Há uma recomendação feita por Jesus aos seus discípulos que também serve para todos os relacionamentos: “Se entrardes numa cidade e n...

Quando devemos ir?

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Há uma recomendação feita por Jesus aos seus discípulos que também serve para todos os relacionamentos: “Se entrardes numa cidade e não vos receberem, nem ouvirem as vossas palavras, ao sairdes dali, sacudi a poeira dos vossos pés.”

Na cultura judaica da época, sacudir a poeira era um gesto simbólico muito forte. Significava encerrar um vínculo, marcar um limite, sem agressão nem ódio. Era reconhecer que a convivência só é possível
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quando há abertura, escuta e respeito. Significava não levar consigo o peso da rejeição, não permitir que a dureza do outro contaminasse o próprio coração. Era um modo silencioso de dizer: “Eu ofereci o que tinha; não posso forçar o que não querem receber.”

Quando somos desrespeitados, por palavras ou por gestos, devemos partir, não por orgulho, mas por consideração a nós mesmos, como um ato de autocuidado e de autopreservação.

Há momentos na vida em que permanecer deixa de ser virtude e passa a ser covardia e desprezo por si mesmo. Nem sempre insistir é sinal de amor, e nem sempre suportar é prova de maturidade. Há relações que nos humilham, adoecem, diminuem, apagam e ferem.

Relacionamentos verdadeiramente construtivos se edificam sobre um alicerce inegociável: o respeito recíproco.
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Onde ele falta, tudo o mais se torna frágil, instável, insustentável.

O desrespeito raramente chega de forma brusca. Ele costuma se infiltrar aos poucos: em palavras que diminuem, em “brincadeiras” repulsivas, em silêncios punitivos, em ironias recorrentes, em gestos que ignoram, em decisões unilaterais que desconsideram sentimentos. A dignidade não deve se tornar moeda de troca.

Relacionamento saudável não é ausência de conflito; é presença de consideração. É poder discordar sem humilhar, dialogar sem medo, expressar-se sem ser invalidado, deixar limites bem claros. É sentir-se seguro para ser quem se é, sem precisar se diminuir para caber no espaço do outro. Quando isso se perde, o vínculo deixa de ser encontro e passa a ser desgaste.

Permanecer onde há desrespeito contínuo não é fidelidade ao outro; é abandono de si. E nenhum afeto exige que alguém se anule para que o vínculo sobreviva.

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Ir embora, nesses casos, não é fracasso. É lucidez. É compreender que o afastamento, por vezes, é a forma mais honesta de cuidado: consigo e com o outro. Continuar onde não há respeito, escuta, reciprocidade ou consideração apenas prolonga dores e alimenta ressentimentos. O distanciamento é necessário quando a integridade emocional está ameaçada.

Devemos partir quando o diálogo já foi tentado com sinceridade e não houve mudança; quando o pedido de respeito é tratado como exagero; quando o limite estabelecido é repetidamente violado; quando a presença do outro nos faz duvidar do nosso próprio valor; quando a relação exige silêncio onde deveria haver voz ativa.

Conviver só é possível onde existe cuidado mútuo. Fora disso, permanecer é insistir em um caminho que já não leva a lugar algum. Quando somos desrespeitados, devemos nos afastar, mesmo desatando laços com cuidado, em vez de simplesmente cortá-los. Mas não devemos permanecer em nenhum lugar ao preço da nossa própria dignidade.

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