Faço todos os anos. Gosto de mergulhar no mar. Agradecer o ano. Pensar sobre ele. E, no dia primeiro, faço igual: meus pedidos. Poucos...

Reflexões de fim de ano

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Faço todos os anos. Gosto de mergulhar no mar. Agradecer o ano. Pensar sobre ele. E, no dia primeiro, faço igual: meus pedidos. Poucos. Saúde é o primeiro. E para os meus. E para o mundo. Faça a paz e não a guerra! Tão distante esse slogan e tão atual. O homem andou pouco nesse sentido.

A minha irmã Claude nos passou essas reflexões, que fiz com algumas amigas. Iremos fazer entre nós. E fiz comigo. Meio improvisado. De supetão. Compartilho com vocês:

Quem eu fui em 2025?
O que me trouxe alegria?
O que foi doloroso?
O que eu aprendi?
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Foto: Jay Soundo
Coisas da internet, mas que fazem a gente parar num mundo caótico, veloz e furioso, para tomar emprestado o título do filme.

Quem eu fui em 2025? Uma estrangeira! Que, a cada dia, me desconheço um pouco. Tentando prestar atenção ao dia de hoje. Fui ativa e trabalhei muito. Atenta e triste com tanta violência e guerras. Fui reclusa e pensativa também. Como no poema “Traduzir-te”, de Ferreira Gullar: “Uma parte de mim é multidão; outra parte, estranheza e solidão.”
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Foto: Alexander Krivitskiy
Viajei, li um bocado, assisti a muitas séries e filmes. Fui sozinha e rodeada de gente aos eventos. Uma aprendiz na minha vidinha comezinha. Sempre!

O que me trouxe alegria? Ver meus filhos, Lucas e Daniel, seguindo a vida, com trabalho e amor. Com certeza, também a viagem em maio para o casamento da minha sobrinha Natalia e George, em Bristol, Inglaterra. Uma viagem em família e uma cerimônia das mais lindas, numa igreja secular, e todos cantando I Love You Baby. Muito me emocionei cantarolando Love, de John Lennon, à capela, com aquela acústica e o silêncio sepulcral dos convidados. Sem falar na alegria de passear pela beira do Tâmisa, em London London, com a família. E perambular pela Holanda com irmãs e sobrinha foi outra grande alegria. Van Gogh, Vermeer, a aldeia dos pescadores, os canais, os drinks e os bolinhos de bacalhau com vinho local, em Lisboa. Saramago me acompanhou!

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Ana Adelaide Peixoto ▪️ Facebook: A. Adelaide
Mas não só essa viagem. Os dias com saúde, os encontros com amigas/os, os clubes do livro, as noites aconchegadas com o meu edredom. Meu vinho solitário. Meu banho de mar, pouco e raro. Mas grandes alegrias vivi ao acompanhar o governo Lula: ver o Brasil sair do mapa da miséria; ver os culpados do golpe condenados e na cadeia. Isso eu brindei. Uhuuuu! E, claro, assistir e acompanhar o sucesso dos filmes Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto. Fernanda Torres e Wagner Moura, meus ídolos do momento. Last, but not least, a compra de uma TV grandona e de uma cama nova, com colchão mole para o meu conforto. Tomar banho morno à noite e umas gotas de lavanda (francesa) no meu travesseiro foi um luxo, assim como pintar as unhas de esmalte brilhoso na minha neta Luísa. Conversar com as irmãs queridas, uma troca infinita e agraciada. E escrever. Uma alegria, sempre.

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Foto: Alexander Krivitskiy
O que me foi doloroso? O mais e sempre: ver as mulheres sendo mortas todos os dias. Os horrores dessa selvageria. Criança pedinte nos sinais/semáforos parte meu coração. E, claro, as perdas de amigos, conhecidos e artistas que admiro — a última, Brigitte Bardot. Na vida íntima, a constatação de que envelheci. Já sei disso há tempos, mas este ano tive coisas concretas. Não só a idade, mas as limitações próprias.

Catarata à vista! Vi muita coisa por esses caminhos que me deixou triste. Uso óculos desde os 15 anos; ouvidos sequelados? Quem sabe pelo que ouvi na vida e não gostei! E esses exames horrorosos que temos que enfrentar, invasivos. O tal da colonoscopia? Meu Deus! Tão primitivo. E eu, que não sei ficar com fome nem beber litros de Gatorade, uma agonia. Tudo isso foi doloroso. As vulnerabilidades de alguns queridos. As fragilidades emocionais de outros. O afastamento de alguns, a aproximação de outros, o eterno fluxo — mas dói. Tudo tem sido doloroso e desafiador nessa etapa da vida. Ter dor de cabeça. Não poder mais brincar o Carnaval; isso ainda amargura. Mas também sou boa de adaptação. Uma foca, que busca sempre a sua pele ancestral.

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Foto: Antonio Verdín
O que aprendi? Ah! Que a natureza humana é complexa. Que eu não dou conta de tudo — aliás, de quase nada. Que a vida segue e é soberana. Avanti! Que há muitos anos não tento agradar muito. Nem conheço muita coisa. “Não sei”, digo sempre, sem pudor ou qualquer outro constrangimento. Aprendo com as meditações que faço muito esporadicamente. Que tudo passa: o de bom, mas principalmente o de ruim. Que tenho uma outra vida, um outro corpo, e tudo certo. Aprendo muito com os podcasts e pensadores sobre o medo, o amor, o sexo, a maternidade, “o estranho familiar”. Que não devo mais reclamar de quase nada, muito menos do calor pessoense. Com tantas tragédias climáticas, viva nós aqui, sem terremotos ou tsunamis. E que a minha regra — um dia por vez — ainda está valendo.

Amanhã terminamos o ano. Agradeço sempre à vida. E que venha 2026 com mais reflexões. E um mundo melhor.

Feliz 2026! De Havaianas nos pés (comprei três novas e lindas há um tempo). E com os dois pés!

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