POEMA-MANIFESTO Não escrevo quando o céu está se recompondo. Escrevo com o trovão aberto, quando a palavra ainda treme...

Na mão, a pena é o arado

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POEMA-MANIFESTO
Não escrevo quando o céu está se recompondo. Escrevo com o trovão aberto, quando a palavra ainda treme e o medo não terminou de cair no chão de mim. Não espero a paz para escrever. A escrita, em mim, nasce molhada, com os pés no barro e o coração em estado de vento. O verso não é descanso, troféu, chegada, partida e nem moldura. O verso é ponte lançada sobre o que ainda não sei atravessar. Escrevo no meio. No meio do grito e da fé, no meio da ruína e do gesto, no meio daquilo que insiste em ficar vivo. A poesia não me salva do mundo — ela me mantém dentro dele. Não fecha feridas: ensina a caminhar sangrando. Não escrevo para explicar a tempestade. Escrevo para atravessá-la: Enquanto chove. Enquanto dói. Enquanto sou. E se algum dia houver chegada, que seja apenas o início de outra ponte.


ESCREVO COMO QUEM LAVRA
A inspiração me escalavra, O poema me provoca; O Universo a mim, invoca, Escrevo como quem lavra. Eu prezo muito a palavra, Assim, lapido o meu verso. No palco, não desconverso, A rima não me confunde: Por mais que o mundo me inunde, Não inundo o Universo.


SEMEAR
Na mão, a pena é o arado, O papel branco é o chão; Semeio a ideia e a paixão No solo seco e sagrado. O pensamento, domado, Tem rima forte e certeira, Não é glosa passageira, É fruto de quem persiste: Pois se a beleza resiste, A poesia é verdadeira.

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  1. Anônimo1/1/26 07:58

    Bravo, Raniery. feliz Ano Novo. Francisco Gil Messias.

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