Cruzeta. Aliás, cruzeta demais o tal do Bernardo Guimarães, que escreveu A Escrava Isaura. Foi nomeado Juiz de Órfãos em Catalão (GO), onde chegou em 1852, porém pouco trabalhava. Levava a vida em pescarias, raparigas e cachaça. Após dois anos, foi embora, porém voltou em 1861, agora como juiz municipal. Aumentaram a autoridade e a irresponsabilidade.
Tendo chegado ao seu conhecimento que os cinco piores criminosos presos haviam fugido da cadeia com a ajuda dos carcereiros (que se juntaram aos
Casarão onde morou Bernardo Guimarães, em Catalão (Goiás) ▪️ Fonte: Linkedin
Morava num casarão antigo que alugara por preço módico, porém sem um móvel sequer. Foi para lá que levou uma mulata feia, caolha, que mascava fumo o tempo todo, conhecida como Jequitirana, e com ela fez vida. Para o casarão mudou-se o “cunhado”, tido como perigoso, e os três varavam as noites na cachaça, dormindo sobre jornais, já que ali não havia camas. Poucos banhos tomavam, usando sempre roupas imundas e amarrotadas.
Fez amizade com o índio Afonso, chefe do mais temido bando de ladrões e assassinos da região, protegidos pelos coronéis locais. Roubavam gado e assaltavam nas estradas, além de matarem por encomenda. Embora juiz, Bernardo costumava passar dias na casa de Afonso, pescando e bebendo. Afinal, eram amigos. Daí seu romance O Índio Afonso.
Personagem Índio Afonso (dir), de Bernardo Guimarães, vítima de preconceito e da opressão do coronelismo ▪️ Fonte: Rede Hoje
Personagens Vigário Luiz Antônio e Caetaninha, de O Índio Afonso (Berbardo Guimarães) ▪️ Fonte: Revista Oeste
Poderia contar muitos estrupícios de Bernardo Guimarães, porém acabou o espaço, e encerro registrando sua morte aos 59 anos.








