Alguns lugarejos da Europa, por sua arquitetura peculiar ou pela paisagem estonteante que os cerca, fazem pensar que se tratam de pinturas ou cenários de filmes de aventura e fantasia.
Alguns lugarejos da Europa, por sua arquitetura peculiar ou pela paisagem estonteante que os cerca, fazem pensar que se tratam de pinturas ...
E stá lá no cemitério Père Lachaise, em Paris, no mausoléu de Allan Kardec, codificador do Espiritismo, a sua frase: ”Nascer, viver, renasce...
Impossível deter o carro do progresso
Está lá no cemitério Père Lachaise, em Paris, no mausoléu de Allan Kardec, codificador do Espiritismo, a sua frase: ”Nascer, viver, renascer ainda, progredir sempre, tal é a lei”. Não vejo melhor síntese para conceituar o progresso, ou a evolução do que esta. Nada fica estacionado, parado, segundo a lei do progresso. Que tal uma olhadela para o passado? Não ria, você, das coisas do passado, em seus mais diversos aspectos. Há alguns séculos, aqui no Brasil, os homens mal se vestiam. Os nossos antepassados indígenas andavam nus. Nada, portanto, de sentirem calor ou vergonha.
E que dizer das enfermidades, da peste matando milhares de pessoas, por conta da falta de higiene, de vacinas? Hoje, onde está a peste de outrora?
E o progresso da Medicina, das descobertas da ciência genética? Nem é bom falar. Apenas em pensar numa cirurgia sem anestesia, já começo a sentir dor. E pensar que a religião chegou a ser contra a anestesia. Viva Crawford Long, o primeiro cirurgião a usá-la!
No princípio, a fome era tão encontradiça como o ar que respiramos. Segue-se a ignorância, a pior desgraça do mundo. E o isolamento? Outrora, muito outrora mesmo, as tribos viviam isoladas. Ainda não tinham inventado o computador, a Internet, o Facebook, o celular. Hoje, a tecnologia anda fazendo o que a Religião ainda não conseguiu: unir as pessoas, acabar com o longe, com o distante. Tão fácil, atualmente, ver a cara para quem estamos telefonando, através dos aplicativos digitais chamados Facetime ou Skype. E muito outrora, como era?...
Agora vejamos a ignorância, tão presente, outrora, nas comunidades. Cadê a escola, o livro? Trabalho não existia. Predominava a ociosidade. Só depois, muito depois, é que apareceu a Universidade, lá pela Idade Média, embora, o obscuro período medieval seja chamado de “A noite de dez séculos”.
E na pressa, esquecemos a maior de todas as tragédias: a escravatura, que vendia homens livres. E viva a liberdade! Fizeram bem os Estados Unidos dedicando uma estátua a essa deusa.
Estamos nos lembrando também de outra calamidade, distante do progresso: a imundície, a ausência do asseio, da higiene. Daí a proliferação das doenças.
Mas, aos poucos tudo foi melhorando. Veio a boa política acabando com a barbárie. O comércio uniu os povos. Com o comércio surgiram os transportes, a navegação, o telégrafo sem fio. Veículo embaixo e veículo em cima, este graças ao avião descoberto pelo brasileiro Santos Drumond. Tudo isso nos leva a concluir que o que mais dignificou o homem, foi o trabalho.
Mas esta frase, do espírito Emmanuel, que nos inspirou para a redação deste texto, diz que “o progresso material não perdurará, enquanto não houver amor no coração dos homens”. E esta tarefa cabe a Religião, que ainda não foi, devidamente, compreendida. A Religião que foi ensinada por Jesus. Sem ela, não vale nenhum progresso material.
E a lição do Mestre foi tão simples. “Amar ao próximo como a si mesmo”. Mas o próximo ainda continua tão distante... E não deve ser pela inteligência que devemos buscá-lo. Não é pelo computador, pela tecnologia, mas pelo coração.
C omeço dizendo: nada é inútil nesta vida, tudo tem a sua utilidade, seu lado bom. E quando a aparente inutilidade serve à utilidade, temos ...
A mente, as mãos, os pés...
Começo dizendo: nada é inútil nesta vida, tudo tem a sua utilidade, seu lado bom. E quando a aparente inutilidade serve à utilidade, temos que aceitar a contradição. É a vida expressando-se nos seus contrastes. E a beleza da vida está na harmonia dos contrastes. Que seria da planta sem o estrume? Que seria da vida sem a morte? Que seria do amor sem o ódio? O ódio é vibração desviada, energia equivocada.
Temos os pés, temos as mãos. Jesus utilizou muito bem os dois. Com as mãos aplacou tempestades, expulsou maus espíritos; com os pés caminhou léguas divulgando a Boa Nova. Com as mãos restituiu vista aos cegos, limpou leprosos, com os pés passeou no Mar da Galiléia, nas praias de Cafarnaum, como se estes fossem avenidas...
As mãos! Vou beijá-las, já, já. E os pés? Difícil, não? Nem com anos de alongamentos ou Pilates...
E a mente? Este é o nosso tesouro, que Deus colocou lá em cima. O diamante que tanto reflete a lama como a luz. Ah, os bons pensamentos! Pensamentos de amor. Pensamentos positivos.
Que seriam das nossas caminhadas sem os pés? Eis uma obviedade que não devemos esquecer. Lamentável quem não os tem.
Pés e mãos. Minha Alaurinda sempre está dizendo: “vou fazer, hoje, pés e mãos lá em Anthony. E quanta gente, ali, cuidando da beleza física, da aparência externa.
Pés e mãos! E chega Alaurinda, como faz Germano sempre, me trazendo o Concerto nº 2 para piano e orquestra, de Rachmaninov, para ver e ouvir. A pianista é linda, e suas mãos dançam no teclado que é uma beleza. Viva as mãos. E os pés? Estão lá embaixo mexendo nos pedais, que ninguém vê, mas que têm uma grande importância no fraseado musical.
Ah como os pés invejam as mãos! E quando termina o concerto, aí é que as mãos vibram, aplaudindo e fazendo inveja aos pés, embora, algumas vezes, os músicos, por estarem com as mãos ocupadas segurando seus instrumentos, aplaudem o maestro batendo com os pés no tablado.
Mas, quem vai esvaziar o teatro? Serão as mãos? Não, são os pés que levam toda aquela gente de volta para casa... Afinal, não esqueçamos de nada, tudo é útil, nesta vida!
S im, qual foi o maior perdão de todos tempos? E, afinal, o que é o perdão? Você já perdoou alguém pelo mal que este lhe fez? E se perdoou, ...
O maior perdão de todos os tempos
Sim, qual foi o maior perdão de todos tempos? E, afinal, o que é o perdão? Você já perdoou alguém pelo mal que este lhe fez? E se perdoou, bateu com os pés dizendo: perdoo, mas não esqueço. Aqui para nós, valeu esse perdão? Lembremos que perdoar é esquecer, limpando a alma de qualquer resquício de mágoa. Jesus ensinou-nos que deveremos nos conciliar com o nosso adversário enquanto estivermos a caminho com ele. Sim, porque depois ele desaparece de nossa vida, a oportunidade se perde e a conciliação torna-se impossível.
Para a nossa paz interior, não é nenhuma vantagem conservar mágoas, ressentimentos, que valem como espinhos. Perdoar e esquecer, eis a grande fórmula.
O grande Gandhi disse aos seus discípulos que nunca havia perdoado na vida. Estes ficaram horrorizados... Mas o Mestre, imediatamente, esclareceu melhor o que dizia: “Nunca perdoei porque nunca me senti ofendido. ”
Mas, qual teria sido o maior perdão de todos os tempos? Continuemos pensando. Cá entre nós, não é nada fácil perdoar. Fácil é vingar-se...
Voltando a Jesus, disse Ele que deveríamos perdoar não sete vezes, mas setenta vezes sete. Que o leitor faça as contas, pois a crônica precisa continuar.
Afinal, você costuma orar o Pai Nosso, a oração que Jesus ensinou aos seus apóstolos? Pois, tenha muito cuidado quando afirma: “Perdoai nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Você perdoa aos seus devedores? “Pense bem na responsabilidade no que está afirmando”. Cuidado com a oração do Pai Nosso”.
O extraordinário Chico Xavier confessou que a virtude mais difícil de ser praticada é a do perdão. Dizia ele que o perdoar exige um esforço de auto-superação muito grande.
E lembremos que Chico, certa vez, disse: “Fico triste quando alguém me ofende, mas, com certeza, eu ficaria mais triste, se fosse eu o ofensor. Magoar alguém é terrível”.
A verdade é a seguinte: cometido o mal, vem, impreterivelmente, o arrependimento. O arrependimento, como o próprio nome indica, é um movimento para trás. Mas antes há o remorso, que é um verdadeiro fogo, fogo da consciência culpada.
Por fim vem o desejo de reparação, que significa desfazer o mal que se praticou. Como preleciona o livro “O céu e o inferno”, de Allan Kardec: “O sofrimento é ligado à imperfeição, como a alegria à perfeição”.
Perdoar! Eis a virtude máxima. Perdoar e esquecer. E como aludi no começo da crônica, qual foi, então, o maior perdão de todos os tempos? Será que você está lembrado? Foi o de Jesus! Crucificado, o rosto sangrando, sentindo a dor das chibatadas, dos cravos perfurando seu corpo, a dor dos insultos, assim mesmo abriu a boca, ainda com gosto do vinagre que lhe deram, e rogou ao Pai: “Perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem”...
F eliz daquele que atende a uma vocação para o exercício de uma profissão. Houve tempo em que os pais é que escolhiam a carreira do filho. D...
Um apóstolo da Natureza
Feliz daquele que atende a uma vocação para o exercício de uma profissão. Houve tempo em que os pais é que escolhiam a carreira do filho. Daí as frustrações que disso decorriam, e, ainda hoje, ocorrem com aquele que escolhe mal a sua profissão.Estou me lembrando disso ao ler algumas informações do ecologista paraibano Heretiano Zenaide, pai do jornalista e escritor Hélio Zenaide, que muita falta faz a este matutino, no qual publicou inúmeras crônicas em uma coluna que era um verdadeiro manancial de ensinamentos espíritas e cristãos.
Heretiano, pai de Hélio, não seguiu a carreira política por vocação, mas por escolha paterna, que, como já disse, era muito natural naquele tempo.
Nascido em Alagoa Grande, ele passou por todos os escalões da vida pública. Teve de frequentar as câmaras e assembléias, mas o que ele desejava mesmo era ser botânico. Tanto é assim que, muitas vezes, deixava a Câmara Federal, para dar um pulinho até o Jardim Botânico, onde ficava horas e horas contemplando as árvores, estudando a flora e esquecendo os prosaicos projetos parlamentares. A Natureza era o seu verdadeiro templo. Dela ele foi seu apóstolo.
Heretiano Zenaide, eis um nome que não deve ficar esquecido da nova geração. Seus livros, inclusive “Aves da Paraíba”, devem ser reeditados. Está aí uma sugestão ao novo Secretário de Cultura, Lau Siqueira. E estou me lembrando também de outro livro ecológico maravilhoso: “Escola Pitoresca”, do nosso imortal Carlos Dias Fernandes.
Voltando a Heretiano, ele foi um pioneiro da ecologia, da defesa do meio ambiente, assunto tão importante e urgente hoje em dia. Estudou as ciências naturais, aprofundou seus conhecimentos no campo da botânica, da zoologia, da ornitologia. Seu nome figura no volume VI da série “Vultos da Zoologia Brasileira”, do PHD em História Natural, Dr. Hitoshi Nomura. Chegou a empreender estudos profundos na Biblioteca do Museu Nacional do Rio de Janeiro, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e na Biblioteca do Jardim Botânico.
Heretiano também lançou o “Livrinho dos nossos animais”, fruto de suas pacientes pesquisas. Fico a imaginar seus livros sendo reeditados com bela e moderna ilustração.
Estou, aqui, com “Aves da Paraíba”, editado por uma editora de Mossoró, e fico a pensar como foi possível o autor botar na cabeça tão variadas espécies de aves, sem esquecer o meu querido bem-te-vi, que me acorda todas as manhãs, aqui no Cabo Branco. Quanta variedade deles.
E já que estamos falando de aves termino com esta referência a um grande trabalhador da limpeza pública que é o urubu: “Feio, deselegante, mau cheiroso, metediço, tudo pode ser atribuído a esse príncipe, um dos mais privilegiados planadores do nosso lindo céu azul.” Além de ser muito astuto, segundo a interessante observação do nosso Carlos D. Fernandes a seu respeito: “É o único carnívoro coerente, pois espera que a carne apodreça para melhor digeri-la”.
É o que diz o ditado: “Boa romaria faz quem em casa está em paz. Sair de casa deixa você exposto a muitos imprevistos desagradáveis, desde ...
A Romaria da paz
É o que diz o ditado: “Boa romaria faz quem em casa está em paz. Sair de casa deixa você exposto a muitos imprevistos desagradáveis, desde um engarrafamento, um assalto, a um acidente, de que o mundo está cheio. Portanto, mais tempo em casa, menos tempo na rua.Sabemos que na rua está a distração. E a distração é uma beleza para quem não gosta de levar a vida a sério. Para quem não gosta da reflexão, de conversar consigo próprio.
A rua de ontem era outra coisa. Crianças brincavam de rodas, as mulheres botavam cadeiras nas calçadas, as janelas eram abertas para a rua, sem grades, sem cercas elétricas, emoldurando o semblante das pessoas, nada de zoada, a não ser o grito suave dos pregões: “Chora menino para comprar pitomba”.
Hoje, a rua é um perigo. De minuto a minuto, um assalto. Às vezes seguido de homicídio. De minuto a minuto, um estrondo, um barulho, como se nossos ouvidos fossem de bronze. É a triste poluição sonora.
Mesmo assim, hoje, a casa, o apartamento, ficam vazios e seus habitantes insistem em sair para a rua. Refeição boa é fora, com os seus restaurantes cada vez mais sofisticados e entupidos de gente. É necessário cada vez mais se mostrar, se exibir. Sair de casa, quase sempre é uma necessidade, para que a gente possa ser vista E que a casa ou o apartamento fiquem lá trancados, no seu sossego, no seu silêncio.
E haja a rua cheia, com seus assaltantes, com os seus carros buzinando, engarrafados e sem saírem do lugar. Ah, os congestionamentos, que tortura! Dentro dos seus carros, todo mundo morrendo de ansiedade, que é preciso sair de casa para se exibir, mostrar o que se comprou, mostrar o carro novo, a bolsa nova, graças ao consumismo. E a paz lá no aconchego de casa, do lar. Espaços tão bons para ler, para ouvir música, meditar, relaxar, para pensar um pouco sobre o sentido da vida. Lá fora o barulho insistente das buzinas, dos carros de som, de propaganda. Todos gritando suas frustrações, suas inquietações. E não vai faltar o palavreado vulgar, a música de má qualidade.
Só a televisão fica em casa. E quando é ligada, fica dizendo aos seus telespectadores que saiam de casa para comprar mais... E haja gente na rua.



























