De papel, couro, plástico, pano... Esfera mágica de valor inquestionável, capaz de criar e destruir sonhos, derrubar muros, fabricar sorris...

A bola


De papel, couro, plástico, pano... Esfera mágica de valor inquestionável, capaz de criar e destruir sonhos, derrubar muros, fabricar sorrisos e compor lágrimas. Objeto ímpar, dona de uma força descomunal. A bola de futebol. E não importa a precisão do seu formato, que seja até mais oval que circular, porém ainda capaz rolar, girar, viajar e conquistar o mundo.

Do inglês "foot-ball", cujo "foot" é pé e "ball" é "bola". Por que não magia, encantamento, alegria, felicidade e dezenas de outros sinônimos e antônimos também?

Paixão nacional, sonho de conquista, sobretudo pelos pés que buscam ter com ela infinidade. Desejo de pequenos corações espalhados pelos rincões. Poliglota ao falar uma única língua chamada encantamento.

E não importa o tamanho. Ao ser chutada ganha nova dimensão. Sim, o chute, o contato do matrimônio perfeito entre pé e objeto esférico. Tudo bem, a cabeça, o joelho e o calcanhar bailam quando colocados a chocar-se com força e fúria com a bola, tornam-se poesia, arte. Definitivamente não banaliza-se!

O instante da explosão do encontro entre o corpo humano e a bola é como uma recriação da existência. Deus sabe o que faz. Não é apenas um jogo, mas jamais deve se transformar em guerra.

O melhor é jogar bola. O correr e disputá-la, criar jogadas, dividi-la, escorregar em meio à lama, à poeira, na grama irregular ou tapete, campos desnivelados de várzea, com peito aberto, sem camisa, cabelo ao vento. Pés protegidos ou não pelo requinte de uma chuteira, meião e caneleira.

E ir até próximo ao gol, sentir a sensação da vitória. Pode ser a defesa memorável. Instantes gravados na memória do garoto. Infalível remédio para quem é apresentado à senhora bola desde pequeno. Sim, sentir-se um craque, incorporar o ídolo, comemorar com os companheiros de time.

Mágica sem varinha, a bola é um sonho a ser chamado de você e com intimidade colocá-la em repouso numa rede. E mais uma vez voltar a correr, pular, escorregar para dominá-la. Até o apito final, para descanso da bola.

* A ilustração é um acrílico sobre tela da violonista e artista plástica Alaurinda Padilha Romero


Clóvis Roberto é jornalista e escritor
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