Oxente, caba, como vou explicar que ser nordestino não é só gostar de rubacão, buchada e comida pesada?

Dia do Nordestino é todo dia

nordeste cultura sertao cordel repente tradicao
Oxente, caba, como vou explicar que ser nordestino não é só gostar de rubacão, buchada e comida pesada?

Na João Pessoa de outrora, onde galinhas campavam livres como se os paralelepípedos fossem capim e os quintais eram um luxo para pouc...

Balalaica: A perdigueira desastrada com coração de ouro

balalaica cachorro aventuras caca familia saudade
Na João Pessoa de outrora, onde galinhas campavam livres como se os paralelepípedos fossem capim e os quintais eram um luxo para poucos, vivia Balalaica. Não era uma cadela qualquer. Mestiça de perdigueiro, com um nome que evocava a melodia russa e um corpo malhado que parecia obra de arte abstrata, ela era a personificação da energia canina, com uma "pitada" de humor que só a vida real pode oferecer.

O temor da solidão tem levado muitas pessoas aos consultórios de psicólogos e psicanalistas. O medo de terminar a vida sem companhia,...

Temor à solidão

solidao angustia tristeza
O temor da solidão tem levado muitas pessoas aos consultórios de psicólogos e psicanalistas. O medo de terminar a vida sem companhia, de envelhecer no esquecimento ou de morrer solitário. Esse pavor não se reduz ao isolamento físico momentâneo; é uma angústia existencial que assombra o sujeito mesmo quando ele está cercado de pessoas. A sociedade contemporânea, apesar do excesso de conexões digitais e redes sociais, parece ter agravado essa sensação de desamparo,
solidao angustia tristeza
Arte: Gustave Courbet, 1843
criando uma fachada de hiperconvivência que esconde uma incapacidade de vinculação subjetiva autêntica.

A simples perspectiva de passar um final de semana sem compromissos sociais ou o pensamento sobre a velhice deflagram crises de ansiedade severas. Para esquivar-se desse pavor, muitos mantêm casamentos falidos, amizades tóxicas ou relacionamentos abusivos, preferindo suportar o mal-estar da má companhia a encarar o silêncio da própria presença. A solidão é vivenciada como uma punição, um atestado de fracasso pessoal ou uma confirmação de que o sujeito é desprovido de valor.

O ser humano nasce em um estado de extrema dependência do outro para sobreviver física e psiquicamente. Quando essa experiência não é adequadamente elaborada na infância, a solidão adulta evoca o fantasma do abandono primordial. A pessoa confunde estar só com ser abandonada. Além disso, a incapacidade de tolerar a solidão indica uma dificuldade de habitar o próprio mundo interno, como se permanecer a sós consigo mesmo significasse encontrar um vazio assustador ou fantasmas punitivos.

solidao angustia tristeza
Arte: Gustave Courbet, 1856
Embora as influências do meio sejam reais, a psicanálise interpela o indivíduo sobre a sua própria posição e sobre a sua cumplicidade inconsciente na manutenção da situação dolorosa da qual se queixa. Interrogar-se sobre o próprio desejo e sobre as escolhas que o trouxeram até esse ponto é a condição indispensável para transformar a vida. Assim, o sintoma deixa de ser lido como uma mera anomalia a ser eliminada por técnicas de controle comportamental ou medicação e passa a ser entendido como um arranjo simbólico, uma mensagem cifrada do inconsciente que pede decifração e elaboração no espaço analítico.

solidao angustia tristeza
Arte: Gustave Courbet, 1851
O processo analítico possibilita uma ressignificação profunda da experiência do estar só. Na transferência analítica, o paciente experimenta um espaço seguro onde pode desdobrar seus temores sem ser julgado ou abandonado. Gradativamente, a solidão deixa de ser percebida como um abismo aterrorizante e passa a ser conquistada a capacidade reflexiva de estar em sua própria companhia com serenidade. Ao integrar a realidade do desamparo estrutural sem desespero, o indivíduo deixa de usar os outros como escudos contra a ansiedade e torna-se capaz de estabelecer relacionamentos baseados no desejo genuíno e não no pânico do abandono.

Segundo Donald Winnicott (1958), no ensaio intitulado “A capacidade de estar só", a habilidade de sustentar a própria companhia não nasce do nada; exige um alicerce afetivo prévio: “Embora muitos tipos de experiências alimentem a capacidade de estar só, há um tipo fundamental sem o qual a capacidade de estar só não pode se formar: a experiência de estar só, como bebê ou criança pequena, na presença da mãe.” O temor à solidão muitas vezes reflete não a falta atual de pessoas, mas a ausência de uma presença interna suficientemente segura que torne o silêncio um lugar habitável.

solidao angustia tristeza
Arte: Gustave Courbet, 1869
Guimarães Rosa escreveu que o silêncio somos nós mesmos, demasiadamente. A solidão pode representar o contato mais íntimo de um indivíduo consigo mesmo. O problema é ter de se encarar, lidar com o desconforto de se perceber inadequado e cobrar-se por uma adequação que talvez nunca chegue. Será que a “normalidade” é tão saudável quanto julgam sê-la? Fala-se muito em pertencimento devido à excessiva oferta de espaço, esses multiversos disseminados pelas mídias nos fragmentam tal qual a Guernica de Pablo Picasso. Nossas faces tortas, irreconhecíveis para nós mesmos gera espanto, intensificando a solidão. Pertencer-se, habitar-se, é o maior desafio para quem tropeça nos próprios passos e não trata as feridas.

Aquela noite da agonia derradeira, quando contemplei o rosto sereno de minha mãe na cama do hospital, segurando meu braço, ela murmuro...

Vejo minha mãe quando observo as estrelas

mae saudade familia fe lembrancas eternidade
Aquela noite da agonia derradeira, quando contemplei o rosto sereno de minha mãe na cama do hospital, segurando meu braço, ela murmurou com os lábios trêmulos “que Deus te abençoe”, e fui abençoado com a meiguice do seu olhar para o resto de minha vida.

Conheci o acadêmico João Batista nos anos 70, quando fazíamos Universidade, Curso de Letras. Fomos da mesma turma. Depois, fui sua al...

A Posse de João Batista de Brito

literatura academia poesia cinema amizade erudicao
Conheci o acadêmico João Batista nos anos 70, quando fazíamos Universidade, Curso de Letras. Fomos da mesma turma. Depois, fui sua aluna em Teoria da Literatura, achei bem difícil e tranquei a disciplina, atordoada. Anos depois, aí mais amadurecida e já na pós, estudei as disciplinas do Texto Poético e Teoria do Cinema. Como aprendi coisas nas aulas de João! Sem falar que até escrevi um texto para o seu livro, Leitura do Texto Poético – ensaios de (e para) a sala de aula. João Batista B. de Brito (Org.), Editora Universitária, 1997, analisando o poema de Vitória Lima, Men(t)ira. Um aprendizado de descobertas.

Com a derrocada da União Soviética e a queda do muro de Berlim, os jovens ficaram menos ligados em política. Fukuyama decretara o fim ...

Alienação gramatical

alienacao politica ideologia esquerda gramatica liceu
Com a derrocada da União Soviética e a queda do muro de Berlim, os jovens ficaram menos ligados em política. Fukuyama decretara o fim da História e, com ele, a falência das ideologias. Rótulos como esquerda e direita tinham saído da moda (embora alguns nostálgicos ainda os alardeassem), assim como parecia haver desaparecido a polarização simplista entre engajamento e alienação. Mas nas décadas de 1960 e 1970 era costume avaliar as pessoas em função de elas estarem em um ou outro desses polos.

Talvez exista dentro de você uma pessoa que há muito tempo não consegue mais sair. Não porque esteja presa em algum lugar, mas porque ...

Atrás da porta

porta personagem armadura aprovacao expectativa liberdade
Talvez exista dentro de você uma pessoa que há muito tempo não consegue mais sair. Não porque esteja presa em algum lugar, mas porque você a trancou atrás de uma porta que construiu para sobreviver.

O som que me circula Me faz rodilha E de mim também feito de som Assimétrico aos meus limites, ele É a ponte sobre o que eu e...

O teu bigode, um tapete de flores

poema antonio aurelio cassiano poesia paraibana
O som que me circula Me faz rodilha E de mim também feito de som Assimétrico aos meus limites, ele É a ponte sobre o que eu era e a Água corrente que me torno E me despeço da pele Deixando-a entre pedras E musgos, como num leito de rio Me esfacelo em lógica Me ato em puro éter E recebo o sentido do que se move

Por razões de força maior, não pude comparecer ao relançamento do livro A intertextualidade das formas simples , da professora Elizabe...

Elizabeth Marinheiro, rainha da Borborema e de outros reinos mais

elizabeth marinheiro literatura campina cultura intertextualidade paraiba
Por razões de força maior, não pude comparecer ao relançamento do livro A intertextualidade das formas simples, da professora Elizabeth Marinheiro, ocorrido há poucos dias em Campina Grande, para onde seguiu uma caravana de seus confrades e confreiras da Academia Paraibana de Letras, todos conscientes da relevância cultural do evento. Pois, de fato, não se tratava apenas de mais um lançamento de livro, mas de um momento muito especial em que, além de se trazer a público, mais uma vez, uma obra literária importante, comemorava-se o aniversário natalício da autora, figura
elizabeth marinheiro literatura campina cultura intertextualidade paraiba
respeitadíssima não só da cultura paraibana, mas também da brasileira como um todo. Na verdade, era uma verdadeira e justa celebração da escritora e professora que tantos serviços prestou – e continua prestando – aos paraibanos e aos brasileiros, em sua área de atuação.

Minha experiência como pastor ensinou-me uma coisa que os livros de teologia ignoram ou omitem: raramente alguém desiste de fazer aq...

Você busca um cúmplice?

cumplicidade consciencia liberdade responsabilidade escolha verdade
Minha experiência como pastor ensinou-me uma coisa que os livros de teologia ignoram ou omitem: raramente alguém desiste de fazer aquilo que deseja apenas porque outra pessoa lhe demonstrou que está errado. Pode-se apresentar a passagem bíblica mais explícita, o argumento mais convincente, a advertência mais amorosa e racional. Se a vontade estiver decidida, a razão será convocada apenas para ser um mero contraste à desobediência.

O que um touro de corrida em Córdoba, um camponês borgonhês e um tropeiro do sertão brasileiro têm em comum? Há uma panela pesada n...

Cozidos, uma genealogia em forma de prato

cozido gastronomia tradicao afetividade historia culinaria
O que um touro de corrida em Córdoba, um camponês borgonhês e um tropeiro do sertão brasileiro têm em comum?
Há uma panela pesada no canto do fogão, tampada, soltando borbulhas lentas. Quem passa pela cozinha sente o cheiro antes de ver a panela. E talvez não saiba que dentro dela dorme uma história de cinco séculos, que atravessou o Mediterrâneo, as ilhas do Atlântico e o sertão brasileiro. Um touro de corrida em Córdoba, um camponês da Borgonha e um tropeiro do sertão têm mais
cozido gastronomia tradicao afetividade historia culinaria
GD'Art
em comum do que imaginam. Os três acabaram, cada um a seu modo, dentro de um cozido. Eu chamo a isso de receitas de afetividade. São comidas que fazem mais do que restaurar e saciar a fome. Elas abraçam. Quem prova um prato desses volta no tempo, sente o cheiro da casa de alguém, ouve de novo uma voz que talvez já não esteja aqui. A panela é um portal, e o cozido é o passe de entrada.

“Nosso corpo mortal com certeza irá. Aquele que é o Criador de todos os seres, segura-te firme para segurá-lo. E Dança, ó Serpe...

Nag Panchami: O Festival das Serpentes

deuses serpentes india naja
“Nosso corpo mortal com certeza irá.
Aquele que é o Criador de todos os seres, segura-te firme para segurá-lo. E Dança, ó Serpente!
Os tolos procuram alegria na mentira. Quem realiza estados superiores observa o Silêncio, para buscar a Essência da Verdade. Sabe disso. E dança, ó Serpente!” Paambatti Siddha in “Dança, ó Serpente!”, “Aadu Paambe” (século XVIII)

Nesta data, 25 de setembro , 61 anos atrás, Lobo entrou na minha vida. Era um belíssimo pastor-belga preto, pelos longos, olhar muito i...

Amigos de estimação

amizade animais juventude serenatas companheirismo saudade
Nesta data, 25 de setembro, 61 anos atrás, Lobo entrou na minha vida. Era um belíssimo pastor-belga preto, pelos longos, olhar muito inteligente. Chegou lá em casa pelas mãos de Paulo Fernando e logo me adotou como seu dono. Foi como se eu tivesse conquistado o seu coração.

Era o 2 de dezembro de 1945, o mais cívico dos anos de toda a minha vivência, embora não passasse dos meus 12 anos ou, talvez mesmo, p...

O mais alvissareiro dos anos

eleicoes 1945 dutra brigadeiro
Era o 2 de dezembro de 1945, o mais cívico dos anos de toda a minha vivência, embora não passasse dos meus 12 anos ou, talvez mesmo, por isso. Foi o ano em que a Grande Guerra acabou, a narração do rádio televisionada pela imaginação, o público a fazer auditório aquém do balcão da mercearia de Seu Nequinho, um dos grandes do nosso pequeno comércio.

QUERIA Queria escrever poesia Mas não posso Estou entregue aos fatos à razão ao rumor dos acontecimentos Queria o verbo sem condi...

Queria... Ah, como queria

poesia tatui cristina siqueira
QUERIA
Queria escrever poesia Mas não posso Estou entregue aos fatos à razão ao rumor dos acontecimentos Queria o verbo sem condicional Mas não posso As palavras passam fluidas escorrem entre os dedos minhas mãos não as alcançam

Um romance que devolve à literatura a responsabilidade de preservar memórias que o país preferiu esquecer. Minha Pequena Gota de Chuv...

Minha Pequena Gota de Chuva

livro hanseniase cidadania
Um romance que devolve à literatura a responsabilidade de preservar memórias que o país preferiu esquecer. Minha Pequena Gota de Chuva, de Jesu Andrade, pertence a essa segunda categoria.

A narrativa acompanha duas trajetórias que, à primeira vista, parecem independentes: a de Pingo, um menino negro de apenas onze anos que vende picolés nas ruas de Guarulhos para financiar

Existem livros que não pretendem simplesmente contar o mundo: pretendem observá-lo. A Mosca na Parede e outros textos — de crônicas a e...

A mosca na parede e outros textos — de crônicas a ensaiados ensaios

cronica literatura cotidiano memoria ironia reflexao mosca na parede gil messias
Existem livros que não pretendem simplesmente contar o mundo: pretendem observá-lo. A Mosca na Parede e outros textos — de crônicas a ensaiados ensaios pertence a essa linhagem. Seu ponto de partida é aparentemente modesto — a atenção ao cotidiano, aos pequenos acontecimentos, às figuras anônimas, às contradições da existência —, mas é justamente dessa aparente modéstia que nasce sua força literária.

Há pessoas que tratam a língua como se ela fosse um corpo rígido, vendo-a como o faria um professor de anatomia, diante de um cadáver...

Os ocultos caminhos da linguagem

grande sertao riobaldo diadorim
Há pessoas que tratam a língua como se ela fosse um corpo rígido, vendo-a como o faria um professor de anatomia, diante de um cadáver, interessado em identificar a seus alunos as suas partes constituintes. Ou como um legista, preocupado apenas com a autópsia. São pessoas que esquecem ser a mudança a lei natural da língua, porque lei do Universo.

Marineuma Oliveira (Bienal Internacional do Livro de São Paulo ⏤ setembro 2026) ▪️ Acervo pessoal"> Há substancial diferença e...

Da Bienal Internacional do Livro de São Paulo

bienal internacional sao paulo livros leitura literatura autores consumo
Há substancial diferença entre ler e gostar de livros. Nem sempre quem os ama é um grande leitor, assim como nem todo leitor cultiva uma relação afetiva com esse objeto. Ler é mergulhar no texto, página a página, acompanhar as ideias do autor e dialogar com elas. Gostar de livros, por outro lado, envolve muito do que eles representam: o projeto gráfico impactante e inovador, o cheiro, a assinatura de um escritor consagrado, o fato de estarem entre os mais vendidos e até o prazer de possuí-los.

O que eu perguntaria pra Deus Se pudesse entrevistá-lo? Aí pensei: Que bobagem essa minha! Jamais poderia perguntá-lo. Alguém ...

Quando resolvi entrevistar Deus

poesia daniele souza entrevista deus
O que eu perguntaria pra Deus Se pudesse entrevistá-lo? Aí pensei: Que bobagem essa minha! Jamais poderia perguntá-lo. Alguém de grande importância Será que me deixaria questioná-lo? Um caderno com perguntas, E um lápis qualquer. Sentaria perto dEle, Quem sabe, ofereceria um café. Para o Dono dos meus dias E quem me mantém de pé.

Fala, camarada querido. Tudo bem, meu velho amigo irmão? Estou aqui no trânsito, avançando lentamente, sentindo-me em crise. Acabo ...

Vou pegar a estrada

politica cinema eleicoes corrupcao anarquismo sociedade
Fala, camarada querido. Tudo bem, meu velho amigo irmão? Estou aqui no trânsito, avançando lentamente, sentindo-me em crise. Acabo de chegar à Mata do Buraquinho, sabe? Ao meu redor, essa multidão e toda essa tristeza, tolos bastardos PeTralhas e Bolzolóides. Que coisa feia de gentalha! E, pensando aqui na vida e nos filmes que eu vi, cara, como são necessárias as lembranças! Eu tava me lembrando agora de “Bastardos Inglórios”. Que título e que sacadas teve o Tarantino! Não sei se você lembra desse filme. Lembro a
politica cinema eleicoes corrupcao anarquismo sociedade
Cena de Bastardos Inglórios” (2009), dirigido por Quentin Tarantino ▪️ Fonte: UFSC
você: uma tropa de soldados, na Segunda Guerra, ia em busca de nazistas para matar e deixar alguns vivos com a marca da suástica nazista na testa. Um outro filme é viver o cotidiano aqui em João Pessoa. Como ainda é bom, mesmo com uma claque votando em candidatos processados por corrupção, numa narrativa notoriamente insana, trash, como um filme que vi há muito tempo. Tu te lembras de “Salò ou os 120 Dias de Sodoma” (1975), último filme de Pier Paolo Pasolini? É uma alegoria extrema e desesperada sobre o poder absoluto e a degradação do ser humano. Assemelha-se ao caso do ex-governador Ricardo Coutinho, denunciado e preso pelo GAECO, do Ministério Público, julgado e culpado pelo TJ-PB e com processo arquivado no STF. Avaliem e imaginem o quanto custou, quem pagou e qual escritório de advocacia de Brasília! Ele é um dos deputados a serem eleitos?!

Hoje escutei de um amigo uma crítica que fizeram sobre mim. Alguém que acredita me conhecer fez um comentário nada agradável. Já out...

Quem sou?

pintura reflexao reforma intima eu interior
Hoje escutei de um amigo uma crítica que fizeram sobre mim. Alguém que acredita me conhecer fez um comentário nada agradável. Já outra me enviou uma mensagem agradecendo meu existir. Bem, ninguém conhece ninguém. Eu faço ideia de como as pessoas são a partir do que me é permitido saber. Vivo diuturnamente no processo de conhecimento sobre mim mesma. Sou, para diferentes pessoas, diferentes fragmentos. Tudo vai depender da perspectiva da qual me enxergam.

Que sorriso bonito o da pequena Rafaela. Ficou ainda mais fofo depois da brecha deixada pelo dente de leite espontaneamente caído e de...

Janelas e mourões

infancia velhice pandemia
Que sorriso bonito o da pequena Rafaela. Ficou ainda mais fofo depois da brecha deixada pelo dente de leite espontaneamente caído e dedicado ao mourão com os dizeres: “Mourão, mourão, toma este dente podre e me dá um são”. Ao mourão, sim, pois símbolo de força e resistência bem fincado no terreno para o sustento das porteiras que

As tensões entre as interpretações jurídicas contemporâneas — especificamente no Brasil — destacam-se pela necessidade de adaptar a t...

Razão pública e ponderação jurídica

ponderacao coerencia racionalidade direito principios discricionariedade
As tensões entre as interpretações jurídicas contemporâneas — especificamente no Brasil — destacam-se pela necessidade de adaptar a técnica da ponderação de princípios, impulsionada pelas contribuições do filósofo e jurista estadunidense Ronald Myles Dworkin (1931-2013) e do jurista e filósofo alemão Robert Alexy (1945-2026). Todavia, em contraste com o otimismo doutrinário, crescem as preocupações relativas ao uso abusivo dessa técnica, argumentando-se que a ponderação viabiliza um aumento excessivo da discricionariedade judicial, gerando prejuízos à segurança jurídica e
ponderacao coerencia racionalidade direito principios discricionariedade
GD'Art
à legitimação do Poder Judiciário. Para conter esses riscos, intensificou-se o esforço metodológico voltado a elevar a racionalidade da ponderação, cujas propostas se organizam em quatro tendências centrais: coerência, razão pública, decomposição analítica e predefinição de normas.

Estou aqui, arrumando a cabeça de meu pai neste caixão que colocaram de qualquer jeito no necrotério do hospital.

A consciência pode se dissociar da verdade

pai filho despedida morte afeto fragilidade
Estou aqui, arrumando a cabeça de meu pai neste caixão que colocaram de qualquer jeito no necrotério do hospital.

A liberdade de expressão é um dos pilares fundamentais de qualquer sociedade democrática. Ela permite que indivíduos exprimam suas o...

A liberdade de expressão

expressao liberdade fala discurso
A liberdade de expressão é um dos pilares fundamentais de qualquer sociedade democrática. Ela permite que indivíduos exprimam suas opiniões, ideias e sentimentos sem medo de represálias. No entanto, essa liberdade não é absoluta e deve ser exercida com responsabilidade, respeito e empatia, especialmente em um contexto no qual as palavras podem ter

Poucas experiências intelectuais e afetivas são capazes de transformar tão radicalmente a nossa percepção da existência quanto o en...

O Despertar da Memória: A fascinante imersão no universo de Baú de Ossos

pedro nava memorias
Poucas experiências intelectuais e afetivas são capazes de transformar tão radicalmente a nossa percepção da existência quanto o encontro fulgurante com a obra de Pedro Nava.

Ao romper a lacra do baú existencial em Baú de Ossos, o leitor não encontra apenas reminiscências de um tempo idos, mas é arremessado no centro de um furacão verbal de beleza assustadora.
pedro nava memorias
O autor opera uma autêntica ressurreição da memória, utilizando a precisão de sua formação médica combinada à sensibilidade transcendental de um poeta. Cada página resgata as ossadas de um Brasil ancestral, cobrindo-as com a carne pulsante e aquecida de uma linguagem refinada, na qual personagens familiares, casas centenárias e ruas esquecidas ganham uma vida quase espiritual diante de nossos olhos. Devorar este livro é aceitar um convite para uma paixão avassaladora e sem retorno.

A força magnetizante desta narrativa reside na virtuosidade com que Nava transfigura o cotidiano em mito, fazendo com que o som de passos em um assoalho antigo ou os sussurros nos corredores de Juiz de Fora e do Rio de Janeiro soem como acontecimentos de escala épica. O autor não narra apenas o seu passado; ele constrói uma catedral de sensações, onde os aromas, os objetos e as sombras de uma época ganham um relevo tridimensional que enreda o leitor da primeira à última linha, tornando impossível interromper a leitura, render-se a esta obra-prima é um privilégio raro e inesquecível.

pedro nava memorias
GD'Art
Esta prosa aristocrática, marcada por uma sofisticação estilística hoje quase extinta, oferece um banquete estético de erudição e sensibilidade, no qual cada vocábulo desempenha um papel milimetricamente orquestrado. A profundidade com que os retratos psicológicos são traçados revela um observador genial da alma humana, transformando a memória individual em um grande espelho universal sobre o qual a nossa própria identidade é refletida e redescoberta com encantamento.

pedro nava memorias
Pedro Nava (1903–1984), médico, escritor e memorialista mineiro, nascido em Juiz de Fora. Sua produção literária ganhou destaque a partir de Baú de Ossos (1972), primeiro de uma série de livros de memórias em que entrelaçou lembranças pessoais, história familiar e observação da sociedade brasileira.
Ignorar esta leitura é privar a mente de um dos maiores tesouros já escritos, recomendar Baú de Ossos torna-se, portanto, um ato de devoção à arte suprema da escrita e uma urgência para qualquer um que deseje ser tocado pela beleza estética e pela emoção pura. Esse é o meu testemunho apaixonado de amor a uma obra monumental que nos transforma para sempre, garantindo que o leitor, ao fechar a última página, nunca mais olhe para o próprio passado com os mesmos olhos.

Postagens mais visitadas