G uardadas as malas , feitas as recomendações de praxe, os cintos ajustados e, por fim, aquela recomendação aos senhores passageir...

Reflexões aéreas


Guardadas as malas, feitas as recomendações de praxe, os cintos ajustados e, por fim, aquela recomendação aos senhores passageiros sobre como devemos proceder, na hipótese de a aeronave cair no mar. Pouquíssimos prestam a atenção aos avisos. É como na viagem da vida, ninguém gosta de ouvir falar em morte. Faz de conta que ela não existe...

Mas voltando à aeronave, tudo está pronto para o voo. A noite é escura lá fora. Os passageiros procuram se acomodar de qualquer jeito. Uns dormem, outros lêem livros, revistas, a maioria se distrai com o video à sua frente. Pouco mais, um choro estrangulado de uma criança. Decerto está à procura do seio materno.

O avião começa a se locomover devagarinho no asfalto do aeroporto, com uma certa preguiça. A noite é estrelada, De repente esse pássaro de alumínio começa a se preparar para o voo. É talvez o momento mais tenso. As turbinas começam a funcionar. Mas os passageiros não estão tomando consciência disso. É um momento dramático. A aeronave perde o medo e se lança no asfalto. É o momento chamado rolagem... E nessa decolagem, que o português chama descolagem, o avião começa a comer distâncias. É um nadinha no espaço. E se você não for medroso, que tal dar uma olhadinha no abismo? A grande aeronave que a gente viu lá embaixo, não passa agora de um caixa de fósforo na imensidão cósmica. A velocidade é grande, mas o pássaro parece que está dormindo.

Agora quase todo mundo está dormindo. É preciso esquecer o perigo. De vez em quando um solavanco de turbulência. Muitos se entreolham.
E eis que chega a hora da refeição. As aeromoças com os seus sorrisos vão nos trazendo as refeições, (ah, como admiro estas mulheres que passam a noite servindo). Agora esta reflexão: para que eu viaje bem, quantos me servem?” Que seria de nós sem o suor do outro?

Mas, o dramático é agora. O avião está descendo. É o momento da turbulência provocada pelos ventos. É o momento mais perigoso. É por isso que muita gente reza. O monstro está descendo, descendo, como se estivesse com medo. Agora é o momento final, a chamada aterrissagem, que o português denomina aterragem. E eis que o avião pousa no solo. Haja palmas para o comandante, este herói dos ares.
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