Mais de cinco décadas desde quando avistei pela primeira vez as esculturas de bronze em altos pedestais na Praça João Pessoa, ainda agora, ao passar pelo lugar, arrebatam-me as imagens refletidas de cada peça simetricamente esculpida. Eu olhava, mas não entendia aquelas estátuas.
O monumento erigido em memória do ex-presidente da Paraíba, que dá nome à nossa capital, foi inaugurado em setembro de 1933, com o regozijo da população, ainda comovida pelos nefastos acontecimentos de três anos atrás, por ocasião do assassinato do presidente João Pessoa e de outras personalidades públicas paraibanas.
Lançamento das bênçãos à pedra fundamental do Monumento ao ex-presidente João Pessoa, na Praça João Pessoa, pelo arcebispo D. Adauto Aurélio de Miranda Henriques, em junho de 1933 ▪️ Fonte: Jornal A União
Rodeadas pelos prédios do Legislativo, Executivo e Judiciário, mesmo não tendo a imponência das pirâmides egípcias, tão belas e misteriosas, míticas e reveladoras de um mundo de imponência econômica e poder político dos egípcios, as estátuas da praça representam um valor simbólico imensurável para nós, paraibanos.
Detalhes do Monumento a João Pessoa, projeto do arquiteto Clodoaldo Gouveia (1887-1948) e esculturas de Humberto Cozzo (1900-1981) ▪️
A revista O Cruzeiro, edição de 23 de setembro de 1933, registrou a inauguração do monumento, ocorrida no dia 8, que teve a visita do chefe do governo provisório, Getúlio Vargas, e do ministro José Américo, contando com a presença do arcebispo metropolitano da Paraíba, dom Adauto de Miranda Henriques. A cidade ficou engalanada; as pessoas mal tinham espaço onde se acomodar na antiga Praça Comendador Felizardo, demonstrando entusiasmo para manter viva a memória do ex-presidente assassinado.
Inauguração do Monumento a João Pessoa com discurso do ministro José Américo de Almeida e a presença do presidente Getúlio Vargas ▪️ Jornal A União
Chegando ao governo cinco anos antes, com arrojadas atitudes, o homenageado tinha alentado espírito de servir à Paraíba, com gestos e maneiras que teriam contrariado setores da sociedade ainda movidos pelos costumes edificados e alicerçados no novo sistema de governo implantado em 1889.
Humberto Cozzo ▪️ Arte: Cândido Portinari
O conjunto escultórico da praça foi erigido com propósitos bem definidos: mostrar a grandiosidade da Paraíba e a bravura de sua gente, representada pelo presidente João Pessoa.
Praça João Pessoa nos anos 40/50 ▪️ Fonte: Museu Walfredo Rodrigues
Nos tempos atuais, aquela praça não mais revela o aconchegante ambiente de outrora, o espaço onde eram revelados segredos testemunhados pelo luar. É uma praça silenciosa, revelando as dores dos tempos atuais, como, de resto, faz grande parte da cidade antiga.










