De médicos e de loucos... E Germano e Ângela saltam: “Puxa, vai começar tudo de novo, é??” Calma, amigos. Vou escrever sobre loucos, sim....

A evolução dos bichos (I)

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De médicos e de loucos... E Germano e Ângela saltam: “Puxa, vai começar tudo de novo, é??”

Calma, amigos. Vou escrever sobre loucos, sim. Mas sobre aqueles que são loucos por bichos! É uma categoria de malucos saudáveis, na qual eu me enquadro em excelentes companhias. Por exemplo: os meus filhos Henrique, Ricardo e Ana Laura. Todos os meus netos. A nossa filha-sobrinha Salomé. Os meus amigos queridos Ângela Bezerra de Castro, Germano Romero, Marluce Castor e Josias Batista. E a minha amiga e fisioterapeuta, Lúcia Grilo. Que time, hein?!

Mas tudo começou lá atrás, quando nosso pai, desembargador Chico Espínola, nos contaminou com o seu amor pela natureza, de A a Z. De astronomia a zoologia, tudo ela nos ensinava. Papai fazia jus ao nome: semelhante a São Francisco, era calmo, gentil com as pessoas mais simples, e amava bichos.

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Desde a infância que eu crio algum bichinho. Papai gostava, mas Mamãe tinha ódio: havia sempre uma gata parida em algum guarda-roupas da casa. Houve uma época que tivemos 16 gatos duma vez. Nós batizamos os novinhos com os nomes dos jogadores da Seleção Brasileira de 1958. Um time completo, com reserva e tudo!

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Paralelo a isso, nós criávamos cachorros. O mais antigo que eu me lembro, aos sete ou oito anos, foi Dac, uma vira-latas cinzenta que deram ao meu irmão João Neto como se fosse um cão da raça dinamarquesa. Cresceu comigo, era a minha maior amiga. Seguia-me para onde eu fosse.

Para horror de minha irmã Francisca Luiza ela também a seguia até o Colégio das Lourdinas. Francisca Luiza tentava tudo para espantá-la, jogava caroços de manga. Às vezes conseguia despistá-la. Mas, para sua vergonha a cachorra procurava-a de sala-em-sala, até que a encontrava.

Dac foi a minha maior companheira da infância.

Depois veio Lobo, um belíssimo cão preto, acho que pastor belga, que Paulo Fernando ganhou de presente, mas que me escolheu como dono. Aliás, todos me “adotavam.”

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Lobo acompanhou toda a minha juventude. Era muito bonito e inteligente: ele deitava-se sobre a quina do muro, de onde ele conseguia vigiar os dois lados da casa. Tinha um porte majestoso, era muito elegante. E metia medo, à noite. Mas só incomodava a quem tentasse entrar sem ser convidado.

Às vezes ele passava dias desaparecido, farreando, e voltava com o “paletó“ imundo, rasgado nas brigas passionais. Quando estava doente me procurava; ou então...: MAMÃE! Que, embora não gostasse de bichos, me ajudava a tratar deles. Lobo parecia entender que nós dois conseguiríamos aliviá-lo.

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Certa vez ele chegou com o ferimento de uma facada abaixo da orelha, que infeccionou. O bichinho sofreu demais. Orientado pelo veterinário, e com a ajuda de mamãe, conseguí salvá-lo, limpando todos os dias a ferida cheia de tapurús, que eu tirava um-por-um.

Lobo tinha dois grandes defeitos: além de muito mulherengo ele gostava de correr atrás de carros. Isto lhe foi fatal, na Avenida Epitácio Pessoa, em dezembro de 1972.

Hoje, olhando à distância, eu percebo o que pode ter influenciado um pouco a minha vocação. Eu diria que fiz um bom estágio pré-médico, ao longo de minha juventude. Aplicava injeções nos gatos, vacinas nos cachorros. Vez por outra operava uma lagartixa, um sapo, sempre auxiliado pelo meu maior amigo David Trindade Filho, o Detefon (DTF!).


José Mário Espínola é médico e escritor
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