Teu corpo é flor nativa Vinga nos desertos Nas paragens áridas Nos açudes vazios

A flor Floyd

ana elvira steinbach flor floyd ambiente de leitura carlos romero


Teu corpo é flor nativa

Vinga nos desertos

Nas paragens áridas

Nos açudes vazios



ana elvira steinbach flor floyd ambiente de leitura carlos romero
A brutalidade dos terrenos

Entrega a tua delicada flor

Teimosa em nascer de cor



Estampada no rosto

A gélida arma de um homem

As mãos guardadas, os ouvidos moucos

Os olhos do desprezo

Morte iminente por sufoco

Um morto mata ao vivo



Ajoelhados sobre outras vidas

Assim insensíveis

Matamos insetos rasteiros,

Ou cobras venenosas

Estrangulando suas cabeças

Empurrando seus corpos contra lápides



ana elvira steinbach flor floyd ambiente de leitura carlos romero
Mas flor é corpo que respira água e ar

E teu corpo flor pede esses elementos

“I can’t breathe”, não posso respirar

Aos poucos sai de ti a vida latente



Jaz um corpo, um tronco, um rio, uma flor



Pessoas clamam por justiça

Por uma humanidade perdida

Por um tempo de paz com dignidade

Pelo ocaso da maldade



ana elvira steinbach flor floyd ambiente de leitura carlos romero
Na retaguarda avança bota a bota o prisioneiro

Na desumanizada forma de abordagem



Vírus invisíveis nos perseguem

Outros seres indizíveis nos matam

Há que estar renhido para seguir em frente



Pela retaguarda avança bota a bota o prisioneiro

Na desumanizada esteira de montagem

A George Floyd


Ana Elvira Steinbach Torres é doutora em ciências humanas e professora
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