Continuando com nossas histórias reais, hoje trazemos a figura de Fellicia Tourinha, apontada como bruxa por Domingas Jorge, que há exatamente 433 anos (28.11.1594) compareceu à mesa do Santo Ofício, mais especificamente da Primeira Visitação do Santo Ofício (1593–1595) às capitanias de Pernambuco, Itamaracá e Paraíba.
Assim como Domingas Brandôa, nossa querida “Bruxa” já anteriormente citada, Fellicia Tourinha também foi presa por crime comum, por ter dado “huã bofetada a huã molher onrada da Igreja?”. Talvez a motivação do crime tenha sido algum desrespeito da “molher onrada da Igreja”. Fellicia Tourinha era uma mulher “mulata”, filha natural de um clérigo com uma negra forra chamada Antônia Vaz.
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Segundo Domingas Jorge, Fellicia enfiou uma tesoura em um chapim (calçado feminino) e proferiu as seguintes palavras: “diabo guedelhudo, diabo orelhudo, diabo felpudo, me digas se vai ‘Foam’ (Fulano) por tal caminho (que era hum homem ao qual queria saber se hia onde ele tinha dito que havia de ir); se isto he verdade, faça andar isto; se não he verdade, não o ffaças andar”.
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Fellicia Tourinha estava sendo acusada de evocar o Diabo para práticas adivinhatórias. Mas, para sua sorte, não se encontrava mais em Olinda, pois tinha se casado com um homem branco, chamado Gaspar de Paiva, antigo criado de Filipe Cavalcanti, genro do famoso Adão Pernambucano. O casal Fellicia e Gaspar havia se mudado para uma das “capitanias de baixo”, ao sul de Pernambuco.








