Não escrevo quando o céu está se recompondo. Escrevo com o trovão aberto, quando a palavra ainda treme e o medo não terminou de cair no chão de mim. Não espero a paz para escrever. A escrita, em mim, nasce molhada, com os pés no barro e o coração em estado de vento. O verso não é descanso, troféu, chegada, partida e nem moldura.
POEMA-MANIFESTO Não escrevo quando o céu está se recompondo. Escrevo com o trovão aberto, quando a palavra ainda treme...
Na mão, a pena é o arado
Não escrevo quando o céu está se recompondo. Escrevo com o trovão aberto, quando a palavra ainda treme e o medo não terminou de cair no chão de mim. Não espero a paz para escrever. A escrita, em mim, nasce molhada, com os pés no barro e o coração em estado de vento. O verso não é descanso, troféu, chegada, partida e nem moldura.
Aquela figura fantasmagórica que aparece em meus pesadelos para me assombrar, tendo à mão uma foice afiada, querendo pôr termo à minh...
Essas doeram
Dando prosseguimento à série sobre os ingênuos e os nascidos escravizados na antiga Paróquia de Nossa Senhora das Neves, no ano de 183...
Os ingênuos e nascidos escravizados na antiga Paróquia de Nossa Senhora das Neves no ano de 1833 (parte 6)
Os da casa não suspeitavam de nada. Entravam e saíam sem notar que a abertura que tinham uns com os outros não passava de um espelho qu...
Residentes sem lar
Quando lembro da casa dos meus avós e dos meus pais (hoje, com 89 anos), sinto saudade dos momentos vividos, esperança e felicidade que...
Casas sem tranca
Neste período do ano, lembro do tempo que ficou no sítio, quando as árvores mudavam as folhas; os cajus e as mangas maduras se esparram...
O tempo que ficou no sítio
Estilo Nelson Rodrigues Na noite de Ano-Novo, Orlandinho chegou em casa e encontrou Zulmira faze...
O Ano-Novo em vários estilos
Na esquina da minha memória, moram dois personagens. O primeiro é o Senhor da Chave. Um homem corpulento, de trajes impecáveis, que car...
Apreciando a paisagem
Natal. Tempo de sentimentos ambíguos. Para quem é religioso, há toda uma liturgia e rituais a cumprir. A contrição do nascimento de Jes...
Natal
Na manhã da última quinta-feira, dia do natal de Jesus, fui à Academia Paraibana de Letras prestar homenagem ao querido e múltiplo ar...
No adeus a Chico Pereira
Talvez haja, de fato, heróis e super-heróis. Se eles existem, Shavarsh Karapetyan, atleta armênio e campeão mundial de natação subaquát...
O que é um herói?
Morreu atuando, fazendo o que sempre fez como senhor de seus dons e do cultivo a eles dedicado, o artista plástico, professor, museólog...
Chico Pereira
Em 2023, li o livro “Para Sempre”, best-seller da escritora italiana Susanna Tamaro. A obra conta a história de Matteo, um médico ca...
Deus é uma criança de quem precisamos trocar as fraldas
Melanie Klein (1882–1960) foi uma psicanalista austríaca pioneira na análise infantil, revolucionando a área ao introduzir o brincar c...
Inveja, reparação e gratidão
Há livros que não se leem: escutam-se. Azeite, Senhora Avó!, de Aldo Lopes de Araújo, pertence a essa linhagem rara de obras que falam ...
Azeite, Senhora Avó! - O sagrado doméstico da memória
Este é um texto sobre o natal, natal no seu sentido primeiro de nascimento e, sobretudo, de nascimentos, por necessitarmos nascer vária...
A probidade tenebrosa
DAS ALEGRIAS Não escrevo sobre alegrias, mesmo, dentre elas, a mais pura. Essa, eu deixo para viver, apreciando cada sorve...
Enquanto houver um caminho a trilhar...
Esta é uma história real, contada pelo antropólogo Michel Alcoforado. Embora tenha o tempero necessário das fofocas da dita alta socie...
A alta sociedade carioca
Hoje, somente hoje, pude refletir sobre o reencontro. Egoísmo meu. Pude sentir o calor em teu abraço e satisfação em nossos apertos de ...
Carta ao Amigo
Fosse um batalhão, eu teria, ali, a patente mais rasa, pois a ordem me veio daqueles comensais quase em uníssono: “Você fez o do Natal ...
Perus para os carpinas
Jean-Paul Sartre, no livro As Palavras , de teor autobiográfico, recorda que começou sua vida no meio dos livros e esperava terminar s...
Sartre e as leituras
Sobre arte e coletivismo Agrupamentos de artistas têm lugar na História da Arte em seus vários momentos. Porém, desde o início do ...
Sobre o coletivo ''Mulheres da arte naïf PB como forma de resistência''
O verdadeiro espírito natalino vai além das festividades e dos encontros familiares que acontecem apenas uma vez por ano. Ele resid...
Espírito natalino é acordar todos os dias com gratidão
O verdadeiro espírito natalino vai além das festividades e dos encontros familiares que acontecem apenas uma vez por ano.
Ele reside em cada gesto de bondade, em cada ato de compaixão que podemos oferecer ao próximo todos os dias. O Natal, de fato, é uma oportunidade para refletirmos sobre a importância de estarmos atentos ao que nos cerca e àqueles que precisam de nós.
Dona Nalva, minha mãe, precocemente partiu para outras dimensões, mas teve tempo ainda de guiar meus passos e os de outros três bacuris...
Meus caros amigos
À medida que nos aproximamos do Natal, um convite silencioso ecoa em nossos corações: como temos acolhido Jesus em nossa vida diária? ...
Natal: Tempo de Renovação Interior e de Vivência do Evangelho
Carta ao Pai é um dos textos mais íntimos e potentes de Franz Kafka. Escrita em 1919, mas nunca entregue ao destinatário, a carta tran...
Em nome do Pai
Mas a força do texto não reside apenas nas acusações. Há uma complexidade moral que impede uma leitura simplista. Kafka reconhece a bondade do pai, seu esforço para sustentar a família, sua história de superação, e admite que ambos são produtos de temperamentos incompatíveis. O que se descreve não é uma denúncia, mas um impasse afetivo. Em diversos trechos, o narrador manifesta compaixão por Hermann, reconhecendo seu sofrimento diante de filhos que não correspondem às suas expectativas. A carta revela, assim, a impossibilidade de comunicação entre dois mundos subjetivos que, embora ligados pelo sangue, não encontram uma linguagem comum.
Para além do valor biográfico, Carta ao Pai é fundamental para a crítica literária. Kafka revela: “Meus escritos tratavam de você”, expondo ali as queixas que não podia fazer a Hermann. A figura paterna — implacável, arbitrária e inatingível — está diretamente transposta nos personagens autoritários que infernam a vida de Josef K., em O Processo; de K., em O Castelo; e do próprio pai Samsa, em A Metamorfose.
Ao mesmo tempo, há uma ambivalência profunda: o pai é também figura de admiração, força, proteção e até de rara ternura. Essa duplicidade — amor e temor — sustenta a estrutura da relação edipiana. O filho deseja o reconhecimento do pai, mas teme sua autoridade; busca aproximação, mas é repelido pelo excesso de poder que percebe nele. O conflito entre desejo de identificação e impossibilidade de alcançá-la gera uma subjetividade marcada pela hesitação, pela insegurança e pelo silêncio.
No plano estilístico, destaca-se o rigor argumentativo. Kafka compõe sua carta como se estivesse construindo um caso: enumera episódios, organiza argumentos, analisa sua própria psicologia e a do pai, tenta ser justo, tenta ser racional. Contudo, o texto é atravessado por uma dor que escapa ao controle. A frieza lógica convive com momentos de intensa vulnerabilidade, como quando recorda raros gestos de ternura do pai, os quais, em vez de consolo, aumentavam sua perplexidade e culpa.
Este texto oferece um retrato do abismo intransponível entre dois temperamentos, um choque que forjou a psique e a obra de um dos maiores escritores do século XX. Esse registro epistolar-literário constitui, portanto, uma leitura obrigatória para compreender a raiz das temáticas de alienação, culpa e autoridade que definem o universo kafkiano.
“ Descrições Gerais da Capitania da Paraíba ” foi escrito em 1639 pelo governador/capitão-mor holandês Elias Herckmans . É um dos pouco...
A Paraíba no tempo da invasão holandesa
“Descrições Gerais da Capitania da Paraíba” foi escrito em 1639 pelo governador/capitão-mor holandês Elias Herckmans. É um dos poucos documentos descritivos sobre a Capitania Real da Paraíba no período do domínio holandês (1634–1654).
Trata da chegada dos holandeses pelo Varadouro, entrando no Rio Paraíba em 22.12.1634. Descreve toda a capital daquela época e os prédios existentes. O autor morava no Convento de São Francisco, onde se instalaram os dirigentes holandeses.
Desde quando participei da Missa do Galo no Mosteiro de São Bento de Olinda, em comemoração ao nascimento de Jesus, os cânticos gregori...
Missa do Galo e os beneditinos
Ele tinha um nome tão antigo quanto o próprio Natal: José. José e mais nada. A singeleza desse nome resumia o sentido e ...
O bom velhinho
Eu evito ruas desertas/ Evito vielas/ Escadarias de bairro/ Mesmo cantos internos de calçada.// Eu evito praias desertas/ Caminhos soli...
Queremos as mulheres Vivas!
Há mendigos que não estendem a mão nas esquinas, nem carregam embrulhos de roupas sujas. Sua fome não é de pão, mas de palavras; sua se...
Lugar interno
Dica de leitura Título: O TRATADO DOS OPOSTOS Autor Hud Cunha
O tratado dos opostos
Só agora me dei conta: nasci exatamente três dias antes da fundação da Universidade da Paraíba, na qual, já federalizada, iria trabalh...
70 anos da UFPB, maior patrimônio público da Paraíba
Desde quando você se interessa por esporte, ou melhor, por futebol? — é o que me pergunta a amiga, no café do Sebrae, quando me despeço...
Chutaram com minhas pernas
Quando vivi na Espanha, tinha um refrigerante favorito: Aquarius. Era minha bebida de referência, como é a Inka Cola para quem visita o...
Onde está o extraordinário?
Patos, Sertão da Parahyba, 11 de abril de 1933. Aos 64 anos de idade, falece, vítima de febre tifóide, Fenelon Fernandes Bonavides, fu...
O jornalista Paulo Bonavides
A produção musical para o período do Natal tem grande relevância para o mercado fonográfico e isso pode ser avaliado pelo destaque obti...
Boas Festas de Assis Valente
O livro O sonho de um homem ridículo , escrito pelo filósofo, escritor e jornalista russo Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski (1821–1881) e...
Autoperdão de um pessimista
Quem dera um Jesus Sem cruz E mais importante Que ela Quem dera o fim Dos mártires, Dos excluídos, Dos sofrimentos “nec...
Quem dera um Jesus sem cruz
Tout travaille à tout – Tudo trabalha para tudo – é o que afirma Victor Hugo, em Os miseráveis (Parte IV, Livro 3, Capítulo 3, p. 70...
Tudo trabalha para tudo
Em 1847, o capitão do mato Jacinto Pires, que se dedicava a perseguir e capturar escravos fugidos, começou a achar estranho que, nos úl...
Uma história terrível
Estesia, do grego αἴσθησις, é a capacidade de perceber pelos sentidos, pelos sentimentos e pela inteligência. A linguagem poética é um ...
A linguagem poética
Do alto, enxergamos a fortaleza em estrela; mais parece uma sentinela de geometria austera. Pedra sobre pedra foi erguida, a princí...
A Força nas Pedras — resistência e poesia nas muralhas
Do alto, enxergamos a fortaleza em estrela; mais parece uma sentinela de geometria austera.
Pedra sobre pedra foi erguida, a princípio para nos defender contra aqueles que desejavam nos conquistar, vindos do além-mar. Porém, quando parecia não ter mais serventia para lutar, transformou-se em um local agradável para passear e em histórias para recordar. As relíquias ali existentes precisam ser guardadas, protegidas daqueles que porventura delas queiram se apropriar. Os soldados, militares e guardas se revezam para cumprir essa missão e não deixar que as recordações se destruam.
Asfalto novo, ainda cheirando a piche e óleo cru. Eu ali no meio, boquiaberto, pensando como fora parar naquela avenida ainda não ina...












































































