Há menos de meio século, quando aportei nesta cidade carregando comigo os canaviais e as palmeiras de Serraria, a temperatura morna de Ara...

Lauro Xavier, o homem que plantava árvores

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Há menos de meio século, quando aportei nesta cidade carregando comigo os canaviais e as palmeiras de Serraria, a temperatura morna de Arara com seus seixos e agave dando o tom da paisagem, foi aqui onde encontrei o prolongamento do verde de minha terra. Igualmente aconchegante, tinha o verde diferente dos lugares onde brotei para a vida.

Na madrugada do domingo de 27 de outubro de 1991, o paraibano Lauro Pires Xavier completou sua trajetória entre os habitantes da terra, sendo sepultado no dia seguinte na presença de uma legião de amigos,
para os quais deixou um legado de esperança na preservação ambiental, no respeito à vida do planeta.

Andava nos primeiros anos de minha atuação nas redações e, em oportunidades raras, mantivemos contatos com ele. Desses encontros guardo a imagem de um homem cordato, compenetrado e lúcido nas colocações ao defender seu ponto-de-vista, principalmente com relação à ecologia.

Parece que os ares da cidade de Areia, onde nasceu, construíram nele um apego ao verde. Tanto é que deixou uma soma de serviços prestados à sociologia, à história, à geografia e, de modo especial, à ecologia. Ecologia que passou a ser motivação principal em favor da vida.

Tendo estudado na Escola de Viçosa, Minas Gerais, de onde à época saíam grandes estudiosos do manuseio da terra, Lauro Xavier tornou-se um botânico de prestígio e experimentado nas ciências agrárias.

Amava a natureza. A cidade João Pessoa muito deve a ele pelo verde que toma conta de alguns recantos. Foi um defensor intransigente da sua paisagem, da variada vegetação nativa e de seus parques, impedindo que reservas florestais fossem destruídas.

Botânico que arrebanhou legião de admiradores, não tem um recanto verde desta cidade sem a presença dele.

A ecologia foi tema favorito dele. Por onde passava, catalogava seguidores. A estes ele esclarecia a importância de preservar, plantar árvores. Falava da relação entre homem-árvore que, à época dele, já estava em estágio estarrecedor. O que ele não diria do que atualmente ocorre em nosso País.

Vejamos o que Lauro Xavier escreveu, há décadas, a partir da consciência ecológica e de preservação ambiental que cultivava: “É preciso definir normas universais e homogêneas para a proteção das florestas, primeira fonte ambiental e principal fonte de renda de muitas populações”.

Se os governantes ouvissem as vozes de experientes cientistas, esses que amam a vida, certamente não teríamos chegado à desordem da biosfera global que a população mundial e nosso País convivem.

Onde havia uma entidade que se importava com a ecologia, lá estava o professor Lauro Xavier com seu abalizado ensinamento. Ele deveria ser o patrono perpétuo de toda diversidade do meio-ambiente da Paraíba. Com sua obra sendo estudada em todas as escolas de ciências agrárias.

Suas obras científicas estão carentes de novas edições, o que caberia aos poderes públicos viabilizar esse presente para contribuir na formação acadêmica. “A Genética das Plantas Têxteis” (1935), “O Caroá – História, Cultura e Distribuição Geográfica” (1942), entre outros, todos de elevados valores para aprendizagem nesta importante área do saber, pedem para estar nas mãos de estudantes e amantes da natureza.

Lauro Xavier, o homem que tinha paixão pelas árvores, nasceu no dia 03 de novembro de 1905, na cidade de Areia, e fez sua passagem em 1991. Vindo para a antiga cidade de Parahyba – capital do Estado – continuou os estudos, matriculou-se na Faculdade de Direito, mas foram as ciências agrárias que conquistaram o jovem que haveria de dedicar-se à defesa da ecologia.


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  1. Valeu, Nunes. Realmente, só Belém do Pará me pareceu tão verde quanto João Pessoa. E é porque está na Amazônia. Lauro Xavier é o nome. Jamais vou me esquecer.

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