas coisas nessa vida...

Repitamos a norma: “viver como possuindo tudo e nada tendo, com todos e sem ninguém. E adeus aos apegos...

Enfatizou Emmanuel: “lembra-te que cada criatura estará sempre em solidão. Se a vida, aqui no mundo, é uma festa, lembrar que a festa, um dia, se acaba. Aí vem aquela pergunta: “E agora, José?” - do nosso lúcido poeta Carlos Drumond.

Sabe qual é a pergunta que nos fazem, quando daqui sairmos? Que fizeste de tua vida, da tua inteligência, de tua fortuna, de tuas aptidões e talentos?

Nossa existência é como um dia. A gente acorda, trabalha, goza, mas termina na cama para dormir. E a pergunta é: “que fizeste do teu dia?” Se a consciência está em paz, você dorme, que é uma beleza. Nada de pesadelo.

Voltando aos poetas, lembremos de Manuel Bandeira, quando lamentou num poema: “Andorinha, andorinha, eu também passei a vida a toa”... Portanto, não passe a vida a toa. Viva com responsabilidade. E deixo, aqui, um lembrete: “queira ou não queira, você não morre.

Agora encerremos a crônica relembrando o que disse Paulo, na carta a Timóteo: “Nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele”.

Não esqueça, portanto: É preciso levar a sério a vida, consciente de que daqui só carregamos a nossa consciência, que poderá ser um inferno, com o fogo do remorso, ou um paraíso com a paz do dever bem cumprido.

P ois é, visando a saúde e o meu preparo físico, já que o espiritual vai indo bem, vejamos os diversos exercícios a que venho me submetendo,...

Viva a hidrovida!

Pois é, visando a saúde e o meu preparo físico, já que o espiritual vai indo bem, vejamos os diversos exercícios a que venho me submetendo, com vistas a uma boa qualidade de vida. Sem esquecer a alimentação, que nos sustenta, que deve ser pura e integral, assim como o oxigênio, esse importantíssimo alimento que Deus nos dá de graça, e que a gente não vê.

Por falar em exercício físico o melhor é a caminhada, que venho fazendo há muito tempo. Recomendaram-me, depois, outros, por sinal, sofisticados: “Pilates”, um tal de “RPG”, e, finalmente, a hidroginástica, isto é, exercício dentro d'água.

E eis-me em companhia de Alaurinda e Germano, dentro de uma piscina quente, ao lado de outros companheiros, tendo como professora Catarina, que não brinca em serviço. Basta eu dar um cochilo no exercício e ei-la me passando um suave carão.

Hidroginástica! Por que danado não me lembrei disso antes? O corpo se tornando leve, como se a gente fosse voar, a facilidade de movimentos, dada a gravidade ser menor, e uma espécie de euforia tomando conta da gente. Os anos já não pesam mais. Sinto-me tomando banho numa enorme banheira.

A turma que nos antecede é só de mulheres, todas alegres e descontraídas como se fossem garotas num recreio.

Hidroginástica!... Há muitos anos, o físico Arquimedes tomava banho numa banheira, quando, sentindo o corpo mais leve, saiu eufórico e foi logo gritando: “Eureka”, “eureka”! Isto é, achei! Sim, ele acabara de descobrir a Lei da Hidrostática. Que dentro d'água a gente perde peso. Daí os benefícios da ginástica na água.

Nosso grupo de hidroginástica é muito homogêneo, com as gaúchas Sheila e Concita, a baiana Liziene e os paraibanos, eu, Germano e Alaurinda. Quanta alegria, quantos sorrisos, quanta solidariedade e confraternização! Os corpos boiando n'água, a vida passando, e a saúde sendo levada a sério. E vem depois, como complemento, o voleibol. Sim, aqui pra nós, o cronista, modéstia à parte, é bom de saque.

É com muita pena, mas com o sangue fluindo bem pelas veias, que a gente sai da água. E viva a saúde, viva a nossa responsabilidade com o corpo, que devemos respeitá-lo. Mais do que isto: venerá-lo. E a grande verdade é que dentro d'água voltamos a ser crianças.

A s praias que vi, há algum tempo, seja na Nova Zelândia ou na Austrália, seja na Islândia, que vim conhecer agora, são muito diferentes das...

Praias de lá e de cá

As praias que vi, há algum tempo, seja na Nova Zelândia ou na Austrália, seja na Islândia, que vim conhecer agora, são muito diferentes das nossas. Além de desertas, elas não prestam para o banho, pois são geladas. Além do frio ser grande, cadê as areias fininhas de nossas praias? Areia para a gente se deitar e sonhar, para escrever o nome da amada ou um poema, como fazia o padre Anchieta, não existe.

Areias cheias de pedra é só o que se vê. Outra coisa, em geral, as praias desses países citados são desertas. Vêem-se poucos turistas e muito menos o pessoal da terra. Agora, com uma vantagem: O que predomina, ali, é o silêncio. Daí serem boas para se meditar. Não são boas para o banho, nem para o cooper. E eu vendo as praias de lá e me lembrando das praias de cá.

Outra coisa: não vi coqueiros. Os belos coqueiros que abundam em nossas praias. Aqui, o coqueiro dá nome às praias, não é Coqueirinho?

E que dizer dos coqueiros de Tambaú? Como eles são femininos! E agora me deu um desejo danado de beber água de coco. Que suave bebida! Mas, muitos preferem a cachaça ou outra bebida alcoólica. Já se disse que gosto não se discute. Concordo.

Voltemos às praias de lá. Houve delas que serviram de cenários para filmes como Kare Kare, perto de Auckland. Uma praia mística, meio fantasmagórica.

Praias da Nova Zelândia, praias da Islândia, praias de se ver, praias para se tomar aquele banho, praias de areia lisas como um lençol. Praias de fazer a gente bater o queixo. E a famosa Praia dos doze apóstolos? lá na Austrália, que me deixou tremendo de frio? Só os apóstolos de pedra tomavam banho. Os turistas só faziam olhar.

Na Islândia, meus amigos foram ver uma praia que só para chegar lá você tinha de sair se desviando de barrancos e enormes pedras. Eu preferi ficar lendo um livro no conforto do carro, ouvindo o adágio da Pastoral. A turma voltou informando que a praia, ao invés de areia, só tinha seixos negros.Tomar banho, nem sonhar...

Faz bem o meu filho Germano, passando os fins de semana curtindo as praias do nosso litoral sul, que ele não troca por praia nenhuma do mundo.

Praia de Tambaú, não há outra igual. Praia para se tomar banho, fazer caminhadas, deitar-se na areia, olhar a lua cheia. Praia de se sonhar.

A primeira questão de “O Livro dos Espíritos”, obra básica da Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, é: “Que é Deus?” Por que a pe...

Deus

A primeira questão de “O Livro dos Espíritos”, obra básica da Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, é: “Que é Deus?”

Por que a pergunta não foi “Quem é Deus?”. Ora, ora, justamente para evitar qualquer antropoformismo.

Quem não acredita neste ser supremo é ateu. Dizem que não há povo ateu. O Livro dos Espíritos elucida a questão na “Lei de Adoração”.

Mas quem criou o homem, a Natureza? Seria o acaso o autor de todas essas maravilhas? A maravilha do Universo, a maravilha do corpo humano? Houve um ateu que, certo dia, chegou a dizer: “Graças a Deus, sou ateu”, ora vejam só...

Isto nos faz lembrar Napoleão. Ia ele caminhando à noite pelo deserto, quando indagou a um famoso astrônomo, que compunha a sua comitiva, mas que era profundamente materialista. O grande corso, olhando a beleza do firmamento, cheio de estrelas, indagou: “Mestre, existe Deus? ”O astrônomo, que era um cético, vociferou, orgulhoso”: Ainda não estudei esta hipótese”. Sorrindo, Napoleão perguntou: “E quem fez este belo firmamento cheio de estrelas?” O sábio nada respondeu.

Aqui para nós, não é possível negar Deus, que criou o maravilhoso firmamento, que criou as estrelas, a Natureza, o próprio homem, desde o selvagem ao gênio. E é preciso constatar a existência divina ante as estrelas, nas infinitas galáxias, sem esquecer o próprio homem. Peguemos uma melancia. Quantos caroços! Peguemos a manga, com apenas um. E quantos sabores diferentes! E a banana, que nem caroço tem? E o limão, azedo de se fazer careta, enquanto o sapoti, que doçura!...

O estudo de Deus se chama Teologia, e devemos lembrar que Deus está na palavra entusiasmo, que em sua origem grega siginifica “sopro divino”. Portanto, nada de desânimo, nada de tristeza. A Divindade gosta de alegria, bom ânimo. Mas, não se sintoniza com o barulho. O barulho não se coaduna com a oração. Oração rima com reflexão e barulho com distração.

Dizem que o diabo é um filho que desobedeceu a Deus e que mora no Inferno, mas, o curioso é que ele vive fora de sua “residência”, infernando e azucrinando os outros.

A grande definição de Deus está na resposta à pergunta inaugural de O Livro dos Espíritos: “Inteligência suprema do Universo, causa primária de todas as coisas”.

Como mencionei, Napoleão, durante aquele trajeto no deserto, onde se via um belo firmamento cheio de estrelas, indagou sobre o seu Criador ao astrônomo cético de sua comitiva: Será que foi para nada?...

Nietzsche disse que Deus estava morto, e terminou louco agarrando-se ao um animal que ia passando na rua.

Mas ninguém exaltou e compreendeu a Divindade como Jesus, que o chamava de Pai. E chegou a dizer, numa magnífica sintonia: “Eu e o pai somos um”.

Não esquecer, porém, que o Deus de Moisés não era um Deus de amor, mas de ódio, vingança e terror.

E fiquemos por aqui, admirando a moderna tecnologia, mas lembrando que o homem não criou, nem criará a eletricidade. Muito menos um mosquito… Que Deus nos ilumine!

É a tal coisa, vive bem quem vê bem. E eu estou me lembrando agora do bem-te-vi, que, de madrugada, começa a cantar, acordando as pessoas p...

Quem vê bem...

É a tal coisa, vive bem quem vê bem. E eu estou me lembrando agora do bem-te-vi, que, de madrugada, começa a cantar, acordando as pessoas para o trabalho nosso de cada dia.

Vale a pena ficar entre os lençóis para escutar essa ave, que todas as manhãs, nos dá lições de otimismo, com o sol nascendo, o dia clareando e a vida acontecendo.

O bem-te-vi é uma ave meio assustada. Ela tem muito medo dos homens. Em gaiola não canta. Mas, de manhã cedo, já viu... Outra singularidade: O bem-te-vi é ave bem casada. O macho está sempre chamando pela fêmea, seja para comer, seja para amar.

Quem deve ter uma inveja danada do bem-te-vi é o urubu, que não canta, mas que tira a nossa carniça cá em baixo.

O bem-te-vi é lindo, com aquele papo amarelo e o seu canto de alegria, de euforia, de sintonia com o mundo. A gente precisa ver. Mais do que isto. A gente precisa ver bem. Ah, a responsabilidade do nosso olhar!... Dize-me como olhas e eu te direi quem és. Somos o nosso olhar. Olhar de bondade, de humildade, de tristeza, de euforia, de compaixão, de compreensão, de inveja, de orgulho, de ciúme.

E um poeta chamado Jesus nos convidou a olhar... Olhar o quê? Olhar a paisagem, olhar a Natureza, olhar os lírios do campo.
Cuidado com o seu olhar. Para onde você o esta dirigindo. Olhar é luz, tanto é assim que Jesus advertiu-nos: Se os teus olhos forem bons todo o teu corpo se iluminará. Que beleza…

Repetindo, você é o que vê. Cuidado como você está olhando. Se não sabe, vá ao espelho. E exercite a sua maneira de ver as coisas. Veja o olhar daquele homem sem braços, no trânsito, pedindo uma esmola... O olhar da criança. O olhar daquela mãe vendo pela primeira vez o filho renascido.

O olhar de quem ama. Veja tudo com amor, compreensão e sabedoria.

A verdade é que olhamos para todas as direções. Olhamos para cima quando buscamos as estrelas ou Deus, olhamos para baixo, quando perdemos alguma coisa que caiu no chão. Olhamos para trás, quando sentimos saudades. E também devemos olhar para o lado, pois é ao lado que está o próximo, a quem Jesus disse que o amássemos como a nós mesmos...

J á estou vendo a cara de nojo de quem lê estas três palavras. Esquece ele, caso seja fumante, que estas coisas estão no vício de fumar. E o...

O cigarro, o catarro e o pigarro

Já estou vendo a cara de nojo de quem lê estas três palavras. Esquece ele, caso seja fumante, que estas coisas estão no vício de fumar. E o que é fumar? É botar fumaça pela boca. Vejam só que coisa besta. Fumo nunca foi alimento para entrar na boca. Fumo fede, fumo ofende, fumo produz enfisema, transformando os pulmões em pus. Os pulmões são órgãos delicadíssimos. É através deles que respiramos o oxigênio, o melhor alimento que ingerimos, invisível e gratuito. Fôssemos pagar pelo oxigênio que respiramos, gastaríamos uma nota. Só os ricos o respirariam. Mas Deus é grande e nos dá de graça o valoroso alimento.

Pois bem, o fumante estraga com o seu vício os pulmões. Como fui um inveterado fumante, acho que tenho autoridade para falar contra esse fedorento e maléfico vício. Deixei-o no ano de 1962. Pois bem, tempos depois fui tirar a radiografia dos meus pulmões e ainda restavam resquícios de um enfisema, porém, felizmente, inativo. Que confirme o meu radiologista e amigo Vamberto Costa Filho.

Sim deixei o cigarro, de que era viciadíssimo, por conta de uma taquicardia. O coração batendo a ponto de pular fora. Sofri muito a falta do veneno fedorento, quando o deixei. E eu culpo o ator cinematográfico Humphrey Bogart pela minha viciação. Ele fumava bonito e muito. Não sei como sua belíssima parceira Ingrid Bergman tolerava.

Meus filhos não se viciaram em fumo. Gozam de boa saúde. Meu pai nunca botou um canudinho venenoso na boca. Mas meus irmãos, o mais velho, Mário, morreu de cigarro. Vi-o no hospital, arfante, com o pulmão preto de nicotina. E o meu tio, jornalista José leal, que não tirava o cigarro da boca? Fui visitá-lo também no hospital, arquejante, chegando a dizer para mim que o vício era a coisa de que mais se arrependia na vida.

Duvido que os animais irracionais (irracionais?) fumem. Nem o macaco, que parece muito com o homem, fumaria.

Repito: o cigarro fede, o cigarro ofende. E o fumante é hoje um discriminado, um marginal. Não faltam avisos de advertência em todo lugar que a gente vai. Chegam a engaiolá-los em fumódromos fechados e isolados de todos. Muitos curiosos ficam olhando para o fumante com muita pena. E tem deles que dão as costas aos curiosos. Pois bem, até essa gaiola está sendo proibida agora.

O hálito do fumante, manhã cedo quando acorda, é capaz de matar uma mosca.

Nesta última andança mundo afora, assustou-me como ainda se fuma no estrangeiro, principalmente em Paris. A gente olha para o chão e ei-lo atapetado da chamada piola. Fuma-se muito lá fora, embora não falte aviso proibindo o vício. Só os pombos, que andam farejando o chão, não pegam uma piola para comer.

E aqui vai uma confissão. Gozo, hoje, uma saúde fora de série. Minha alimentação é toda integral, regime que o nosso Germano adotou primeiro lá em casa.

Agora, um aviso aos navegantes. Quando uma pessoa morrer devido ao fumo, diga: “Morreu de fumo!”

E foram tantos que se foram, devido ao cigarro, com o seu pigarro e o seu catarro. Valeu a rima...

P ois é, desta vez, me levaram para lugares nunca dantes imaginados, onde há gelo e fogo. Já viu uma coisa dessa? Aqui para nós, o frio, na ...

Lugares nunca dantes imaginados

Pois é, desta vez, me levaram para lugares nunca dantes imaginados, onde há gelo e fogo. Já viu uma coisa dessa? Aqui para nós, o frio, na terra onde visitei, é de bater queixo. Ocorre que as montanhas de lá, às vezes, revoltadas com o frio, escancaram a boca e haja fogo. Viram vulcões. E como o meu amado filho Germano adora frio, quer que o pai vire picolé. Minha Alaurinda e o nosso amigo Davi também estão com o gelo. Ou fingem que gostam para serem diferentes. Mas, acredito na sinceridade deles.

Islândia! Ora veja só onde vim bater... Eu que adoro o calor de Patos. Nessa nossa ida para lá, vi regiões de uma solidão impressionante. E me informou meu filho que os astronautas, antes de viajarem até a Lua, passaram um tempo se aclimatando, ali.

Tanto na ida como na vinda, o que mais me impressionou foi a paisagem, que avistei, dentro do carro, onde não se via a presença humana e sim a das montanhas, na sua eloquência muda, isoladas casas, carneiros e ovelhas comendo capim, sem olharem, uma vez só, para o céu.

Germano na direção do carro, a Pastoral de Beethoven no som, a paisagem se repetindo numa harmonia impressionante. E quer saber de uma coisa? Eu adoro a solidão. Que admirável terapia. Solidão que vem do silêncio, silêncio que é filho da Paz.

Esse passeio pelas estradas bem asfaltadas foi uma verdadeira terapia. E agora, eis que vejo a presença humana. Turistas contemplando, embevecidos, a queda das águas... Não resistimos. Fomos ver a cena de perto. Que beleza! Turista tem um faro danado. A água branquinha descendo devagar, com medo de cair. Aí me deitei na grama com minha Lau e ficamos olhando o céu azul, que beleza.

A paisagem das montanhas me lembrou a Nova Zelândia, lugar que me atraiu por duas vezes. Montanhas e mais montanhas, com lagos e cachoeiras. Na Islândia não vi muitos pássaros, só ovelhas pastando e, vez por outra, pôneis mansinhos que minha Alaurinda chegou a acariciá-los.

Confesso que adoro cidade grande. Adoro Paris, Londres, Buenos Aires, Lisboa. Gosto de ver multidão enchendo as ruas, as livrarias. Mas, também é bom, vez por outra, contemplar o bucolismo das paisagens lá fora, com ou sem ovelhas, e encher os pulmões de ar puro. Mesmo na Islândia, com seu frio de tremer o queixo.

A Islândia é um mundo exótico, cujas paisagens lembram cenários extraterrestres. Um lugar em que o desolamento preenche qualquer sensação ...

Sugestão de Viagem: Islândia

islandia


A Islândia é um mundo exótico, cujas paisagens lembram cenários extraterrestres. Um lugar em que o desolamento preenche qualquer sensação de solidão com exuberante beleza de panoramas que variam a cada dezena de quilômetros.

E is aí um título que, decerto, enrugará a testa do leitor. Afinal que contrassenso é este? Vantagem é vantagem, desvantagem é desvantagem. ...

A vantagem das desvantagens

Eis aí um título que, decerto, enrugará a testa do leitor. Afinal que contrassenso é este? Vantagem é vantagem, desvantagem é desvantagem. Nada de misturar as coisas.

Mas vamos à crônica. Está, aqui, uma desvantagem, a desvantagem da perda da visão. Diz, porém, o ditado que o que os olhos não vêem o coração não sente. Quantas vezes, a gente tapa os olhos para não ver uma desgraça! Afinal, quem vê, se compromete.

A vantagem do cego é participar melhor da vida interior, já que as janelas dos olhos estão fechadas. Quem vive o tempo todo de olhos escancarados, pensa pouco. As crianças, que pensam pouco, vêem muito e refletem menos. Se ela for para um canto pensar, todo mundo vai dizer que é anormal, ou está diante de um autista.

Jesus convidou-nos a olhar os lírios do campo e os privados da visão ficaram muito tristes.

Ninguém pensa dormindo. Melhor dizendo: ninguém pensa bem, ou medita de olhos abertos.

Mas vejamos outras vantagens nas desvantagens. A surdez, por exemplo, diminui o barulho. A verdade é que o surdo se livra de muita coisa ruim. O genial Beethoven escreveu sua magistral Nona Sinfonia, completamente surdo. E essa interiorização propiciou-lhe um verdadeiro e profundo diálogo com Deus.

E o ignorante? Ah, esse tem a vantagem de não se inquietar diante da problemática da vida. Ninguém lhe cobra responsabilidade. A vantagem do ignorante é não ter responsabilidade.

A vantagem do sofrimento é ganhar experiência. Já a vantagem do míope, disse Machado de Assis, é ver o que as grandes vistas não vêem.

Outra vantagem de se anotar numa desvantagem. Refiro-me ao rico em anos, isto é, rico de sabedoria. O idoso não precisa mais andar correndo. Primeiro, por que pode cair, segundo porque quem corre não pensa melhor do que quem está sentado. A escultura de Rodin – O Pensador – mostra um homem sentado e refletindo. E outra vantagem de quem tem mais de setenta anos é se aposentar, não entrar em filas, ter lugares preferenciais, gozar de certas regalias como as dos estacionamentos.

Ah, já ia me esquecendo da vantagem dos mudos. Eles não são maledicentes nem tagarelas. Não pecam pela palavra.

E dizem as más línguas que o homem mais feliz foi Adão, porque não teve sogra. Seria outra vantagem?...

F oi um texto do ex-presidente e escritor Fernando Henrique Cardoso que me levou a escrever, hoje, sobre a morte, num livro recém-publicado ...

A morte nossa de cada dia

Foi um texto do ex-presidente e escritor Fernando Henrique Cardoso que me levou a escrever, hoje, sobre a morte, num livro recém-publicado em que ele alude aos seus vem vividos oitenta anos. Mas, aqui para nós, quem mais coragem teve de aludir à problemática da morte foi o nosso Augusto dos Anjos, que apelidou a morte, dentre outros apelidos, de “universitária sanguessuga”.

O extraordinário Paulo de Tarso, em face da reencarnação, interrogou: “Morte, onde está a tua vitória?” E viva a vida além da vida.

Continuemos com a crônica. Lembro que meu irmão Alberto, com apenas quatro anos, costumava ficar junto da nossa mãe, sentado no chão, enquanto ela costurava. E eis que, um dia, ela viu o menino com os olhos molhados de lágrimas. Daí perguntou: “por que está chorando, meu filho?” E ele, quase soluçando, resmungou. “Estou chorando porque, um dia, você vai morrer”. A precocidade do menino foi impressionante.

Mas são poucos os que se lembram que, um dia, não estarão mais aqui no mundo. Meu tio João Augusto, velho agricultor em Alagoa Nova, tinha uma grande consciência da morte. Tanto é assim que, quando alguém aludia à riqueza de alguém, dizendo que “fulano estava muito bem de vida”, ele costumava dizer. “Mas, morre...” Era um cético, que não chegou a se casar, vindo a morrer de câncer.

O grande Marechal Rondon, o desbravador do nosso sertão, dizia. “Morrer, sim, matar nunca”.

Informam que as freiras de um convento, na Espanha, cumprimentam as suas irmãs, toda manhã, lembrando-lhes que morrerão, um dia. E, aqui para nós, não faz mal, vez por outra, a gente se conscientizar dessa realidade. Pois essa conscientização mudará um pouco nosso comportamento.

Lá no cemitério Père Lachaise, em Paris, no túmulo de Allan Kardec, Codificador do Espiritismo, há a seguinte inscrição: “Nascer, morrer, renascer ainda, e progredir sempre, tal é a lei”. Que mensagem otimista, hein?

Voltando a Fernando Henrique, Cardoso, ele disse ainda, em suas declarações sobre a morte: “Não sabemos de onde viemos, não sabemos para onde vamos. Ficamos velhos, porém mais maduros.” Muito bem. A beleza da velhice está na experiência vivida, na madureza. Agora quanto à ignorância, quanto ao nosso destino, eu gostaria que o ex-presidente lesse o extraordinário livro “O problema do ser, do destino e da dor”, de Léon Denis”. E eu vou mandar o livro para ele.

A verdade é que viver pensando que tudo se reduzirá a cinzas, não deixa de ser um grande martírio. E muita gente procura esquecer a grande realidade, levando uma existência de distração, de alheamento, e não de reflexão. E haja divertimentos, e haja consumismo, e haja diversão, menos reflexão. É preciso lembrar que distração é como aquele ópio quanto à religião, a que se referia Karl Max.

E quanto ao nosso Fernando Henrique, vou enviar para ele, já já, “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, juntamente com o de Léon Denis, que citei acima. Ele merece.

É comum atribuir-se a autoria de certas máximas como sendo da sabedoria popular. Acho que existe aí um engano. O povo, apesar de suas exper...

Sabedoria popular

É comum atribuir-se a autoria de certas máximas como sendo da sabedoria popular. Acho que existe aí um engano. O povo, apesar de suas experiências, não pode ser o autor das sentenças que lhe são atribuídas.

Estou aqui com algumas dessas máximas que qualifico de geniais. Quem são mesmo seus autores? Não sei se há um livro contendo tais provérbios de muita sabedoria, que, decerto, faria inveja aos filósofos, aos sábios. E cá entre nós, como diz a amiga Rose Silveira, se a pessoa seguisse o que determina tais máximas, viveria melhor. Vamos a algumas delas.

“Devagar se vai ao longe”. Sim, para que tanta pressa? A paciência é a maior das virtudes. Paciência significa paz. Nada de fazer tudo correndo. Eu tenho muita pena das pessoas apressadas, logo estressadas. Nada de fazer tudo correndo. A pressa, já diz outro ditado, é inimiga da perfeição. As obras de arte levaram longo tempo para serem concluídas. Portanto, não nos esqueçamos do ditado, equivocadamente, atribuído ao povo: “Devagar se vai ao longe”.

Agora vejamos esta outra máxima: “não deixe para amanhã o que pode fazer hoje”. Certíssima a norma. Hoje é o dia, é a oportunidade que deve ser aproveitada. Muita gente é infeliz por que perde as oportunidades.
Prosseguindo, vejamos este provérbio: “quando um não quer, dois não brigam”. Certíssimo. Ninguém briga sozinho. Portanto, deixe o outro com a sua raiva. Cale-se e pronto.

Segue-se outra: “É errando que se aprende”. Sim, a sabedoria é feita de experiências. É vivendo que se aprende. E a vida é a grande mestra. E há uma que me faz rir: “Quem tudo quer saber, mexerico quer fazer”. Discordo em parte, deste provérbio. Querer saber é uma virtude. Sem indagações, seremos ignorantes. Queira saber de tudo. Veja as crianças. Estão sempre perguntando. É por isso que dizem que o filósofo é como a criança.

E me vem esta outra máxima: “É melhor um pássaro na mão do que dois voando”. Mas, prefiro vê-los voando do que presos. E para finalizar, eis mais uma: Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Corretíssima. Viva a tenacidade, a fé, a obstinação.

Vamos a outro provérbio popular: “Dize-me com quem andas e eu te direi quem és”. Concordo em parte. Jesus se acompanhou de muita gente ignorante e má. E quando criticado pelas más companhias, apenas disse: “Os sadios não precisam de médicos”. Jesus foi o grande médico, preocupado em curar mais o espírito que o corpo.

“Boa romaria faz quem em casa vive em paz”. Estou de acordo, em parte, com esta sentença. Tanto é saudável ficar em casa, estudando, lendo, pensando como aprendendo nas viagens. E vale relembrar o ditado: “quem não arrisca, não petisca”. A sabedoria se aprende ganhando experiências, como é o caso de uma viagem, como a que acabamos de empreender recentemente até a Islândia.

Desejo finalizar com este brocardo: “Nada é mais ridículo do que um sujo falando de um mal lavado”. E há tanta gente assim, apontando erros dos outros e esquecendo os seus, sobretudo agora na campanha política.

E vamos cumprir o que diz a sabedoria atribuída ao povo. Finalizo repetindo o provérbio “quem tudo quer saber, mexerico que fazer”, do qual discordo, pois indagar, perquirir, sondar, perguntar e questionar nunca constituiu um mal.

J esus, como é sabido, teve como berço uma manjedoura. Nasceu entre animais, longe do luxo. E essa manjedoura, na noite em que ele nasceu, i...

Humildade, amor e perdão

Jesus, como é sabido, teve como berço uma manjedoura. Nasceu entre animais, longe do luxo. E essa manjedoura, na noite em que ele nasceu, iluminou-se com a forte luz de uma estrela, que descia sobre ela. Nenhum palácio, por mais luxuoso que seja, gozou desse prestígio.

Um famoso escritor italiano, cujo nome se esconde agora na minha memória, disse que os cristãos ricos, aqueles que nasceram em suntuosos palácios, sem dúvida, sentem uma grande vergonha de seu deus ter escolhido lugar tão humilde para nascer. Se fosse num apartamento de alto padrão, numa mansão, ou numa cobertura de luxo...

Outra coisa que os cristãos ricos lamentam: Jesus haver escolhido para mãe uma mulher simples, uma mulher do povo. A mesma coisa em relação ao seu pai, um humilde carpinteiro, que, decerto, fez muitos móveis e, sem dúvida, muitas cruzes. E eu fico na dúvida se entre estas cruzes, não estaria a que Jesus foi pregado, depois de uma longa caminhada sob os açoites da multidão que o acompanhou até o Gólgota, o “monte da caveira”.

Dizem que ele caiu três vezes, pois a cruz era muito pesada, até que um cireneu o ajudou, a pedido da multidão desvairada. Seu rosto sangrava muito devido aos ferimentos da coroa de espinhos que lhe enfiaram na cabeça. E como ele deve ter sofrido uma grande dor, naquele momento... O sangue escorria pelo rosto. Mas, Jesus não deu um gemido. Tudo suportou em silêncio. As mãos, suaves como pétalas, que tantas curas promoveram, ainda sofreriam dolorosas marteladas, perfuradas pelos cravos. Mãos que suavizaram tantas dores... Ele pagava pelo crime de ser bom. O crime de dar vista aos cegos, movimentar paralíticos, limpar leprosos, aliviar obsedados, multiplicar pães para a multidão faminta, pregar o amor, a caridade, a justiça.

Morto de cansado, o suor escorrendo pelo rosto, eis que o pregam na cruz de madeira, com pregos enormes. A cruz que saiu de uma carpintaria. Volta a pensar... Teria sido da carpintaria do pai? Ah, cronista curioso...

E eis Jesus entre dois ladrões. Pediu água para matar a sede e lhe deram vinagre. Mesmo assim, exausto, quase morto, ainda teve ânimo de dizer para os seus algozes: “Pai: perdoa-os porque eles não sabem o que fazem”. Que exemplo de compreensão, sabedoria e amor ao próximo...

F oi Jesus quem disse: “se teus olhos forem bons, todo o teu corpo se iluminará". Vejam que responsabilidade num simples olhar... Temos...

Como é o seu olhar?...

Foi Jesus quem disse: “se teus olhos forem bons, todo o teu corpo se iluminará". Vejam que responsabilidade num simples olhar...

Temos o olhar de amor, de compreensão, de compaixão, de piedade, de inveja, de ódio, de admiração, de tristeza, de alegria, de encantamento. Mas, quando Jesus nos convidou a olhar os lírios do campo, o olhar era de encantamento lírico.

Haverá olhar mais belo do que o de uma mãe para o filho renascido? Eis aí um olhar que ilumina. Jesus, repitamos, disse: “se teus olhos forem bons, todo o teu corpo se iluminará.” Só quem está privado de visão fica livre dessa advertência.

O olhar implica numa grande responsabilidade. Daí a importância que se dá às testemunhas de vista, num processo criminal. E há quem fale em mau olhado. A propósito, quando eu era juiz de Direito de Alagoa Nova , minha terra natal, cultivava em minha residência um belo jardim, onde havia um lindo pé de cróton. Pois bem, um certo cidadão que nos visitava, olhando a linda planta, disse: mas que beleza de cróton! E ficou olhando a planta por muito tempo. O estranho é que, no dia seguinte, o cróton amanheceu murcho, sequinho. Teria sido mau olhado?

Lembrar que há rostos de pedra. Frios. Tenho muita pena daqueles que não sabem olhar, que não se extasiam diante de um por de sol ou de um amanhecer, de uma criança, de um mar sorrindo através de suas ondas... Possuem olhos, mas não vêem. Os olhos parecem bolas de gude. Rostos de estátuas.

A verdade é que somos o que olhamos. Ninguém melhor do que as crianças sabe sorrir. Nunca vi crianças carrancudas. Elas estão sempre encantadas e descobrindo as coisas do mundo. E quem descobre se alegra. Não viu Arquimedes? Quando sentiu que na banheira o corpo ficava mais leve, saiu correndo pela rua gritando: ”Eureka! Eureka!, isto é, achei, achei. Tinha descoberto a lei da hidrostática.

O olhar implica numa descoberta. E que dizer do olhar de compreensão, como aquele de Jesus quando, vendo a multidão que o condenara, disse: ”Pai, perdoa-lhes por que eles não sabem o que fazem”. E o olhar mais sublime é o olhar de compreensão. É da compreensão que vem o amor.

Há e houve muitos olhares. O olhar de uma Madre Tereza de Calcutá e o olhar de um Hitler; o olhar de um pedinte, na rua, e o olhar de indiferença perante o sofrimento alheio.

Há ainda o olhar pra frente, dos indiferentes, sem olhar para o lado, onde está o próximo, ou o olhar pra cima, o olhar da transcendência e o olhar para baixo, o olhar dos pessimistas...

Dizia um poeta paraibano, da fase romântica, que nada mais triste do que o olhar de um defunto fitando uma vela acesa...

Cuidado com o olhar. Lembre que Jesus advertiu: “se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo se iluminará”. Vou, já, já, ao espelho praticar um bom olhar.

E fico pensando. Será que existe alguém que nega esmola a um pedinte cego? A melhor maneira de se compadecer de um deficiente é se colocar no lugar dele. Daí surge a compaixão. Mas, devemos lembrar que compaixão exige ação.

Reflitamos: Todo olhar implica em responsabilidade.

C om Paris molhada e fria, qual a melhor opção? Que tal assistir a um concerto nas Salas Pleyel, Gaveau, ou no Teatro Champs Elysées? Que ta...

Paris molhada e fria

Com Paris molhada e fria, qual a melhor opção? Que tal assistir a um concerto nas Salas Pleyel, Gaveau, ou no Teatro Champs Elysées? Que tal um passeio pelo Louvre, pelo Orsay ou uma livraria?... Que tal um restaurante, que aqui na Cidade Luz é o que mais se vê. Gosto de ver as pessoas conversando, sorrindo e comendo nos restaurantes. Se não existisse a boca que seria do turismo? Conquanto sempre se falando baixinho, os idiomas se chocam nas animadas conversas, e, às vezes, até se escuta um “parabéns pra você”. Como somos amigos da velhice a ponto de cantar parabéns para quem completa mais um ano de existência!... As pessoas costumam dizer: “ele completou mais uma primavera”. Por que não um outono ou um inverno?

A verdade é que sem restaurantes não haverá turismo. Chegam até a dizer: “Bacalhau só em Lisboa”. Concordo em parte, pois foi em em Paris que também me deliciei com um gostoso bacalhau, sem falar o delicioso que a nossa chefe de cozinha de Tambaú, sabe muito bem preparar.

Falei em livrarias, museus, salas de concerto e me esqueci da maior casa de espetáculos de Paris, que é a Ópera Garnier, que não se deve conhecer somente por fora. Que beleza de teto, que luxo, que grandiosidade artística em todos os detalhes! E eu com medo de tropeçar nos luxuosos tapetes, já que nossos olhos estavam passeando pelos belos tetos daquele templo da arte.

Essas oportunidades de rever a Ópera sempre devemos ao planejamento cultural do comandante de nosso grupo, meu filho Germano. E sabe qual foi o último cardápio cultural?: “O Anão”, de Zemlinsky e “A criança e os sortilégios”, de Ravel, baseado num conto de Colette. E eu não conseguia tirar o olho do teto pintado por Marc Chagall...

O teatro enorme, chamando a todo instante o nosso olhar de contemplação. Fui me demorando, me demorando e, de repente, não vi mais ninguém. Até os meus familiares já estavam lá fora, quando duas moças recepcionistas, por sinal lindíssimas, muito bem uniformizadas, vieram me chamar, pois a Ópera ia fechar... Eu ainda relutei em ficar, não pelas moças, mas pela paz que reinava naquele belo teatro. Lá fora, meus queridos familiares, já ansiosos, me saudavam com muitas gargalhadas. Ah, Paris...

É este o ritmo da vida. Uma corrida em que as crianças estão subindo e os idosos descendo, tanto é assim que estes costumam usar bengalas p...

Subidas e descidas

É este o ritmo da vida. Uma corrida em que as crianças estão subindo e os idosos descendo, tanto é assim que estes costumam usar bengalas para não caírem. Já os da fase madura vão correndo na vida, sem acidentes.

E viver é isto: subir, correr, descer e pronto. E a grande descida é quando o nosso corpo desce terra a dentro para lágrimas de muitos e alegria dos vermes. Ah, Augusto dos Anjos!..

As árvores não sabem descer. Elas, mal saem das sementes, já começam a subir. E nessa subida tomam banho de sol e de chuva. Tudo isso graças às raízes, que, todos os dias, nos dão lição de humildade. Ninguém as vê, a não ser quando as árvores são arrancadas...

Todo mundo só quer subir. Poucos descem para ajudar os que estão embaixo. Estão aí os políticos tentando subir no “pau de sebo” da política. E o que é pau de sebo? Quando eu era menino, via os garotos subindo num pau todo engraxado atrás de agarrar uma nota de dez mil réis, que ficava lá no alto, como uma tentação. Era quase impossível chegar lá em cima e agarrar o dinheiro. O pau escorregava que era uma beleza. E sabe o que muitos faziam? Melavam a mão de areia, facilitando, assim, a subida. Lembra certos políticos desonestos, que usam meios ilegais para subir.

Deixemos o pau de sebo da política e falemos de outras subidas. Tenho muita pena da chuva. Ela só sabe descer. O mar faz tudo para se verticalizar. Os pássaros sobem que é uma beleza, inclusive o urubu que, de longe, vê a sujeira cá em baixo, graças ao seu benéfico olfato. E a subida do avião, a chamada decolagem, que o português chama descolagem? E ele está certo. De fato, a aeronave se descola da terra. Este é um dos momentos que mais me empolga. Tudo vai ficando pequeno lá em baixo. Já não gosto da aterrissagem, que o português denomina aterragem.

Há também as subidas dos ideais. Vez por outra, estamos ouvindo: ”Fulano subiu na vida”... Mas, como já disse, é preciso também saber descer para ajudar os outros a subirem. Jesus deu o exemplo. Ele veio ao mundo para nos ensinar a ascender. Mas os homens terminaram fazendo-o subir na cruz, onde foi pregado, depois de uma caminhada sob chicotadas, o suor descendo no rosto...

Descem as lágrimas, lentamente. Descem os rios, O lago nem desce, nem sobe. O lago é parado. Descem as cataratas. E é lindo vê-las caindo das montanhas. Ah, as montanhas da Nova Zelândia...

Sobe a pressão, assustando a gente. Os peixes, no mar, só fazem nadar. Nada de subir. Só sobem quando são puxados por um anzol. Que pena...

Jesus desceu e subiu. Desceu para limpar leprosos, levantar paralíticos, dar vista aos cegos. Para pregar o seu primeiro sermão, escolheu uma montanha. Ele subiu aquela tribuna de pedra para que os homens também subissem... Subiu para conversar com o Pai.

E para finalizar, quem vive descendo e subindo, o dia todo, é o elevador. Graças a ele a gente não precisa da escada. Coitado...

Mas a temperatura está subindo e eu estou com vontade de descer até a praia para tomar aquele banho. Mas tudo fica no desejo. E viva a vida!

É uma das árvores que eu mais admiro. Ela não bota flores, mas suas grandes folhas, quando envelhecidas, tornam-se amarelas e belas. A cast...

A lição da castanhola

É uma das árvores que eu mais admiro. Ela não bota flores, mas suas grandes folhas, quando envelhecidas, tornam-se amarelas e belas. A castanhola não tem uma fruta muito apreciada. Apesar de haver quem goste daquelas suas bolotas, que, segundo dizem, são até docinhas, e agradam principalmente aos morcegos e bem-te-vis.

Mas a castanhola dá uma sombra muito acolhedora, que chega a fazer raiva ao sol. Os pardais costumam fazer da castanhola sua casa. Quando começa a escurecer, quando o sol vai deixando a Terra, os pardais não querem outro lugar para se abrigarem. E chegam sempre na maior algazarra. A castanhola vira um edifício de apartamentos...

Mas quando as folhas verdes amarelecem e vão caindo no chão, numa lentidão de lágrima, sinto um nó na garganta. O verde das folhas se tornando amarelo. Aí temos um comovente bailado, o bailado das folhas amarelas. Elas caem no chão e são chutadas, como imprestáveis. Mas, o que fazer? É o bailado da vida. Tudo nasce, tudo morre, tudo renasce. Na verdade, tudo se transforma, como já dizia Lavoisier.

Sempre que apanho uma folha amarela, tenho vontade de beijá-la ou guardá-la. E agora estou me lembrando dos plátanos de Paris, que no outono começam a se despir, e logo ficam todos sem folhas, morrendo de frio. Parecem interrogações. E eu fico desejando a chegada da primavera. Ah, Paris, como me comovem as tuas alamedas cheias de plátanos nus, no inverno... Os plátanos das alamedas do Jardim de Luxemburgo, do cais do rio Sena, da bela e turística avenida Champs Elysées, dos Champs de Mars, ali pertinho da Torre Eiffel, que ficam todos completamente secos

Mas eu vinha falando de castanholas, que decerto já estão com ciúme do cronista. Deixemos os plátanos para os lugares frios. As castanholas são árvores do sol, dos trópicos, do calor. Temos uma linda e frondosa aqui no quintal da nossa casa de Tambaú.

Mas, vamos pingar o ponto final na crônica. E viva a didática das castanholas e dos plátanos que estão sempre nos dando uma lição de vida, de renovação. Tudo na Natureza nos ensina. Eis a grande verdade. O negócio é saber ver. Saber ver e saber pensar. E viva a vida.

M eu filho Germano, que vem apresentando com muito êxito e repercussão, na RCTV, um quadro sobre viagens, no programa Cá Entre Nós, da excel...

Sem papa na língua

Meu filho Germano, que vem apresentando com muito êxito e repercussão, na RCTV, um quadro sobre viagens, no programa Cá Entre Nós, da excelente apresentadora Rose Silveira, a quem substitui, de vez em quando, em entrevistas com ilustres personalidades, achou de ouvir, desta vez, não um executivo, não um artista, não um político, mas um homem da igreja – o sereno e lúcido arcebispo Dom Aldo Pagotto. cuja palavra vale ouro.

Mas Germano é espírita e o Arcebispo é um homem, fundamentalmente católico e muito fiel à sua Igreja, porém, sem fanatismo. E ele, muito antes de ser entrevistado pelo arquiteto e jornalista, já esteve, várias vezes, visitando a Federação Espírita Paraibana, ouvindo as conferências do médium Divaldo Franco. Fato inédito na Paraíba, que jamais aconteceria no bispado de Dom Adauto, cujo jornal “A Imprensa” publicou uma série de artigos, assinados pelo padre Hildon Bandeira, sob o escandaloso título: “Guerra ao Espiritismo”.

Pena que o padre não esteja ainda vivo em carne e osso para testemunhar que um arcebispo foi entrevistado por um espírita, meu Deus do Céu!

Depois da entrevista, o repórter-arquiteto me telefonou encantado com o que disse o nosso Arcebispo, um homem a quem eu seria capaz de me confessar, se tivesse grandes pecados. Dom Aldo não teve papa na língua. Mostrou os erros de sua igreja, condenou a busca por dinheiro por parte de certos seguimentos religiosos, e a desvirtuação de muitos ensinamentos de Jesus.

Vamos ouvir o que disse o simpático prelado, cuja cartilha ensinando-nos a como votar, vai ajudar muito o eleitor, pois a política, cada vez mais, está se deteriorando, tanto na postura, como na agressiva e estúpida propaganda. Ainda bem que gostei de saber que um Marcondes Gadelha vai se candidatar a deputado federal. Um homem de postura digna e muita cultura.

Voltando à entrevista de um arcebispo com um espírita, vale a pena assistir, pois, segundo Germano, a entrevista foi uma “bomba”. Uma bomba contra o preconceito, que, segundo Einstein, “é mais difícil de se desintegrar do que um átomo”. Vale a pena assistir amanhã, às 22 horas, na RCTV, canal 27 da NET, no programa “Cá Entre Nós”.

S im, qual é a maior das tentações a que o homem está sujeito? Não, não é a gula, se bem que pouca gente resiste à tentação de um saboroso ...

A maior das tentações

Sim, qual é a maior das tentações a que o homem está sujeito? Não, não é a gula, se bem que pouca gente resiste à tentação de um saboroso prato. Estão aí os restaurantes entupidos de gente no mundo inteiro. E faz gosto ver as pessoas comendo. Comendo e bebendo. Bebendo e conversando. E haja garçon com o prato na mão, pra lá e pra cá, num admirável equilíbrio. Vi um no restaurante de um hotel de Londres, que me deixou maravilhado. Ele se multiplicava no serviço. E fazia tudo com sorriso nos lábios. Um autêntico cavalheiro. Feliz daquele que faz tudo com arte. E o danado falava vários idiomas.

Voltemos às tentações. Basicamente, são três: a do Poder - eis aí os políticos sedentos de cargos públicos. Outra tentação (talvez esta seja a maior): o sexo. E não fosse ela que seria da população? Por fim, a tentação do dinheiro. Ah, o dinheiro!...

Chegam até a dizer que dinheiro é como água salgada. Quanto mais se bebe, mais se tem sede... O dinheiro lembra o consumismo. E o consumismo é a grande doença do momento. Ninguém está satisfeito com o que tem. Até rimou. O dinheiro, não há dúvida, é o que mais se deseja neste mundo. Com ele, compra-se tanta coisa. Tanta coisa para fazer inveja aos outros!... O carro novo, último modelo, o apartamento luxuoso, também é de fazer inveja aos outros. Não esquecer que a vaidade se alimenta dessas coisas.

Lembremos que o Eclesiastes chama a vaidade como um sentimento vão. E eu fico pensando: será que não há a boa vaidade? Quando uma mãe diz: “eu me envaideço de meu filho”, por exemplo.

Voltemos ao dinheiro. Que tal esse argumento: o dinheiro pode ser bom ou mau, depende de seu uso. Houve milionários que fizeram muitas coisas boas. Dizem que alguém só é doido mesmo se rasgar dinheiro. E eu soube – faz tempo – de um fato em que um cidadão chegou realmente a rasgar dinheiro.

Não reparei ainda o que disse o Eclesiastes sobre o dinheiro. E os políticos gostam de dinheiro? Que responda o leitor. Disse o Evangelho que é mais fácil um camelo entrar no fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus. Existe também aquela parábola de Lázaro, do mendigo e do homem rico, que se banqueteava, enquanto aquele mendigo morria de fome, comendo as migalhas aos seus pés. Paulo, o apóstolo dos gentios, disse que o amor ao dinheiro é causa de muitos males. Amor como ambição. Pessoas que não vêem nada na vida a não ser o dinheiro.

A verdade é o que dinheiro é atraído por muitas igrejas e religiosos. A Religião virando profissão... A rima até que foi boa.

Diz-se sempre: “Fulano entrou pobre na política e está hoje rico”. E eu me lembrando de José Américo, cuja construção da casa foi financiada pela Caixa Econômica. Não se enriqueceu na política.

Mas longe de mim condenar o dinheiro, consequentemente, a riqueza. A riqueza é uma bênção quando honestamente obtida e usada.

E para os que acreditam na imortalidade do espírito, a indagação, quando deixar este mundo redondo, é: o que fizeste de tua riqueza? De sua resposta depende a paz de consciência, que é o céu dentro de nós. Mas, se você não acredita em outra vida, para que diabo serve esta vidinha nossa de cada dia, que vai do berço ao túmulo?...

A Organização Mundial da Saúde estima que, em 2030, a depressão será a doença mais comum do planeta , afetando mais pessoas do que qualque...

10 Sites para Compreender Melhor o Estresse e a Depressão



A Organização Mundial da Saúde estima que, em 2030, a depressão será a doença mais comum do planeta, afetando mais pessoas do que qualquer outro problema de saúde, inclusive o câncer e as enfermidades do coração.

S im, foi Deus quem criou as frutas. O homem é incapaz de fazer uma pitomba. Pode fazer um computador, um robô, ou mesmo um avião, mas jamai...

Deus e as frutas

Sim, foi Deus quem criou as frutas. O homem é incapaz de fazer uma pitomba. Pode fazer um computador, um robô, ou mesmo um avião, mas jamais fará uma maçaranduba.

O homem é um criador de coisas mortas, excetuando-se os artistas. Os artistas chegam perto da Divindade. Não é meu Mozart, meu Miguel Ângelo, meu Goethe, meu Beethoven, meu Augusto dos Anjos?

Mas voltemos às frutas, que a boca já está se enchendo d'água. Sempre as apreciei, desde quando eu era menino e costumava visitar uma casa que vendia frutas, de um tal de Guimarães, lá no Ponto de Cem Réis.

E vem a indagação: que seria da vida sem as frutas? Fruta azeda como a groselha e doce como o sapoti. E a única fruta que mereceu destaque na Bíblia, em que se diz que o fruto proibido comido por Adão foi a maçã. Mas eu acho que deveria ser o abacaxi, fruta de minha predileção. Aqui para nós, a maçã da Bíblia terminou se transformando num verdadeiro abacaxi...

Deus criou uma infinidade de frutas para agradar o paladar do homem. Minha mãe adorava pinha. E se chamava Pia, nome que terminou como Piinha.

Não sei qual é a sua predileção do leitor. Meu amigo, engenheiro Joaquim Silveira, tem como fruta predileta a pitanga. Ora vejam só... Mas gosto não se discute. A jaca é gostosa, mas não cai do pé, a exemplo da maçã, cuja queda fez o físico Newton descobrir a lei da gravidade. Imaginem só o que é um gênio. Desde que o mundo é mundo que caem maçãs de seus pés, no entanto, só depois de muito tempo é que o físico inglês, observando sua queda, descobriu uma lei. É a tal coisa, muita gente não sabe olhar. Só os gênios vêem o que os outros não vêem.

E vamos a mais frutas: pinha, maçã, pitomba, banana, uva, laranja, pêra, jaca, groselha, pitanga, abricó, cacau, (donde sai o chocolate), limão... E aí eu me lembro do ditado: “se a vida lhe dá um limão, faça uma limonada”. Quanta filosofia nesta frase...

Indagará você: “Por que este cronista trouxe um tema frutífero para a crônica?” Ora, ora, por que ele passou a infância inteira num sítio, debaixo de mangueiras, e onde havia muitas frutas. Passava as noites ouvindo as mangas caindo no chão... Que beleza!

Vamos adiante. O nosso país é o país das frutas. Aqui, a gente vê vendedores de frutas até nas ruas. Isto não se vê no estrangeiro.

E a banana? Que gostosura! Que digam os macacos. Uma fruta sem caroço. Só não gosto quando dizem de um sujeito preguiçoso: “Aquilo é um banana”. E que dizer das mulheres e das frutas? Que são uvas...

E o coco? Que delícia de água e de polpa, a gostosa “laminha”.

Frutas que engordam, frutas que emagrecem. Dizem que o abacaxi queima gordura. Basta um regime de 15 dias, será?
Repitamos: Que seria da vida sem as frutas? Só Deus sabe fazê-las. E agora chega minha Lau perguntando se eu quero melancia? Claro que sim.

Quanta diversidade frutífera! Fruta sem caroço, como a banana, com muito caroço como a pinha e de um caroço só, como a manga.

Para concluir, se você me perguntar qual a minha fruta predileta, eu direi, com muita água na boca: Abacaxi doce.