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Temor à solidão
A simples perspectiva de passar um final de semana sem compromissos sociais ou o pensamento sobre a velhice deflagram crises de ansiedade severas. Para esquivar-se desse pavor, muitos mantêm casamentos falidos, amizades tóxicas ou relacionamentos abusivos, preferindo suportar o mal-estar da má companhia a encarar o silêncio da própria presença. A solidão é vivenciada como uma punição, um atestado de fracasso pessoal ou uma confirmação de que o sujeito é desprovido de valor.
O ser humano nasce em um estado de extrema dependência do outro para sobreviver física e psiquicamente. Quando essa experiência não é adequadamente elaborada na infância, a solidão adulta evoca o fantasma do abandono primordial. A pessoa confunde estar só com ser abandonada. Além disso, a incapacidade de tolerar a solidão indica uma dificuldade de habitar o próprio mundo interno, como se permanecer a sós consigo mesmo significasse encontrar um vazio assustador ou fantasmas punitivos.
Segundo Donald Winnicott (1958), no ensaio intitulado “A capacidade de estar só", a habilidade de sustentar a própria companhia não nasce do nada; exige um alicerce afetivo prévio: “Embora muitos tipos de experiências alimentem a capacidade de estar só, há um tipo fundamental sem o qual a capacidade de estar só não pode se formar: a experiência de estar só, como bebê ou criança pequena, na presença da mãe.” O temor à solidão muitas vezes reflete não a falta atual de pessoas, mas a ausência de uma presença interna suficientemente segura que torne o silêncio um lugar habitável.
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Aquele que é o Criador de todos os seres, segura-te firme para segurá-lo. E Dança, ó Serpente!
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Ao romper a lacra do baú existencial em Baú de Ossos, o leitor não encontra apenas reminiscências de um tempo idos, mas é arremessado no centro de um furacão verbal de beleza assustadora.
A força magnetizante desta narrativa reside na virtuosidade com que Nava transfigura o cotidiano em mito, fazendo com que o som de passos em um assoalho antigo ou os sussurros nos corredores de Juiz de Fora e do Rio de Janeiro soem como acontecimentos de escala épica. O autor não narra apenas o seu passado; ele constrói uma catedral de sensações, onde os aromas, os objetos e as sombras de uma época ganham um relevo tridimensional que enreda o leitor da primeira à última linha, tornando impossível interromper a leitura, render-se a esta obra-prima é um privilégio raro e inesquecível.










































