Juca Paranhos, o Barão do Rio Branco, foi tão importante que, durante muito tempo, a cédula de maior valor do nosso dinheiro (mil ...

Um herói necessário

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Juca Paranhos, o Barão do Rio Branco, foi tão importante que, durante muito tempo, a cédula de maior valor do nosso dinheiro (mil cruzeiros) era uma homenagem a ele.

Ainda jovem, engravidou uma corista de cabaré e assumiu a paternidade da criança. Foi um escândalo. Mandaram-no para o consulado brasileiro em Liverpool e ele foi, porém levando a corista, com quem viveu a vida inteira. Tiveram cinco filhos.

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Barão do Rio Branco e sua esposa, Marie Stevens Paranhos ▪️ Instagram: @brazil_imperial
Como não tinha nada para fazer na Inglaterra, Juca foi fundo nos estudos e tornou-se um dos grandes especialistas em história do Brasil, conseguindo reunir a maior coleção de mapas e documentos históricos sobre a formação do nosso país.

Era monarquista, mas seu talento não podia ser desperdiçado pela então jovem República brasileira. Então Juca assumiu o Ministério das Relações Exteriores no governo de Rodrigues Alves e continuou no cargo nos sucessivos governos de Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca.

Nesse período, ele fixou nossas fronteiras atuais, incorporando 900 mil quilômetros quadrados ao território brasileiro.

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José Maria da Silva Paranhos Júnior (Barão do Rio Branco), professor, historiador e diplomata brasileiro (1845-1912), extremamente consciente de sua importância na diplomacia brasileira ▪️ Fonte: Itamaraty
Apesar de ser um diplomata (gente cujo trabalho eficiente é também discreto), tornou-se um herói popular, a ponto de sua morte, em 1912, interromper o Carnaval.

De suas conquistas vou citar apenas uma: a questão do Acre, que era uma parte da Bolívia, prenhe de brasileiros que colhiam o látex para produzir a borracha, então um produto estratégico. Deu-se que a Bolívia arrendou a área por cem anos para empresas inglesas e americanas. O Barão do Rio Branco sacou que, depois de cem anos, os gringos jamais sairiam dali.

O pau cantou, a ponto de os americanos deslocarem sua poderosa marinha para garantir “seus direitos”. O Barão fechou a navegação na bacia do Amazonas e acunhou:

“— Se os E.U.A. querem negociar conosco com sua armada se deslocando para o sul, negociaremos com o nosso exército marchando para o norte”.
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Ex-presidente Campos Salles, General Julio Roca e o Barão do Rio Branco (1907)
É que nossas melhores tropas estavam na fronteira da Argentina. Quem muito bem registrou isso foi o então sargento Getúlio Vargas em seu diário.

Depois de ameaças recíprocas, acordos e indenizações, o Acre foi incorporado ao Brasil. Ele peitou os gringos, hem?

Rio Branco morreu em sua mesa de trabalho no Itamaraty, tão pobre que foi necessário o Congresso conceder uma pensão à família para que ela não caísse na miséria.

Juca faz falta, né?

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