Entrega Fiz dos meus olhos Dois pedaços de uma noite comprida Dois atalhos de um caminho vasto Duas portas escancaradas Sem tranca e...

Dois olhos, duas portas...

mbiente de leitura carlos romero cronica poesia literatura paraibana milfa valerio


Entrega


Fiz dos meus olhos
Dois pedaços de uma noite comprida
Dois atalhos de um caminho vasto
Duas portas escancaradas
Sem tranca e sem nada
Em posição de espera.

Fiz dos meus lábios,
Meus braços
Meu corpo
Uma canção manhosa
Uma rede estendida
Uma enseada.

Deixei de ser quem era
E fui ficando assim
Em posição de espera.



Borboletas

Apesar das convulsões do tempo
Casulos não permanecem lacrados.
As borboletas têm de deixá-los.

É delas o jardim, e a amplidão azul.
É delas o eterno enamorar-se da liberdade
Precisam voar.

Nada pode detê-las.
Belezas espelho da suprema beleza.
Elas mesmas símbolos do poder

Que rompe o lacre do casulo da morte
E renasce para viver
Eternamente em glória.



Adoração

Desde a primeira linha do teu texto
Desde o primeiro verso do poema
E do primeiro encontro com a verdade

Desde o primeiro gesto de acolhida
E do primeiro estímulo de vida
Eu despertei.

E te tornaste essa oração diária
Que eu preciso repetir cada vez mais
Para encontrar a paz.



A flor amada

A flor amada não é Rosa branca
Não é Dália rosa
Nem é Lírio D’Água.

É flor crescida num canteiro-mágoa.
Não é Sempre-Viva
Nem a mais bela é.

A flor amada é a flor Saudade
Que o Amor-Perfeito
Muito Malmequer.


Milfa Valério é professora e poetisa
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