É este o ritmo da vida. Uma corrida em que as crianças estão subindo e os idosos descendo, tanto é assim que estes costumam usar bengalas p...

Subidas e descidas

É este o ritmo da vida. Uma corrida em que as crianças estão subindo e os idosos descendo, tanto é assim que estes costumam usar bengalas para não caírem. Já os da fase madura vão correndo na vida, sem acidentes.

E viver é isto: subir, correr, descer e pronto. E a grande descida é quando o nosso corpo desce terra a dentro para lágrimas de muitos e alegria dos vermes. Ah, Augusto dos Anjos!..

As árvores não sabem descer. Elas, mal saem das sementes, já começam a subir. E nessa subida tomam banho de sol e de chuva. Tudo isso graças às raízes, que, todos os dias, nos dão lição de humildade. Ninguém as vê, a não ser quando as árvores são arrancadas...

Todo mundo só quer subir. Poucos descem para ajudar os que estão embaixo. Estão aí os políticos tentando subir no “pau de sebo” da política. E o que é pau de sebo? Quando eu era menino, via os garotos subindo num pau todo engraxado atrás de agarrar uma nota de dez mil réis, que ficava lá no alto, como uma tentação. Era quase impossível chegar lá em cima e agarrar o dinheiro. O pau escorregava que era uma beleza. E sabe o que muitos faziam? Melavam a mão de areia, facilitando, assim, a subida. Lembra certos políticos desonestos, que usam meios ilegais para subir.

Deixemos o pau de sebo da política e falemos de outras subidas. Tenho muita pena da chuva. Ela só sabe descer. O mar faz tudo para se verticalizar. Os pássaros sobem que é uma beleza, inclusive o urubu que, de longe, vê a sujeira cá em baixo, graças ao seu benéfico olfato. E a subida do avião, a chamada decolagem, que o português chama descolagem? E ele está certo. De fato, a aeronave se descola da terra. Este é um dos momentos que mais me empolga. Tudo vai ficando pequeno lá em baixo. Já não gosto da aterrissagem, que o português denomina aterragem.

Há também as subidas dos ideais. Vez por outra, estamos ouvindo: ”Fulano subiu na vida”... Mas, como já disse, é preciso também saber descer para ajudar os outros a subirem. Jesus deu o exemplo. Ele veio ao mundo para nos ensinar a ascender. Mas os homens terminaram fazendo-o subir na cruz, onde foi pregado, depois de uma caminhada sob chicotadas, o suor descendo no rosto...

Descem as lágrimas, lentamente. Descem os rios, O lago nem desce, nem sobe. O lago é parado. Descem as cataratas. E é lindo vê-las caindo das montanhas. Ah, as montanhas da Nova Zelândia...

Sobe a pressão, assustando a gente. Os peixes, no mar, só fazem nadar. Nada de subir. Só sobem quando são puxados por um anzol. Que pena...

Jesus desceu e subiu. Desceu para limpar leprosos, levantar paralíticos, dar vista aos cegos. Para pregar o seu primeiro sermão, escolheu uma montanha. Ele subiu aquela tribuna de pedra para que os homens também subissem... Subiu para conversar com o Pai.

E para finalizar, quem vive descendo e subindo, o dia todo, é o elevador. Graças a ele a gente não precisa da escada. Coitado...

Mas a temperatura está subindo e eu estou com vontade de descer até a praia para tomar aquele banho. Mas tudo fica no desejo. E viva a vida!

É uma das árvores que eu mais admiro. Ela não bota flores, mas suas grandes folhas, quando envelhecidas, tornam-se amarelas e belas. A cast...

A lição da castanhola

É uma das árvores que eu mais admiro. Ela não bota flores, mas suas grandes folhas, quando envelhecidas, tornam-se amarelas e belas. A castanhola não tem uma fruta muito apreciada. Apesar de haver quem goste daquelas suas bolotas, que, segundo dizem, são até docinhas, e agradam principalmente aos morcegos e bem-te-vis.

Mas a castanhola dá uma sombra muito acolhedora, que chega a fazer raiva ao sol. Os pardais costumam fazer da castanhola sua casa. Quando começa a escurecer, quando o sol vai deixando a Terra, os pardais não querem outro lugar para se abrigarem. E chegam sempre na maior algazarra. A castanhola vira um edifício de apartamentos...

Mas quando as folhas verdes amarelecem e vão caindo no chão, numa lentidão de lágrima, sinto um nó na garganta. O verde das folhas se tornando amarelo. Aí temos um comovente bailado, o bailado das folhas amarelas. Elas caem no chão e são chutadas, como imprestáveis. Mas, o que fazer? É o bailado da vida. Tudo nasce, tudo morre, tudo renasce. Na verdade, tudo se transforma, como já dizia Lavoisier.

Sempre que apanho uma folha amarela, tenho vontade de beijá-la ou guardá-la. E agora estou me lembrando dos plátanos de Paris, que no outono começam a se despir, e logo ficam todos sem folhas, morrendo de frio. Parecem interrogações. E eu fico desejando a chegada da primavera. Ah, Paris, como me comovem as tuas alamedas cheias de plátanos nus, no inverno... Os plátanos das alamedas do Jardim de Luxemburgo, do cais do rio Sena, da bela e turística avenida Champs Elysées, dos Champs de Mars, ali pertinho da Torre Eiffel, que ficam todos completamente secos

Mas eu vinha falando de castanholas, que decerto já estão com ciúme do cronista. Deixemos os plátanos para os lugares frios. As castanholas são árvores do sol, dos trópicos, do calor. Temos uma linda e frondosa aqui no quintal da nossa casa de Tambaú.

Mas, vamos pingar o ponto final na crônica. E viva a didática das castanholas e dos plátanos que estão sempre nos dando uma lição de vida, de renovação. Tudo na Natureza nos ensina. Eis a grande verdade. O negócio é saber ver. Saber ver e saber pensar. E viva a vida.

M eu filho Germano, que vem apresentando com muito êxito e repercussão, na RCTV, um quadro sobre viagens, no programa Cá Entre Nós, da excel...

Sem papa na língua

Meu filho Germano, que vem apresentando com muito êxito e repercussão, na RCTV, um quadro sobre viagens, no programa Cá Entre Nós, da excelente apresentadora Rose Silveira, a quem substitui, de vez em quando, em entrevistas com ilustres personalidades, achou de ouvir, desta vez, não um executivo, não um artista, não um político, mas um homem da igreja – o sereno e lúcido arcebispo Dom Aldo Pagotto. cuja palavra vale ouro.

Mas Germano é espírita e o Arcebispo é um homem, fundamentalmente católico e muito fiel à sua Igreja, porém, sem fanatismo. E ele, muito antes de ser entrevistado pelo arquiteto e jornalista, já esteve, várias vezes, visitando a Federação Espírita Paraibana, ouvindo as conferências do médium Divaldo Franco. Fato inédito na Paraíba, que jamais aconteceria no bispado de Dom Adauto, cujo jornal “A Imprensa” publicou uma série de artigos, assinados pelo padre Hildon Bandeira, sob o escandaloso título: “Guerra ao Espiritismo”.

Pena que o padre não esteja ainda vivo em carne e osso para testemunhar que um arcebispo foi entrevistado por um espírita, meu Deus do Céu!

Depois da entrevista, o repórter-arquiteto me telefonou encantado com o que disse o nosso Arcebispo, um homem a quem eu seria capaz de me confessar, se tivesse grandes pecados. Dom Aldo não teve papa na língua. Mostrou os erros de sua igreja, condenou a busca por dinheiro por parte de certos seguimentos religiosos, e a desvirtuação de muitos ensinamentos de Jesus.

Vamos ouvir o que disse o simpático prelado, cuja cartilha ensinando-nos a como votar, vai ajudar muito o eleitor, pois a política, cada vez mais, está se deteriorando, tanto na postura, como na agressiva e estúpida propaganda. Ainda bem que gostei de saber que um Marcondes Gadelha vai se candidatar a deputado federal. Um homem de postura digna e muita cultura.

Voltando à entrevista de um arcebispo com um espírita, vale a pena assistir, pois, segundo Germano, a entrevista foi uma “bomba”. Uma bomba contra o preconceito, que, segundo Einstein, “é mais difícil de se desintegrar do que um átomo”. Vale a pena assistir amanhã, às 22 horas, na RCTV, canal 27 da NET, no programa “Cá Entre Nós”.

S im, qual é a maior das tentações a que o homem está sujeito? Não, não é a gula, se bem que pouca gente resiste à tentação de um saboroso ...

A maior das tentações

Sim, qual é a maior das tentações a que o homem está sujeito? Não, não é a gula, se bem que pouca gente resiste à tentação de um saboroso prato. Estão aí os restaurantes entupidos de gente no mundo inteiro. E faz gosto ver as pessoas comendo. Comendo e bebendo. Bebendo e conversando. E haja garçon com o prato na mão, pra lá e pra cá, num admirável equilíbrio. Vi um no restaurante de um hotel de Londres, que me deixou maravilhado. Ele se multiplicava no serviço. E fazia tudo com sorriso nos lábios. Um autêntico cavalheiro. Feliz daquele que faz tudo com arte. E o danado falava vários idiomas.

Voltemos às tentações. Basicamente, são três: a do Poder - eis aí os políticos sedentos de cargos públicos. Outra tentação (talvez esta seja a maior): o sexo. E não fosse ela que seria da população? Por fim, a tentação do dinheiro. Ah, o dinheiro!...

Chegam até a dizer que dinheiro é como água salgada. Quanto mais se bebe, mais se tem sede... O dinheiro lembra o consumismo. E o consumismo é a grande doença do momento. Ninguém está satisfeito com o que tem. Até rimou. O dinheiro, não há dúvida, é o que mais se deseja neste mundo. Com ele, compra-se tanta coisa. Tanta coisa para fazer inveja aos outros!... O carro novo, último modelo, o apartamento luxuoso, também é de fazer inveja aos outros. Não esquecer que a vaidade se alimenta dessas coisas.

Lembremos que o Eclesiastes chama a vaidade como um sentimento vão. E eu fico pensando: será que não há a boa vaidade? Quando uma mãe diz: “eu me envaideço de meu filho”, por exemplo.

Voltemos ao dinheiro. Que tal esse argumento: o dinheiro pode ser bom ou mau, depende de seu uso. Houve milionários que fizeram muitas coisas boas. Dizem que alguém só é doido mesmo se rasgar dinheiro. E eu soube – faz tempo – de um fato em que um cidadão chegou realmente a rasgar dinheiro.

Não reparei ainda o que disse o Eclesiastes sobre o dinheiro. E os políticos gostam de dinheiro? Que responda o leitor. Disse o Evangelho que é mais fácil um camelo entrar no fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus. Existe também aquela parábola de Lázaro, do mendigo e do homem rico, que se banqueteava, enquanto aquele mendigo morria de fome, comendo as migalhas aos seus pés. Paulo, o apóstolo dos gentios, disse que o amor ao dinheiro é causa de muitos males. Amor como ambição. Pessoas que não vêem nada na vida a não ser o dinheiro.

A verdade é o que dinheiro é atraído por muitas igrejas e religiosos. A Religião virando profissão... A rima até que foi boa.

Diz-se sempre: “Fulano entrou pobre na política e está hoje rico”. E eu me lembrando de José Américo, cuja construção da casa foi financiada pela Caixa Econômica. Não se enriqueceu na política.

Mas longe de mim condenar o dinheiro, consequentemente, a riqueza. A riqueza é uma bênção quando honestamente obtida e usada.

E para os que acreditam na imortalidade do espírito, a indagação, quando deixar este mundo redondo, é: o que fizeste de tua riqueza? De sua resposta depende a paz de consciência, que é o céu dentro de nós. Mas, se você não acredita em outra vida, para que diabo serve esta vidinha nossa de cada dia, que vai do berço ao túmulo?...

A Organização Mundial da Saúde estima que, em 2030, a depressão será a doença mais comum do planeta , afetando mais pessoas do que qualque...

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A Organização Mundial da Saúde estima que, em 2030, a depressão será a doença mais comum do planeta, afetando mais pessoas do que qualquer outro problema de saúde, inclusive o câncer e as enfermidades do coração.

S im, foi Deus quem criou as frutas. O homem é incapaz de fazer uma pitomba. Pode fazer um computador, um robô, ou mesmo um avião, mas jamai...

Deus e as frutas

Sim, foi Deus quem criou as frutas. O homem é incapaz de fazer uma pitomba. Pode fazer um computador, um robô, ou mesmo um avião, mas jamais fará uma maçaranduba.

O homem é um criador de coisas mortas, excetuando-se os artistas. Os artistas chegam perto da Divindade. Não é meu Mozart, meu Miguel Ângelo, meu Goethe, meu Beethoven, meu Augusto dos Anjos?

Mas voltemos às frutas, que a boca já está se enchendo d'água. Sempre as apreciei, desde quando eu era menino e costumava visitar uma casa que vendia frutas, de um tal de Guimarães, lá no Ponto de Cem Réis.

E vem a indagação: que seria da vida sem as frutas? Fruta azeda como a groselha e doce como o sapoti. E a única fruta que mereceu destaque na Bíblia, em que se diz que o fruto proibido comido por Adão foi a maçã. Mas eu acho que deveria ser o abacaxi, fruta de minha predileção. Aqui para nós, a maçã da Bíblia terminou se transformando num verdadeiro abacaxi...

Deus criou uma infinidade de frutas para agradar o paladar do homem. Minha mãe adorava pinha. E se chamava Pia, nome que terminou como Piinha.

Não sei qual é a sua predileção do leitor. Meu amigo, engenheiro Joaquim Silveira, tem como fruta predileta a pitanga. Ora vejam só... Mas gosto não se discute. A jaca é gostosa, mas não cai do pé, a exemplo da maçã, cuja queda fez o físico Newton descobrir a lei da gravidade. Imaginem só o que é um gênio. Desde que o mundo é mundo que caem maçãs de seus pés, no entanto, só depois de muito tempo é que o físico inglês, observando sua queda, descobriu uma lei. É a tal coisa, muita gente não sabe olhar. Só os gênios vêem o que os outros não vêem.

E vamos a mais frutas: pinha, maçã, pitomba, banana, uva, laranja, pêra, jaca, groselha, pitanga, abricó, cacau, (donde sai o chocolate), limão... E aí eu me lembro do ditado: “se a vida lhe dá um limão, faça uma limonada”. Quanta filosofia nesta frase...

Indagará você: “Por que este cronista trouxe um tema frutífero para a crônica?” Ora, ora, por que ele passou a infância inteira num sítio, debaixo de mangueiras, e onde havia muitas frutas. Passava as noites ouvindo as mangas caindo no chão... Que beleza!

Vamos adiante. O nosso país é o país das frutas. Aqui, a gente vê vendedores de frutas até nas ruas. Isto não se vê no estrangeiro.

E a banana? Que gostosura! Que digam os macacos. Uma fruta sem caroço. Só não gosto quando dizem de um sujeito preguiçoso: “Aquilo é um banana”. E que dizer das mulheres e das frutas? Que são uvas...

E o coco? Que delícia de água e de polpa, a gostosa “laminha”.

Frutas que engordam, frutas que emagrecem. Dizem que o abacaxi queima gordura. Basta um regime de 15 dias, será?
Repitamos: Que seria da vida sem as frutas? Só Deus sabe fazê-las. E agora chega minha Lau perguntando se eu quero melancia? Claro que sim.

Quanta diversidade frutífera! Fruta sem caroço, como a banana, com muito caroço como a pinha e de um caroço só, como a manga.

Para concluir, se você me perguntar qual a minha fruta predileta, eu direi, com muita água na boca: Abacaxi doce.

T anta beleza para ver e ouvir... Estou me lembrando da Orquestra Sinfônica, ao tempo que tinha como maestro o grande Eleazar de Carvalho, u...

Ah aquele rostinho...

Tanta beleza para ver e ouvir... Estou me lembrando da Orquestra Sinfônica, ao tempo que tinha como maestro o grande Eleazar de Carvalho, um homem simples, culto e discreto. Vi-o, certa tarde, na antiga Mesbla, no parque Sólon de Lucena. Ele estava à porta, decerto esperando alguém. Não resisti, cheguei perto dele e indaguei: O senhor é o maestro Eleazar de Carvalho? Ele, num meio sorriso, foi logo dizendo: “Sim, às suas ordens”. Identifiquei-me como jornalista e mantivemos uma ligeira conversa.

Nascido no Ceará, Eleazar era um maestro admirável. Gostava de vê-lo naquela postura discreta e respeitosa, sobretudo quando regeu, lá no Espaço Cultural, a Nona Sinfonia de Beethoven. Estava, ali, um maestro brasileiro que nada devia aos famosos regentes estrangeiros.

E naquela noite da Nona Sinfonia, em meio a numerosos rostos no palco, um me chamou a atenção, pela suave expressão. Uma quase adolescente, cujo rosto encostado ao violino, parecia dormir ou sonhar. E eu disse para a minha esposa Carmen: “Olhe só o rosto daquela violinista branquinha. Carmen só fez dizer: “Linda!” E acrescentou: “Gostaria de ter uma filha assim”...

Minha primeira esposa, inesquecível companheira, era pianista, embora não fizesse do piano uma profissão. O tempo foi passando, até que a viuvez veio escurecer a minha vida, pois, se houve um matrimônio feliz, foi o meu com Carmen. Vítima de uma meningite, ela saiu da minha vida, deixando-me na mais dolorosa viuvez, que descrevi no livro “A Dança do tempo”. Um livro molhado de lágrimas.

Saiu Carmen, mas chegou Alaurinda, violinista da nossa Sinfônica. Aquela do rostinho que tanto me chamou a atenção, com quem me casei depois. Agora, quem vai ficar viúvo é o seu violino, pois ela vai se despedir da Sinfônica. Cumpriu sua jornada profissional. E ninguém levou tão a sério a profissão como minha violinista. Mas não acredito que o seu querido instrumento se cale. Um instrumento que tanto embelezou sua vida.

Ela tem o hábito de tocar para os amigos que aniversariam. Pega o telefone e toca um lindo “Parabéns para você”. E fico pensando, agora que vai completar uma primavera, quem irá tocar para ela? Ah, se eu tocasse algum instrumento... Mas fica esta crônica como homenagem ao dia de hoje, o seu aniversário.