1 A utopia da igualdade gerou algumas tiranias modernas, como o socialismo stalinista. É raro um ditador que não invoque, para conquistar ...

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A utopia da igualdade gerou algumas tiranias modernas, como o socialismo stalinista. É raro um ditador que não invoque, para conquistar o poder, o princípio de que todos são iguais. Esse tipo de pensamento justifica a aplicação de uma diretriz única, confundida com a existência de um único partido. Como pode o Estado, identificado com um partido único, comprometer-se com a diversidade do corpo social? Se for de esquerda, vai demonizar os que têm; se for de direita, vai ignorar os que não têm.
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Há o “só” e há o “sozinho”. O “sozinho” merece pena (daí o diminutivo). Está sem ninguém e ressentido, esperando que percebam isso e o venham consolar. O “só” se sente absoluto em sua solidão. Está à vontade com ela. Sua alma respira numa redoma em que mergulhou por deliberação própria, em busca do encontro consigo mesmo.
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O turismo vem tornando o mundo pequeno e previsível. É fácil viajar para muitos lugares desde que se tenha dinheiro. Mas quem não tem não deixa de saber de outros países, pois sempre existem amigos que viajam e postam imagens na internet. Haverá um momento em que a Terra não nos seduzirá mais, e quem quiser exotismo deverá procurá-lo em outro lugar. Por sinal, já existem milionários (uma gente reconhecidamente entediada) que cogitam seriamente de excursões a outros planetas.
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Deus é para mim tão evidente, que não preciso acreditar nele. O que se evidencia não precisa de crença. Ao nos dar inteligência, Deus agiu como um pai que dá ao filho meios para sobreviver e diz: – Agora é com você. Se vire. As consequências do que você fizer serão suas. E trate de não me decepcionar!
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Nada pode acontecer de pior a uma pessoa do que obter aquilo que mais deseja. Atingir essa meta é perder a motivação maior e se contentar com objetivos secundários, que vão interessa-la pouco. Além disso, como em todo desejo há muito de ilusão, a meta alcançada sempre se revela menos grandiosa do que quando não a conquistamos. O prejuízo é então duplo – pelo pouco que representa o que desejávamos e pela insignificância do que nos resta alcançar.
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Não vale procurar a Igreja quando se chega à velhice. Primeiro, porque nessa fase da vida a tentação é menor e, por conseguinte, não há grande virtude em resistir aos vícios. Segundo, porque essa volta é apenas uma maneira esperta de, na última hora, garantir “a salvação”. Como se fosse possível apagar o histórico!

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