A Islândia é um mundo exótico, cujas paisagens lembram cenários extraterrestres. Um lugar em que o desolamento preenche qualquer sensação ...

Sugestão de Viagem: Islândia

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A Islândia é um mundo exótico, cujas paisagens lembram cenários extraterrestres. Um lugar em que o desolamento preenche qualquer sensação de solidão com exuberante beleza de panoramas que variam a cada dezena de quilômetros.

E is aí um título que, decerto, enrugará a testa do leitor. Afinal que contrassenso é este? Vantagem é vantagem, desvantagem é desvantagem. ...

A vantagem das desvantagens

Eis aí um título que, decerto, enrugará a testa do leitor. Afinal que contrassenso é este? Vantagem é vantagem, desvantagem é desvantagem. Nada de misturar as coisas.

Mas vamos à crônica. Está, aqui, uma desvantagem, a desvantagem da perda da visão. Diz, porém, o ditado que o que os olhos não vêem o coração não sente. Quantas vezes, a gente tapa os olhos para não ver uma desgraça! Afinal, quem vê, se compromete.

A vantagem do cego é participar melhor da vida interior, já que as janelas dos olhos estão fechadas. Quem vive o tempo todo de olhos escancarados, pensa pouco. As crianças, que pensam pouco, vêem muito e refletem menos. Se ela for para um canto pensar, todo mundo vai dizer que é anormal, ou está diante de um autista.

Jesus convidou-nos a olhar os lírios do campo e os privados da visão ficaram muito tristes.

Ninguém pensa dormindo. Melhor dizendo: ninguém pensa bem, ou medita de olhos abertos.

Mas vejamos outras vantagens nas desvantagens. A surdez, por exemplo, diminui o barulho. A verdade é que o surdo se livra de muita coisa ruim. O genial Beethoven escreveu sua magistral Nona Sinfonia, completamente surdo. E essa interiorização propiciou-lhe um verdadeiro e profundo diálogo com Deus.

E o ignorante? Ah, esse tem a vantagem de não se inquietar diante da problemática da vida. Ninguém lhe cobra responsabilidade. A vantagem do ignorante é não ter responsabilidade.

A vantagem do sofrimento é ganhar experiência. Já a vantagem do míope, disse Machado de Assis, é ver o que as grandes vistas não vêem.

Outra vantagem de se anotar numa desvantagem. Refiro-me ao rico em anos, isto é, rico de sabedoria. O idoso não precisa mais andar correndo. Primeiro, por que pode cair, segundo porque quem corre não pensa melhor do que quem está sentado. A escultura de Rodin – O Pensador – mostra um homem sentado e refletindo. E outra vantagem de quem tem mais de setenta anos é se aposentar, não entrar em filas, ter lugares preferenciais, gozar de certas regalias como as dos estacionamentos.

Ah, já ia me esquecendo da vantagem dos mudos. Eles não são maledicentes nem tagarelas. Não pecam pela palavra.

E dizem as más línguas que o homem mais feliz foi Adão, porque não teve sogra. Seria outra vantagem?...

F oi um texto do ex-presidente e escritor Fernando Henrique Cardoso que me levou a escrever, hoje, sobre a morte, num livro recém-publicado ...

A morte nossa de cada dia

Foi um texto do ex-presidente e escritor Fernando Henrique Cardoso que me levou a escrever, hoje, sobre a morte, num livro recém-publicado em que ele alude aos seus vem vividos oitenta anos. Mas, aqui para nós, quem mais coragem teve de aludir à problemática da morte foi o nosso Augusto dos Anjos, que apelidou a morte, dentre outros apelidos, de “universitária sanguessuga”.

O extraordinário Paulo de Tarso, em face da reencarnação, interrogou: “Morte, onde está a tua vitória?” E viva a vida além da vida.

Continuemos com a crônica. Lembro que meu irmão Alberto, com apenas quatro anos, costumava ficar junto da nossa mãe, sentado no chão, enquanto ela costurava. E eis que, um dia, ela viu o menino com os olhos molhados de lágrimas. Daí perguntou: “por que está chorando, meu filho?” E ele, quase soluçando, resmungou. “Estou chorando porque, um dia, você vai morrer”. A precocidade do menino foi impressionante.

Mas são poucos os que se lembram que, um dia, não estarão mais aqui no mundo. Meu tio João Augusto, velho agricultor em Alagoa Nova, tinha uma grande consciência da morte. Tanto é assim que, quando alguém aludia à riqueza de alguém, dizendo que “fulano estava muito bem de vida”, ele costumava dizer. “Mas, morre...” Era um cético, que não chegou a se casar, vindo a morrer de câncer.

O grande Marechal Rondon, o desbravador do nosso sertão, dizia. “Morrer, sim, matar nunca”.

Informam que as freiras de um convento, na Espanha, cumprimentam as suas irmãs, toda manhã, lembrando-lhes que morrerão, um dia. E, aqui para nós, não faz mal, vez por outra, a gente se conscientizar dessa realidade. Pois essa conscientização mudará um pouco nosso comportamento.

Lá no cemitério Père Lachaise, em Paris, no túmulo de Allan Kardec, Codificador do Espiritismo, há a seguinte inscrição: “Nascer, morrer, renascer ainda, e progredir sempre, tal é a lei”. Que mensagem otimista, hein?

Voltando a Fernando Henrique, Cardoso, ele disse ainda, em suas declarações sobre a morte: “Não sabemos de onde viemos, não sabemos para onde vamos. Ficamos velhos, porém mais maduros.” Muito bem. A beleza da velhice está na experiência vivida, na madureza. Agora quanto à ignorância, quanto ao nosso destino, eu gostaria que o ex-presidente lesse o extraordinário livro “O problema do ser, do destino e da dor”, de Léon Denis”. E eu vou mandar o livro para ele.

A verdade é que viver pensando que tudo se reduzirá a cinzas, não deixa de ser um grande martírio. E muita gente procura esquecer a grande realidade, levando uma existência de distração, de alheamento, e não de reflexão. E haja divertimentos, e haja consumismo, e haja diversão, menos reflexão. É preciso lembrar que distração é como aquele ópio quanto à religião, a que se referia Karl Max.

E quanto ao nosso Fernando Henrique, vou enviar para ele, já já, “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, juntamente com o de Léon Denis, que citei acima. Ele merece.

É comum atribuir-se a autoria de certas máximas como sendo da sabedoria popular. Acho que existe aí um engano. O povo, apesar de suas exper...

Sabedoria popular

É comum atribuir-se a autoria de certas máximas como sendo da sabedoria popular. Acho que existe aí um engano. O povo, apesar de suas experiências, não pode ser o autor das sentenças que lhe são atribuídas.

Estou aqui com algumas dessas máximas que qualifico de geniais. Quem são mesmo seus autores? Não sei se há um livro contendo tais provérbios de muita sabedoria, que, decerto, faria inveja aos filósofos, aos sábios. E cá entre nós, como diz a amiga Rose Silveira, se a pessoa seguisse o que determina tais máximas, viveria melhor. Vamos a algumas delas.

“Devagar se vai ao longe”. Sim, para que tanta pressa? A paciência é a maior das virtudes. Paciência significa paz. Nada de fazer tudo correndo. Eu tenho muita pena das pessoas apressadas, logo estressadas. Nada de fazer tudo correndo. A pressa, já diz outro ditado, é inimiga da perfeição. As obras de arte levaram longo tempo para serem concluídas. Portanto, não nos esqueçamos do ditado, equivocadamente, atribuído ao povo: “Devagar se vai ao longe”.

Agora vejamos esta outra máxima: “não deixe para amanhã o que pode fazer hoje”. Certíssima a norma. Hoje é o dia, é a oportunidade que deve ser aproveitada. Muita gente é infeliz por que perde as oportunidades.
Prosseguindo, vejamos este provérbio: “quando um não quer, dois não brigam”. Certíssimo. Ninguém briga sozinho. Portanto, deixe o outro com a sua raiva. Cale-se e pronto.

Segue-se outra: “É errando que se aprende”. Sim, a sabedoria é feita de experiências. É vivendo que se aprende. E a vida é a grande mestra. E há uma que me faz rir: “Quem tudo quer saber, mexerico quer fazer”. Discordo em parte, deste provérbio. Querer saber é uma virtude. Sem indagações, seremos ignorantes. Queira saber de tudo. Veja as crianças. Estão sempre perguntando. É por isso que dizem que o filósofo é como a criança.

E me vem esta outra máxima: “É melhor um pássaro na mão do que dois voando”. Mas, prefiro vê-los voando do que presos. E para finalizar, eis mais uma: Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Corretíssima. Viva a tenacidade, a fé, a obstinação.

Vamos a outro provérbio popular: “Dize-me com quem andas e eu te direi quem és”. Concordo em parte. Jesus se acompanhou de muita gente ignorante e má. E quando criticado pelas más companhias, apenas disse: “Os sadios não precisam de médicos”. Jesus foi o grande médico, preocupado em curar mais o espírito que o corpo.

“Boa romaria faz quem em casa vive em paz”. Estou de acordo, em parte, com esta sentença. Tanto é saudável ficar em casa, estudando, lendo, pensando como aprendendo nas viagens. E vale relembrar o ditado: “quem não arrisca, não petisca”. A sabedoria se aprende ganhando experiências, como é o caso de uma viagem, como a que acabamos de empreender recentemente até a Islândia.

Desejo finalizar com este brocardo: “Nada é mais ridículo do que um sujo falando de um mal lavado”. E há tanta gente assim, apontando erros dos outros e esquecendo os seus, sobretudo agora na campanha política.

E vamos cumprir o que diz a sabedoria atribuída ao povo. Finalizo repetindo o provérbio “quem tudo quer saber, mexerico que fazer”, do qual discordo, pois indagar, perquirir, sondar, perguntar e questionar nunca constituiu um mal.

J esus, como é sabido, teve como berço uma manjedoura. Nasceu entre animais, longe do luxo. E essa manjedoura, na noite em que ele nasceu, i...

Humildade, amor e perdão

Jesus, como é sabido, teve como berço uma manjedoura. Nasceu entre animais, longe do luxo. E essa manjedoura, na noite em que ele nasceu, iluminou-se com a forte luz de uma estrela, que descia sobre ela. Nenhum palácio, por mais luxuoso que seja, gozou desse prestígio.

Um famoso escritor italiano, cujo nome se esconde agora na minha memória, disse que os cristãos ricos, aqueles que nasceram em suntuosos palácios, sem dúvida, sentem uma grande vergonha de seu deus ter escolhido lugar tão humilde para nascer. Se fosse num apartamento de alto padrão, numa mansão, ou numa cobertura de luxo...

Outra coisa que os cristãos ricos lamentam: Jesus haver escolhido para mãe uma mulher simples, uma mulher do povo. A mesma coisa em relação ao seu pai, um humilde carpinteiro, que, decerto, fez muitos móveis e, sem dúvida, muitas cruzes. E eu fico na dúvida se entre estas cruzes, não estaria a que Jesus foi pregado, depois de uma longa caminhada sob os açoites da multidão que o acompanhou até o Gólgota, o “monte da caveira”.

Dizem que ele caiu três vezes, pois a cruz era muito pesada, até que um cireneu o ajudou, a pedido da multidão desvairada. Seu rosto sangrava muito devido aos ferimentos da coroa de espinhos que lhe enfiaram na cabeça. E como ele deve ter sofrido uma grande dor, naquele momento... O sangue escorria pelo rosto. Mas, Jesus não deu um gemido. Tudo suportou em silêncio. As mãos, suaves como pétalas, que tantas curas promoveram, ainda sofreriam dolorosas marteladas, perfuradas pelos cravos. Mãos que suavizaram tantas dores... Ele pagava pelo crime de ser bom. O crime de dar vista aos cegos, movimentar paralíticos, limpar leprosos, aliviar obsedados, multiplicar pães para a multidão faminta, pregar o amor, a caridade, a justiça.

Morto de cansado, o suor escorrendo pelo rosto, eis que o pregam na cruz de madeira, com pregos enormes. A cruz que saiu de uma carpintaria. Volta a pensar... Teria sido da carpintaria do pai? Ah, cronista curioso...

E eis Jesus entre dois ladrões. Pediu água para matar a sede e lhe deram vinagre. Mesmo assim, exausto, quase morto, ainda teve ânimo de dizer para os seus algozes: “Pai: perdoa-os porque eles não sabem o que fazem”. Que exemplo de compreensão, sabedoria e amor ao próximo...

F oi Jesus quem disse: “se teus olhos forem bons, todo o teu corpo se iluminará". Vejam que responsabilidade num simples olhar... Temos...

Como é o seu olhar?...

Foi Jesus quem disse: “se teus olhos forem bons, todo o teu corpo se iluminará". Vejam que responsabilidade num simples olhar...

Temos o olhar de amor, de compreensão, de compaixão, de piedade, de inveja, de ódio, de admiração, de tristeza, de alegria, de encantamento. Mas, quando Jesus nos convidou a olhar os lírios do campo, o olhar era de encantamento lírico.

Haverá olhar mais belo do que o de uma mãe para o filho renascido? Eis aí um olhar que ilumina. Jesus, repitamos, disse: “se teus olhos forem bons, todo o teu corpo se iluminará.” Só quem está privado de visão fica livre dessa advertência.

O olhar implica numa grande responsabilidade. Daí a importância que se dá às testemunhas de vista, num processo criminal. E há quem fale em mau olhado. A propósito, quando eu era juiz de Direito de Alagoa Nova , minha terra natal, cultivava em minha residência um belo jardim, onde havia um lindo pé de cróton. Pois bem, um certo cidadão que nos visitava, olhando a linda planta, disse: mas que beleza de cróton! E ficou olhando a planta por muito tempo. O estranho é que, no dia seguinte, o cróton amanheceu murcho, sequinho. Teria sido mau olhado?

Lembrar que há rostos de pedra. Frios. Tenho muita pena daqueles que não sabem olhar, que não se extasiam diante de um por de sol ou de um amanhecer, de uma criança, de um mar sorrindo através de suas ondas... Possuem olhos, mas não vêem. Os olhos parecem bolas de gude. Rostos de estátuas.

A verdade é que somos o que olhamos. Ninguém melhor do que as crianças sabe sorrir. Nunca vi crianças carrancudas. Elas estão sempre encantadas e descobrindo as coisas do mundo. E quem descobre se alegra. Não viu Arquimedes? Quando sentiu que na banheira o corpo ficava mais leve, saiu correndo pela rua gritando: ”Eureka! Eureka!, isto é, achei, achei. Tinha descoberto a lei da hidrostática.

O olhar implica numa descoberta. E que dizer do olhar de compreensão, como aquele de Jesus quando, vendo a multidão que o condenara, disse: ”Pai, perdoa-lhes por que eles não sabem o que fazem”. E o olhar mais sublime é o olhar de compreensão. É da compreensão que vem o amor.

Há e houve muitos olhares. O olhar de uma Madre Tereza de Calcutá e o olhar de um Hitler; o olhar de um pedinte, na rua, e o olhar de indiferença perante o sofrimento alheio.

Há ainda o olhar pra frente, dos indiferentes, sem olhar para o lado, onde está o próximo, ou o olhar pra cima, o olhar da transcendência e o olhar para baixo, o olhar dos pessimistas...

Dizia um poeta paraibano, da fase romântica, que nada mais triste do que o olhar de um defunto fitando uma vela acesa...

Cuidado com o olhar. Lembre que Jesus advertiu: “se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo se iluminará”. Vou, já, já, ao espelho praticar um bom olhar.

E fico pensando. Será que existe alguém que nega esmola a um pedinte cego? A melhor maneira de se compadecer de um deficiente é se colocar no lugar dele. Daí surge a compaixão. Mas, devemos lembrar que compaixão exige ação.

Reflitamos: Todo olhar implica em responsabilidade.

C om Paris molhada e fria, qual a melhor opção? Que tal assistir a um concerto nas Salas Pleyel, Gaveau, ou no Teatro Champs Elysées? Que ta...

Paris molhada e fria

Com Paris molhada e fria, qual a melhor opção? Que tal assistir a um concerto nas Salas Pleyel, Gaveau, ou no Teatro Champs Elysées? Que tal um passeio pelo Louvre, pelo Orsay ou uma livraria?... Que tal um restaurante, que aqui na Cidade Luz é o que mais se vê. Gosto de ver as pessoas conversando, sorrindo e comendo nos restaurantes. Se não existisse a boca que seria do turismo? Conquanto sempre se falando baixinho, os idiomas se chocam nas animadas conversas, e, às vezes, até se escuta um “parabéns pra você”. Como somos amigos da velhice a ponto de cantar parabéns para quem completa mais um ano de existência!... As pessoas costumam dizer: “ele completou mais uma primavera”. Por que não um outono ou um inverno?

A verdade é que sem restaurantes não haverá turismo. Chegam até a dizer: “Bacalhau só em Lisboa”. Concordo em parte, pois foi em em Paris que também me deliciei com um gostoso bacalhau, sem falar o delicioso que a nossa chefe de cozinha de Tambaú, sabe muito bem preparar.

Falei em livrarias, museus, salas de concerto e me esqueci da maior casa de espetáculos de Paris, que é a Ópera Garnier, que não se deve conhecer somente por fora. Que beleza de teto, que luxo, que grandiosidade artística em todos os detalhes! E eu com medo de tropeçar nos luxuosos tapetes, já que nossos olhos estavam passeando pelos belos tetos daquele templo da arte.

Essas oportunidades de rever a Ópera sempre devemos ao planejamento cultural do comandante de nosso grupo, meu filho Germano. E sabe qual foi o último cardápio cultural?: “O Anão”, de Zemlinsky e “A criança e os sortilégios”, de Ravel, baseado num conto de Colette. E eu não conseguia tirar o olho do teto pintado por Marc Chagall...

O teatro enorme, chamando a todo instante o nosso olhar de contemplação. Fui me demorando, me demorando e, de repente, não vi mais ninguém. Até os meus familiares já estavam lá fora, quando duas moças recepcionistas, por sinal lindíssimas, muito bem uniformizadas, vieram me chamar, pois a Ópera ia fechar... Eu ainda relutei em ficar, não pelas moças, mas pela paz que reinava naquele belo teatro. Lá fora, meus queridos familiares, já ansiosos, me saudavam com muitas gargalhadas. Ah, Paris...