Palmas para as batidas de asas das garças. Riscos brancos que atravessam as águas escuras da Lagoa, o nome mais simples para o Parque Solon de Lucena, encravado no centro pessoense, a ilha arborizada na cidade que cresce e se “desverdeia”. Gosto de olhar o cenário, palco de tantas histórias — da história dos livros e das anônimas da capital dos paraibanos.
A lufada de ar no rosto ao passar, caminhante, pela Lagoa é um toque espiritual. Viro o olho no automático, entorto o pescoço e revejo muitas Lagoas de ontem e de hoje. Do charco que só conheci por foto, que vive e revive no espírito pessoense.
Antiga lagoa do Parque Sólon de Lucena (Lagoa dos Irerês) ▪️ Acervo: Petrônio Souto Emerson Caio Lira
A velha Lagoa do cronista Gonzaga Rodrigues, da garcinha de Luzardo Alves e do “Meu Sublime Torrão”, de Genival Macêdo. Poesia das suaves quedas das flores amarelas dos ipês, fabricando tapetes temporários. Do Cassino famoso, da fonte espetaculosa, dos banquinhos... a Lagoa dos irerês.
Parque Sólon de Lucena (João Pessoa-PB) Antônio David Diniz
E Lagoa também de alegrias. Dos parques diversionais de cores que pipocam extravagantes, da gastronomia duvidosa do algodão-doce, maçã do amor e rolete de cana, das paqueras estudantis nos pontos dos antigos ônibus. Das festas da padroeira Nossa Senhora das Neves ou de São João.
Parque Sólon de Lucena (João Pessoa-PB) Antônio David Diniz
Lagoa das noites, Lagoa dos dias. Lagoa da Parahyba!


























