Levaram a estátua, desta vez o busto de Antônio Pessoa . Vim notar neste fim de semana, ao sair da lotérica com o olhar na direção ...

A duração de nossas estátuas

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Levaram a estátua, desta vez o busto de Antônio Pessoa. Vim notar neste fim de semana, ao sair da lotérica com o olhar na direção de uma velha minha conhecida, a antiga casa de Wills Leal, quando jovem, morando com os pais.

Nas minhas contas, é a segunda escultura que destronam do pedestal desde que assumi por conta própria (e faz tempo) a vigilância desse pequeno segmento do patrimônio histórico e artístico da cidade. Antes, faz uns vinte anos, já haviam
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Pedestal do busto de Camilo de Holanda, que desapareceu da Balaustrada das Trincheiras ▪️ Foto: Alphabet
surrupiado o pince-nez do busto de Camilo de Holanda, o presidente que marcou época em seu pioneirismo de modernização da cidade; anos depois levaram o busto inteiro, o desassombro certamente ajudado pelo total abandono de um dos postais encantadores da antiga cidade, em suas características mais autênticas, naquele final maltratado e triste das Trincheiras: de um lado, os palacetes arruinados da aristocracia defunta; ao poente, o anfiteatro verde, com toda uma balaustrada de mirante, hoje ocupado pelo arruamento periférico a trocar o cromo antigo, presente da natureza, pelo amontoado de telheiros de zinco da nossa pobreza sem fim.

O busto, como já lembrei outras vezes, fora erguido trinta anos depois de Camilo ter largado o poder, num gesto de reparo do prefeito Oswaldo Pessoa ao tratamento dado por Epitácio, o grande oligarca, ao fim do mandato de Camilo, excluindo-o da lista de deputados por conta de um chiste que, em confiança, teria largado ao receber a notícia da morte de Antônio Pessoa, mão forte do irmão presidente.

Já na praça Álvaro Machado, antigo desembarcadouro do Porto do Capim, não foi confiada a colocação de sua estátua. Seus admiradores, que não eram poucos, quase todos monarquistas liderados pelo Barão do Abiahy, preferiram assentar a sua enorme estátua na praça do Carmo,
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Estátua de Álvaro Machado na Praça da Igreja do Carmso, em J. Pessoatr-PB ▪️ Foto: Mark Berman
mais central e próxima às antigas repartições da Segurança. Mesmo em iguais condições, certamente melhores, foi erguido o mais imponente dos monumentos ao presidente João Pessoa, às vistas de dois palácios e de sentinelas, e, mesmo assim, arrancaram das mãos de um guardião simbólico a folha da espada.

E entremos direto no mais preocupante: a preservação mais segura do busto erguido a Augusto dos Anjos pela Associação de Imprensa e a nossa Academia de Letras, decorridos trinta e tantos anos de sua morte, com o governo do Estado entrando com o suporte, o pedestal. Isto enquanto, em Leopoldina, onde o poeta viveu menos de dois anos, Bruno Giorgi concluía, a mando da prefeitura local, a maquete do conjunto escultural que orna o túmulo do poeta.

O busto já esteve mais ameaçado, quando perdido e confundido em meio às capotas do estacionamento de automóveis em que se degradara o Parque Solon de Lucena, estacionamento expurgado na gestão anterior do prefeito Cartaxo. O poeta ficou mais à vista numa clareira aberta próxima à parada geral dos ônibus. Já pensei em ir a Rubin Falcão, ao prefeito, para dividir com eles a ideia de um gradil artístico ou coisa semelhante em torno da estátua. Uma coisa bem pensada, bem concebida, que proteja um monumento de tanta significação para a Paraíba e tanto mais para quem nos visita.

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