Palmas para as batidas de asas das garças. Riscos brancos que atravessam as águas escuras da Lagoa, o nome mais simples para o Parque ...

Cronicar a Lagoa

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Palmas para as batidas de asas das garças. Riscos brancos que atravessam as águas escuras da Lagoa, o nome mais simples para o Parque Solon de Lucena, encravado no centro pessoense, a ilha arborizada na cidade que cresce e se “desverdeia”. Gosto de olhar o cenário, palco de tantas histórias — da história dos livros e das anônimas da capital dos paraibanos.

A lufada de ar no rosto ao passar, caminhante, pela Lagoa é um toque espiritual. Viro o olho no automático, entorto o pescoço e revejo muitas Lagoas de ontem e de hoje. Do charco que só conheci por foto, que vive e revive no espírito pessoense.

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Antiga lagoa do Parque Sólon de Lucena (Lagoa dos Irerês) ▪️ Acervo: Petrônio Souto Emerson Caio Lira
As palmeiras imperam, majestosas, ao seu redor. Aos pés dos troncos, casais de enamorados ou passantes em busca de um pouso para um repouso. A poucos metros, o restante da agitada cidade esquenta e derrete de dia sob o sol “dezembrino” e esfria noturnamente com a chegada das horas mortas, onde vivem os bêbados e os desequilibrados.

A velha Lagoa do cronista Gonzaga Rodrigues, da garcinha de Luzardo Alves e do “Meu Sublime Torrão”, de Genival Macêdo. Poesia das suaves quedas das flores amarelas dos ipês, fabricando tapetes temporários. Do Cassino famoso, da fonte espetaculosa, dos banquinhos... a Lagoa dos irerês.

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Parque Sólon de Lucena (João Pessoa-PB) Antônio David Diniz
Da tragédia revisitada da barca naufraga, dos antigos transbordamentos em chuvaradas mal escoadas que arrastaram corpos, até de jovens estudantes. De loucos e loucuras em mergulhos desesperados. Dos ônibus em rodopios pelas suas margens. Das memórias vivas e das interrompidas.

E Lagoa também de alegrias. Dos parques diversionais de cores que pipocam extravagantes, da gastronomia duvidosa do algodão-doce, maçã do amor e rolete de cana, das paqueras estudantis nos pontos dos antigos ônibus. Das festas da padroeira Nossa Senhora das Neves ou de São João.

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Parque Sólon de Lucena (João Pessoa-PB) Antônio David Diniz
Do Gran Pires, da Mesbla e da primeira escada rolante da Paraíba. De shows e comícios históricos, como o grito pelas “Diretas, já!” da primeira metade dos anos 80. Dos velhos cartões-postais enviados para tantos endereços em outros cenários, carimbados e selados.

Lagoa das noites, Lagoa dos dias. Lagoa da Parahyba!

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