A madrugada silenciosa de 31 de julho de 2017 carregou Goretti Zenaide para a eternidade. Deixou vazias as manhãs que eram preench...

A madrugada carregou Goretti

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A madrugada silenciosa de 31 de julho de 2017 carregou Goretti Zenaide para a eternidade. Deixou vazias as manhãs que eram preenchidas com a leitura de sua página no jornal, sem a conversa amena e sem a acolhida do seu sorriso a cada abraço no reencontro. Ela foi integrar uma nova constelação de estrelas em Universo de muita luz, e deixou saudade.

Com o coração contrito lembramos da passagem dela, reunimos lembranças de amigos para partilhar o mesmo sentimento de perda, para manter viva sua memória. Essa memória do registro de pequenos gestos guardados como recordação. O sorriso aberto, o olhar de meiguice a conduzir paz e a palavra afetuosa que acalmava a alma. De tudo isso dela estaremos sempre necessitados.

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Sua coluna nos jornais e revistas onde trabalhou durante décadas, era uma página onde encontrávamos assuntos de variedades, de acontecimentos da sociedade e temas afins, com os quais ajudou na construção de um período da história da imprensa na Paraíba.

A lista das amizades ausentes ganhou a presença de Leta, mesmo desejando retardada sua partida. Em todo esse tempo a mantemos presente.

Agora, levado pelo desejo de lhe prestar homenagem, recorro às passagens de quando trabalhamos juntos, dos encontros proporcionados por nossa afinidade pessoal e profissional, para fazer o esboço de sua história.

No fim do relacionamento, interrompido com sua passagem à vida eterna, começou a esperança de manter viva a imagem da mulher que usava palavras afetuosas no trato com as pessoas.

Teremos sempre presente seu riso, apesar de sua ausência física.

Goretti foi uma mulher para quem o sentido da vida estava em servir. Haveremos de reencontrá-la na frase lembrada por alguém, nas sementes que plantou no serviço aos necessitados.

Leta foi uma mulher humilde, justa e movida pela fé em Deus. Conservava amigos que conquistava. Estava sempre a encontrar parceiros para seus sonhos. Por isso tinha tantos amigos.

Promoveu festas e animou pessoas.

@auniao.gov.br
Ela muito amou e serviu. Não apenas contribuiu para a harmonia entre as pessoas, mas abraçou projetos sociais, como o abrigo de idosos da Amem, que conduzia com denodo e zelo.

Tinha cinco atributos admiráveis: coragem, sinceridade, humildade, independência e paciência.

Seu espírito era voltado à caridade, à compreensão da dor, pois estava sempre disposta ao abraço.

Foi uma árvore florida que viveu entre nós e sua sombra e seus frutos haverão de permanecer por muitos anos a modelar vidas.

Trago-a comigo, como parte das indispensáveis amizades que os jornais proporcionam construir e conservar. Ela continuará na minha galeria de amizade, como parte do meu patrimônio de lembranças. Estará sempre presente na chamada dos amigos que partiram, feita em silêncio, como convém aos que concluíram sua passagem.

Suas marcas revelavam-se nos gestos e no modo de ser e de agir em consonância com a finalidade de seus ideais.

Tinha a imagem graciosa na linguagem e no riso, trazia na simplicidade a beleza das flores do Brejo de Alagoa Grande.

@brejoencanta
Durante a vida teve, como no poema de Manoel Bandeira, “a pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos”.

Agarrei-me ao consolo da fé para não entristecer depois que recebi a notícia do seu retorno à Casa do Pai onde, à semelhança de um anjo, certamente afirma: “como eu amava aquela gente”.

Como no poema “Irene” feito por Bandeira, imagino Goretti ao bater à porta antes de entrar, e São Pedro benevolente:

“Entra, Leta. Aqui você não precisa pedir licença”.

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