Um instante maestro. Ou será DJ!? Agora é soltar o som e curtir. Enfim, peço um minuto para quem controla a mesa de som para desfilar sauda...

Em tom musical


Um instante maestro. Ou será DJ!? Agora é soltar o som e curtir. Enfim, peço um minuto para quem controla a mesa de som para desfilar saudações para algumas vozes da nossa terrinha amada chamada Paraíba. E terra fértil, em particular, no quesito música. É preciso reverenciar suas obras, as canções, composições, interpretações, instrumentalizações, superposições de vozes, ginga, exclamações, ruídos... e aplausos.

E é necessário dizer como é bom ouvir vozes de pessoas mortas que seguem vivas em várias formas. Sivuca e Jackson do Pandeiro, figurinhas carimbadas em conceito de genialidade. Embaixadores da nossa arte, do nosso povo, das nossas cores e amores.

E Marinês cantando a sua gente. E os sons do patoense Dadá Venceslau. E não a voz, mas os acordos produzidos pelos dedos de Francisco Soares de Araújo, filho de Princesa Isabel, o popular "Canhoto da Paraíba", virtuose do violão.

Deixaram os corpos físicos e foram tão geniais nesse plano que suas obras os fazem reviver a cada vez que são escutados, solfejados. "Não morre aquele que deixou na terra a melodia de seu cântico na música de seus versos", dizia Cora Coralina.

Dos que estão por aqui conosco em carne e osso temos a potência cósmica do sertanejo de Brejo dos Santos, Zé Ramalho, recheado de figuras mitológicas, de amor, história. Uma aventura musical. E tem a prima Elba Ramalho, cantando o Nordeste, encantando o Brasil. E ainda o nosso Chico, o César, ouro negro de Catolé do Rocha, poeta musical.

antonio barros ceceu musicos paraiba
Antônio Barros e Cecéu
São tantos os nomes... Cátia de França, Flávio José, Antônio Barros e Céceu, Genival Lacerda, Herbert Vianna, Zé Katimba, Renata Arruda, Fuba...

Ah! Mas também quero bater palmas afinadas para uma turma menos conhecida do grande público nacional, nem por isso menos talentosa. Garantia da continuidade do DNA paraibano de ser musical, de que a terrinha é jazida de onde não cessa de brotar pedras preciosas.

Parafraseando os mineiros Milton Nascimento e Fernando Brant ("Nos bailes da vida"), foi "nos bares (ou rádios) da vida" que encontrei esses criadores mágicos. “A música é o verbo do futuro", embalava Victor Hugo. E claro, é preciso citar o bom e velho Friedrich Nietzsche: "Sem a música, a vida seria um erro".

Para citar, pois não ouso cantar (seria uma nota fora do tom), aqui vão dois nomes. Como não se encantar pelo leão em que se transforma no palco, força com extrema sensibilidade, Val Donato? E ainda tem o jovem talento de voz e criação de Madu Ayá, que coloca amor e afeto nas suas letras e melodias. Sem falar nas vozes e mentes emprestadas de outras regiões do País, que radicados por aqui estão são também nossos talentos: Seu Pereira, Polyana Resende, Mira Maya e Escurinho são ótimos exemplos.

Claro, isto é só uma pequena amostra. Certamente esqueci vários nomes, imperdoáveis silêncios, como é comum acontecer com o velho cantor que sobe ao palco e se perde nas notas, tropeça nas letras. Perdoem-me!

Se hoje os discos de vinil e CDs são raros, podemos encontrar todo esse repertório musical paraibano nas plataformas de música, na internet. Uma pesquisadinha e eles surgem em imagem e, principalmente, som.

Confesso, encontrá-los desfilando vozes e cores abriu mais que os meus ouvidos, escancarou meus olhos e o coração. Oxe! Dá um orgulho danado essa página: a Paraíba musical.


Clóvis Roberto é jornalista e escritor
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