N a próxima quinta, teremos o impropriamente chamado Dia dos Mortos, ou de “Finados”. Aqui para nós, muita gente ainda acredita que a pessoa...

Dia de Finados

Na próxima quinta, teremos o impropriamente chamado Dia dos Mortos, ou de “Finados”. Aqui para nós, muita gente ainda acredita que a pessoa que não respira mais vai encerrar sua vida num bonito caixão, debaixo da terra. Embora a Ciência prove que o corpo físico se decompõe, restando apenas os ossos, muitos acham que o que se decompõe se recomporá no dia em que uma trombeta tocará chamando os mortos. Para o Juízo Final.

Dependendo do julgamento, há os que vão curtir as delícias do Paraíso, outros irão para o Purgatório e, finalmente, os que serão condenados ao Inferno eterno, onde há muito fogo, e Deus fica de braços cruzados, indiferente a essas torturas. Aqui para nós, há muita gente que ainda acredita nessas alegorias.

Há os materialistas que pensam que tudo se acaba, que tudo vira cinzas... E os espiritualistas? Esses sabem que o que fica sepultado na terra é a carcaça carnal, e que o espírito sobrevive à matéria.

Dia dos Mortos. Não vou ao cemitério há muitos anos, mas lembro dos entes queridos que já se foram. Que tal pegar os seus retratos e orar? Que tal mentalizar uma prece em seu nome, enviar-lhes boas vibrações?

E os caixões mortuários, como são bonitos! Mas, seus comerciantes não têm o direito fazer propaganda de suas mercadorias... Nem no rádio, nem no jornal, nem no outdoor, nem nos supermercados anunciam os bonitos caixões. Ninguém dizendo: "Compre o seu caixão agora e pague em dez vezes.

Certa vez, vi uma coisa que muito estranhei, numa pequena cidade alemã, chamada Wiesbaden: uma requintada vitrine de caixões mortuários. Talvez destinados aos mais ricos. Tive pena que caixões tão bem confeccionados fossem lançados à terra.

No Dia de Finados, sempre me lembro da inscrição no túmulo de Allan Kardec, no cemitério Père Lachaise, em Paris: "Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sempre, tal é a lei"…

J á se começou a falar nas eleições do próximo ano e eu fico pensando na campanha eleitoral que se faz nas ruas. Haja carros de som arrebent...

Cadê o Ministério Público?

Já se começou a falar nas eleições do próximo ano e eu fico pensando na campanha eleitoral que se faz nas ruas. Haja carros de som arrebentando nossos ouvidos, comprometendo, estupidamente, o conceito de gente civilizada.

Já imaginaram se um carro de som entendesse de sair às ruas de Paris fazendo propaganda de candidatos? Imediatamente seria apreendido e multado. O fato seria levado para jornais e TV. Tratar-se-ia de um escândalo, um atentado grosseiro à saúde, à paz, ao silêncio!

Ah, o silêncio!... como ele é desrespeitado! E quem mais o destrói? Quais os animais mais barulhentos do mundo? Ora, é o homem, o chamado "racional". Mas ele somente? Não, o cachorro também é, vez por outra, inimigo do silêncio. Talvez seja por isso que ambos são tão amigos.

Os outros animais, em geral, são silenciosos: os pássaros que cantam e encantam, os peixes, sejam num aquário, sejam no mar, os pombos, as vacas, as ovelhas nos campos. E a Natureza? Porventura as árvores fazem barulho? É verdade que as flores explodem beleza, mas em silêncio. Até a bomba atômica explodiu sem barulho. As estrelas, as nuvens, os planetas, as montanhas, o mar, os rios, os lagos, o nosso Sol... Quanto silêncio os envolvem! E o nosso corpo, essa silenciosa usina? O coração bate em silêncio, o sangue corre sem zoada, os pulmões respiram calados, a digestão se processa em completa mudez. Deus sabe o que faz. Já imaginaram se esses órgãos fizessem barulho?

Mas o animal-homem é barulhento por natureza, menos nos países civilizados, onde a lei contra a poluição sonora é respeitada. Ah, se você visse o que eu vi na capital da Nova Zelândia... Íamos passeando, numa tarde domingueira, por um de seus elegantes e tranqüilos bairros, sem muros nem portões, quando, de uma casa surgiu um cachorro latindo, ao nos ver. Imediatamente, o seu dono veio ralhar com o animal, e nos pediu mil desculpas pelo barulho. Não obstante sermos nós os intrusos. E o animal, obediente, saiu mansinho que fazia gosto. O silêncio era absolutamente respeitado naquele sossegado bairro...

Povos bárbaros são os que fazem barulho. Tive oportunidade de assistir a uma campanha eleitoral em Berlim. Nenhum carro de som. Propaganda só se fazia através de fotos em cavaletes padronizados, muito bem confeccionados e disciplinados. Tudo na mais perfeita paz. Nada do infernal abuso que ocorre durante esta maldita e abusiva campanha eleitoral, com candidatos desrespeitando as próprias leis ambientais e de contravenção penal. Cadê o Ministério Público?...

D iz o ditado popular que a pressa é inimiga da perfeição. Eis aí uma verdade. Nada feito correndo pode prestar. E está aí a Natureza com a ...

Pressa é doença

Diz o ditado popular que a pressa é inimiga da perfeição. Eis aí uma verdade. Nada feito correndo pode prestar. E está aí a Natureza com a sua silenciosa didática, ensinando-nos que tudo tem de ser feito devagar, com disciplina, paciência e muito amor. Veja o silencioso e vagaroso trabalho da gestação.

Ainda não vi um quadro mostrando a figura de um homem apressado. Apressado e estressado, conclua-se. Sim, porque quem está fazendo as coisas depressa é porque está estressado. Será que algum artista pintou um homem com pressa? Confesso minha ignorância.

“O Pensador”, de Rodin - ah, como adoro esta escultura, que já vi de perto, mais de uma vez, em Paris – é uma obra que deveria estar em toda parte para despertar nas pessoas o hábito de pensar, de meditar, de refletir. Estamos nos tornando muito máquinas. Sem tempo para uma conversa consigo mesmo e com os outros. E tudo isso devido à pressa, que vai se tornando uma patologia. Assim dizem os psicoterapeutas. Pressa no andar, pressa no cumprimentar, pressa em se alimentar, pressa em dirigir o veículo (Quanta gente buzinando a todo instante!...) Pressa em telefonar, pressa em quase tudo, menos no ato sexual e na bebida alcoólica. Já reparou que o alcoólatra toma a sua cerveja ou o seu uísque, bem devagarinho, por mais apressado que esteja?...

Como disse o grande missionário holandês, Henri Nouwen, no mundo de hoje estar apressado é ter "status". Vez por outra estamos ouvindo uma pessoa dizer: "Não tenho tempo mais para nada" ou, senão, "Diga logo porque estou muito apressado". Não há tempo nem para o almoço. Tudo tem de ser correndo. Tudo correndo, menos quando chegam a doença ou a morte. Aí tudo é devagar. Vá a um hospital e constate esta verdade. Ninguém, ali, está sem tempo. Aliás, nunca vi um carro funerário em disparada a caminho do cemitério...

N unca tive medo de avião. Nem no meu “debut” aéreo. Para ser franco, sinto uma grande euforia quando subo aquela escadinha da aeronave. Nun...

Pelos ares

Nunca tive medo de avião. Nem no meu “debut” aéreo. Para ser franco, sinto uma grande euforia quando subo aquela escadinha da aeronave. Nunca pensei na possibilidade de um acidente aéreo. Digo sempre com os meus botões: é tão raro um avião cair...

E fazendo uma reflexão filosófica, será que este nosso corpo de carne e osso, que nos transporta da infância à velhice, é seguro? Lembrar que ao sairmos de casa, pela manhã, muita coisa pode acontecer, desde um acidente de automóvel a uma súbita parada cardíaca. E aqui para nós, parada cardíaca é parada... E pensando bem, é melhor do que ficar numa UTI, cercado de aparelhos por todos os lados. Com a parada cardíaca, você se livra de muita coisa chata, inclusive de hospital, balão de oxigênio, injeções e outras coisas...

Por que, então, esse medo de avião, que em relação aos outros transportes, é muito mais seguro? De viagem aérea, só não gosto da estreiteza de espaço entre as poltronas, do apertadíssimo sanitário, das comidinhas sem graça trazidas pelos comissários de bordo, e só. Todavia, adoro aquele silêncio, quebrado, vez por outra, pelo choro espremido de uma criança. E o doce zunzum do ar condicionado?

Depois, que gostosura ler num avião... Como é bom saber que estamos acima das nuvens!... O chato é não poder ficar sempre caminhando entre as poltronas, como recomendam os médicos, para evitar trombose nas pernas. Daí, termos que usar aquelas meias chatas.

Mas, a verdade é que ninguém está seguro, nesta vida. Desde o momento em que deixamos a casa, manhã cedo, até à noite, quantas turbulências, quantos desastres podem acontecer... É claro qua as máquinas inventadas pelo homem, a exemplo dos aviões, estão sujeitas a quedas. E quem riem disso são os pássaros, as borboletas e os urubus, criados por Deus. Quanta segurança nos seus vôos... Nunca ninguém viu um urubu cair morto...

N a última viagem que fiz a Berlim, há poucos meses, vi os alemães tentarem transformar o rio num mar. Botaram até areia branca. Não sei se...

Sem barracas e sem barulho

Na última viagem que fiz a Berlim, há poucos meses, vi os alemães tentarem transformar o rio num mar. Botaram até areia branca. Não sei se jogaram sal no rio. Só sei que muito me comoveu o espetáculo. Todos deitados na areia, tomando banho de sol, mas sem ouvir o rumor das ondas se desmanchando na areia. Aí é que eu vejo a riqueza que temos e pouco valorizamos: um mar de verdade, sem pedras, mas com muita areia macia.

Pena que essa riqueza dada pela Natureza, seja tão mal cuidada. Mar poluído, praias cheias de barracas. Duvido que os nossos irmãos estrangeiros fizessem isso... Colocassem barracas, sujassem a praia.

Mas, nem tudo está perdido. Soubemos que a nova prefeita do município do Conde, que tem as mais belas praias do Nordeste, mandou fazer, lá, uma verdadeira limpeza. Quase não quis acreditar. Tudo indica que o Conde será outro com a nova administração que já mostrou a que veio.

É preciso nos conscientizarmos que temos o que a maioria dos mares estrangeiros não têm: praias limpas, com coqueiros, areia macia, de águas mornas. E pensar que a nossa Jacumã, antes dessas barracas, possuía um vasto coqueiral. Quem sabe, a prefeita Márcia Lucena, não se sensibilize com a ideia de replantá-los?… E que dizer da praia de Coqueirinho, de Tabatinga e a Praia do Amor com suas silenciosas e misteriosas falésias? Que maravilha!

Outra coisa que a prefeita precisa fazer é acabar com aquela barulheira nas praias, que, nos feriadões, estão se transformando num verdadeiro inferno sonoro. Só os surdos suportam tanta barulheira. Carros passam nas ruas fazendo um barulho de abalar as paredes. Lembrar que turismo não combina com barulho. Turista de bom nível, educado, quer sossego.

Ora, ora, mas cadê os órgãos competentes para impedir a transgressão às normas vigentes, contra a perturbação do sossego?

O diabo é que os próprios políticos são os primeiros a transgredirem a lei, mormente durante as campanhas eleitorais. E eu fico pensando naquela campanha eleitoral na cidade de Frankfurt, onde não se ouvia o mínimo ruído. Nada de carros de propaganda, abalando os alicerces das casas e os ouvidos. Tudo na mais civilizada ordem. Disciplina até nas fotos dos candidatos, todas padronizadas.

Mas, estamos cada vez mais convencidos de que todo esse desprezo à lei é resultante da ausência de educação, pois tivemos o exemplo dos efeitos da campanha de respeito ao pedestre empreendida pela prefeitura da capital. Infelizmente nas escolas e nos lares, não se procura conscientizar os garotos da necessidade de respeitar o silêncio.

As praias do Conde estão livres da poluição das barracas. Agora precisam se livrar do barulho.

Q uando eu ouvi, pela primeira vez, a Nona Sinfonia de Beethoven, disse para mim mesmo: isto é Deus falando… E fiquei a imaginar como o admi...

O adágio da Nona

Quando eu ouvi, pela primeira vez, a Nona Sinfonia de Beethoven, disse para mim mesmo: isto é Deus falando… E fiquei a imaginar como o admirável gênio de Bonn, que não tinha mestrado, doutorado, nem pós-doutorado em Música, sofrendo com sua surdez e suas frustrações amorosas, foi capaz de criar uma obra tão divina.

Mas, o que seria de Beethoven sem a música? Esta foi o que o fez se livrar das misérias do mundo. Graças à música, ele pôde transcender, sublimar-se, atingir o êxtase, a comunhão com o divino. Beethoven bem que poderia dizer como Paulo em relação ao Cristo: “Não sou eu quem vivo, é a Música que vive em mim".

Feliz daquele que se eleva e se enleva com a mensagem da boa música. Fico triste em saber que há muita gente que nunca ouviu essa sinfonia sublime, sobretudo o seu magnífico adágio, que faz a gente esquecer as trevas do mundo e se iluminar.

Eu ainda não conheço melhor terapia do que ouvir o adágio da Nona. Difícil, senão impossível, sair dele com os mesmos olhos, com a mesma visão das coisas, com os mesmos sentimentos de ódio, de inveja, de vaidade, de orgulho, de rancor. É difícil ouvi-lo e não sentir uma forte catarse. É impossível não sentir aquele amor que não vê inimigos, aquele amor que faz esquecer as mesquinhezas da vida, aquele amor que não conhece limitações.

Eu nem consigo imaginar que possam existir músicos que, numa orquestra, toquem os seus instrumentos sem se envolver com a música, completamente alheios à sua sublime mensagem, agindo mecanicamente. Não, diante da Nona.

Mas, eu estava assistindo, há pouco, à Nona Sinfonia, quando passou um carro de propaganda com o som naquelas alturas... Era o inferno querendo atrapalhar o céu, as trevas atropelando a luz, a estupidez humana se fazendo presente.

Adágio da Nona! É aconselhável ouvi-lo, mas, quando todos os fazedores de barulho estejam dormindo...